Dr.Luiz Antonio Franco de Oliveira
Consultório: Av. Nossa Senhora de Copacabana nº 1018 sala 404 - Copacabana -RJ
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DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DAS DOENÇAS ALÉRGICAS
O diagnóstico da asma não é realizado corretamente em muitos pacientes. Dificuldades podem surgir nos extremos de gravidade da doença.
DIAGNÓSTICO CLÍNICO:
Tosse, chiado, falta de ar, aperto no peito ou desconforto, particularmente à noite ou nas primeiras horas da manhã, sintomas esses que melhoram com terapia específica para a asma e que apresentam caráter episódico. Devemos ter em mente que os achados de exame físico podem estar ausentes quando a obstrução do fluxo aéreo é de grau leve, e em decorrência desses fatores o exame clínico é normal, mesmo com doença presente.
DIAGNÓSTICO FUNCIONAL:
Devem ser realizados quando os achados clínicos não são típicos, em casos de sintomas compatíveis isolados ou quando a doença é de início recente.
1-TESTE DE FUNÇÃO PULMONAR:
Para avaliar a presença de obstrução ao fluxo aéreo. Esta prova é realizada também para melhor avaliação da resposta a medicamentos broncodilatadores.
2-AVALIAÇÂO DA HIPEREATIVIDADE BRONQUICA:
Deve ser realizado sempre que existir forte suspeita clínica de asma e o teste de função pulmonar for normal. Podemos utilizar os seguintes métodos para a avaliação da hipereatividade bronquica.2.1-Teste de Broncoprovocação. 2.2-Exercício. 2.3-Pico de Fluxo Expiratório seriado (PFE)
Atualmente medidas seriadas do PFE são bastante usadas para melhor monitorização da asma, principalmente naqueles pacientes com obstrução acentuada e poucos sintomas("asma silenciosa"),na asma lábil e para comprovar ausência de melhora referida pelo paciente apesar do tratamento adequado, o que provavelmente irá indicar necessidade de modificações na conduta terapêutica.

TESTES ALÉRGICOS:
A história clínica cuidadosa irá orientar o alergista para a escolha das substâncias a serem testadas. Os testes cutâneos são de fácil execução, indolores e de rápida interpretação. Devem ser realizados por profissionais experientes (Alergistas).

DOSAGEM DE IgE:
A elevação dos níveis de IgE é uma das características dos portadores de doença alérgica.
DETERMINAÇÂO DE ANTICORPOS IgE ALERGENO ESPECÍFICO (RAST):
Teste realizado por exame de sangue, também é muito útil quando da impossibilidade da realização dos testes alérgicos.
TRATAMENTO:
São objetivos do tratamento da asma, o controle dos sintomas, a prevenção das exacerbações agudas, manter boa função pulmonar mesmo durante exercícios, evitar os efeitos colaterais dos medicamentos utilizados para o tratamento, prevenir o desenvolvimento de obstrução irreversível das vias aéreas e finalmente prevenir a mortalidade por asma.
Tais objetivos serão alcançados mediante educação do paciente de modo a desenvolver um padrão para o manejo da asma, acesso e monitorização de gravidade da asma com medidas objetivas da função pulmonar, evitar ou controlar desencadeantes e estabelecer planos para o manuseio crônico do tratamento instituído.
CONTROLE AMBIENTAL:
Para os pacientes alérgicos a redução da carga alergênica dentro de sua residência constitui-se na primeira linha anti-inflamatória no tratamento. Deve-se portanto revestir colchões e travesseiros com material impermeável aos ácaros e a lavagem semanal das roupas de cama, inclusive cobertores e acolchoados. Procura-se remover objetos que funcionam como reservatório de alergenos (brinquedos, bichos de pelúcia e livros).As cortinas e carpetes devem ser removidos e a instalação de pisos capazes de serem limpos com pano úmido deve ser estimulada. Dentro das residências deve-se evitar objetos que retenham umidade como vaso de planta, fonte importante de fungos.
A remoção de animais(cão, gato e outros mascotes) é fundamental para os pacientes sensíveis aos mesmos. O controle dos alergenos de baratas pode ser realizado com algumas medidas simples tais como o uso de lixeiras e ralos tampados além do uso de iscas para matá-las, em pontos estratégicos da cozinha e áreas externas da casa.
TRATAMENTO FARMACOLÓGICO:
Dar sempre que possível preferência ao uso da via inalatória para a administração de medicamentos, pois esta via permite a ação destes diretamente no órgão acometido(pulmão).Quando da utilização de aerossol dosimetrado ("bombinha"), recomenda-se, sobretudo em crianças menores e em alguns adultos, o seu emprego em associação a esparçadores, se possível valvulados. Esse método de administração permite um melhor aproveitamento dos medicamentos receitados.Com relação aos medicamentos de pó seco, apenas crianças maiores e adultos consegem utilizá-los de modo mais apropriado. As soluções para nebulização podem ser fornecidas por compressor comum, tendo-se a solução salina como veículo.
Outro ponto importante diz respeito ao fato de, em adultos, ter-se documentado a presença de inflamação das vias aéreas mesmo em pacientes com formas leves de asma e nos de instalação recente .Esse fato tem sido justificativa para a prescrição precoce de tratamento com agentes anti-inflamatórios.
Segundo o principal mecanismo de ação, os medicamentos empregados no tratamento da asma podem ser divididos em duas categorias:1-DE ALÍVIO 2-CONTROLADORES
Os medicamentos de alívio são administrados para controle dos sintomas agudos(beta2 agonistas de curta duração, brometo de ipratrópio, teofilina e derivados, e corticosteróides sistêmicos).
Medicamentos controladores devem ser administrados por períodos prolongados para controle da inflamação(beta2 agonistas de ação prolongada, cromoglicato dissódico, neodromil sódico, cetotifeno, glicocorticosteróides inalatórios e os antileucotrienos).
IMUNOTERAPIA ESPECÍFICA(VACINAS):
Os pacientes portadores de asma leve ou moderada, com mecanismo IgE mediado comprovado por anamnese e investigação laboratorial(testes alérgicos ou IgE específica-RAST),que não tenham se beneficiado apenas pelo controle ambiental, são candidatos à imunoterapia específica. Ela deve ser realizada com alérgenos padronizados e sempre por especialista.
