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Com boas idéias e dinheiro dos investidores de
risco, a internet brasileira copia o modelo americano e
produz seus milionários
Roberta Paduan
O valor de mercado das empresas americanas nascidas em torno da
rede mundial já supera 1 trilhão de dólares. Isso significa que a
economia virtual formada pelos serviços on-line dos Estados Unidos é
mais pujante do que a economia real de um país real, o Canadá, o
rico vizinho do norte. Em relação aos americanos, os números da
internet brasileira são ainda muito pequenos, mas algumas
semelhanças entre os dois fenômenos indicam que o caso brasileiro
pode replicar em escala menor o que se passa nos Estados Unidos. No
Brasil, apenas 5% dos lares têm computadores conectados à rede, mas
em nenhum outro lugar do mundo o ritmo de crescimento da internet
supera o verificado por aqui. Já estão funcionando aqui grandes
empreendimentos, como o Universo Online, o UOL, que responde por 40%
de todo o tráfego de internet no Brasil, provedores como O Site ou
Terra, além de gratuitos, como o iG. Como aconteceu nos Estados
Unidos, e não na Europa, jovens imberbes estão ganhando milhões com
empresas de garagem criadas em torno da internet. Para esses
garotos, é como uma corrida ao ouro, sem carroça, sem dinamite, sem
mina e, às vezes, sem sair de casa.
Claudio
Rossi
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Sylvio Alves de Barros Netto, 32
anos Empresa: WebMotors http://www.webmotors.com.br/
Ramo: negocia carros e dá informações sobre o
mercado automotivo Investimento inicial: 800 000
dólares em abril de 1996 Fortuna: a WebMotors,
avaliada em 30 milhões de dólares, recebeu 14 milhões de
dólares da GP Investimentos, em novembro do ano passado
|
Os jovens americanos que entram no negócio da internet vêm
atraindo os dólares de investidores que lidam com "capital de
risco". No ano passado, esse capital aventureiro despejou 7,6
bilhões de dólares nos negócios dessa garotada. Esse dinheiro está
tocando a economia das empresas chamadas dotcom, ou pontocom, em
português, que nada mais são do que o triunfo da esperança sobre a
realidade. Isso porque pouquíssimas dão lucro e todas prometem ser
grandes máquinas arrecadadoras num futuro que ninguém se arrisca a
dizer quando vai chegar. As maiores empresas desse tipo já estão
consolidadas. São, por exemplo, a famosa Yahoo! ou a livraria
virtual Amazon.com, que valem bilhões de dólares na bolsa de
valores. O que chama a atenção agora é o enorme segundo time de
serviços recém-criados e ainda desconhecidos do grande público, mas
que já despertaram a cobiça dos investidores de alto risco. No
Brasil a estimativa é que exista atualmente 1,3 bilhão de dólares
prontos a ir para as mãos de jovens que se acham aptos a lançar um
negócio on-line. Bancos de investimentos, como o Opportunity, o
Pactual, o GP, e um punhado de fundos constituídos por capital de
risco estrangeiro andam com lupas em busca de alguma idéia luminosa
que possam ajudar a se materializar na internet. "A nossa empresa é
uma das muitas que estão prontas a financiar quem tenha um plano de
negócios bem estruturado", diz Guido Padovano, diretor de Private
Equity da Merrill Lynch, maior corretora de valores dos Estados
Unidos.
Esse segmento mais espevitado da internet, o ocupado pelos
pequenos empreendedores, é uma ponta apenas da nova economia montada
em torno do computador, uma onda de choque que está revolucionando o
capitalismo no mundo. Os jovens estão no lado mais espontâneo e
surpreendente do fenômeno. Há três anos, por puro passatempo, o
adolescente carioca Edgard Nogueira, de 17 anos, montou o Aonde?, um
serviço de busca de informações na internet. Hoje, seu serviço
recebe quase 4 milhões de visitas por mês. Esse tráfego, colossal
para o tamanho da rede brasileira, atraiu a atenção dos
investidores. O Aonde.com tem um valor de mercado que ultrapassa os
10 milhões de reais e já atraiu cinco interessados em investir em
troca de uma participação no empreendimento. "Não vou vender tudo,
mas acho inevitável arranjar um sócio capitalista que me permita
alavancar o site", diz Edgard, com um sorriso cheio de metais dos
braceletes do aparelho ortodôntico.
