A Mensagem de Buda ao Mundo de Hoje e de Amanh�
Quando Buda, ap�s sua ilumina��o, chegou ao zool�gico de Benares, era somente um andarilho solit�rio, um peregrino como milhares de outros que diariamente visitavam essa cidade sagrada. Encontrava-se abandonado por seus amigos e desamparado por sua fam�lia � ningu�m sabia da sua grande conquista, n�o havia nenhum sinal vis�vel que convencesse o mundo. E mesmo que pudesse atuar em seu meio atrav�s de sinais e milagres, Buda seria o �ltimo a se utilizar de tais artif�cios.

E esse peregrino solit�rio trouxe ao inundo em seu cora��o a luz de um conhecimento que deveria mudar as fei��es de parte da humanidade.

� bom manter este quadro em mente e n�o esquecer que aqueles que provaram ser mais fortes que o poder dos reis e seus ex�rcitos, mais fortes que o tempo e mesmo que a morte, como alguns de n�s, erraram solit�rios e abandonados pelo deserto impiedoso do samsara. Isso nos dar� a confian�a de que n�s tamb�m trazemos a semente da ilumina��o e que s� depende de nosso pr�prio esfor�o faz�-la germinar e deix�-la florescer. Essa cren�a em nossa pr�pria for�a interior � a �nica que Buda exige.

As primeiras palavras do Buda ap�s sua ilumina��o foram:

Est�o abertos os port�es da imortalidade (amatassa);
Quem tiver ouvidos para ouvir, confie.


No que se refere a essa �confian�a� (saddha), pode-se concluir que Buda n�o contava com a credulidade da multid�o, pois a primeira proclama��o dos seus ensinamentos foi dirigida aos seus antigos companheiros, que n�o mais acreditavam nele, e se aproximavam com grande desconfian�a. Quando, no zool�gico, viram que Buda se aproximava, decidiram n�o cumpriment�-lo nem lhe dar boas-vindas, mas trat�-lo com uma desdenhosa indiferen�a. Mas o que aconteceu ent�o? Quando Buda se aproximou deles, levantaram-se de seus lugares, um ap�s o outro, e foram ao seu encontro. Seu semblante manifestava a grande conquista espiritual, seus olhos tinham o brilho profundo dos de algu�m que vagou pelos mist�rios da vida e da morte, e os dominou. Toda sua pessoa irradiava bem-aventuran�a, como se a luz interna transpassasse a forma externa.

Jamais a express�o e a conduta de uma pessoa manifestaram maior sinceridade e poder de convic��o, nascidos do desejo de anunciar este elevado conhecimento para a felicidade de todos os seres vivos, do que as de Buda naquele momento hist�rico. Foi essa perfeita harmonia de todo o seu ser, conferindo �s suas palavras impressionante for�a de convencimento, que sobreviveu por s�culos e que repercute em n�s, como se estas palavras tivessem sido proferidas exatamente neste momento. Toda a felicidade que Buda havia experimentado calado na solid�o da floresta, durante a semana ap�s sua ilumina��o, est� contida nesta solene proclama��o, que ele dirigiu aos cinco ascetas no zool�gico:

Ou�am, � monges. Foi encontrada a liberta��o da morte!

Estranhamente, esta venturosa mensagem encontra-se quase esquecida pelos atuais budistas, especialmente os do Ocidente, que tentaram ver nela pessimismo ou um racionalismo negativista. Mas justamente a primeira palestra de Buda, que come�a com essas palavras triunfais, deixa claro o ponto de vista fundamental da sua doutrina: a id�ia do �caminho do meio�, t�o distanciado dos prazeres ego�stas de uma vida como da automortifica��o e da melancolia. Livre desses extremos, esta doutrina clareia a vis�o, traz luz � mente e conduz � paz, ao conhecimento e � ilumina��o.

A exig�ncia de se evitar extremos, v�lida tanto na vida pr�tica como na espiritual, conduziu a um novo pensamento, e at� mesmo a um novo sistema de l�gica. Dela resultaram posteriormente as principais filosofias da �sia, em cujo centro est� a id�ia do condicionalismo de todos os fen�menos. Corretamente compreendidas, essas id�ias poderiam ser de grande valia para nosso mundo atual. � claro que estamos ainda muito distantes at� mesmo de um vislumbre da compreens�o que conduziria a uma irmandade entre todos os seres, e ao alcance da verdadeira toler�ncia.