Sendo a asma uma doença de causas múltiplas, o conhecimento de fatores desencadeantes e/ou agravantes a ela relacionados permitirá que medidas eficazes de controle possam ser instituídas, em associação ao tratamento farmacológico adequado, se ofereçam melhor controle da mesma e portanto da qualidade de vida desses pacientes.

A rinite alérgica é a manifestação mais comum dentre as doenças alérgicas. É uma doença crônica que pode surgir pela primeira vez em qualquer idade. Cerca de 10% da população mundial apresentam sintomas atribuíveis à mesma, porém é claro, que fatores climáticos e geográficos irão influenciar na sua incidência. Ambos os sexos são afetados na mesma freqüência, e se não tratada pode persistir por vários anos, causando bastante incômodos com faltas ao trabalho ou aulas e má qualidade de vida.
DIAGNÓSTICO :
SINTOMAS:
O diagnóstico é basicamente clínico, com associação de vários dos seguintes sintomas: salvas de espirros, coriza clara abundante, obstrução nasal e intenso prurido no nariz e nos olhos.
Tosse esta presente sempre que ocorre uma descarga pós-nasal de secreção no rinofaringe. Muitas vezes os sintomas que predominam são os oculares, com bastante coceira nos olhos além de vermelhidão e fotofobia.
Tais sintomas podem ocorrer apenas em determinadas épocas do ano(Rinite Alérgica Sazonal) em pessoas com alergia ao pólen de flores ou gramínias, ou estão presentes durante todo o ano (Rinite Alérgica Perene)quando a sensibilidade é devido a alergenos perenes como ácaros da poeira, ou ainda podemos ter uma associação das duas formas clínicas.
Variações diurnas na intensidade dos sintomas sugerem como causa alergenos intradomiciliares, e quando existe melhora nos fins de semanas, estamos diante de uma provável alergia ocupacional.
Ataques muito intensos, em geral são acompanhado de sintomas gerais, tais como: fraqueza, mal-estar, e muitas vezes cansaço muscular após longos períodos de espirros, não existindo nesses casos a presença de febre, o que sugeriria causa viral (Gripe)para esses sintomas.
SINAIS CLÍNICOS:
Características faciais típicas estão presentes em um grande número de portadores de rinite alérgica, tais como: olheiras, prega nasal horizontal(causada pelo freqüente hábito de coçar a narina com movimento para cima "saudação alérgica"), protusão do maxilar(face adenoidiana),entre outras.
O exame físico completo deve incluir a Rinoscopia Anterior, que mostra principalmente uma mucosa nasal pálida com abundante secreção clara, quando a rinite alérgica não apresenta complicações.
Em casos mais raros existirá a necessidade da colaboração de um otorrinolaringologista para a realização de um exame chamado Nasofibroscopia no intuito de melhor avaliar as fossas nasais.
EXAMES LABORATORIAIS:
Exames radiológicos e laboratoriais podem ajudar na confirmação do diagnóstico e/ou descartar a existência de complicações(sinusite e otite média).
Testes Alérgicos ,Dosagem de IgE total, IgE específica para alergenos habituais(RAST),e Testes de Provocação Nasal poderão ser usados para confirmação do diagnóstico.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL:
Várias doenças podem ser confundidas com a rinite alérgica, e portanto o diagnóstico diferencial é de fundamental importância para um tratamento bem sucedido.
Deverão ser descartadas, entre outras as seguintes doenças: Rinite Vasomotora, Rinite Hormonal (hipotireoidismo, gestação e uso de anticoncepcionais),Rinite Medicamentosa(pelo uso contínuo de vasoconstritores nasais),tumores, ou alterações anatômicas, tais como desvio de septo, hipertrofia de adenóides, etc.
TRATAMENTO:
CONTROLE AMBIENTAL:
A prática do controle ambiental visa eliminar os fatores desencadeantes, o que é relativamente fácil com animais, muito difícil com poeiras e fungos e impossível com os pólens.
Nessas medidas de controle ambiental, deve o médico despender boa parte do tempo de consulta, pois certamente é um dos pontos mais importantes do tratamento.
TRATAMENTO FARMACOLÓGICO:
Anti-histamínicos sistêmicos são os medicamentos de eleição no tratamento da rinite alérgica. Novos anti-histamínicos não possuem os efeitos secundários importantes que existiam com esse grupo de medicamentos no passado.
Anti-histamínicos tópicos para uso intranasal têm se mostrado bastante úteis na prevenção de sintomas moderados à leves de rinite, apresentando baixa toxidade possibilitando maior segurança em grupo especiais de pessoas como nas grávidas.
Descongestionantes nasais fornecidos por via oral associado ou não à anti-histamínicos também podem ser úteis. Gotas oculares de simpaticomiméticos e anti-histamínicos ajudam no controle da conjuntivite alérgica.
Cromona administrado em "spray" nasal ou conjuntival 3 ou 4 vezes ao dia é benéfica e virtualmente livre de toxidade à curto e longo prazo.
Anticolinérgicos têm indicação na rinite vasomotora, mostrando bons resultados quando existe coriza importante, porém pode ser um bom coadjuvante no tratamento da rinite alérgica.
Corticosteróides Tópicos têm excelente ação sobre a mucosa nasal, nas rinites alérgicas e não alérgicas. O paciente submetido a esse tratamento deve ser avaliado sistematicamente, para prevenção de alguns efeitos colaterais raros com o uso dos mesmos.
Corticosteróides Sistêmicos são reservados para o tratamento das crises, quando houver insucesso de outras manobras terapêuticas, tomando-se sempre o cuidado de não menosprezar as contra-indicações e orientar o paciente a não usar por conta própria a medicação.
IMUNOTERAPIA ESPECÍFICA (VACINAS):
Podemos lançar mão da imunoterapia (Vacinas),naquelas pessoas que não têm seus sintomas controlados, mesmo com um controle ambiental bem feito e em uso de correto tratamento medicamentoso ,e que portanto apresentam sintomas intensos e duradouros com má qualidade de vida.
É imprescindível que este tratamento seja seguido por um especialista, que deverá confirmar o envolvimento de antígenos como ácaros e fungos do ar, como importantes desencadeantes dos sintomas no paciente em particular.
A sinusite é uma doença bastante comum, em que ocorre inflamação dos chamados "seios da face". Esses seios são espaços vazios encontrados nos ossos do crânio e da face. Os maiores e mais conhecidos são os seios maxilares, que se localizam um de cada lado do nariz, na região logo abaixo dos olhos. Eles possuem pequenos canais que se ligam à parte do fundo do nariz.