Claudio Rossi
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Evanndro Paes dos
Reis, 30 anos Empresa: Ogilvy
Interactive Ramo: publicidade na internet e
sistemas de comércio eletrônico Investimento
inicial: 2 000 dólares, em agosto de 1995 Fortuna:
o grupo Ogilvy & Mather pagou, conforme o mercado, 10
milhões de dólares pela Hipermídia, empresa de criação de
websites fundada por Evanndro |
O sucesso do engenheiro Evanndro Paes dos Reis, 30 anos, de São
Paulo, foi fruto de sua crença no futuro da internet brasileira.
Ex-executivo de três grandes empresas de tecnologia, IBM, Sun e
Apple, Evanndro percebeu anos atrás que alguns sites americanos já
começavam a vender produtos e atrair publicidade. Por que não tentar
fazer o mesmo no Brasil? Pediu demissão da Apple e fundou a
Hipermídia, uma empresa especializada em criar websites. Na época em
que trocou o salário fixo pelo risco do negócio próprio numa área
que recebia poucos investimentos, ele chegou a passar alguns meses
dormindo num colchonete estendido no chão de um apartamento
emprestado por um amigo. O sacrifício valeu. No ano passado, o
negócio publicitário na rede faturou 44 milhões de dólares. É pouco
num mercado total de quase 4,5 bilhões de dólares. Mas é bom
registrar que o faturamento foi 120% maior do que o de 1998. A
empresa de Evanndro cresceu junto e, no ano passado, foi vendida ao
grupo anglo-americano Ogilvy & Mather. O valor é mantido em
segredo, mas o mercado dá como certo que a transação foi fechada por
10 milhões de dólares. Evanndro, que passou a trabalhar para a
Ogilvy, alterna seus passeios pelas ruas de São Paulo ora num jipe
Cherokee, ora num BMW.
A súbita riqueza de Evanndro e Edgard são indicações de que a
internet brasileira se inclina mais para o modelo americano. Tanto
lá como aqui o crescimento da rede está baseado na lógica do
empreendimento privado que nasce pequeno, cresce e gera uma
expectativa milionária antes mesmo de produzir lucro. Para um bom
número de economistas americanos esse modelo tem características das
velhas "bolhas" de euforia que tantos dissabores provocaram no
passado. Ninguém sabe ao certo se os sites que hoje valem milhões
mesmo sendo deficitários vão realmente se tornar lucrativos um dia.
Por enquanto, os investidores americanos e brasileiros têm colocado
dinheiro real em esperança virtual. Um serviço on-line montado
por um adolescente vale 10 milhões de reais? A empresa de Evanndro,
que produz sites de comércio eletrônico e faz publicidade para a
rede, vale 10 milhões de dólares? Indo mais longe, a livraria
virtual americana Amazon.com, que deu um prejuízo de 350 milhões de
dólares no ano passado, vale 24 bilhões de dólares – quase oito
vezes mais do que o governo brasileiro levantou há dois anos com a
privatização da Companhia Vale do Rio Doce, uma das maiores
mineradoras do mundo?
Bem, a resposta é: não vale. Mas vale. Na topografia da nova
economia tocada pelos cliques da internet, o valor de uma empresa
tornou-se uma questão muito abstrata. Para início de conversa, dar
lucro não é condição essencial para que um serviço on-line valha
milhões ou bilhões. Os serviços on-line mais valorizados, à luz das
regras da economia tradicional, são apenas éter. São nada. São
feitos de computadores comuns ligados a uma rede e recebem visitas
diárias de pessoas que também possuem computadores. Não há
propriamente um patrimônio físico. Esses serviços vivem da esperança
de que no dia seguinte voltarão a ser visitados por milhares ou
milhões de pessoas. Neste momento, tais abstrações valem dinheiro.