Est� provado que na hist�ria do budismo a toler�ncia pode muito bem caminhar ao lado de uma forte convic��o, atrav�s da pr�tica do �caminho do meio�. Por isso considero o budismo especialmente apropriado para trazer paz e harmonia ao mundo de hoje.

Buda investigou os sofrimentos da humanidade como um m�dico que n�o pergunta pela cren�a do paciente, mas sim por sua dor. Ap�s t�-la analisado, percebeu o motivo de seu aparecimento e prescreveu o rem�dio para sua supress�o: o �nobre caminho das oito fases� que conduz � sa�de espiritual e harmonia, e por fim ao nirvana.

Os n�veis deste caminho s�o:

1 - conhecimento perfeito (samma dittbi)
2 - determina��o perfeita (samma samkappa)
3 - discurso perfeito (samma vaca)
4 - a��o perfeita (samma kammanta)
5 - h�bitos perfeitos (samma ajiva)
6 - empenho perfeito (samma vayama)
7 - vigil�ncia perfeita (samma sati)
8 - aprofundamento perfeito (samma samadhi)

N�o h� nada nesse caminho que n�o possa ser adotado por cada pessoa e cada religi�o. Ele s� cont�m aquilo sobre o que todas as religi�es concordam e evita tudo o que traga disc�rdia.

Assim, n�o existe no budismo �voc� deve� ou �voc� n�o deve�, mas somente �eu tomo a decis�o�, �eu fa�o votos de�, �eu me responsabilizo por� e �estou pronto para arcar com as conseq��ncias�. N�o h� lugar para pecado ou condena��o. Enquanto o homem n�o tiver o conhecimento correto das leis da vida e da natureza das coisas, agir� insensatamente e sofrer� com isso. Esse sofrimento n�o � um castigo humilhante, mas uma conseq��ncia natural, que ensina mais do que ordens dadas por um poder externo.

Buda n�o confiava em autoridades. Ele tamb�m esperava dos seus alunos que n�o fizessem de seus ensinamentos um dogma e de sua pessoa uma autoridade. Assim, perguntou certa vez a Ananda se ele o seguia porque acreditava nele e o respeitava ou porque compreendeu e incorporou sua doutrina, o Dharma. Quando Ananda lhe respondeu que seguia os ensinamentos de Buda fundamentado em seu pr�prio ju�zo, Buda manifestou sua satisfa��o e esclareceu que s� tira proveito dos seus ensinamentos aquele que n�o os segue com f� cega.

Buda tamb�m n�o desejava que seus disc�pulos acreditassem somente em suas palavras; deveriam compreend�-las muito mais como ponto de partida de suas pr�prias decis�es e experi�ncias. O maior saber n�o nos pode ajudar quando n�o o adquirimos por esfor�o pr�prio. Por isso a apresenta��o do caminho que conduz � realiza��o da verdade � a tarefa mais nobre do mestre: pois a ilumina��o resulta da destrui��o dos obst�culos que ocultam a luz.

A luz � universal, mas cada um deve v�-la com seus pr�prios olhos. O budismo �, como seu pr�prio nome j� diz, o caminho para a ilumina��o. E esse caminho foi anunciado � como nunca acontecera anteriormente na hist�ria da religi�o � por meio de uma doutrina que englobava todas as pessoas e que n�o terminava nos limites de castas, descend�ncias, povos e culturas. Em lugar de um deus que reina autocraticamente, que lan�a sua miseric�rdia ou sua c�lera sobre as criaturas por ele criadas, ou de um destino cego, Buda apresentou uma norma de conduta que sust�m da mesma forma tanto o macro como o microcosmo, que conscientiza o homem de suas responsabilidades individuais e que o habilita � quando corretamente utilizadas � para o pleno desenvolvimento de todas as for�as aprisionadas em si.

