Sinto-me empurrado, forçado a ir para frente contra a minha vontade. Há alguém atrás de mim, me empurrando para a frente. Logo consigo vê-lo com clareza. É um homem alto, forte, parece ter cabelos louros queimados ou castanhos claros. Está vestido de peles e couro rústico, e traz uma lança, com a qual me ameaça para ir em frente, avançando por uma estrada arenosa e desértica.

Sou um homem corpulento, forte, feio, animalesco e decididamente desagradável. Também pareço um bárbaro com vestimentas de peles até nas botas. Estou amarrado pelos pulsos com os braços à frente de meu corpo e sou prisioneiro do lourão. Fiz algo errado, e ele me capturou. Acho que sou um ladrão, mas pode ser que haja alguma guerra por ali. Não me detenho nisso.

Não quero ir com aquele louro que fica me empurrando, e rosno para ele. Não tenho medo dele, ou do lugar para onde está me levando. Tenho raiva. Minha vontade é matá-lo. Sinto que sou capaz de fazer isso facilmente. Concentro-me em tirar a lança dele e, após, breve luta, atravesso-a no corpo de meu captor. Fantástico que eu tenha tido agilidade de fazer tudo aquilo com aquele corpanzil e uma coordenação motora que parecem ser de algum humanóide da Idade da Pedra.

Imediatamente escalo o despenhadeiro ao lado, procurando me esconder. Imagino que esteja cansado e tenha fome e sede. Fico escondido entre as pedras, olhando o que se passa lá embaixo.

Sou localizado por uns três selvagens que parecem ser do mesmo grupo do louro que me capturara. Eles começam a escalar e eu tento me esconder, assustado. Não posso deixar que me peguem. Contudo, não sinto vontade de lutar. Nem de correr. Estou cansado. Mas não é o sol, o calor ou a fome. Aquilo não pára nunca. Lutando, correndo, fugindo... Sem descanso. Sem perspectivas.

Não hesito em me atirar do alto de uma das rochas, direto no precipício. Sem alívio algum, sem alegria, sem insights sobre verdades ou caminhos elevados. Só me atiro e perco os sentidos.

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