Sidarta Gautama, o Buda
O Buda nasceu em Kapilavastu, capital do reino dos Sakyas, norte da  �ndia,  no  s�culo  VI a.C. Seu  nome  era  SIDARTA  (SIDDHARTA,  em  s�nscrito),   descendia   da   fam�lia  GAUTAMA,  era conhecido como Sakya-Muni, o s�bio do pa�s dos Sakyas. Seu pai,  rei  Sudhodama,  governava  o reino dos Sakyas (atualmente Nepal). Sua  m�e  era  a  rainha  Maya  que  faleceu  logo  ap�s  seu nascimento e foi substitu�da por sua irm� Mahapradjapat�.

Conta a piedosa tradi��o budista que Sidarta Gautama nasceu no m�s de  �Vesak�  (maio),  sendo levado ao templo onde os sacerdotes encontraram em seu corpo  os  32  grandes  sinais  e  os  80 pequenos sinais que o predestinavam a ser um grande homem. O  s�bio  Asita  profetizou  que  ele seria, � sua escolha,  um  poderoso  imperador  ou  um  asceta  que  libertaria  a  humanidade  dos sofrimentos.   Sudhodana  (seu pai),   impressionado   com   a  profecia,  criou  Sidarta  numa  �rea confinada do pal�cio, onde ele ficaria alheio �s mis�rias do mundo.

Uma   medita��o  do  pr�ncipe  Sidarta  anuncia  a  concep��o  da  vida  que  ter�  depois. Um  dia, enquanto  seu pai  estava  ocupado  com  a  cerim�nia  do  ritual  da  primavera,  o  jovem pr�ncipe observava pequeninos e delicados p�ssaros disputando os vermes e insetos  que  apareciam num arado (charrua). O pr�ncipe espantou-se, a  princ�pio,  de  como  aqueles  p�ssaros,  considerados pelos homens como s�mbolos da realiza��o espiritual, cujo canto est�  ao  n�vel  dos  poetas, como aqueles p�ssaros podiam ser cru�is e mesquinhos, para com outras esp�cies de animais menores, como os mais ferozes animais.

Assim, ainda na inf�ncia, o jovem pr�ncipe viu que os p�ssaros s�o obrigados a comer para viver e que para tal s�o obrigados a disputar o alimento com outros. Assim � a natureza; desta generaliza��o extra�mos uma lei universal.  Pois n�o  somente  a  natureza  �  indiferente  ao  sofrimento  e  � crueldade, como � ela mesma quem imp�e estas condi��es a todos os seres vivos, se eles querem subsistir. Magoar ou padecer, ou fazer magoar e padecer � tal �  a  lei  da  vida.   Desta  maneira, podemos dizer  que  o  jovem  descobriu  a  inexist�ncia  de  um  Deus  misericordioso,  regendo  o universo.

Aos 16 anos, de acordo com os costumes da  �poca,  casou-se  com  Gopa  Yasodhara.  Os  anos passavam-se alegres e  descuidados,  at�  que  um  dia  Sidarta  viu  um  mendigo,  um  velho,  um moribundo e um morto. Este encontro, que o comum  dos  homens  aceita  como  fato  consumado, para o pr�ncipe Sidarta despertou no seu interior uma profunda reflex�o sobre a realidade  da  vida e o sofrimento da humanidade e, n�o se conformando, resolveu procurar a  porta  de  sa�da desse sofrimento universal.

Aos 29 anos, logo  depois  do  nascimento  do  seu  �nico  filho,  Rahula,  renunciou  aos  prazeres mundanos e, vestindo o traje amarelo dos ascetas, p�s-se a vagar em busca da verdade e da paz, come�ando a cumprir-se a profecia de Asita. Durante seis longos e penosos anos, vagou pelo Vale do Ganges, buscando o conhecimento das famosas filosofias de seu tempo; de in�cio  disc�pulo  do s�bio Alara Kalana, que lhe ensinou a medita��o iogue, atrav�s da qual alcan�ou o estado  mental conhecido como �a regi�o da percep��o e n�o-percep��o�.