Os seios da face são revestidos por uma membrana de tecido que secreta muco. O muco ajuda a lubrificar as passagens aéreas e promove a limpeza de pequenas partículas de pó e sujeira que respiramos normalmente. é muito importante também como defesa imunológica contra agentes que possam causar doença, como bactérias e fungos. O ar, quando passa pelas narinas e pelos seios da face, é aquecido e umidificado para prepará-lo a ir aos pulmões.

Normalmente, quando pegamos um resfriado ou desenvolvemos alergia (Rinite Alérgica), o nariz e os seios da face reagem produzindo mais muco. Porém, se esse muco se torna infectado por bactérias ou vírus, a situação se complica, levando a sinusite.
Os sintomas típicos da sinusite são sensação de pressão atrás das bochechas, aumento da congestão nasal, catarro amarelo-esverdeado, dor nos seios da face quando palpados e até mesmo "dor-de-dente" na região logo acima dos dentes superiores, na área afetada. Pode haver febre, dor de cabeça ou tosse, devido ao catarro que escorre por trás da garganta, principalmente quando a pessoa está deitada e o catarro dos seios vai drenando para a faringe.
Normalmente, a sinusite lembra um resfriado que dura mais de uma semana, com a adição dos sintomas como o catarro amarelado, citados anteriormente.
Diagnosticar sinusite crônica é difícil. Os sintomas não são tão óbvios como na sinusite aguda. Uma das maneiras de observar se há líquido dentro dos seios da face é iluminando o rosto com uma luz especial, em uma sala escura. Normalmente, quando os seios da face estão vazios, a luz fica bem vermelha brilhante. Quando os seios estão com líquido (sinusite), a luz fica fosca. Também um simples exame de sangue pode indicar, pelo aumento do número de eosinófilos, se o paciente tem alergia, condição que favorece o aparecimento de sinusites crônicas.
O raio-x de seios da face é um ótimo meio de se fazer o diagnóstico da sinusite. Normalmente, os seios da face devem estar vazios, apenas com ar, o que aparece como cavidades escuras no raio-x. Quando a pessoa tem sinusite, as cavidades se enchem de líquido, aparecendo como manchas brancas, outras vezes só contornando os seios da face, outras vezes tomando todo o espaço da cavidade.
Caso não seja possível fazer o diagnóstico através do raio-x de seios da face, pode ser feita uma tomografia computadorizada dos seios. Apesar de ser um exame caro, é a melhor maneira de visualizar a sinusite.
O tratamento da sinusite se baseia em antibióticos comuns. Podem ser usados descongestionantes orais ou nasais (usados sempre por poucos dias), para aliviar os sintomas. Outros tratamentos são baseados no uso de mucolíticos e inalações, que promovem a drenagem do catarro. A tendência é de se obter melhora rápida com esse tratamento. Mas há alguns casos que não curam, tornando-se "sinusites crônicas".
A sinusite crônica é definida como uma infecção dos seios da face que dura mais de 3 meses. Em geral, essa condição resulta do bloqueio das aberturas dos seios da face. Alguns casos são devidos à destruição da membrana que forra os seios da face. Com isso, o muco que é produzido não consegue ser drenado normalmente, favorecendo o crescimento de bactérias e gerando assim a infecção.
No caso da sinusite crônica, o melhor tratamento é tomar antibióticos por 3 a 4 semanas. Caso não funcione, é necessário fazer uma evolução melhor do caso, para ver se não há algum bloqueio nas aberturas dos seios da face. Caso isso esteja acontecendo, a melhor alternativa é a cirurgia para remover o bloqueio. Essa cirurgia é chamada "cirurgia seno-nasal endoscópica funcional", e permite a drenagem adequada do muco e eliminação da infecção, além de prevenir casos futuros de sinusite.

Otite é um termo médico utilizado para indicar uma infecção de ouvido. Para entendermos este assunto, temos que pensar que o homem possui três divisões deste órgão adaptado para a audição e equilíbrio.
A primeira, chamada de orelha externa, é constituída pelo pavilhão auricular e conduto auditivo externo, revestida de pele e que termina junto a membrana do tímpano, realizando a função de localização da fonte sonora, amplificação e condução do som até a segunda porção do ouvido, a orelha média. Esta é uma cavidade preenchida por ar e que se localiza dentro do osso temporal (que faz parte do crânio) contendo na espécie humana, três pequenos ossículos articulados entre si (martelo, bigorna e estribo), que amplificam o som que chega na membrana timpânica e desta para a parte mais interna do ouvido, o labirinto.
A orelha média possui uma ligação com a parte mais superior da faringe (rinofaringe), logo atrás do nariz, chamada de tuba auditiva, utilizada para igualar a pressão do ar entre a orelha média e o ambiente (exemplo disso quando descemos a serra e temos que bocejar e deglutir para "desentupir" o ouvido).
A terceira porção do ouvido, o labirinto, possui uma parte destinada a percepção dos sons (labirinto anterior, a cóclea) e outra para contribuir com o equilíbrio corporal (labirinto posterior, o vestíbulo) estabelecendo várias ligações com o sistema nervoso central.

Estruturas anatômicas do ouvido
De acordo com as determinadas partes afetadas, teremos cada tipo de otite.
OTITE EXTERNA:
Otite externa é caracterizada pelo acometimento da pele que recobre esta porção do ouvido. A causa mais comum é a infecção por bactérias, desencadeada por traumatismos nesta pele, a saber: lavagens de ouvido e corpos estranhos inseridos no conduto (cotonete, grampo, palito de fósforo, grãos). Também é muito comum ocorrer após mergulhos em águas, doce e salgada contaminadas (praia, piscina). Em geral se manifesta com dor (otalgia), secreção no conduto e abafamento do som.
Seu tratamento é feito com medicação tópica (gotas auriculares), proteção do ouvido durante o banho (para evitar entrada de água), evitar novos traumatismos (cotonete, etc.) e analgésicos. Em geral após alguns dias o quadro já regrediu, porém em casos especiais, principalmente pessoas de idade avançada e diabéticos, a doença pode se "alastrar", necessitando de antibióticos orais e até endovenosos.
Outro agente muito comum a infectar a orelha externa são fungos, causando prurido e dor. Seu tratamento consiste em aspiração da secreção por um médico especializado e gotas tópicas específicas.
OTITE MÉDIA:
A otite média se apresenta de três principais maneiras: aguda, crônica e serosa.
