LUIZ CARLOS LISBOA

 

 

BIOGRAFIA

 

 

 

 

Luiz Carlos Lisboa disse certa vez 

numa entrevista que se tivesse de escolher o título de um dos seus livros para definir o que há de mais importante numa vida humana, escolheria 'A Arte de Desaprender'. E um pouco adiante lembrou a diferença que para ele existe entre conhecimento e sabedoria: o primeiro é uma constante soma, o segundo é uma permanente subtração. Sem exagero, é possível dizer que tudo o que ele escreveu nos últimos 30 anos é fiel a esse lema.
Sua própria vida talvez venha sendo um paciente aprendizado dessa realidade simples mas difícil de reconhecer. LCL nasceu no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, numa família de classe média. Seus avós eram portugueses e franco-alemães, e por ser a família católica quis que ele estudasse com os padres jesuítas do Colégio Santo Inácio. Quando entrou para uma faculdade de Direito, anos depois, ele se dizia primeiro materialista, depois apenas cético.
Aos vinte anos e contra a vontade da família, viajou para a Europa e ali permaneceu por um ano e meio, entre Londres, Paris e Roma, até que por falta absoluta de recursos voltou ao Brasil, onde então resolveu exercer advocacia. Ao cabo de algum tempo, tinha certeza de que aquela não era a sua seara. Trabalhou como redator numa agência publicitária e chegou em seguida à mesma conclusão. Temeroso de que a vagabundagem fosse o seu destino, ofereceu-se para trabalhar de graça num jornal, e ali descobriu que era possível ganhar para sobreviver, com um mínimo de felicidade. 
Entrevistou para um grande jornal do Rio alguns dos maiores escritores, pensadores, líderes religiosos e cientistas que passaram pelo Brasil nesse tempo, fazendo também que o jornal não havia pedido por não ter interesse em publicar - para conceder um espaço maior à publicidade. Ele queria ter essas entrevistas para si próprio. Redigiu verbetes para uma enciclopédia, ajudou a preparar teses universitárias e traduziu do francês e do inglês um punhado de obras de ficção e de ensaios, desde que o assunto o interessasse muito.
E o que o interessava de fato nessa época? Pela ordem, era a motivação das pessoas vida afora (no fundo, suas próprias motivações e escolhas), as opções religiosas,a psicologia profunda e a filosofia. Tudo mais, inclusive a economia e a política, que certamente lhe garantiriam melhor o ganha-pão no jornalismo e fora dele, a seus olhos pareciam derivações, efeitos, distrações e jogos de habilidade. O que uma pessoa nessas condições, que não deseja mendigar nem trancar-se num escritório oito horas por dia, poderia fazer a não ser jornalismo?
LCL foi repórter, redator, copy-desk, editorialista e correspondente no Rio de Janeiro. Depois, no começo dos anos 70, trabalhou na empresa 'O Estado de S.Paulo', onde ficou por três décadas. Publicou, nesse meio tempo, artigos semanais assinados no 'Jornal da Tarde' que somados dariam para completar uma dezena de livros. As obras que escreveu compreendem 19 títulos, entre contos, romances, ensaios, guias de leitura e coletâneas de artigos, tendo no momento mais um livro em preparo, este de memórias. Aposentado, mora há oito anos em Princeton, Nova Jérsei, nos Estados Unidos, de onde manda uma esparsa correspondência para jornais e revistas brasileiros, além de dar cursos em empresas e universidades americanas. 
Perguntado há pouco sobre o que mais gostaria de fazer hoje, LCL respondeu que seria conhecer de mais perto as duas gerações de leitores que o acompanharam nas páginas dos jornais em que escreveu, e nos livros que lançou em pequenas e grandes editoras, onde pôs seu coração e obedeceu à sua intuição. 

 

Luiz Delfino DE Bittencourt Miranda

Joinville, sc, 08 DE DEZEMBRO DE 2002

 

 

 

 

 

 

01/04/06/08/13-dez/2002ldbm

02fev2003

         

 

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