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Grandes rios do
mundo estão poluídos,
menos o Amazonas e o Congo,
alerta Comissão Mundial sobre a Água
Fotos
(clique sobre os nomes dos rios, para saber mais a
respeito):
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Rio Amarelo ou Huang-He
(Ásia)
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O Huanghe é o
segundo dos rios da China. Mede 5.464 km e sua bacia tem 752.000
km². O Rio Amarelo, o mais setentrional entre os dois maiores rios,
está super explorado. Após fluir ininterruptamente por milhares de
anos, este berço da civilização chinesa secou em 1972, deixando de
chegar ao mar durante cerca de 15 dias.
Nos anos seguintes, secou alternadamente até 1985. Desde então, tem
secado durante parte de cada ano. Em 1997, um ano de seca, o Rio
Amarelo deixou de alcançar o mar durante 226 dias.
Na realidade, durante a maior parte de 1997, ele não chegou à
Província de Shandong, a última das oito que atravessa em direção ao
mar. Shandong, que produz um quinto do milho da China e um sétimo do
trigo, é mais importante para a China do que os estados de Iowa e
Kansas são, juntos, para os Estados Unidos. Metade da água de
irrigação da província vinha do Rio Amarelo, todavia este suprimento
a está agora diminuindo. A outra metade vem de um aqüífero que está
caindo 1,5 metros por ano.
Enquanto mais e mais água é desviada para a indústria e cidades a
montante, menos resta a jusante. Beijing está permitindo que as
províncias assoladas pela pobreza rio acima desviem água para seu
desenvolvimento em detrimento da agricultura nas partes baixas da
bacia.
Entre centenas de projetos para desviar água do Rio Amarelo, há na
cabeceira um canal que levará água para Hohhot, a capital da
Mongólia Central, a partir de 2003. Essa água adicional ajudará a
atender às necessidades urbanas crescentes, como também das
indústrias em expansão, inclusive da importante indústria da lã que
é suprida pela imenso rebanho ovino da região. Outro canal desviará
água para Taiyuan, capital da província de Xangai, uma cidade com
cerca de 4 milhões de habitantes que recentemente se viu forçada a
racionar água.
A pressão crescente sobre o Rio Amarelo significa que um dia ele não
mais chegará à Província de Shandong, privando-a de aproximadamente
metade da sua água de irrigação. A perspectiva de importação maciça
de grãos e a crescente dependência do grão norte-americano, em
particular, causa grande inquietação aos líderes políticos em
Beijing.
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Rio Reno (Europa)
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O Reno é um dos
rios mais importantes da Alemanha, mas o seu trecho mais bonito, e
que geralmente as pessoas gostam de percorrer, é entre as cidades de
Mainz e Koblenz. Nesta parte, com cerca de 100 km de extensão, o
cenário é privilegiado, e as construções, todas em estilo
tradicional Alemão, junto com os históricos castelos no alto das
encostas formaram um conjunto encantador. As retificações no curso
do Reno acabaram com as várzeas e prejudicam a procriação de peixes.
Mas antigas minas de cascalho podem ser a solução.Na tentativa de
devolver ao Reno um pouco de suas características, pesquisadores
estudam a possibilidade de fazer com que antigas minas de extração
de cascalho – hoje convertidas em lagos – cumpram a função
originalmente reservada às várzeas. Eles pretendem interligar os
lagos entre si e com o Reno. O objetivo seria dar aos peixes que
vivem no rio um espaço para a desova, o que só pode ser feito em
águas tranqüilas. A partir de 1820, o Reno teve seu curso alterado
por sucessivas intervenções, que tinham por objetivo transformá-lo
em uma das principais hidrovias para transporte de cargas da
Alemanha. O engenheiro Johann Gottfried Tulla teve êxito na sua
tentativa de encurtar o curso do rio em 83 quilômetros entre a
cidade alemã de Bingen e a de Basiléia, na Suíça, mas não sem
conseqüências. Para espanto de Tulla, as águas do Reno penetraram
até 10 metros para o subsolo em alguns pontos e o nível do rio
diminuiu. À retificação do rio no Alto Reno também se atribui as
freqüentes enchentes na região do Baixo Reno. Hoje o Reno é mais um
canal de navegação do que um rio. Estes costumam alterar seu curso
de tempos em tempos, avançando sobre as margens, se dividindo ou
perdendo velhos “braços”, e é essa dinâmica que garante a existência
das regiões de várzea. Por conta da retificação, este fenômeno
praticamente não ocorre mais ao longo do Reno.
