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Fidelidade eterna em noite de chuva passageira
          ...Quando a chuva anunciou sua chegada, ele se apressou na despedida com a menina morena, sua namorada. Naquela noite haviam selado um pacto de fidelidade: a primeira vez de um, teria que ser a do  outro tamb�m, quando chegasse o momento. Depois de um longo beijo, seguiu pela estrada deserta com o casaco sobre a cabe�a, para se proteger da chuva fina que j� come�ava a cair. Seus passos apressados pareciam em descompasso com seus pensamentos, que recordavam os momentos de carinho h� pouco vividos...

Jamais poderia imaginar que, naquela mesma noite de chuva fina, encontraria no  meio do caminho, seu primeiro amor e grande paix�o da sua vida que, at� ent�o, julgava esquecida...

Reconheceram-se logo assim que os olhares se cruzaram, apesar da luz branda da rua, encoberta pelo v�u de neblina que j� se formava... Loira, de olhos verdes brilhantes, cabelos soltos por sobre os ombros, esvoa�antes; ligeiramente umedecidos pelos primeiros pingos da chuva. Ficaram frente a frente por alguns segundos e foi inevit�vel oferecer-lhe a prote��o do seu casaco.

Seguiram em frente, sem trocarem mais nenhuma palavra, enquanto a chuva aumentava, teimando em adormecer o calor daqueles corpos, j� bem pr�ximos um do outro...

Inesperadamente, a chuva caiu torrencial, e refugiaram-se sob uma pequena marquise de um ponto qualquer daquela estrada deserta e m� iluminada.
N�o era de se esperar, entre os dois, muito di�logo, pois foi um amor interrompido bruscamente por motivos que nem mesmo eles se lembravam mais. Talvez ci�mes, ou intoler�ncia das partes. Fosse o que fosse, naquele momento n�o faria nenhuma diferen�a, pois todas as for�as da natureza pareciam conspirar a favor deles.

...Ela mantinha os olhos baixos, enquanto esperava a chuva parar. Uma gota de �gua rolou pelo seu rosto, como se desejasse chamar a aten��o dele deliberadamente, diluindo-se entre seus l�bios, onde ele fixou o olhar.
Aos poucos levantou a cabe�a e olhou na dire��o dos olhos dele. Tinha os cabelos molhados, o rosto marcado por alguns pingos suaves da chuva. Seu vestido branco transparente, colado junto ao corpo, desenhava, sedutoramente, suas curvas provocantes...

A chuva aumentou, e nem se deram conta disso...Um raio rasgou o c�u e a luz da rua se apagou, formando sobre eles um enorme v�u, e nem se deram conta disso...Ficaram ainda mais pr�ximos, como naqueles primeiros dias de namoro, e nem se deram conta disso...

Quando, impulsivamente, seus l�bios se tocaram, redescobriram o sabor daquele beijo. E, a paix�o, at� ent�o adormecida, renasceu; varrendo todo  espa�o de tempo perdido...

Ali, naquela estrada deserta, numa noite de chuva intensa e luz ausente na rua, entregaram-se ao amor, sem pedidos, sem permiss�o. O ritmo dos pingos da chuva se fez can��o e tudo aconteceu como se inevit�vel fosse...
Aquele pacto de fidelidade e de primeira vez, n�o havia resistido nem a passagem da chuva.

          Quem pode entender e julgar os caminhos e os motIvos do amor...


                                                                                                 Carlos Lucchesi

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