Na semana passada, a PT Multimedia, subsidiária da Portugal Telecom,
pagou 365 milhões de dólares por um dos maiores serviços de internet
brasileiros, o Zip.Net. O que essa montanha de dinheiro comprou?
Comprou um serviço que fornece correio eletrônico de graça para 2,6
milhões de pessoas e recebe 170 milhões de visitantes por mês em
suas páginas na rede. A PT Multimedia espera usar o Zip.Net como
plataforma para lançar-se como provedora de acesso e intermediária
de comércio eletrônico em todos os países de língua portuguesa no
mundo – uma comunidade de cerca de 200 milhões de pessoas.
Oscar Cabral
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Gustavo Viberti, 34 anos, e Fábio de Oliveira,
35 Empresa: Cadê http://www.cade.com.br/
Ramo: site de busca Investimento
inicial: dois computadores pessoais, em novembro de 1995
Fortuna: 5,3 milhões de dólares obtidos com a venda
do Cadê ao provedor StarMedia em abril de
1999 |
"O que conta neste momento é a percepção de que determinado
serviço on-line vai tornar-se necessário no futuro para um grupo de
clientes fiéis", diz Eric Chin, 31 anos, um dos mais conhecidos
investidores do Vale do Silício, a província de alta tecnologia na
Califórnia. Bem, e se essa percepção não se concretizar? Os
investidores trabalham com a idéia de que muitas, talvez a maioria
das empresas virtuais que hoje decolam em questão de meses, vão
aterrissar de barriga. Sabem que no vale que hoje é do silício vai
haver um vale dos caídos. Como em todas as euforias financeiras do
passado, vão sobrar alguns poucos vencedores numa paisagem de muitos
perdedores. Por isso as regras de investimento de risco são cada vez
mais estritas. Quem tem dinheiro para investir nos Estados Unidos e
no Brasil exige mais do que uma boa idéia para abrir os cofres. Os
investidores esperam dos empreendedores o que chamam de "modelo de
negócio". Traduzindo, os donos do dinheiro esperam que os candidatos
a um investimento tenham uma idéia segura de como vão ganhar
dinheiro com ela. Exigem que eles conheçam o perfil de sua
audiência. É fundamental saber a idade, os gostos, se a maioria é
homem ou mulher, idosos ou crianças. Conhecer a classe social e os
hábitos de consumo dos visitantes do site vale ouro no mercado.
Serviços que atraem milhões de visitantes mas não conseguem
segurá-los, ganhar-lhes a fidelidade, tendem a valer menos.
Na Europa, a expansão da web é diferente. Tem-se baseado
principalmente no investimento das grandes corporações. Outro ponto
comum entre a internet brasileira e a americana são as atitudes dos
empresários do ramo e sua forma de lidar com dinheiro. Eles cultivam
hábitos completamente diferentes dos jovens que obtiveram lucros
descomunais no mercado financeiro no final dos anos 80. Aquela turma
se inspirava no padrão consumista dos yuppies. Entre os jovens
empresários da internet, é mais fácil encontrar camiseta do que
terno, boné em vez de gravata. A relação com o dinheiro também é
outra. "Minha vida financeira melhorou em relação ao tempo em que eu
ainda não estava no mercado", diz Alexandre Ribenboim, 31 anos, do
Rio de Janeiro, um dos sócios da MLab, que desenvolve páginas na
internet para algumas das maiores empresas do país. "Mas eu ainda
não sou rico. Sou apenas potencialmente rico." A participação de
Ribenboim no MLab é de 13%. A empresa vale, em uma estimativa
realista, cerca de 60 milhões de reais. Ribenboim tem, portanto, um
patrimônio de mais ou menos 8 milhões de reais.
