Entro na torre de cristal brilhante azulado. O ambiente é radiante, predominantemente branco com uma sutil nuance azul. Olho em volta das paredes levemente arredondadas, o grande cone de cascatas recortadas de cristal polido, brilhantes, tudo cheio de Vida. Embora haja um contorno embaçado no lugar e o reflexo constante de todas as saliências e reentrâncias das pontas sextavadas, todo o ambiente é claro e limpo.

Giro ao redor de meu próprio corpo, cabeça para cima. Posso ver uma grande abóbada de cristal, como entalhada e cuidadosamente polida. Meu primeiro impulso é notar que o lugar, embora seja dotado de "teto", não tem chão. Sinto-me livre, feliz.

Como estou no meio da grande estrutura, não posso ver onde ela termina. Tenho o impulso de escorregar por corredores verticais, uma queda suave que me faz rir aos borbotões. A ausência de peso me dá sensações de ainda mais liberdade. Mas algo dentro de mim diz claramente que eu sei jamais poder ser feliz daquela maneira. O pensamento me soa tão contraditório que chega a ser absurdo - e ainda que paradoxal, não é. Eu sei que jamais serei feliz assim.

Continuo fascinada pelas enormes paredes cascateantes e noto que estou sozinha naquele lugar, algo que não é novo e me retorna à velha sensação de solitude. Um ser cristalino esguio aparece. Ele é comprido, transparente e com toda a semelhança a uma ponta de quartzo polido com br-ços e um estranho rosto incrustado no topo. Imagino que ele seja uma espécie de zelador ou guardião do lugar. Ou um mestre. Ele fala algo, mas eu não ouço - em dois sentidos: parece ser desimportante e não parece sair som de sua boca translúcida.

Minha mente vagueia por algum tempo naquele lugar e fora dele..

 

 

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