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Entre os artigos que publiquei durante
quase trinta anos no Estado de S.Paulo e no Jornal da
Tarde, confesso que alguns assinaria novamente ainda hoje.
Não que me orgulhe deles ou porque sua apresentação e
desenvolvimento me pareçam melhores que outros, mas
porque certos temas que se insinuaram ali me parecem agora
mais presentes em nossos dias do que quando os artigos
foram escritos.
Não foi meu senso de oportunidade de então, ou alguma
vocação profética que permitiram isso, mas sim a
misteriosa eternidade de alguns valores e revelações que
teimam em permanecer inalterados, ou que retornam
ciclicamente, num mundo em geral instável e inconstante.
A presença desses elementos em velhos artigos de jornal -
e seria impossível imaginar local mais perecível que
este em nosso mundo - a bem da verdade impõe logo duas
confissões: essas descobertas e valores nunca me
pertenceram mas apenas passaram por mim, e a releitura
desse material pode comprimir botões invisíveis em quem
lhe deitar os olhos, ou em mim mesmo, capazes de limpar o
que é embaçado e poluído nas lentes com que observamos
o mundo.
Este site vai republicar, sem pressa mas com regularidade,
aqueles textos que tratam daquela coisa que não envelhece
nunca, por mais que o tempo passe. E vai tratar também
daquilo que embora pareça novo é mais antigo do que o
sol. Um diálogo com os leitores vai aos poucos ganhar
espaço, porque é natural e bom que isso aconteça. O
jeito como vai ser, somente o tempo vai decidir. Por ora,
quero dizer que essa aproximação com antigos e futuros
amigos é tudo o que me anima e me alegra. |