ALUNO E PROFESSOR REALMENTE SE
ENTENDEM NA SALA DE [1]LE.?
Um
estudo sobre como os
alunos interpretam aquilo que o
professor planeja.
Prof. Lúcia Gonçalves de
Freitas (UEG-Jaraguá)
O presente artigo teve a
intenção de investigar o nível de percepção de um grupo de alunos quanto às
intenções e objetivos de seu professor ao selecionar determinadas atividades
para uma aula. O objeto de estudo foi um grupo de 10 alunos que cursavam o
segundo semestre de aulas de inglês num curso livre de línguas. Os mesmos foram
filmados durante uma aula cujo planejamento previa cinco atividades
específicas relacionadas a objetivos
definidos. Ao final da aula os alunos responderam um questionário onde deveriam
descrever as atividades realizadas em sala, explicar que objetivos estariam por
trás das mesmas e de que forma participaram delas. Os resultados mostram uma
coincidência apenas parcial entre os objetivos do professor e a percepção dos
mesmos pelos alunos.
Abstract
This article intended to investigate the level of perception of a group
of students in relation to its teacher’s intentions and objectives in selecting
certain activities for a lesson. The
object of this study was a group of ten six months beginner students in a
private language school. The students were taped during a class where five
activities were planed in order to fulfill certain objectives. At the end of
the class the students were asked to answer a questionnaire where they should describe the activities
done in the class and explain the possible goals behind each one as well as
their own participation in them. The results show that there’s only a partial
coincidence between the teaches intentions and the students’ perceptions of
them.
Introdução
O título deste artigo é propositadamente sugestivo em se
tratando de um estudo que aborda o grau de compreensão entre professor e aluno
numa sala de aula de língua estrangeira (inglês). O entendimento a que me refiro aqui todavia,
não diz respeito à capacidade de professores e alunos de se comunicarem num
outro idioma propriamente, muito embora este seja talvez um ponto de
dificuldade para os sujeitos numa fase inicial de aprendizagem de uma segunda
língua e com implicações muito importantes neste processo. De qualquer maneira,
não é a este tipo de compreensão que estou me referindo no momento, mas sim a um
outro bem mais subjetivo e de difícil acesso, a compreensão dos objetivos do
próprio evento de aula e suas implicações na aprendizagem efetiva dos alunos.
Tal entendimento passa por uma série de definições, começando pelo próprio
termo “aula”. Afinal o que é uma aula? Os dicionários ao esclarecerem a palavra
adotam uma perspectiva espacial e outra conceptual. Do ponto de vista da
primeira, aula “é onde se leciona e se estuda”, ou seja, é o espaço da lição,
do exercício, da aprendizagem. Sob o segundo aspecto, aula é “aquilo que é
ministrado pelos professores durante um certo espaço de tempo”_ no ensino de
línguas estrangeiras aquilo que os professores ministram em síntese é um outro
idioma. Jack Rirchards (1996-p.113) nos dá uma definição que parece abranger os
dois prismas:
“uma
aula é o evento que ocorre em locais determinados (numa escola ou sala de
aula), envolvendo dois tipos especiais de participantes (o professor e os
alunos) e que normalmente consiste de uma série de atividades específicas”
A definição do autor é interessante porque adiciona um
terceiro elemento fundamental para a compreensão do evento de aula, as
atividades. Alguns estudos têm mostrado que o planejamento de aula é feito
pelos professores em função primeiramente das atividades a serem realizadas por
seus alunos de acordo com um conteúdo previamente estabelecido pelo currículo
ou pelo livro didático. A literatura especializada em planejamento relaciona
uma série de itens que devem constar de um bom plano de aula, como fixação dos
objetivos, fixação da estrutura do conteúdo, determinação dos métodos e
abordagens, perguntas-chave, motivação, materiais audiovisuais, lay out
do quadro negro, avaliação dos resultados da aprendizagem, etc. Na prática,
todavia, o que se tem constatado é que os professores não fazem uso de planos
assim tão detalhados, eles freqüentemente visualizam suas aulas como seqüências
de atividades pelas quais o conteúdo vai sendo dado, tendo os alunos como foco.
Os objetivos são depois então pensados a partir daquelas atividades
selecionadas para cobrir um certo tópico da lição (Richards, 1993).
Este tipo de visão de planejamento
evidencia o papel muito importante que têm as atividades de aula. Por trás
delas passa toda uma gama de considerações sobre princípios metodológicos,
abordagens, crenças, objetivos de ensino, etc. O próprio processo de interação
entre o aluno e o conteúdo proposto se situa em grande parte no âmbito das
atividades realizadas em sala. Visto dessa forma, o ato de selecionar
atividades para cobrir metas específicas de ensino e alcançar certos objetivos
é um ponto bastante crucial no trabalho do professor, pois seu sucesso depende
grandemente do grau em que suas intenções são bem interpretadas por seus
alunos.