Kiko Ferrite
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Paula Santos, 33 anos, e
Hermínio Sotero, 30 Empresa: Vesta
Technologies http://www.vesta.com.br/Ramo:
desenvolvimento de sistemas de comércio
eletrônico Investimento inicial: 2 milhões de
dólares em março de 1998 Fortuna: a Vesta foi
avaliada em 100 milhões de dólares pelo fundo Latinvest, que
comprou 16,7% das ações da empresa em setembro de 1999
|
Os brasileiros que estão enriquecendo agora com negócios
on-line podem ser considerados a segunda geração bem-sucedida nesse
ramo no país. Antes deles, alguns desbravadores abriram as
clareiras. São nomes hoje admirados e imitados.
Aleksandar Mandic, 46 anos, tem um
patrimônio pessoal estimado de 10 milhões de dólares, que inclui um
apartamento de 600 metros quadrados em São Paulo. Em 1995, criou um
dos primeiros provedores de acesso do Brasil, o Mandic. A empresa
foi vendida em 1998 para a argentina ImpSat. Mandic é um dos donos
do iG, em sociedade com o publicitário Nizan Guanaes e os bancos
Opportunity e GP Investimentos. Na quinta-feira passada, duas
operadoras telefônicas, a Telemar e a Tele Centro Sul, compraram 34%
do iG por 8,5 milhões de dólares.
O carioca Jack London, de 51 anos,
também levou uma bolada estimada em 5 milhões de dólares com a venda
da primeira livraria virtual do país, a BookNet. O negócio,
incorporado pelo GP Investimentos, foi rebatizado de Submarino.
Continua no ramo do comércio eletrônico com o site de leilões Valeu.
O engenheiro paulistano Marco Aurélio
Garib, 38 anos, é sócio fundador da EverSystems, líder na América
Latina em um serviço fundamental para o sucesso de transações
financeiras on-line: a segurança. Garib criou um sistema de
codificação que torna praticamente impossível a malfeitores
interferir e furtar senhas e outros dados que circulam na rede
quando clientes usam os serviços on-line dos bancos. Fundada há oito
anos, a empresa é avaliada atualmente em 125 milhões de dólares.
Claudio
Rossi
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Romero
Rodrigues Filho, 22 anos; Mário Letelier, 23; Ronaldo Morita,
24; e Rodrigo Borges, 24 Empresa: BuscaPé
http://www.buscape.com.br/ Ramo:
compara preços de mercadorias de lojas
on-line Investimento inicial: três computadores
pessoais e 4 800 reais, em junho de 1999 Fortuna:o
site foi avaliado em 4,2 milhões de dólares pela incubadora
e-Platform, que se tornou sócia do negócio em janeiro deste
ano |
O exemplo dos fundadores do site de buscas Cadê é animador.
Criado em 1995 pelos empresários Fábio de Oliveira, 35 anos, e
Gustavo Viberti, 34, do Rio, o Cadê cresceu depois que a família
Montenegro, dona do Ibope, investiu 100.000 dólares na empresa. Com esse recurso
modesto, o site se consolidou no mercado. Em abril do ano passado, o
Cadê foi vendido por 5,3 milhões de dólares para o StarMedia, um
provedor de acesso criado por um grupo de americanos interessados em
internet na América Latina. "Começamos por pura diversão, sem
colocar um tostão além de nossos computadores", diz Viberti. A dupla
ficou à frente do Cadê até a semana passada, quando deixou o site
nas mãos dos compradores para tentar outro negócio na internet que
por enquanto é mantido em segredo.
Romero Rodrigues Filho, 22 anos, Mário Letelier, 23, Ronaldo
Morita e Rodrigo Borges, ambos de 24 anos, paulistanos, também
entraram no jogo com um endereço chamado BuscaPé. Seu site pesquisa
no mercado o preço de uma série de mercadorias, de flores a artigos
de computação, à venda em lojas virtuais de todo o país. Os rapazes
já perceberam que tempo vale dinheiro no mundo de hoje e criaram um
site que facilita a pesquisa de preços. Estão sintonizados com o
futuro e, por causa disso, o BuscaPé é avaliado em 4,2 milhões de
dólares pelo mercado.