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Rio Colorado (América do
Norte)
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As comunidades
ao longo da parte baixa do rio esforçam-se para fornecer tratamento
de despoluição das águas à crescente população; pode ser apenas uma
questão de tempo antes que uma inundação ou um
terremoto despejem 11 milhões de toneladas de dejetos radioativos
provenientes do Moinho Atlas de Urânio nas águas do Rio Colorado; o
Rio Colorado nasce nas Montanhas Rochosas, no estado do Colorado, e
cobre uma distância de mais de 2.300 quilômetros até o Mar de
Cortez, no México. Originalmente, o Colorado era um rio selvagem e
indomado. Em certa ocasião, ele chegou a romper barragens na
Califórnia e formou o que hoje se chama de Mar de Salton [Salton
Sea]. Para controlar o rio e conseguir alguma regularidade e
confiabilidade, o governo dos Estados Unidos construiu a Represa
Hoover [Hoover Dam] na década de 1930. Foi a construção dessa
represa, e mais tarde, da Represa de Glen Canyon [Glen Canyon Dam],
rio acima, que tornou possíveis os milagres modernos do deserto
urbano. Como o Rio Colorado é tão vital para o sudoeste dos Estados
Unidos, e para o México, ele se tornou um dos rios mais regulados e
gerenciados nos Estados Unidos.
Sete estados (Arizona, Califórnia, Nevada, Colorado, Utah, Novo
México, e Wyoming) e a República do México recebem água, da qual
dependem para viver, desse poderoso rio. Todos os anos, mais de 7,5
acres-pés de água (um acre-pé é igual a aproximadamente 1.238.800
litros) são distribuídos para o Arizona, Nevada e para a Califórnia
- os estados da Bacia Inferior. Embora o sistema do Colorado seja
grande, existe a possibilidade de ocorrer escassez de água. Quando
foram feitos os acordos de distribuição, o fluxo anual do Colorado
era estimado em 18 milhões de acres-pés. Hoje sabemos que o fluxo
anual fica mais próximo de 14 milhões de acres-pés; portanto é fácil
entender como o rio é solicitado em excesso, quando é utilizado na
sua totalidade.
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Rio Amazonas (América do
Sul)
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tempestade
sobre o rio (foto); com 6.500km de extensão, o rio Amazonas é
responsável por 20% da água doce despejada anualmente nos oceanos.
Embora seja de longe o maior rio do mundo em volume de água,
geralmente não é considerado o mais longo. No entanto,
considerando-se que, durante o período de cheia, ele se estende mar
adentro, provavelmente é também o mais longo. O rio Amazonas é um
rio de planície, possuindo baixa declividade. Sua largura média é de
4 a 5km, mas, em alguns trechos, alcança mais de 50km. Navios
oceânicos de grande porte podem navegar até Manaus, capital do
Estado do Amazonas, enquanto embarcações menores com até seis metros
de calado, podem alcançar a cidade de Iquitos, no Peru, distante
3.700km do oceano Atlântico. Nasce no lago Lauri ou Lauricocha (em
quíchua, cocha, 'lago'), nos Andes do Peru. Corre na direção geral
sul-norte, como um rio de montanha, com forte gradiente e vertentes
muito altas. A partir do Pongo de Manseriche, seu curso se inverte
definitivamente para a direção oeste-leste, até a foz, no Atlântico.