Esta doutrina de Buda experimentou ent�o, no decorrer dos s�culos e mil�nios, configura��es espec�ficas, condicionadas pelo cunho cultural, clim�tico e hist�rico dos pa�ses que se abriram ao Buda Dharma, como por exemplo os pa�ses do sul e norte da �sia e do Extremo Oriente. Cada uma dessas orienta��es e escolas assimilou e destacou tra�os substanciais do Dharma em que jamais chegasse a haver com isso uma ruptura com a pr�pria cultura, antiga e desenvolvida.

N�s no Ocidente podemos e devemos aprender com essas escolas � agora tradicionais �, sem imit�-las. Pois seria um anacronismo se simplesmente assum�ssemos produtos de viv�ncias espirituais alcan�adas nos �ltimos s�culos, resultantes de condi��es culturais completamente diversas, como tamb�m seria absurdo apropriarmo-nos de resultados de um pensamento constru�do sobre experi�ncias que n�o tivemos. Em outras palavras: n�o basta a identifica��o emocional com uma ou com outra fase do budismo. Assim como o embri�o no ventre da m�e repete, de modo abreviado e acelerado, as fases da encarna��o, temos que, pelo contr�rio, compreender o esplendor espiritual dos ensinamentos de Buda em todos os n�veis do nosso ser. � indiscut�vel que nisto a intui��o, o saber colocar-se no lugar de outras pessoas e o poder vivenciar tem um papel importante. Mas, a n�o ser que a intui��o encontre tamb�m uma express�o clara em nosso pensamento, ela pode n�o ter nenhuma influ�ncia em nossa vida, arriscada a perder-se em uma n�voa de sensa��es vagas e de id�ias e vis�es on�ricas, pois nenhuma energia pode atuar a n�o ser que seja moldada e dirigida.

Por outro lado, pensamentos, percep��es ou verdades que s� foram desenvolvidos no plano intelectual devem ser consolidados na viv�ncia, mediante contato direto com a realidade vivida e experimentada, se esta tiver o poder de transformar nossa vida e de instruir em profundidade.

Pessoas que permanecem s� no racioc�nio mant�m-se prisioneiras da trama de seus pensamentos, cujas redes apertam-se cada vez mais sobre elas. Por outro lado, as pessoas que vivem somente em suas mais ou menos vagas intui��es (pois qual � o crit�rio que diferencia urna aut�ntica intui��o de uma mera ilus�o?) transformam-se em prisioneiros de suas sensa��es e sentimentos moment�neos.

Por�m aqueles que conseguem levar seu racioc�nio e sua intui��o a um un�ssono fazem o melhor uso de ambos: gozam da liberdade de uma intui��o que n�o � constrita por nenhum conceito e da alegria de reunir os elementos construtivos da vida intuitiva com as sublimes edifica��es de uma vis�o de mundo universal � edifica��o que se encontra em constante crescimento, na qual a constru��o chega � perfei��o, e cuja �ltima pedra e arremate � a j�ia brilhante da completa ilumina��o.

Esse ato de assimila��o do Buda-Dharma � um processo construtivo que se transforma em uma reorganiza��o. Quando o budismo lan�ar ra�zes no Ocidente, deveremos tamb�m colaborar com nossa parte para continuar o desenvolvimento do Dharma, e preench�-lo, assim, de vida e sangue novo. A doutrina de Buda n�o � nenhuma seita, mas sim uma religi�o da vida e do reconhecimento � uma religi�o que deve nascer renovada em cada criatura. Para isso precisamos ent�o nos libertar do dom�nio de conceitos transmitidos atrav�s dos tempos (que facilmente nos entorpecem com constri��es dogm�ticas).

