1) Por que há tantos abusos sexuais impunes dentro da Igreja Católica ?
FOLHA DE SP :
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http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs0409200510.htm
A sedução do Catolicismo
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Jovem é ordenado padre na basílica de são Pedro, na cidade do Vaticano.
Para o filósofo esloveno, abusos sexuais cometidos dentro da igreja, antes que desvios da norma, são expressões do "segredo obsceno" que constitui a identidade e a lógica interna da instituição.
SLAVOJ ZIZEK COLUNISTA DA FOLHA
Um escândalo embaraçoso vem assombrando a Igreja Católica na Croácia : Vários casos de abuso sexual grave vieram à tona no orfanato Alojzije Stepinac, nas proximidades de Zagreb, administrado pela Caritas [ONG católica]. Diversas ONGs começaram a chamar a atenção para os casos ainda em 2002, quando começaram a receber telefonemas desesperados denunciando o abuso verbal, físico e sexual de crianças e adolescentes, em escala sistemática e maciça.
O ministro do Trabalho e do Bem-Estar Social na época, membro do partido ex-comunista, que encabeçava a coalizão governista, decidiu barrar o procedimento. Mais tarde, justificou sua iniciativa com uma explicação cuja franqueza é deprimente : "Se eu tivesse feito alguma coisa ou fechado o orfanato, teriam me crucificado, tachando-me de comunista maligno que quer reprimir a igreja".
Finalmente foram encontradas evidências incriminadoras suficientes, a polícia começou a investigar, e a imprensa passou a noticiar o assunto. E, numa atitude que não chegou a surpreender, autoridades da igreja disseram que o escândalo viera à tona porque a "mídia anticatólica" queria algo de ruim a noticiar para compensar pela cobertura dos últimos dias de vida de João Paulo 2º, que teria beneficiado a igreja. (!!!???)
Longe de ser uma religião do sacrifício, da renúncia aos prazeres terrenos, o catolicismo oferece um estratagema tortuoso para que possamos realizar nossos desejos sem precisarmos pagar o preço por eles.
Durante muito tempo, a diretora do orfanato, Jelena Brajsa, afirmou que haviam ocorrido algumas "situações sexuais" no orfanato, mas que estas eram "normais", assim como os castigos aplicados a "crianças indisciplinadas" são "parte normal do processo educativo". Ela desmentiu categoricamente que qualquer criança ou adolescente tivesse sofrido abusos sexuais por parte de sua equipe ; protegida por autoridades da igreja e da Caritas, desafiou os críticos, dizendo que "o Estado não tem nada o que inspecionar em orfanatos católicos". De acordo com Brajsa, "fiscalizar orfanatos católicos é a mesma coisa que autoridades estatais censurarem a missa". (!!!???)
Finalmente chegou um momento em que não foi mais possível seguir essa linha de defesa, já que foram encontrados documentos que demonstraram que Brajsa tinha conhecimento dos abusos, mas tentara encobrir o escândalo para proteger sua própria reputação e a da Igreja Católica. Quando o promotor de Zagreb a acusou de "obstruir a coleta de evidências", a própria igreja optou por uma solução "elegante" : Brajsa foi licenciada de seu cargo por razões de saúde e hospitalizada.
É uma história já conhecida, que, tirando seu sabor pós-comunista, poderia ter acontecido em qualquer lugar, nos EUA, Irlanda, Polônia ou Áustria, mas com uma diferença significativa : O que está em jogo não é um caso "corriqueiro" de pedofilia cometida por padres, em que sacerdotes abusam dos meninos que têm sob seus cuidados, mas de responsáveis administradores da igreja atuando como cafetões, fornecendo garotas, em sua maioria frágeis, a homens mais velhos, de fora da instituição (ou, quando eles próprios não as forneciam, toleravam esse tipo de abuso). É crucial não confundir esses tipos distintos de abuso.
Em resumo, o que acontece não é apenas que, por razões conformistas, a igreja tente abafar os escândalos pedofílicos embaraçosos : Ao defender-se, a igreja defende seu segredo obsceno e mais interno. O que isso quer dizer é que identificar-se com esse lado oculto é um elemento-chave da própria identidade de um sacerdote cristão.