A otite média aguda tem início recente e representa em geral uma complicação de uma infecção de vias aéreas. Seus principais agentes causais são: vírus e bactérias, normalmente infectando o nariz e faringe, ascendem pela tuba auditiva e causam acúmulo de pus dentro da orelha média. A pressão exercida por esta secreção levará a dor, febre e diminuição da audição. Algumas vezes ela chega a ser tão intensa que leva à rutura da membrana timpânica e saída de secreção purulenta misturada com sangue pelo conduto externo (otite média aguda supurada).
O tratamento consiste em antibióticos (em geral por via oral), analgésicos, anti-inflamatórios e antitérmicos. O quadro de dor e febre tende a melhorar com 2 a 3 dias. Já a audição pode demorar até 60 dias para retornar ao normal (tempo para reabsorver toda secreção presente no ouvido médio) ou até mesmo não retornar ao normal por lesão nos ossículos. Acontece em qualquer idade mas é muito mais comum em crianças por apresentarem uma tuba auditiva mais curta e larga, facilitando a propagação dos germes. Uma medida muito simples, mas de enorme valia na prevenção de otites é não permitir que as crianças recebam suas mamadeiras deitadas, porque essa posição facilita o refluxo de leite pela tuba auditiva até a orelha média causando assim uma otite.
A otite média crônica se caracteriza por sua história arrastada. Em geral apresenta uma perfuração permanente na membrana do tímpano como seqüela de uma otite média aguda mal tratada e que esporadicamente se infecta (sobretudo quando há entrada de água pelo conduto) manifestando-se pela presença de purgação. As constantes reinfecções desta cavidade podem levar a seqüelas irreverssíveis na audição e ainda possibilitar o crescimento de pequenos tumores benígnos chamados colesteatomas e que passam a invadir a orelha média causando grandes complicações.
O tratamento da otite média crônica inclui controle da infecção e proteção contra entrada de água até o tratamento definitivo que é cirúrgico. A cirurgia visa evitar novas infecções e secundariamente recuperar algum resquício de audição daquele ouvido.
A otite média serosa é caracterizada pela presença de secreção inflamatória na orelha média. Em geral se manifesta por perda auditiva e otites agudas de repetição. Está relacionada à obstrução da tuba auditiva e inflamações nasosinusais, podendo fazer parte do quadro clínico das alergias das vias aéreas superiores, aumento da adenóide e sinusites.
Seu tratamento pode ser clínico e/ou cirúrgico. (a cirurgia de colocação de tubo de ventilação é uma das mais realizadas no mundo).
INFECÇÃO DA ORELHA INTERNA:
Diferentemente do termo popularmente difundido na população, a labirintite infecciosa é uma doença rara, e denota a presença de germes dentro da orelha interna (labirinto) e constitui quadro de grande preocupação devido a proximidade do sistema nervoso central. Em geral é acompanhada de outros graves problemas como meningites e septicemia (infecção generalizada), sendo seu tratamento realizado em ambiente hospitalar. Pode muitas vezes resultar de uma complicação de uma otite média crônica, principalmente quando temos a presença de um colesteatoma, demonstrando a grande importância de seu correto tratamento.
As grandes dificuldades no correto tratamento das otites consistem na despreocupação do paciente em seguir recomendações simples (como evitar entrada de água no ouvido ou ainda abolir o uso de cotonetes) e na automedicação. Esta última em geral é incorreta, ineficiente e deletéria porque pode não só atrasar a procura de um serviço médico, como também dificultar o diagnóstico e ainda o tratamento por criar germes resistentes.
Assim sendo, cuide de seu ouvido e procure sempre um médico para corretamente atendê-lo, e não se esqueça que com freqüência poderá ser necessária a consulta com mais de um especialista tais como pediatra ou clínico geral, otorrinolaringologista e alergista.

A urticária se apresenta como áreas da pele altas, vermelhas e que coçam muito. Ela aparece subitamente e pode acabar rapidamente em 1-2 horas, ou pode durar até 24 horas. Freqüentemente aparecem em grupos, com novos grupos aparecendo enquanto outros vão sumindo. Pouco mais de 20% da população sofre um episódio de urticária em algum momento de sua vida.
CAUSAS DE URTICÁRIA:
Com freqüência a urticária ocorre como efeito colateral da ingestão de certos alimentos ou medicações. Os alimentos que mais causam urticária são os frutos do mar, amendoim, nozes, castanhas,avelãs, tomate e morango. Dentre as medicações temos como principais causas: penicilina, sulfa, anticonvulsivantes e a aspirina.
OUTRAS CAUSAS DE URTICÁRIA:
A urticária colinérgica é a urticária que pode aparecer após atividades que aumentem a temperatura corporal: banho quente em chuveiro ou banheira, exercício físico, febre e stress emocional. Estima-se que 5% - 7% dos pacientes portadores de urticária apresentam urticária colinérgica.
A urticária induzida pelo frio ocorre após a exposição a um vento frio ou à água fria. As lesões podem aparecer nos membros ou em qualquer área exposta. Água gelada pode provocar sintomas nos lábios e na boca.
A urticária solar é causada pela exposição à luz do sol ou a uma lâmpada ultra-violeta, e a reação pode ocorrer dentro de 1-3 minutos.
O exercício, além de desencadear urticária, pode também desenvolver obstrução pulmonar e/ou perda da consciência. Tal reação grave é chamada de anafilaxia induzida pelo exercício.
Por vezes a urticária ocorre de um modo recorrente e sem uma causa óbvia. É a chamada urticária crônica. Ela é principalmente um incômodo e pode ou não estar associada a outra doença. O mecanismo exato para esta condição não é conhecido e pode ocorrer melhora clínica mesmo sem tratamento.
ANGIOEDEMA:
O angioedema hereditário é uma doença hereditária rara que pode ser fatal em alguns casos, e nesse aspecto difere de outros tipos de angioedema crônico. A inchação pode ocorrer nas vias respiratórias (como laringe, língua e garganta), assim como na face e extremidades. A inchação na área do estômago causa dor muito intensa, tendo levado à cirurgia algumas pessoas com suspeita clínica de apendicite. Demonstrou-se que a causa dessa doença hereditária é a deficiência de uma proteína do sangue.