Neste ponto é preciso deixar bem claro, no entanto, que a interpretação de qualquer situação humana é um ato ligado a percepções muito particulares. O aluno, assim como o professor, traz consigo para a sala de aula suas experiências de vida e suas próprias visões sobre o processo de ensino e aprendizagem e de seus respectivos papéis dentro dele. Toda atividade de sala de aula, por isso, será reinterpretada por nossos alunos em seus termos pessoais. Assim, é perfeitamente provável que haja uma certa discordância entre as intenções do professor e as interpretações do aluno (Kumaravadivelu, 1991 p.98). Sob esta perspectiva as chances de se atingir melhores resultados de aprendizagem serão inversamente proporcionais ao tamanho da “brecha” entre as intenções do professor e as interpretações do aluno, quanto menor a distância entre elas, maiores poderão ser os alcances.
A pesquisa a ser apresentada neste artigo teve como objetivo justamente avaliar o nível de percepção por parte de alguns alunos das metas traçadas pelo professor durante uma aula. Para isso, foi feita toda uma revisão bibliográfica que abordasse a questão sob o ponto de vista teórico. Neste sentido, dois autores forneceram os conceitos e classificações dos principais aspectos que nortearam o estudo, Diane Larsen-Freeman e Jack Richards. Neste artigo estes conceitos e classificações estão sucintamente expostos no tópico Revisão Teórica.
O estudo realizado propriamente teve como objeto dez alunos iniciantes (seis meses de curso) de um cursinho particular de língua inglesa. Os mesmos responderam a um questionário (ver apêndice) no final de uma aula sobre quais teriam sido os objetivos das atividades desenvolvidas aquele dia e de que forma haviam participado delas. Além disso, no mesmo questionário os alunos deveriam dar uma descrição sucinta das próprias atividades. A aula foi filmada, a fim de se poder observar alguns pontos conflitantes que aparecessem nos questionários. As atividades, cinco ao todo, assim como os objetivos específicos de cada uma, foram previamente elaborados pelo professor num planejamento mais detalhado que pode ser visto neste texto. Os resultados e discussão estão expostos num tópico específico e são ilustrados com alguns gráficos para maior clareza. Alguns comentários e conclusões fecham o trabalho nas Considerações Finais. O questionário de pesquisa e algumas tabelas com os dados planificados podem ser vistos nos apêndices.
Como o objetivo principal deste estudo
foi avaliar o grau de percepção dos alunos sobre as intenções dos professores
por trás das atividades por ele planejadas para a aula, foi necessário revisar
algumas considerações sobre o próprio termo atividade. Segundo Richards (1996,
p.161), uma atividade é uma tarefa selecionada para o alcance de uma meta
particular. Esta noção é fundamental para o entendimento do processo de ensino,
pois ela influencia tanto o modo como os professores conceituam sua prática
docente quanto a maneira como estruturam suas aulas. Larsen-Freeman (1986), por
seu turno, já emprega o termo técnica, que segundo a autora, seria uma
atividade feita em sala de aula, derivada da aplicação de certos princípios. Os
princípios envolveriam cinco aspectos do ensino de LE tomados em conjunto: o professor, o aluno, o
processo de ensino, o processo de aprendizagem e a cultura da língua alvo e
representariam a estrutura teórica de um método subjacente. Quando dois métodos
compartilham princípios em comum, uma técnica particular poderá se repetir em
ambos.
As premissas e crenças sobre como os
alunos aprendem determinam o tipo de metodologia que os professores acreditam
suportar melhor o processo de aprendizagem.
Por exemplo, se o professor acredita que o aluno para aprender uma
língua precisa primeiro reter um nível de conhecimento gramatical explícito em
regras, suas atividades irão se concentrar na resolução de exercícios de
gramática. Se ele entende a aprendizagem
como um processo de formação de hábitos, a repetição e memorização de
estruturas e diálogos devem ser suas atividades mais freqüentes. Larsen-Freeman
(1986), detalha em seu trabalho uma série de atividades que se manifestam em
determinados métodos de ensino e que são condicionadas pelos princípios
inerentes a cada um deles. Neste artigo,
ao final deste tópico, está exposto um gráfico contendo os principais métodos
de ensino de línguas estrangeiras citados pela autora, seus princípios
subjacentes e as técnicas mais usadas em cada um.
Se considerarmos toda a gama de
atividades que os professores realizam em suas aulas, teremos um número quase
incalculável de técnicas de ensino. No entanto, segundo Jack Richards (1996,
p.162), todas podem ser classificadas dentro de um número limitado de
categorias. A seguir coloco resumidamente estas categorias que se esteiam
basicamente na finalidade da atividade. As categorias segundo Jack Richards
(1996) são:
Atividades Introdutórias: São
as que servem para introduzir e esclarecer um novo item de aprendizagem. Este
pode ser um termo léxico, uma função, modelos de diálogos ou uma estratégia de
aprendizagem.