Nesse trecho, correspondente à maior parte do curso, o Amazonas tem
declive muito fraco e divaga seu leito numa várzea, limitada pelas
escarpas de um baixo tabuleiro sedimentar. No Brasil, o rio Amazonas
desce de 65m de altitude, em Benjamin Constant (AM), ao oceano, após
um percurso de mais de 3.000Km. O curso médio do Amazonas vai do
Pongo de Manseriche, no Peru, até a cidade brasileira de Óbidos, a
cerca de 1.000Km da foz, e onde já se fazem sentir os primeiros
efeitos das marés. Os países diretamente banhados pelas águas do
Amazonas são: Peru, Colômbia (num curto trecho) e Brasil; mas,
compreendidos em sua bacia, estão, ainda: Bolívia, Equador, pequenos
trechos da Venezuela e a Guiana (antiga Guiana Inglesa). No Peru, o
rio tem os nomes de Tunguragua, na parte mais alta, e Marañón, até a
foz do Ucayali; no Brasil, entre as bocas dos rios Javari e Negro, é
conhecido pela denominação de Solimões. Repete-se, com freqüência,
que ele ocupa o terceiro lugar entre os rios mais longos do mundo,
depois do Nilo (com 7.400Km) e do Mississippi-Missouri (6.418Km); no
entanto, este último só é mais extenso que o Amazonas se o seu
principal formador for considerado o Missouri.
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Rio Murray-Darling (Oceania)
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É o mais longo
dos rios da Austrália, com um comprimento total de 2.740
quilômetros; os problemas do rio do Murray-Darling transformaram-se
num interesse para os povos de Austrália, que dependem dos recursos
do rio. Usam muito os recursos do rio, entretanto, exploraram muito
os recursos naturais do rio e estão degradando o ambiente. As
margens foram cultivadas e muita terra perdeu sua vegetação nativa.
Quando a terra é degradada provoca a erosão, solo mais ácido, a
vegetação nativa declinando e outras plantas e as ervas daninhas
aumentarão e causarão problemas. A água também está sendo extraída
do rio, que é usado para o poder hidroelétrico e para a irrigação. A
qualidade da água está tornando-se pobre e os nutrientes que estão
sendo adicionados da erosão dos bancos e da extração constante do
rio. Outro problema é a concentração elevada da salinidade, causada
por sais das rochas e dos sais excedentes depositados pela
precipitação dos anos (sal cíclico), que está causando muitos
problemas à agricultura, além dos processos industriais na área da
bacia do Murray-Darling.
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Rio Congo (África)
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trecho entre
Brazzaville (capital da República do Congo) e Kinshasa (foto);
localizado em plena região equatorial, o rio Congo é o segundo rio
do mundo em volume de água e o maior da África nesse quesito. A
maior parte dessa bacia hidrográfica está localizada no domínio das
terras baixas florestadas equatoriais. Também conhecido como Zaire
River, com uma extensão de 4.374 km, formado pelos rios Lualaba e
Lóvua, que convergem no centro da República Democrática do Congo,
formando o Rio Congo. Da nascente em Zâmbia, o Congo corre de um
modo geral para o norte, atravessando a República Democrática do
Congo até as Cachoeiras Stanley, logo abaixo da linha do Equador; em
seguida, volta-se para sudoeste, formando a fronteira entre a
República Democrática do Congo e o Congo antes de desaguar no Oceano
Atlântico. O Congo superior caracteriza-se por vários lagos,
cascatas e corredeiras. A parte mediana lança-se em uma série de 7
cataratas conhecidas como Cachoeiras Stanley. O Congo inferior
divide-se em 2 ramificações, formando o Pool Malebo. Alimentado
constantemente por chuvas durante todo o ano, a vazão do rio é
bastante regular. O rio apresenta numerosos bancos de areia e mais
de 4.000 ilhas, muitas das quais revestidas de árvores sempre
verdes. A bacia é densamente recoberta de vegetação tropical,
limitada por cinturões de savana. A rica vida selvagem do rio inclui
crocodilos e numerosas espécies de peixes. A extensão total das
rotas navegáveis do Congo e seus afluentes é de cerca de 14.500 km.