A regra geral dos grandes investidores é entregar a esses
negócios não mais que 8% do total de suas carteiras. Nos Estados
Unidos, onde a onda está no auge, alguns sites deficitários que se
lançaram na bolsa de valores já renderam retornos de 1.000% a 1.600%. Não
existe negócio igual. Nem na Colômbia. Enquanto a bolha de euforia
das ações da internet não estourar, esse retorno alto e quase
instantâneo vem fazendo a festa do investidor americano. Mas que
tipo de idéia é capaz, hoje em dia, de atrair um investidor, seja
nos Estados Unidos ou no Brasil? Não existe regra geral, mas
atualmente vale menos o conhecimento técnico sobre como funcionam os
computadores e a internet. Tais habilidades garantem um bom emprego.
E é só. O sucesso de um negócio on-line assenta-se mais sobre o
conhecimento específico de temas de interesse geral que,
preferencialmente, envolvam transações comerciais. O administrador
de empresas Sylvio de Barros Netto, 32 anos, de São Paulo, pouco
entendia de computador, mas sempre foi um apaixonado por tudo que
diz respeito a automóveis. Há quase quatro anos, ele criou o
WebMotors. O site vai muito além de vender carros. Ali o internauta
encontra um mecanismo muito prático de comparar instantaneamente
diversos modelos. Pode também visualizar lado a lado as propostas de
vendedores de veículos usados. Antes de se tornar empreendedor,
Barros trabalhou na General Motors e numa concessionária de São
Paulo. A GP Investimentos, um dos mais agressivos investidores de
risco da internet brasileira, já aplicou 14 milhões de dólares na
empresa de Barros.
Claudio
Rossi
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Paulo Humberg,
32 anos Empresa: Lokau http://www.lokau.com.br/
Ramo: site de leilões Investimento inicial:
400 000 reais em junho de 1999, quando o site foi lançado com
o nome de Freelance Fortuna: o mercado estima que o
Lokau vale 200 milhões de dólares. Em setembro de 1999,
recebeu 11 milhões de dólares da GP Investimentos
|
O economista Paulo Humberg, 32 anos, ex-diretor de marketing
das Lojas Americanas, estudioso dos hábitos do consumidor
brasileiro, levantou os 11 milhões de dólares de que precisava para
investir no Lokau, um site de leilões inspirado no americano eBay.
Tanto Barros quanto Humberg sabiam bem o que queriam se alguém os
apoiasse numa investida on-line. Isso foi decisivo para que pudessem
atrair o capital. O que faz essa turma ser considerada milionária,
mais do que o dinheiro investido pelo sócio capitalista, é o valor
de mercado de suas empresas. "O mercado brasileiro vem crescendo e é
muito promissor", diz Paula Santos, 33 anos, sócia da Vesta
Technologies, empresa especializada em criar sistemas de comércio
eletrônico. Para fundar a Vesta, há dois anos, Paula e o irmão,
Hermínio Sotero, 30 anos, abandonaram ótimos empregos. Os dois
trabalhavam na Microsoft. Ela, na sede em Redmond, sob as ordens
diretas de Melinda French, a atual mulher de Bill Gates. A dupla
levantou 2 milhões de dólares com a venda das ações que ganhou como
parte de seus rendimentos na época em que trabalhava na Microsoft.
Até agora parece ter sido o melhor negócio de sua vida. A Vesta, que
faturou 8 milhões de dólares em 1999, foi avaliada em 100 milhões de
dólares pelo Latinvest, um dos fundos de investimento americanos que
financiam a internet brasileira. É uma das estrelas da economia
virtual no Brasil. Os milionários.com.br já formam um time que chama
a atenção no cenário econômico do país. Como os pioneiros
americanos, eles sonham em transformar seu potencial em riqueza
palpável antes que um vento mais forte estoure a bolha.