TRATAMENTO:
A hidroxizina é especialmente eficaz no tratamento da urticária colinérgica. A ciproheptadina é usada no tratamento da urticária induzida pelo frio. Se a urticária não responde aos anti-histamínicos, muitos alergistas poderão utilizar corticóides em associação aos anti-histamínicos. A maioria dos pacientes melhora com os corticóides mas o seu uso crônico deve ser evitado. No entanto, alguns pacientes, especialmente os com urticária crônica, podem precisar dos corticóides por algum tempo. Após um intervalo de tempo adequado, o indivíduo pode então descontinuar o uso de corticóides, pois como já foi dito o seu uso a longo prazo não é recomendado. Neste momento, sugere-se o tratamento continuado com anti-histamínicos até que a medicação para a urticária não seja mais necessária.
O angioedema hereditário pode ser tratado com muita eficácia através de hormônios especiais.

Na pele, a atopia causa lesões inflamatórias: a dermatite atópica ou eczema atópico. A pessoa com dermatite atópica apresenta com frequencia asma ou rinite alérgica associada, além do encontro de uma destas doenças nos familiares.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS:
O principal sintoma é a coceira, que pode começar antes mesmo das lesões cutâneas se manifestarem. Na infância as lesões são avermelhadas e descamativas. Podem atingir a face, tronco e membros. Com o ato de coçar, tornam-se escoriadas e podem sofrer infecção secundária.
Nos adolescentes e adultos, as lesões localizam-se preferencialmente nas áreas de dobras da pele, como a região posterior dos joelhos, pescoço e dobras dos braços. A pele destes locais torna-se mais grossa, áspera e escurecida. Usualmente localizada nestas áreas, a dermatite atópica pode se generalizar, atingindo grandes áreas corporais.

Passada a infância, pode ocorrer o desaparecimento total das lesões mas, geralmente, a doença tem curso crônico (longa duração), apresentando períodos de melhora e de piora. É comum, após o desaparecimento da dermatite atópica, ocorrer a substituição desta por uma das outras formas de apresentação da atopia (asma ou rinite).
Outra característica da pele do atópico é a sua tendência maior ao ressecamento que, por si só, pode dar origem à sensação de coceira e descamação. O estresse emocional pode desencadear períodos de piora e não deve ser menosprezado.
TRATAMENTO:
A hidratação da pele é muito importante, devendo-se evitar sabonetes agressivos, buchas e banhos quentes. Se tomar mais de um banho por dia, o sabonete deve ser usado apenas em um deles. Logo após o banho, com a pele ainda úmida, deve-se usar hidratantes para evitar o ressecamento.
As lesões são tratadas com o uso de cremes e pomadas à base de corticosteróides ou outras substâncias que ajudam a combater a inflamação. Em caso de infecção secundária, devem ser usados antibióticos. Medicações anti-alérgicas ajudam a diminuir e controlar a coceira. Casos mais graves podem necessitar de medicações mais potentes, via oral, para o seu controle. O tratamento da dermatite atópica depende de cada caso e deve ser conduzido por um médico alergista.

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A dermatite ou eczema de contato é uma reação inflamatória da pele decorrente da ação de um agente agressor externo. Esse problema afeta, em geral de 3 a 4% da população adulta. DIAGNÓSTICO: Geralmente surge uma placa avermelhada que pode apresentar pequenas bolhas, descamação e muita coceira. Conforme o local em que aparece é que se deduz o que provocou a lesão. Os locais mais freqüentes são as mãos, a face, o pescoço e os pés. A dermatite nas mãos, por exemplo, normalmente está relacionada ao uso de detergentes, tintas, produtos de limpeza ou substâncias químicas em geral. Na face, ela pode ser provocada por determinados cosméticos; nos pés, pelo uso de certos calçados (numa reação ao material de que são feitos, como plástico, couro, borracha) ou pelo contato com substâncias como cimento, cal etc. A dermatite pode atingir ainda a região glútea, devido ao contato com urina e fezes (especialmente em crianças e adultos que apresentam incontinência urinária). Uma das complicações que pode ocorrer é a infecção secundária dos locais afetados, o que vai dificultar a cura. TRATAMENTO: O tratamento é feito com antinflamatórios hormonais tópicos (corticosteroides), anti-histamínicos orais e, se necessário, antibióticos. Porém, é bom lembrar que sem eliminar a causa da dermatite (ou seja, o contato com a substância ou material causador do processo), ela poderá voltar ou nem chegar a ser curada. |

As estatísticas mostram que cerca de 20% dos adultos acreditam ter alergias alimentares. No entanto, quando se realiza uma avaliação e diagnóstico, apenas 1 a 2% das pessoas sofrem de alergias. Devido ao fato de os seus sistemas imunitários não estarem ainda totalmente desenvolvidos, as crianças mais jovens são mais susceptíveis de serem afetadas do que os adultos.
O QUE É ALERGIA ALIMENTAR?
Uma alergia alimentar é uma reação adversa a um alimento ou um componente de um alimento que envolve o sistema imunitário do corpo. Outras reações adversas a alimentos envolvem o metabolismo do corpo, mas não o sistema imunitário. Estas reações são conhecidas como intolerância alimentar e podem incluir intoxicação alimentar ou deficiências enzimáticas, que impedem a digestão correta de determinados componentes dos alimentos como a lactose (o açúcar do leite).
Uma verdadeira reação alérgica envolve três componentes primários:
Quando o sistema imunitário do corpo reconhece um alergeno num alimento, produz anticorpos para bloquear esta invasão estranha. Ao mesmo tempo, o corpo exibe sintomas físicos como inchaço dos lábios, cãibras no estômago, vômitos e diarréia, sensação de fervor, urticária ou eczemas, coriza e outros problemas respiratórios. Uma reação mais séria, mais rara, é o choque anafilático, que acarreta perigo de vida e requer atenção médica imediata.
As reações alérgicas aos alimentos são raras, mas podem ser causadas virtualmente por qualquer alimento. O Instituto Internacional das Ciências da Vida (ILSI - International Life Sciences Institute) classificou numa lista de uma proposta do CODEX os alergenos alimentares já reconhecidos:
COMO SUSPEITAR DE ALERGIA ALIMENTAR:
Se há suspeitas de uma alergia a um alimento, é melhor evitar comê-lo até consultar um médico para estabelecer as causas, dado que fatores como a condição médica da pessoa podem produzir sintomas semelhantes. No entanto, se os sintomas forem associados com uma alergia alimentar, é essencial a avaliação por um alergista. O único diagnóstico de confiança de uma alergia alimentar é uma combinação de testes dermatológicos (aplicação do alimento suspeito na pele) e provas cegas orais (ingerir o alimento e um placebo na forma de uma cápsula, sem que o paciente e o médico saibam qual o conteúdo de ambas as cápsulas).
