Posso me sentir amarrada, toda envolta por grossas tiras. Também estou presa, os braços fazendo um X sobre meu peito, dentro de um tipo de concha ou casca grossa no formato de meu corpo. Não consigo me mexer e fico desesperada.
Quero saber por que estou ali presa. Por causa dele. Meu marido. Então me dou conta de que há uma outra casca como aquela, com outra pessoa ali. Meu marido, distante, não me lembro dele. Sei que ele está morto e ele é a razão de eu estar ali, amarrada dentro de uma urna funerária.
Mas eu não estou morta. Quero sair. Sinto-me triste e com raiva. Estou mais triste. O tempo passa e eu me sinto muito triste, ainda amarrada. Continuo triste e só depois de muito tempo me dou conta de que já estava morta há tempos.
Recebo o pedido para deixar o corpo e flutuar, mas é difícil. Estou presa ali. Quando finalmente consigo, estou num lugar escuro, com paredes de pedra, cheio de objetos, o teto triangular me impede de sair.