N�o convencido dos ensinamentos de seu mestre, Sidarta buscou  o  grande  Uddaka  Ramaputra, conseguindo chegar a um grau ainda mais elevado de concentra��o e percep��o que, no entanto, estava ainda longe do que ele buscava. Assim, deixando o mestre, seguido de cinco companheiros embrenhou-se pela  floresta  de  Uruvilva  em  absoluto  ascetismo  (que  desvaloriza  os  aspectos corp�reos), buscando  o  despertar  espiritual  atrav�s  da  mortifica��o  do  corpo.  Conta-se  que, ent�o, Mara, deus dos prazeres, veio � terra para tentar Sidarta, fazendo tudo ao seu alcance para demov�-lo de seus prop�sitos, nada conseguindo, entretanto.

Tendo chegado ao �ltimo grau de esgotamento, quase morrendo de fome,  sentindo-se  �s  portas da morte verificou que os sacrif�cios n�o extinguem o desejo, que  o  conhecimento  n�o  se  obt�m com um organismo enfraquecido, que o  sofrimento  f�sico  perturba  a  mente,  incapacitando-a  de manter a tranq�ilidade  necess�ria  �  medita��o.  N�o  satisfeito  com  as  pr�ticas  de  ascetismo, decidiu voltar a um modo de vida mais natural e seguir seu pr�prio caminho.

As circunst�ncias compeliram-no a pensar por si mesmo e a procurar dentro do seu  pr�prio  ser  a solu��o almejada que n�o podia alcan�ar atrav�s dos seus instrutores. Sem  ajuda  ou  orienta��o de qualquer poder sobrenatural, confiando apenas em seus pr�prios esfor�os e  intui��o,  libertou-se de todas as fraquezas, aprimorou o processo de percep��o, passou a ver as coisas  como  elas realmente s�o por seu pr�prio conhecimento intuitivo. Assim, finalmente compreendeu  a  Verdade, a natureza da vida e do Carma que a rege.

Aos 35 anos, sentado � beira do Rio Neranjara, perto de Gaya (atual Bihar), ao p� de uma figueira pipal (ficus indica), conhecida mais tarde como �rvore Bodbi ou Bo (�rvore da Sabedoria), atingiu a ilumina��o.

Pregou seu primeiro serm�o � �O Caminho do  Meio� � a  um  grupo  de  cinco  ascetas,  antigos companheiros  seus,   no  parque   das  Gazelas   em  Isipatana  (atualmente  Saranath),  perto  de Benares. Segundo um texto da antiga tradi��o, Gautama  Buda  explicou  o  Caminho  do  Meio  da seguinte maneira: /

� H� dois extremos, � monges, que devem ser evitados por aqueles que renunciaram ao mundo.
� Quais s�o eles?
� Um, �  a  vida  de  prazeres,  consagrada  aos  prazeres  e  �  concupisc�ncia  (intenso  desejo), especialmente � sensualidade; essa vida � ign�bil, aviltante e est�ril.

O  outro  extremo  �  a  pr�tica  habitual  do  ascetismo,   infligindo  ao  corpo  uma  vida  de  cru�is austeridades e penit�ncias  rigorosas,  automortifica��es  que  s�o  penosas,  tristes,  dolorosas  e est�reis.

H� uma vida m�dia que � a perfei��o,  � monges, que evita estes dois extremos, isto  �, levar  uma vida humana  normal,  por�m  refreando  todas  as  tend�ncias  ego�stas  e  todos  os  desejos que perturbam nossa mente; � o caminho que abre os  olhos  e  d�  compreens�o,  que  leva  �  paz, � sabedoria e � plena ilumina��o, ao Nirvana./

Durante 45 anos ensinou o Caminho a todas as classes de homens e  mulheres,  reis  e  camponeses,  br�manes (sacerdotes) e p�rias, mercadores e mendigos, religiosos e  bandidos � sem  fazer a menor distin��o entre eles. N�o reconhecia diferen�a de castas  ou  grupos  sociais:  o  Caminho que pregava estava aberto a todos os homens e mulheres prontos a compreend�-lo e segui-lo. Foi venerado enquanto viveu, por�m nunca  proclamou  sua  divindade.  Foi  um  homem,  um  homem extraordin�rio.