"Acho que Bill
Gates não construiu a Microsoft colocando o dinheiro em
primeiro lugar"
Oscar Cabral
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| Edgard: "No princípio,
minha motivação era o desafio. Logo comecei a ter uma
visão empresarial" |
Para os padrões da internet brasileira, o Aonde? (http://www.aonde.com/), site criado pelo
estudante Edgard Nogueira, de 17 anos, é um sucesso. Com quase
4 milhões de páginas vistas por mês, ele vem sendo cortejado
por bancos interessados em se tornar sócios da empresa. VEJA
bateu um papo com Edgard:
Veja – Você criou o Aonde? pensando em ficar
rico? Edgard – No princípio, minha motivação
era a curiosidade e o desafio. Logo comecei a ter uma visão
empresarial. Sabia que os sites de busca eram os mais
visitados e faturavam alto nos Estados Unidos. Tenho chance de
ficar rico, mas não penso muito nisso. Acho que Bill Gates,
por exemplo, não construiu a Microsoft colocando o dinheiro em
primeiro lugar.
Veja – Quando você sentiu que era um
empresário? Nogueira – Desde o início tive de
tomar decisões e de falar com outros empresários. Uma vez,
recebi um e-mail do vice-presidente da AOL para a América
Latina. Ele queria conhecer um diretor do Aonde?. Fui ao
encontro em companhia de meu pai. Quando cheguei lá, ele disse
que os jovens estão dominando a internet.
Veja – Você já se sentiu tratado como criança
numa negociação? Nogueira – Não. Às vezes eu
pedia que meu pai fosse comigo aos encontros de negócios para
me ajudar a conduzir a discussão.
Veja – Quem decide o destino do dinheiro do
Aonde? Nogueira – Guardo tudo na conta do
Aonde?. Tiro uns 300 reais por mês para minhas despesas
pessoais. Meus pais acham que têm de continuar pagando a
escola, como fazem com minha irmã.
Veja – Você se considera um geniozinho da
internet? Nogueira – Eu nunca fui mau nem ótimo
aluno. Sou um estudante nota 7. Vou à praia, ao cinema e saio
para dançar quase todo final de semana. Como não tenho
namorada, às vezes fico com alguma garota.
Roberta Paduam
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Nem Alan Greenspan sabe se a
valorização das ações de internet é uma bolha
No centro do fenômeno da súbita riqueza da internet
americana está o valor dessas companhias, medido pelo preço de
suas ações. Juntas, as quinze maiores empresas digitais dos
Estados Unidos têm um valor superior ao de todo o estoque de
ações negociado no mercado americano no final da década de 80.
Dados como esse sempre foram vistos como a prova do vigor do
lado digital da economia. Agora, começam a gerar desconfiança.
Analistas falam de um movimento que já teria ultrapassado a
fase da simples especulação e alcançado sua forma mais
perigosa, a de "bolha" – ou seja, um movimento artificial de
compra de ações motivado por um otimismo injustificado pela
realidade.
O problema de toda bolha é que ela pode explodir e espalhar
prejuízo por todos os lados. No século XVII, a Europa se
agitou sob a febre da tulipa. Todos queriam os bulbos que
garantissem as flores mais raras. Em fevereiro de 1677, o
preço dos bulbos aumentou 28 vezes em poucas semanas. Depois,
despencou. Fortunas pessoais ruíram, mas a economia mercantil
sobreviveu. Apenas uma vez, na quebra da Bolsa de Nova York de
1929, a bolha foi capaz de espalhar estragos em série pelo
mundo afora. Nem o mais pessimista dos analistas foi capaz,
até agora, de apostar sua reputação na queda do preço das
ações pontocom. A resposta dos maiores economistas, entre eles
Alan Greenspan, presidente do banco central americano, sobre
se a valorização das ações de internet é uma bolha tem sido:
"Ninguém sabe". Se nem eles sabem, é bom colocar as barbas de
molho.
Ricardo
Galuppo |
Eu investiria numa idéia de negócio
on-line que...