COMO CONVIVER COM UMA ALERGIA ALIMENTAR:
Até o momento, não existe um tratamento adequado para curar permanentemente as alergias alimentares. Uma vez diagnosticadas, o único tratamento eficaz é a chamada dieta de "abstinência" - remover o alimento em questão da dieta da pessoa. Devemos estar conscientes que a remoção de alimentos, especialmente alimentos básicos, pode necessitar de aconselhamento médico, devido aos potenciais desequilíbrios dietéticos, particularmente nas crianças.


Sempre que um inseto pica a nossa pele para sugar nosso sangue, um pouco da sua saliva e de algumas substâncias (como anticoagulantes) entram em contato com o nosso organismo e portanto com os nossos mecanismos de defesa. Ocorre então, em resposta à este contato, a liberação de algumas substâncias que promovem o inchaço, vermelhidão e coceira no local (entre elas, a mais conhecida é a histamina). A quantidade liberada relaciona-se à susceptibilidade individual e ao tipo de inseto que picou; alguns insetos como borrachudos, por exemplo, costumam promover uma maior reação alérgica local à picada. Outros insetos, como abelhas e vespas, podem inocular substâncias que provocam fortes reações e causam muita dor no local da picada.
A alergia à picada de insetos que é mais comum é aquela que ocorre nas crianças pequenas, caracterizada pelo aparecimento de "bolinhas" vermelhas pelo corpo da criança, normalmente próximas ao local de uma picada de inseto. Este tipo de alergia, chamado Estrófulo, é totalmente benigno mas pode causar incômodo pela coceira que provoca. Pode ocorrer ainda a infecção de pele como complicação da coçadura mais insistente, que produz machucados na pele. Cobrir a pele o máximo possível, com roupas, nos locais onde se sabe haver grande incidência de pernilongos, formigas, etc.


LESÕES TÍPICAS DE PICADA DE INSETO
O que é uma reação normal de uma picada de inseto, e como é o tratamento?
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O que são as "vacinas para alergia"? |
O termo "vacina para alergia" é freqüentemente usado para denominar o tratamento imunoterápico com alergenos, ou vacinação anti-alérgica. A imunoterapia com alergenos é um programa eficaz de vacinação que pode aumentar sua imunidade a substâncias chamadas de alergenos, que desencadeiam seus sintomas.
A imunoterapia com alergenos envolve a administração de quantidades gradualmente crescentes de um alergeno a um paciente, por um período de muitos meses. As injeções são inicialmente dadas em base semanal (ou duas vezes por semana) e, após se chegar ao nível de manutenção, em base mensal. Esse processo reduz os sintomas que seriam desencadeados pela exposição ao alergeno. A imunoterapia é o que mais se aproxima a uma "cura" dos sintomas alérgicos, pois uma vez que se atinja a dose de manutenção das vacinas ou tenha terminado o tratamento, seus sintomas estarão, geralmente, muito reduzidos.
Como funciona o tratamento?
Se você é alérgico a uma substância como o ácaro, você não vai tratar sua alergia inalando repetidamente ácaros (poeira) pelo nariz ou pela boca (para ir mais diretamente aos pulmões). Então, como pode acontecer que aumentando a exposição a substâncias que desencadeiam suas alergias -como alergenos do ácaro ou do gato- você será ajudado?
A imunoterapia com alergenos funciona como uma vacinação. Através da exposição do seu corpo a pequenas quantidades injetadas de um alergeno particular, em doses crescentes, seu corpo constrói uma imunidade aos alergenos aos quais você é alérgico. Isto significa que quando encontrar esses alergenos no futuro, você terá uma reação alérgica discreta ou muito diminuída, com menos sintomas.
No início de uma imunoterapia, a primeira injeção consiste de uma pequena quantidade de uma vacina muito pouco concentrada (muito diluída). A cada semana, o paciente recebe quantidades cada vez maiores de alergenos. A velocidade com que se pode aumentar a concentração da vacina depende da sensibilidade do paciente. Geralmente o paciente atingirá a dose de manutenção em cerca de 6 meses após o início do tratamento com vacinas. Essa dose de manutenção é então dada a cada 1-2 semanas e, depois, o intervalo é aumentado para cada 3-4 semanas.
Se você começar um tratamento imunoterápico com alergenos, é muito importante que continue suas injeções em bases regulares até que o tratamento seja descontinuado. Caso contrário não haverá benefícios com o tratamento. Geralmente os pacientes recebem injeções por 3-5 anos ou mais. Após esse tempo, sua sensibilidade a um alergeno particular estará reduzida, freqüentemente por anos após a interrupção do tratamento. Isso pode significar, por exemplo, que você poderá tolerar exposições maiores ao ácaro (por exemplo) sem apresentar sintomas.
A imunoterapia anti-alérgica funciona alterando as respostas imunológicas anormais que causam a alergia. Anticorpos protetores, similares àqueles provocados em respostas a outras vacinas, desempenham um papel nos resultados benéficos da imunoterapia.
Benefícios
Por exemplo, se você é extremamente alérgico ao ácaro, você pode experimentar sintomas intensos, como asma, espirros, coriza intensa, olhos e nariz altamente pruriginosos, etc. É impossível, ou ao menos impraticável, evitar esse alergeno trazido pelo ar (aeroalergeno). Apesar de que medidas profiláticas podem ajudar a diminuir a exposição, e que medicações podem ser úteis, você pode continuar experimentando sintomas por períodos prolongados durante o ano. Para tal paciente, a imunoterapia específica pode levar a um alívio significativo.
Possíveis efeitos colaterais:
Como você pode ver, a imunoterapia por alergenos pode ser benéfica para muitos pacientes alérgicos. No entanto, existem alguns senões. Alguns pacientes podem achar que a aplicação repetida de vacinas pode ser inconveniente. Como qualquer tratamento, alguns pacientes podem apresentar reações adversas, i.e., às vezes as vacinas podem provocar reações alérgicas.
Durante o tratamento, alguns pacientes desenvolvem uma inchação ou um nódulo. Quando é grande, pode ser designado como uma "reação local". Os anti-histamínicos orais, compressas de gelo, ou o ajuste da dose da vacina melhoram essas reações.
