Internet a Cabo- Cable Modem


Cable modem. Este é o nome do dispositivo que permite ligar um computador doméstico à rede de TV a cabo, criando um dos mais rápidos caminhos hoje possíveis nesse tipo de ambiente para aplicações que envolvem comunicação de dados. A utilização dos cable modems pode ser uma resposta eficaz - ainda que não a única - para a crescente e quase generalizada fome de largura de banda nos acessos à Internet. Neste aspecto, só encontra concorrente à altura nas tecnologias da família DSL (de Digital Subscriber Line), voltadas para as redes telefônicas tradicionais. Embora o mercado do acesso à Internet tenha, no presente, uma importância indiscutível, há muitas outras aplicações - como videoconferência, teletrabalho e até interconexão de redes empresariais - que poderiam se beneficiar ou mesmo se tornar viáveis pela comunicação de alta velocidade feita sobre a malha de cabos e fibras das operadoras de TV a cabo.

Quando se considera a forma de acesso mais comum à Internet atual, é fácil perceber a diferença: enquanto um modem telefônico tradicional de 33.6 kbps leva cerca de 4 minutos para transferir um megabyte de informação, um cable modem de 10 megabits por segundo (velocidade habitual entre os modelos disponíveis) pode levar menos de 1 segundo para realizar a mesma tarefa, num cálculo simplificado.

As redes de TV a cabo que conhecemos foram concebidas para a difusão de informação aos assinantes, com tráfego exclusivamente unidirecional. Isto quer dizer que, em qualquer circunstância, o mesmo conteúdo flui da operadora para todos os seus assinantes e não existe fluxo de informação em sentido contrário. Os cable modems têm que tratar uma situação bem diferente, na qual convivem o tráfego bidirecional de dados - da operadora para o usuário e vice-versa - e a possibilidade de que diferentes usuários manipulem, concomitantemente e compartilhando o mesmo meio, diferentes informações.

Como ainda não existe um padrão universal estabelecido, os fabricantes de cable modems resolvem essas questões de maneiras diversas e as diferenças de abordagem se traduzem em características diferenciais dos equipamentos hoje disponíveis.

A primeira dessas características diz respeito à simetria. Modems simétricos são aqueles em que os dados fluem nos dois sentidos com a mesma velocidade; nos assimétricos, a velocidade do fluxo que chega ao usuário (o chamado downstream) é maior que a velocidade do fluxo originado pelo usuário (upstream). Equipamentos assimétricos são adequados para aplicações como os populares correio eletrônico e navegação na Web, que têm tráfego upstream leve. Modelos simétricos são melhores para aplicações com tráfego upstream pesado, como videoconferência ou telefonia Internet.

Há oferta de produtos para todos os gostos: modelos simétricos, como os da Zenith, assimétricos como os da Motorola  ou configuráveis como simétricos ou assimétricos, como os da Bay Networks, para citar apenas alguns exemplos. Mais recentemente, vem-se testando uma forma alternativa de operação, que utiliza cable modems apenas para tornar mais rápido o tráfego Internet downstream, enquanto o fluxo upstream trafega pela velha e boa linha telefônica discada. A motivação por trás dessa polêmica (e, aparentemente, provisória) estratégia seria a de reduzir ao mínimo os investimentos necessários para acomodar nas redes de TV a cabo já existentes as necessidades novas do tráfego de dados.

A experiência até aqui acumulada é insuficiente para avaliações mais precisas sobre as reais necessidades de tráfego das aplicações que poderão vir a utilizar os cable modems. De todo modo, esse é apenas um entre os muitos pontos que cercam este assunto. Volto a ele na semana que vem.

(Publicado em 14 de abril de 1998)

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