...me oferecesse uma boa solução de segurança. Mesmo que
ela fosse apresentada por um estudante. Mario Fleck, presidente da Andersen Consulting
no Brasil
...reunisse empresas de um mesmo ramo e estimulasse
negócios entre elas. Esse tipo de serviço aumenta as
oportunidades para os pequenos e reduz os custos para os
grandes. Ana Carolina Ferraz Aidar,
do Chase Capital Partners
Daniela Picoral
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| Grégio: custos mais
baixos |
...simplificasse a vida do usuário sem cobrar mais por
isso. Numa corretora on-line que cobrasse taxas mais baixas
que as de uma corretora convencional pela compra e venda de
ações. Odécio Grégio, diretor de
tecnologia do Bradesco
...se baseasse na pergunta "Como entregar?". Esse é o
grande desafio para quem pretende vender pela rede.
Patrice Etlin, sócio do Advent
International |
Uma ação contra os vândalos da
rede
Divulgação
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| Mudge: o ex-hacker combate
a pirataria |
A recente onda de ataques aos mais famosos endereços da
internet, como CNN, Amazon e eBay, mereceu atenção especial do
governo dos Estados Unidos. Na terça-feira passada, o
presidente Bill Clinton convocou uma reunião na Casa Branca
com os principais executivos da indústria de tecnologia e com
membros do primeiro escalão do governo americano. O objetivo
era discutir diretrizes sobre um assunto que preocupa cada vez
mais os internautas: a segurança na internet. O secretário de
Comércio, William Daley, um dos defensores da criação de
mecanismos de defesa, que estava em missão oficial no Brasil,
foi chamado de volta a Washington para participar do encontro.
"Não há motivo para pânico", disse Clinton. "Mas precisamos
começar a nos preocupar com isso."
A reunião aconteceu um dia depois da mais recente ousadia
dos vândalos cibernéticos. O alvo, dessa vez, foi o próprio
Clinton. Ele participava de um bate-papo on-line, no site da
rede de televisão a cabo CNN. Durante a conversa, um ousado
internauta furou o bloqueio do programa que filtrava as
perguntas e escreveu, como se fosse Clinton: "Gostaria de ver
mais pornografia na internet". A intrusão causou
constrangimento.
Entre os executivos do primeiro time que atenderam à
reunião – entre eles representantes da Microsoft, da IBM, da
AOL, da ISS, além de Janet Reno, secretária de Justiça, e do
próprio Daley –, quem mais chamou a atenção foi um rapaz que
parecia recém-chegado de um festival de rock. Seus cabelos nos
ombros contrastavam com o terno e a gravata bem-comportados.
Conhecido como Mudge, ele é um ex-hacker, vândalo da internet,
que se tornou aliado do governo no combate à pirataria
virtual. É mais ou menos como se Al Capone se tivesse unido a
Eliot Ness para combater a Máfia. No mundo da internet, as
empresas costumam contratar hackers para cuidar da segurança.
A intenção do governo é utilizar o conhecimento técnico de
Mudge para melhorar os sistemas de proteção às informações que
transitam pela rede e desenvolver armas contra ataques iguais
aos das últimas semanas.
Clinton pedirá ao Congresso a liberação de 9 milhões de
dólares para a criação de um centro de segurança cibernética.
O objetivo do instituto é monitorar, relatar e trocar
informações sobre a ação de hackers. Pouco antes dos ataques
que paralisaram os serviços on-line, algumas instituições
financeiras do país receberam informes sobre as ações
planejadas pelos hackers. Nada puderam fazer. A atual política
de segurança diz que as informações obtidas por meio de uma
rede de segurança privada só podem ser usadas internamente. Os
relatórios com as ameaças foram arquivados. O monitoramento
proposto por Clinton não pretende criar mecanismos de censura.
A manutenção da liberdade irrestrita de expressão é uma das
maiores conquistas do mundo pontocom. O governo americano não
vai comprar essa briga.
Gustavo Poloni
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