Raramente, um paciente pode apresentar uma reação mais séria, resultando em sintomas de asma ou em anafilaxia. Os sintomas de asma incluem tosse, chiados no peito e falta de ar. Os sintomas de uma reação anafilática podem incluir espirros, coriza aquosa, coceira nos olhos, inchação na garganta, chiados no peito (ou uma sensação de aperto no peito), náusea, tonteira, ou outros sintomas. Tais sintomas requerem tratamento imediato. Se não forem apropriadamente tratadas, essas reações podem ficar mais sérias. Em certos casos, é necessário que o paciente aplique as doses em consultório ou em local preparado, permanecendo pelo menos 20 minutos após a aplicação.
Em resumo, a imunoterapia com alergenos é um programa de vacinação que é altamente eficaz para os pacientes alérgicos. É o que mais se aproxima de uma "cura" para os que têm rinite alérgica, asma alérgica causada por alergenos como os ácaros, ou alergia a picadas de insetos. Tal terapia traz um alívio aos muitos alérgicos que não podem evitar os alergenos aos quais são alérgicos.

INTRODUÇÃO
A tosse é o sintoma mais freqüente de uma grande variedade de doenças respiratórias, englobando desde situações triviais como infecções respiratórias limitadas até patologias respiratórias crônicas como a asma ou o carcinoma brônquico.
De fato, a tosse crônica não produtiva sem fator identificável parece ocorrer em cerca de 30 a 40% dos doentes referenciados para uma consulta de especialidade .
A duração da tosse é que vai orientar a procura da etiologia. Existem controvérsias para uma melhor classificação da tosse; no entanto, a classificação mais aceita considerara 3 categorias: tosse aguda com duração inferior a 3 semanas, tosse subaguda, com duração de 3 a 8 semanas e tosse crônica, com duração superior a 8 semanas.
DIAGNÓSTICO
Em 1981, Irwin propôs pela 1.ª vez um protocolo diagnóstico, baseado na localização anatômica dos receptores e nervos aferentes do reflexo da tosse . A utilização deste protocolo permitiu que as doenças pulmonares bem como as extrapulmonares, passassem a ser consideradas como potenciais causas de tosse. Posteriormente, o protocolo foi utilizado por outros investigadores e sofreu modificações em 1990. Desde então, as causas mais freqüentes de tosse crônica são: síndrome de rinorreia posterior (SRP), asma e doença de refluxo gastroesofágica (DRGE). A presença destas três patologias é tão freqüente que a expressão Tríada patogênica da tosse crônica foi introduzida na literatura.
Em múltiplos estudos prospectivos e descritivos, foi verificado que a tosse crônica é muitas vezes o resultado de mais do que uma condição; uma causa isolada é encontrada em 38 a 82 % dos casos, múltiplas causas em 18 a 62 % dos casos e três causas em simultâneo foram encontradas em até 42 % dos casos. Nas crianças com idade superior a um ano e adultos de todas as idades, incluindo os idosos, as três causas mais freqüentes de tosse crônica são: a SRP, a asma e a DRGE, se excluirmos os doentes fumantes, os que estão fazendo uso de remédios para hipertensão arterial do grupo dos inibidores da enzima conversora da Angiotencina (IECA), e os que têm uma radiografia do tórax anormal. Com a utilização de protocolos para investigação, com história detalhada, exame físico e investigação laboratorial bem dirigida, a causa de tosse crônica pode ser determinada em 88 % a 100 % dos casos, permitindo assim, a utilização de terapêutica específica em 84-98 % das situações.
Síndrome de rinorreia posterior (SRP)
É a causa mais freqüente de tosse crônica nos adultos de todas as idades e a segunda causa nas crianças. O diagnóstico da SRP é baseado na história clínica, exame físico, achados radiológicos e resposta à terapêutica específica . Os sintomas e os sinais são inespecíficos. Os doentes queixam-se freqüentemente de rinorreia anterior(coriza), sensação de líquido escorrendo para a garganta, obstrução nasal e tosse. É freqüente uma história prévia de sintomas gripais, mas tais sintomas podem também estar ausentes . Ao exame físico podemos observar secreções na garganta. Radiologicamente podem ser evidentes sinais de sinusite crônica, tais como, espessamento da mucosa, líquido com ou sem opacificação dos seios paranasais .As causas da SRP são a rinite alérgica, a rinite não alérgica, a rinite pósinfecciosa e a sinusite. O mecanismo fisiopatológico responsável implica a estimulação mecânica da via aferente do reflexo da tosse nas vias aéreas superiores (pela drenagem de secreções do nariz e dos seios perinasais para a orofaringe). O tratamento é dirigido à causa. Na SRP, secundária a síndrome gripal, não associada a um mecanismo mediado pela histamina, está indicada a terapêutica com um anti-histamínico sedantes em combinação com um descongestionante nasal por um período de 2 semanas . Na rinite alérgica, além da higiene ambiental está indicado o tratamento médico com corticóide nasal e anti-histamínico não sedantes. O tratamento da sinusite crônica inclui antibioterapia durante três semanas e anti-histamínico associado a descongestionante nasal (2vezes/dia).
ASMA
Variante de asma com tosse
Nos indivíduos asmáticos a tosse está geralmente associada a chiado e falta de ar. Em 1979,Corrao e colaboradores , descreveram 6 pessoas que se queixavam de tosse crônica persistente sem chiado ou cansaço. Apresentavam provas de função pulmonar normais em repouso mas com hiperreactividade brônquica demonstrada pela prova de provocação com metacolina(uma substância que freqüentemente induz o aparecimento de chiado e falta de ar em indivíduos susceptíveis) . Posteriormente, em vários estudos prospectivos, a tosse como o único sintoma de asma foi descrita em 6,5 a 75 % dos casos e, atualmente, a entidade variante de asma com tosse é reconhecida como uma causa freqüente de tosse crônica. De acordo com vários estudos, a asma é a primeira causa de tosse crônica na criança e a segunda mais freqüente nos adultos . O diagnóstico da variante de asma com tosse é sugerido pela presença de hiperreactividade brônquica num doente com tosse crônica que não apresenta obstrução chiado ou cansaço. O diagnóstico definitivo é estabelecido quando a tosse desaparece com a mesma terapêutica usada na forma clássica de asma. Vários estudos demonstraram que a inflamação estava envolvida na variante de asma com tosse e que as células inflamatórias das vias aéreas, não só estão aumentadas, como também estão ativadas, o que foi demonstrado pela concentração aumentada de substancias inflamatórias, tais como a histamina, triptase e ECP no lavado broncoalveolar de doentes com tosse crônica . Por outro lado os neuropéptidos sensitivos parecem estar envolvidos na patogênese da tosse. Forsythe e colaboradores demonstraram que a histamina libertada pelos mastócitos do lavado broncoalveolar, nos doentes com a variante de asma com tosse, aumenta com a estimulação de um neuropeptidio, o peptidio relacionado com o gene da calcitonina (CGRP). Contudo, os mecanismos propostos para a ocorrência de tosse sem chiado, na variante de asma com tosse, são controversos. O porquê de alguns doentes com asma apresentarem tosse como a única manifestação da doença e a forma como a inflamação se correlaciona com a tosse não são questões claras. Alguns estudos demonstraram que a inflamação nestes doentes está localizada nas grandes vias aéreas, onde os receptores da tosse são abundantes, sendo que, pelo contrário, o chiado reflete broncoconstrição das vias aéreas periféricas.