Se o padre denunciar esses escândalos seriamente ( não apenas da boca para fora ), ele estará se excluindo da comunidade eclesiástica. Deixará de ser "um de nós", exatamente como um cidadão de uma cidade do sul dos Estados Unidos, na década de 1920, se denunciasse a Ku Klux Klan à polícia, se excluía de sua comunidade, ou seja, traía sua solidariedade fundamental. Essa é também a razão pela qual não se podem explicar esses escândalos sexuais como manipulação dos adversários do celibato, que querem comprovar que, se os desejos sexuais dos padres não encontrarem via de expressão autorizada, terão que explodir de maneira patológica.
Autorizar os padres católicos a se casarem não resolveria nada : Não teríamos padres que fazem seu trabalho sem molestar meninos, já que a pedofilia é gerada pela instituição católica do sacerdócio como sua "transgressão inerente", seu complemento secreto e obsceno. Conseqüentemente, a resposta à relutância da igreja não deve ser apenas a de que estamos lidando com os casos criminosos e que, se a Igreja não participar plenamente da investigação, será vista como cúmplice no crime; e, ademais, que a igreja "em si", como instituição, deve ser investigada para a averiguação da maneira como ela sistematicamente cria condições para tais crimes.
A alegação de que se deve deixar que a igreja cuide sozinha dos crimes de pedofilia cometidos por seus membros não é problemática apenas desde o ponto de vista puramente legal, já que reivindica para a igreja uma espécie de direito extraterritorial mesmo para os crimes comuns, que se enquadram no direito criminal público. Mais ainda, o que a igreja deve fazer, se ela quiser de fato combater seriamente a pedofilia em seu interior, é não apenas dar à polícia liberdade plena para interrogar seus membros e colaborar plenamente com as investigações mas também encarar seriamente a questão de sua própria responsabilidade, enquanto instituição, nesses crimes. É assim que a própria igreja precisa enfrentar o problema.
Slavoj Zizek é filósofo esloveno e autor de "Um Mapa da Ideologia" (Contraponto).
Tradução de Clara Allain.
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2) Um documento do Vaticano exige que Bispos de todo mundo "abafem" os casos de abuso sexual, segundo o Jornal Britânico “The Observer”.
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http://www0.bbc.co.uk/portuguese/noticias
/story/2003/08/030817_vaticanoon.shtml
O documento de 69 páginas, que foi enviado a todos os bispos do mundo, pede sigilo "absoluto" dos clérigos sobre acusações sexuais contra padres e diz que quem quebrar o silêncio deve ser expulso da Igreja Católica, diz o jornal.
Apesar de ter sido lançado pela primeira vez em 1962, com o selo oficial do papa João 23, o documento continuaria em vigor.
O Vaticano confirma a existência do texto, mas nega que tenha havido uma tentativa organizada de "abafar" casos recentes de abuso sexual, segundo o Observer.
ADVOGADO DA VÍTIMAS
O documento foi obtido por um advogado americano que está defendendo supostas vítimas de abuso sexual por bispos católicos.
"Ele prova que existe uma conspiração internacional da Igreja para calar assuntos relacionados ao abuso sexual", disse o advogado Daniel Shea ao jornal.
"É uma tentativa de esconder uma conduta criminosa."
O advogado disse ter conseguido o documento junto a um clérigo na Alemanha e entregue o texto às autoridades americanas.
A Igreja Católica dos Estados Unidos sofreu uma série de acusações contra seus padres.
O arcebispo de Boston, cardeal Bernard Law, teve que renunciar no ano passado depois de ter admitido que "abafou" casos de abuso sexual de seus padres.
As acusações levaram a mais de cem processos na Justiça americana.
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3) Vaticano esconde casos de abuso sexual há 40 anos, diz TV da France Presse, em Washington.
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http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u61244.shtml
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Um documento confidencial do Vaticano elaborado há mais de 40 anos revela uma política que demanda total discrição em casos de abuso sexual cometidos por sacerdotes, informou hoje o canal de TV americano CBS.
O documento refere-se aos "piores casos", incluindo "abusos sexuais de jovens de qualquer sexo ou animais por sacerdotes".
O porta-voz da Conferência dos Bispos dos Estados Unidos, monsenhor Francis Maniscalco, indicou que a informação foi retirada do contexto e que o documento tem por objetivo tratar crimes religiosos e prevenir escândalos envolvendo membros da Igreja.
Mas Larry Drivon, um advogado que representa as supostas vítimas de abuso sexual, disse que o documento é decepcionante.
A Igreja americana está mergulhada em um enorme escândalo por causa das inúmeras denúncias de pedofilia envolvendo sacerdotes.