Hoje, o Congo e seus afluentes constituem a principal artéria de
transporte da África Central e drena a vasta bacia equatorial da
região. Embora pouco desenvolvimento tenha ocorrido até agora, a
energia hidrelétrica da Bacia do Congo é imensa, representando uma
porção substancial dos recursos mundiais conhecidos.
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Mais da metade dos grandes rios do mundo estão contaminados e provocam a
degradação dos ecossistemas, ameaçando a saúde das populações que deles
dependem, informou a Comissão Mundial Sobre a Água no Século 21. Duas
exceções são os rios Amazonas e Congo.
"O uso excessivo ou a má utilização dos recursos terrestres nas bacias
hídricas dos países industrializados e em desenvolvimento é a principal
causa da deterioração", disse o presidente da comissão, Imsail Serageldin,
que também é vice-presidente do Banco Mundial para Programas Especiais.
O relatório da comissão destaca que "apenas dois dos grandes rios podem
ser classificados como saudáveis: o Amazonas, na América do Sul - uma
corrente caudalosa que tem poucas cidades ou indústrias em suas margens -
e o Congo, na África Subsaariana, também um rio caudaloso com poucos
centros industriais nas proximidades".
Segundo Serageldin, os graves problemas hídricos e terrestres
contribuíram, em 1998, para criar 25 milhões de refugiados ambientais,
número que, pela primeira vez, superou o de refugiados de guerra. O
funcionários calculou que em 2025 o número de refugiados ambientais pode
quadruplicar.
A Comissão Mundial Sobre a Água detalhou os problemas ambientais, a
contaminação e o esgotamento dos recursos hídricos nas bacias dos rios
Amarelo (China), Amu Darya e Syr Darya (Cazaquistão), Nilo (Egito), Volga
(Rússia), Ganges (Índia) e Jordão (Jordânia).
Como exemplo de deterioração de toda uma bacia hídrica em um país
industrial, o relatório cita o ocorrido com o rio Colorado no oeste dos
EUA, que irriga mais de 1,5 milhões de hectares de terras para
agricultura.
Esse rio está "tão explorado e contaminado pela agricultura que pouco se
pode fazer para proteger o ecossistema a jusante: florestas e campos
verdes tornaram-se pântanos insalubres e desolados".
"Governos, empresas privadas e organizações não-governamentais
ambientalistas devem adotar um padrão geral pelo qual sejam vistas as
dimensões política, econômica, social e ambiental do manejo de recursos",
disse Serageldin. "A degradação da água e da terra não pode mais ser vista
como um assunto ambiental, mas como ponto central do desenvolvimento
sustentável dos países."
O ESTADO DE CADA UM
A Comissão Mundial Sobre a Água no Século 21 separou os principais rios do
mundo, segundo suas condições atuais:
COM PROBLEMAS SÉRIOS:
Rio Amarelo, na China, bastante poluído; em 1997, durante 226 dias ficou
seco nas partes mais baixas;
Rios Amu Darya e Syr Darya, no Cazaquistão, que desembocam no Mar de Aral,
foram reduzidos a 25% do que eram, o que também reduziu o nível daquele
mar interno em 16 metros entre 1962 e 1994;
Rio Colorado, tão explorado e poluído pela agricultura que o ecossistema a
jusante tornou florestas em pântanos insalubres;
Rio Nilo, na África, com 90% de seu curso natural perdidos para irrigação
ou evaporação; bastante poluído quando desemboca no Mar Mediterrâneo;
Rio Volga, na Rússia, com apenas 3% de sua bacia podendo ser utilizado
como água potável. São jogados no Volga, por ano, 42 toneladas de resíduos
tóxicos;
Rio Ganges, no sul da Ásia, tão contaminado que o único ecossistema das
terras baixas de Bangladesh está seriamente ameaçado;
Rio Jordão, no Oriente Médio, com apenas um terço de suas águas chegando
ao Mar Morto, já não atende às necessidades das populações.