Asma, tosse e sensibilidade dos receptores da tosse em crianças
Um fator precipitante pode levar a um processo inflamatório causando cansaço e chiado. Nas crianças vários fatores controlam a hiperreactividade brônquica, sendo complexa a relação entre hiperreactividade brônquica e asma. Nas crianças assintomáticas, a prevalência de hiperreactividade brônquica é de 6,7 a 33 %. Contrariamente, nas crianças com chieira recorrente a hiperreactividade brônquica está ausente em 6 a 33 % dos casos. A maioria das crianças com tosse isolada não tem asma, mas apresenta sensibilidade dos receptores da tosse aumentada. Um pequeno número de crianças que se apresenta com tosse e sem episódios prévios de asma clássica apresenta hiperreactividade brônquica durante um episódio de tosse. Não se sabe até que ponto algumas dessas crianças vão desenvolver tosse como o componente principal dos episódios de asma.
Doença do refluxo gastroesofágico
O refluxo gastroesofágico (RGE) é o movimento do suco gástrico do estômago para o esôfago, o qual é um acontecimento normal e assintomático em indivíduos saudáveis. Quando origina sintomas ou complicações, estamos na presença de doença do refluxo gastroesofágica (DRGE). Embora muitas vezes esquecido como causa de tosse, o RGE é uma causa freqüente de tosse crônica, responsável por 6 a 10 % dos casos em adultos e cerca de 15 % em crianças .Nas crianças com idade inferior a 16 anos e com radiografia do tórax normal, a DRGE foi a causa mais freqüente de tosse após a asma e a sinusite. Em percentagens que podem atingir os 75 % dos casos, a tosse é o único sintoma de manifestação de DRGE . Vários mecanismos para explicar a tosse no RGE foram propostos: irritação pelo RGE a nível do esôfago distal com a produção de um reflexo esôfagotraqueobrônquico, mediado pelo nervo vago, com estimulação de receptores no tracto respiratório superior (é o mecanismo mais freqüente) ; microaspiração com estimulação dos receptores do trato respiratório superior (laringe); macroaspiração com estimulação dos receptores no trato respiratório inferior. O diagnóstico de DRGE é efetuado quando a tosse desaparece com terapêutica antirefluxo. A phmetria (medida do PH intraesofágico) por um período de 24 horas é o exame mais sensível (91 %) e o mais específico (82 %).
OUTRAS CAUSAS DE TOSSE CRÓNICA
Bronquite eosinofílica
A bronquite eosinofilica (BE) apresenta-se com tosse crônica caracterizada por eosinofilia do escarro semelhante ao que acontece na asma, mas ao contrário da asma estes doentes não apresentam sintomas ou sinais de obstrução variável das vias aéreas, nem hiperreactividade brônquica. É causa de tosse em 10 a 20 % dos doentes adultos que procuram um especialista. Apesar da sintomatologia respiratória superior estar presente na BE, vários estudos demonstraram que a inflamação das vias aéreas superiores não era importante nesta situação. Os corticóides inalados melhoravam a tosse, com redução da eosinofilia do catarro, suportando a presença de inflamação das vias aéreas inferiores na BE. Várias hipóteses surgiram para explicar as diferenças entre a asma e a bronquite eosinofílica: é possível que a inflamação na BE predomine nas pequenas vias aéreas, ou que a inflamação eosinofilica seja menos intensa na BE, com menor libertação de mediadores broncoconstritores; que a concentração de mediadores que atingem a musculatura lisa na BE seja inferior à da asma; ou que a inflamação eosinofilica na BE provoque hiperreactividade brônquica dentro dos limites normais .
Inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA)
A tosse crônica não produtiva secundária à administração de IECA ocorre em cerca de 10 % dos doentes medicados com este tipo de substancia. É mais freqüente nas mulheres e nos não fumantes e não provoca disfunção pulmonar. Os asmáticos não parecem ter risco aumentado de tosse induzida por IECA. A tosse parece mais intensa à noite e na posição supina, mimetizando a tosse provocada pela DRGE. A enzima de conversão da angiotensina (ECA), transforma a angiotensina I em angiotensina II e é responsável pela degradação da bradicinina.Com a inibição da ECA há acumulação da bradicinina que pode estimular as fibras C aferentes da via aérea e, consequentemente, provocar tosse.
Tosse pós infecciosa
O diagnóstico de tosse pós infecciosa é clínico e de exclusão. Deve ser considerado quando os doentes se queixam de tosse após uma infecção respiratória e têm uma radiografia do tórax normal. Geralmente a tosse tem duração limitada e resolve com o decorrer do tempo, mas em certas ocasiões parece responder a um curso de corticóides orais. Os corticóides inalados ou o brometo de ipatrópio também podem eliminar a tosse. O mecanismo patogénico envolvido parece ser a inflamação das vias aéreas acompanhada ou não de hiperreactividade brônquica transitória .
CONCLUSÃO
A tosse crônica é uma situação clínica bastante freqüente. As três causas mais freqüentes se a radiografia do tórax for normal são: SRP, Asma e DRGE. Em mais de 80% dos doentes estão presentes múltiplas causas. Utilizando um protocolo diagnóstico baseado na localização anatômica dos receptores e nervos aferentes do reflexo da tosse, consegue-se um diagnóstico e terapêutica adequada em mais de 95 % dos casos, restando um papel limitado à terapêutica não específica.
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Última revisão: 18/01/2004