Precisamos tamb�m ter cuidado ao nos deixar levar pela semelhan�a de certas formula��es de Kant, Schopenhauer ou Francisco de Assis, de Eckhart e dos m�sticos crist�os ou dos modernos existencialistas, na ci�ncia atual e na psicologia, para uma ci�ncia religiosa que tudo nivela e iguala, que no fundo acredita em tudo e em nada e considera isso �toler�ncia�. Podemos respeitar toda forma de express�o espiritual � n�o importando se podemos ou n�o pessoalmente aceita Ias � como uma configura��o da multiplicidade da vida � assim como nos admiramos com a variedade das plantas de um jardim, sem fazer da nossa predile��o um crit�rio para essa opini�o. Com uma receptividade sempre desperta e aberta, nossa mente n�o se fechar� a nenhuma manifesta��o, por�m diferenciar� tudo o que for aut�ntico do artificialmente constru�do

Assim, dever�amos ter cuidado ao tomar parte no sincretismo estereotipado hoje t�o em curso, que equipara, por exemplo, nirvana, e �felicidade eterna�, para evidenciar a �concord�ncia de todas as religi�es�. Tamb�m dever�amos ter cuidado ao ver como santo a pessoa entorpecida, perfeita e n�o mais apta ao desenvolvimento, completa em sua perfei��o, que se livrou de tudo o que h� de humano em si e � satisfeita com a onisci�ncia � n�o � mais capaz de nenhum sentimento humano (a n�o ser talvez uma compaix�o difusa para com a multid�o que a rodeia). Tal santo, que n�o � mais capaz de nenhuma transforma��o, est� espiritualmente morto, como est� morto tudo o que se fecha � lei do fluir, da corrente e da capacidade de transforma��o vivas

O santo, como o entendemos, � algu�m glorificado que renunciou a todas as delimita��es e preconceitos, e tornou-se totalmente aberto e transparente � capaz de aceitar tamb�m o incompreens�vel. � uma pessoa que est� aberta a todo o viver e por isso suscet�vel a tudo ainda n�o experimentado ou, em outras palavras, algu�m que n�o se op�e mais �s mudan�as, � transmuta��o e � transforma��o e, por conseguinte, � senhor da plenitude da vida. E, se escolas budistas posteriores conferem a Buda onisci�ncia, ent�o tamb�m n�o dever�amos aceitar isso apenas por causa da �historicidade� desta afirma��o, o que est� em contraposi��o a tudo que ali�s nos � relatado nos textos cl�ssicos sobre a personalidade de Buda. Pois um Buda onisciente seria um ser despido de toda capacidade de experi�ncia e participa��o.

Buda era sem d�vida um homem muito adiante de seu tempo, mas que para ser compreendido precisou manifestar-se no n�vel de entendimento da sua �poca. Havia atingido o auge de sua mente e era capaz de enxergar claramente todos os problemas de sua �poca. Cada �poca tem seus pr�prios problemas e Buda n�o pretendeu resolver problemas que ainda n�o haviam surgido. Mas por outro lado ele tamb�m n�o era um mero colecionador de saber intelectual, cuja acumula��o nunca caracterizou uma pessoa culta. S� se pode falar de cultura quando o conhecido se transformou em experimentado e o pr�prio viver tornou-se experimentar.

Se Buda concedeu, em sua doutrina, um papel especial e central ao �n�o-saber� (avidya), ent�o temos de estar sempre conscientes de que esse �n�o-saber� n�o significa de maneira alguma falta de conhecimento dos fatos, mas a ignor�ncia de experi�ncia interior, o n�o reconhecimento de nossa pr�pria natureza, ao mesmo tempo em que imputamos a ela um Eu separado e imut�vel.

O conceito de Eu assim conquistado, que nos aparenta um Eu ou Self, ou Alma, eterno, permanente e constante, � sempre renovado pela experi�ncia da centralidade abstra�da de todo processo de vida. Observando-se por�m a vida, ou seja, a natureza, v�-se ent�o que aqui se trata de um processo de focaliza��o de um teor de consci�ncia representado momentaneamente � de um processo em constante transforma��o.

Quanto mais nossa consci�ncia se ocupa com pensamentos que se baseiam meramente em vagas abstra��es, menos vivemos na realidade, isto �, na experi�ncia imediata. Os conceitos podem ser empurrados para l� e para c� como pe�as em um tabuleiro, segundo as regras do jogo, que chamamos de l�gica. Mas assim como existem regras distintas para os jogos, tamb�m existem v�rios sistemas de l�gica, nos quais cada um � l�gico em si, de modo que um n�o possa ser qualificado como certo nem outro como errado.