EM RECUPERAÇÃO
Rio São Lourenço, nos Estados Unidos: Canadá e Estados Unidos trabalham
juntos para despoluí-lo, mas ainda restam problemas;
Rio Reno, na Europa Ocidental: foi considerado morto na década de 60, mas
um programa de recuperação permitiu que suas águas voltassem a ser usadas
na agricultura e pelas populações. Muitas espécie de peixes vivem em suas
águas;
Rio Murray-Darling, na Austrália, as algas azuis foram retiradas de suas
águas e o nível de sal baixou;
Rio Lerma, no México: um programa de limpeza e controle foi implantado
pelo governo e pelas populações para acabar com a poluição.
SAUDÁVEIS
Rio Amazonas, na América do Sul: tem poucas cidades e indústrias às suas
margens;
Rio Congo, na África Subsaariana: também tem poucos centros industriais e
urbanos às suas margens.
Jornal do Brasil, 30/11/1999
Conservação, restauração e uso sustentável
das águas continentais
A
água disponível em condições de utilização é progressivamente menor, não
só pelo uso indiscriminado, mas principalmente, porque as atividades
humanas nos territórios que produzem água (bacias de águas superficiais,
áreas de recarga dos aqüíferos) estão contaminando as fontes.
Busca-se a sustentabilidade no manejo da água, o que significa a sua
existência com qualidade e quantidade. Sabemos que isto depende da
sustentabilidade do manejo territorial. Também sabemos que não há
possibilidade de fazer um manejo territorial sustentável sem a
participação efetiva da população nas decisões.
Isso implica em uma organização e um acordo de todas as comunidades:
urbanas, rurais, indígenas, campesinas, pobres e ricas em ações
coordenadas, baseadas no conhecimento profundo e adequado as relação de
causa e efeito. Assim teremos a redistribuição, a descentralização do
poder e o estabelecimento de sociedades sustentáveis.
Cinco principais sub-programas permitem o estabelecimento de articulações
e sinergias para mobilizar e possibilitar a capacidade de construção para
uma sociedade sustentável:
- Soberania da água e alimento - garantir o suprimento de água, em
quantidade e qualidade suficientes para a manutenção da biodiversidade,
para o consumo humano e produção de alimentos;
- Áreas úmidas- conservação e manutenção dos sistemas e funções das áreas
úmidas.
- Pesca continental - promover a participação de comunidades de pescadores
na defesa dos rios e das áreas úmidas para alcançar a sustentabilidade do
ecossistema e atividades de pesca.
- Aqüifero Guarani (América do Sul) - com ênfase na conservação e proteção
dos lençóis freáticos das áreas de recarga.
- Megaprojetos - discutir os impactos e evitar a execução de mega projetos
em rios, tais como: canais e represas e identificar as alternativas de
desenvolvimento.
O PNUD já confirmou à ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, a aceitação
do convite do governo brasileiro para sediar em janeiro de 2005 a 3ª
Conferência Bienal Internacional do GEF sobre Águas. O evento deverá
reunir cerca de 250 representantes de governos de vários países e de
órgãos das Nações Unidas como PNUD, Banco Mundial, PNUMA (Programa das
Nações Unidas para o Meio Ambiente), GEF (Fundo para o Ambiente Global),
além de instituições de pesquisa, de organizações não-governamentais e do
setor privado.
O objetivo do evento é promover o intercâmbio de conhecimentos necessários
à proteção dos mais ameaçados ambientes aquáticos, como ecossistemas
costeiros, grandes bacias hidrográficas, águas subterrâneas e outros.
O GEF (Global Environment Facility, em inglês) mantém um investimento
total de aproximadamente US$ 600 milhões em cerca de 100 países, e foi
criado pelos países mais desenvolvidos em 1991 pelos países como um
mecanismo de financiamento de ações voltadas à proteção do ambiente
global. O GEF atua nas áreas de diversidade biológica, mudanças
climáticas, águas internacionais, camada de ozônio e em outras que estejam
diretamente relacionadas a essas.
