Solidão. Exílio. Vejo uma mão apontado para o exterior, o adiante - estou sendo expulsa, abandonada à própria sorte. Sinto medo e resisto intensamente em ir. Quem me expulsa é um homem velho com expressão de raiva, uma espécie de pai ou chefe do povo. Ele me diz que agora estou morta para ele e para todo o povo, e não devo retornar jamais.

Choro e imploro para ficar, mas sua única resposta é o dedo apontado severa e implacavelmente _ então eu vou. Mas não muito longe. Sento num lugar deserto, chorando de desespero. Lá eu fico muito tempo, encarando minha cidade ao longe.

Muito tempo se passa. E eu ainda não aceito ser uma exilada, quero voltar para casa. Tenho medo de ser expulsa de novo, de mais uma vez ser rejeitada. Mas a dor é insuportável. Vou perguntar.

Ao chegar à cidade, sou completamente ignorada. Choro e imploro de novo, suplicando que me deixem ficar. Meu pai sequer se dirige a mim para repetir que aquela pessoa não existe mais e ninguém falará com ela. Olho em volta, vejo as pessoas disfarçadamente me olhando, me acusando com os olhos, enraivecidas e espantadas com minha ousadia de ter voltado depois de tudo.

Todas as minhas súplicas são inúteis. Tenho que voltar ao deserto de novo, numa dor pior ainda. Sinto-me culpada. Gostaria ao menos de saber o que fiz de errado, mas não sei. Deve ter isso terrível. E eu sempre faço isso: coisas erradas.

A solidão é esmagadora. Abandono. Desespero. Rejeição. Continuo sentada, esperando morrer, querendo morrer, antecipando uma morte que me livre do sofrimento e da dor. Sei o que acontecerá quando eu morrer: até mesmo meus ossos serão ignorados, e ninguém permitirá que meu corpo seja jogado ao rio ou cremado numa pira fúnebre. Qualquer pessoa mereceria aquilo, mas eu sou menos do que uma pessoa.

Espero morrer, tenho esperança na morte. Mas Dulce me pede para focalizar no sol do deserto. Resisto por um breve momento antes de entregar à luz, constatando com amargura que sequer me será permitido morrer.

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