Trabalhamos ent�o com conceitos por ser adequado � compreens�o. Devemos sempre tornar novamente conscientes as experi�ncias e o teor das viv�ncias que ficaram para tr�s, traz�-las de volta � tona se n�o quisermos nos atolar na insignific�ncia de especula��es metaf�sicas, que Buda sempre rejeitou. Por essa raz�o, devemos sobretudo encarar criticamente essa cita��es na exposi��o do Buda Dharma, oferecido nas l�nguas ocidentais como equivalente dos conceitos transmitidos do s�nscrito e do p�li. Devemos submeter cada conceito, que at� agora aceitamos sem obje��es, a uma prova decisiva. Como budistas, somos convocados a experimentar por n�s mesmos a verdade daqueles que Buda ensinou e por isso devemos fazer dos conceitos novamente o que eram: dedos que indicam o caminho.

Tomemos como exemplo o conceito budista Anicca (do s�nscrito anitya), que sempre foi interpretado como um fator negativo, sendo traduzido como transit�rio.* Por�m, Anicca cont�m n�o somente a transitoriedade mas simultaneamente �resultar�, �recome�o�, �crescimento�. Nicca significa �eterno�, �permanente� e �Anicca� �n�o eterno�, �n�o permanente�. Por termos elevado a �eternidade� a um ideal sem saber que nos deixar�amos levar por um conceito autocriado e abstra�do do nosso intelecto, sem nenhuma correspond�ncia com a realidade, afei�oamo-nos a este conceito e interpretamos toda mudan�a como transitoriedade ou exterm�nio. Mas mudan�a ou verdadeira transforma��o n�o � somente exterm�nio mas tamb�m evolu��o, nascimento � renascimento: a modifica��o para o novo. Pois, se n�o fossem abolidas as antigas condi��es, nada novo poderia resultar. Se o sofrimento fosse eterno, n�o haveria nenhuma salva��o, nenhum controle do sofrimento.

E por �ltimo: a bem-aventuran�a � conceb�vel sem o sentimento oposto? N�o ser� a felicidade eterna um contradictio in adjecto? A emo��o da bem-aventuran�a est� fundamentada na mudan�a; do contr�rio viver�amos em um t�dio eterno, que pode bem ser a pior forma de sofrimento. Queremos evitar a mudan�a, enquanto nos agarramos a coisas e situa��es. Comportamo-nos como uma pessoa avarenta, que senta sobre seu tesouro e morre de fome, O fato de as coisas n�o serem eternas deveria nos ensinar n�o que devemos ambicion�-las, mas sim que dever�amos usufru�-las enquanto est�o aqui, sem nos apegarmos a elas. N�o � a transitoriedade a raz�o do nosso sofrimento, mas sim nossa pris�o, nosso desejo, nossa sede (tanha).

Em outras palavras, n�o � Anicca a raz�o do sofrimento, mas sim nosso desejo de posses. Este � o motivo pelo qual as pessoas entram em um processo de solid�o e tornam-se eremitas ou Sanyasins: querem libertar-se de toda posse. Aqueles aos quais isto d� bom resultado se nos apresentam como santos. Mas s� o s�o se seu esp�rito se tornou claro e transparente � por�m n�o quando acreditam que n�o t�m nada a aprender al�m disto. Quem perdeu a capacidade de continuar crescendo est� morto. Pois a paralisa��o � a morte.

N�o � s�bio aquele que sabe muitas coisas, mas sim aquele que est� disposto a expandir seu conhecimento a qualquer hora. A ignor�ncia perdura em uma mente fechada em si, despreparada para a recep��o � e � indiferente se ela acumulou muito ou pouco conhecimento dos fatos. A sabedoria, pelo contr�rio, � o sinal de uma mente aberta, e nirvana, a liberta��o do �dio, cobi�a e ilus�o, e de todos os preconceitos; � a capacidade de recep��o ou receptividade perfeita de tudo o que a vida coloca perante n�s.
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*Este trecho refere-se especificamente ao idioma alem�o (N. do T.).



Extra�do do livro "Reflex�es Budistas", do Lama A. Govinda, ed. Siciliano
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