Os órgãos responsáveis pela implementação do GEF são o PNUD, o Banco
Mundial e o PNUMA. As duas primeiras conferências bienais do GEF sobre
águas foram realizadas em Budapeste, na Hungria (2000), e em Dalian, na
China (2002).
O FUTURO DA ÁGUA
O Fundo Mundial para a Natureza (WWF) apresentou o relatório Planeta Vivo,
edição 1999, amplamente divulgado pela imprensa, alertando para a crise de
abastecimento e o perigo que a degradação dos ecossistemas de água doce
pode nos trazer. Conforme consta do relatório, a qualidade dos
ecossistemas mundiais de água doce sofreu uma queda de 45%, em apenas 26
anos (1970 à 1995), o que está relacionado diretamente à ameaça de
extinção ou a própria extinção de centenas de espécies animais.
O Brasil possui cerca de 20% das reservas mundiais de água doce, o que o
torna um dos alvos principais de estudos nesta área. Contrariamente, mais
de 26 países do mundo já sofrem escassez de abastecimento. Alguns países
árabes necessitam importar água potável a preços superiores ao petróleo
que exportam. Com referência, as águas subterrâneas também começam a ser
poluídas, além do que não podemos esquecer que são esgotáveis pela
exploração desenfreada, como é o caso da cidade do México, onde a extração
de aqüíferos excede em 80% o poder de recarga. Quanto aos ecossistemas
costeiros, como: mangues, zonas pantanosas, arrecifes de coral e
estuários, todos estão grandemente prejudicados pela poluição das águas
marinhas. O problema da falta d'água foi, é e será cada vez mais motivo
para guerras entre os povos.
Portanto, a crise mundial de abastecimento hídrico está-se tornando cada
vez mais drástica, necessitando sejam tomadas medidas urgentes. Antes,
porém, é necessário um estudo minucioso de cada local para que seja
possível diagnosticar as causas exatas da poluição e, em seguida,
apresentar soluções.
Neste sentido, podemos elencar como motivos principais degradatórios dos
recursos hídricos: o crescimento demográfico; a expansão econômica com os
impactos produzidos pelas indústrias; aumento das fronteiras agrícolas e o
conseqüente uso excessivo e irregular de agrotóxicos; ocupação irregular
do solo; tratamento sanitário irregular do lixo; falta ou insuficiência de
saneamento básico que permite poluição pelo esgoto 'in natura' e objetos
sólidos oriundos das cidades; visão imediatista das políticas públicas e
falta de conscientização da problemática.
Como tentativa de solucionar o problema, deve-se estar atentos para as
recomendações de Ismail Serageldin, de que é necessário seja adotado um
novo enfoque na administração dos recursos hídricos, o que significa:
ocupar-se de assuntos de quantidade e qualidade mediante enfoque
integrado; vincular o critério de uso da terra com o critério sustentável
da água em forma integral; reconhecer os ambientes de água doce, costeiro
e marinhos como um conjunto contínuo de uso, com importantes implicadores
para as ações de estratégia, planejamento, administração e inversão;
reconhecer a água como um bem econômico e fomentar as intervenções
efetivas em função do custo; apoiar os enfoques inovadores participativos
e basear-se em medidas que melhorem a vida das pessoas e a qualidade de
seu meio ambiente. Além dessas recomendações, pode-se ainda ressaltar a
necessidade de disciplinar cada vez mais a questão da água sob o ponto de
vista jurídico.
No Brasil, a Lei federal nº 9.433, de 08/01/1997 (Lei das Águas) trouxe
novas e importantes contribuições para o aproveitamento deste recurso,
adequando a legislação aos conceitos de desenvolvimento sustentado, porém,
de nada valerão os esforços do legislador, se não houver uma
conscientização de que o futuro da água está em nossas mãos e que, só com
a participação de todos, poderemos deixá-la para as futuras gerações.
Antônio Silveira Ribeiro dos Santos
Juiz de direito em São Paulo. Criador do Programa Ambiental: A Última Arca
de Noé (www.aultimaarcadenoe.com)
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