Faleceu aos 80 anos em Kusinara  (atualmente Uttar Pradesh),  n�o  deixando  nenhum  sucessor, mas exortando os disc�pulos a  observarem  sua  doutrina  e  disciplina  como  mestres.  O  sistema moral  e  filos�fico  exposto  por  Gautama  Buda  �  chamado   Dhamma  em  pali  ou  Dharma  em s�nscrito, popularmente conhecido por Budismo.

Hoje o Budismo est� difundido no  Ceil�o,  Birm�nia,  Tail�ndia,  Camboja,  Laos,  Vietnam,  Tibete, China,  Jap�o,  Mong�lia,  Cor�ia,   em  algumas  regi�es  da  �ndia,   no  Paquist�o,  Nepal,  Uni�o Sovi�tica, Alemanha, Inglaterra, Estados Unidos, Brasil e muitos outros pa�ses.

De acordo com a tradi��o budista, tr�s importantes acontecimentos  na  vida  de  Sidarta  Gautama ocorreram no dia de lua cheia de Vesak (m�s  de  maio):  seu  nascimento,  sua  ilumina��o  e  seu passamento. Festivais s�o realizados para  comemorar  esses  acontecimentos,  conhecidos  como celebra��es de Vesak.

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1 Buda: significa Supremo Iluminado, Desperto, aquele que est� liberto  do  sono  da  Ignor�ncia  e inundado de Suprema Sabedoria; vem da palavra Budh, que significa �despertar�.

2. Siddharta: como termo significa �realiza��o de todos os deuses�, abrevia��o de Sarvarthasiddha.

3. S�nscrito: l�ngua cl�ssica dos br�manes e sacerdotes; n�o parece ter sido  uma  l�ngua popular, significa �conclu�do, perfeito�; vem da preposi��o san que  significa  �com�,  e  da  raiz  kr,  �fazer�. L�ngua antiga na qual foram escritos os textos religiosos do Hindu�smo e Budismo Mahayana.

4. Gautama: significa, em s�nscrito, �o mais vitorioso (rama), na terra (gau)�.

5. Mara � a tenta��o, personificada nas paix�es humanas; an�logo ao �Satan�s� b�blico.

6. Bodhi, em pali, significa Ilumina��o, Suprema Compreens�o, tamb�m � chamada a �rvore sob a qual o Buda obteve Ilumina��o.

7. Tathagata: aquele que encontrou a Verdade. Tatha: verdade; agata:  chegar,  alcan�ar.  Outros ep�tetos, com respeito ao Buda, s�o: Sakyamuni: o s�bio do pa�s dos Sakyas; Sakyasimha:  o  le�o Sakya; Sugata: o Feliz;  Sattha:  o  Instrutor;  Sarvajna:  o  Onisciente.  (Prof.  M�rio  Lobo  Leal,  O Dhammapada.)

8. Dhamma (pali) ou Dharma (s�nscrito): palavra com muitas significa��es.  Derivada  da  raiz  dhr, no sentido de �sustentar�, portanto dharma � �aquilo que sustenta os esfor�os da pessoa� quando esta pratica de acordo com ele. Tamb�m nos textos budistas significa Lei, isto �, a Lei que governa o aparecimento, exist�ncia e desaparecimento de todos os  fen�menos  f�sicos  e  psicol�gicos. Os ensinamentos de Gautama Buda s�o  chamados  tradicionalmente  de  Dharma  ou  Dhamma.  (XIV Dalai Lama, A Vis�o da Sabedoria. Obra citada.)

9. Pali:   l�ngua   derivada   do   s�nscrito,   usada  pelos  monges  budistas;  l�ngua  em  que foram originalmente escritos os c�nones Budistas da Escola Theravada.


Budismo: Psicologia do Autoconhecimento, Dr. Georges da Silva & Rita Homenko � Ed. Pensamento
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