Atividades de Treinamento: São atividades que procuram treinar itens anteriormente
apresentados e que envolvem sua performance ou
aprendizagem.
Atividades de Memorização: São atividades que envolvem memorização de informações de um
material a ser aprendido.
Atividades
Interpretativas: São
atividades que requerem dos alunos uma demonstração de seu entendimento quanto
a um texto escrito ou oral. Essas atividades diferem em nível de compreensão,
incluindo compreensão literal ou previsões e conclusões baseadas nas
informações do texto ou avaliações e julgamento sobre o conteúdo do texto com
base na visão pessoal do aluno e seus próprios valores.
Atividades Aplicativas: São atividades que requerem dos alunos o uso criativo dos
conhecimentos e habilidades que foram anteriormente apresentados e praticados.
Elas demandam uma certa integração dos conhecimentos dos alunos e suas
habilidades, para aplicar itens aprendidos a um novo contexto ou situação, ou
para personalizar itens de aprendizagem através da relação desses itens a suas
próprias idéias, necessidades, sentimentos e experiências.
Atividades Estratégicas: Desenvolvem estratégias particulares
e abordagens para aprendizagem.
Atividades Reflexivas ou de
Feedback: São atividades usadas para gerar
reflexão sobre o desempenho do aluno em ocasiões em que ele, após terminar uma
determinada tarefa, pede sugestões de seus colegas ou do professor para a
melhoria de sua performance. Por exemplo, após terminar uma redação os alunos
lêem em pares suas composições a fim de discutir os pontos que poderiam ser
aprimorados.
Atividades Afetivas: São aquelas que não envolvem metas
específicas de aprendizagem mas
tencionam desenvolver um clima motivante na sala e o interesse, a confiança e
as atitudes positivas dos alunos em relação à aprendizagem.
Atividades Avaliadoras: São atividades que proporcionam condições para o professor e os alunos avaliarem a extensão do alcance de suas metas. Elas diagnosticam áreas que precisam de mais aprendizagem ou avaliam a performance do aluno.
Quadro Sintético de Princípios Metodológicos e Técnicas de Ensino de LE
|
||
|
Métodos |
Princípios |
Principais Técnicas |
|
Tradução e Gramática |
·
A capacidade de
se comunicar oralmente na língua alvo não é um objetivo de ensino, a leitura
sim. ·
A língua
estrangeira só é usada em sala para tradução, ·
Deve-se estar
ciente das regras gramaticais da língua alvo e, memorizar vocabulário,
conjugações verbais e outros paradigmas gramaticais. |
·
Tradução de
passagem literária ·
Teste de
compreensão de leitura; ·
Procura de
sinônimos e antônimos; ·
Identificação de
Cognatos; ·
Aplicação
dedutiva de regras; ·
Exercícios de
preencher espaços com palavras ·
Memorização de
palavras; ·
Formação de
frases com palavras ·
Composição
escrita |
|
Direto |
·
Aborda
a língua alvo diretamente sem tradução para a língua nativa. ·
O
conteúdo é introduzido através de situações e objetos reais ou de figuras,
fotos, gestos; ·
A
gramática nunca é apresentada explicitamente, mas deve ser intuída pelos
alunos. |
·
Leitura em voz
alta; ·
Exercício de
pergunta e resposta; ·
Prática de
conversação sobre situações reais; ·
Ditado de textos
na língua alvo; ·
Completar
espaços; ·
Desenho induzido
por ditado; ·
Composição
escrita. |
|
Audio-Lingual |
·
Aprendizagem
automática da língua, sem parar para pensar, formando novos hábitos na língua
alvo e superando os antigos hábitos de sua língua nativa. ·
Conteúdo
bastante estrutural, apresentado em diálogos; ·
Uso
exaustivo de exercícios de repetição e imitação para fixação dos conteúdos e
vocabulário; ·
Reforço
positivo das repostas certas dos alunos; ·
Introdução
da gramática nos elementos dados no diálogo sem explicações explícitas de
regras; ·
Ênfase
na parte oral e pronúncia; |
·
Memorização de
diálogos; ·
Conversação em
pares; ·
Dramatização de
diálogos; ·
Memorização de
frases longas parte-a-parte; ·
Jogos de
repetição para memorização; ·
Jogos de
pergunta-resposta; ·
Jogos de
completar diálogos; ·
Jogo de
construção de frases a partir de pistas; ·
Jogo de
transformação de frases; ·
Jogos para
diferenciar palavras parecidas; ·
Uso de
laboratórios de línguas. |
|
“Silent Way” |
·
Aquisição
lingüística vista como processo de descoberta e formulação de regras através
de raciocínio, visando à expressão do pensamento, percepção e sentimento dos
alunos; ·
É
o aluno quem constrói seu aprendizado, o professor pode incitar sua
percepção, provocar seu raciocínio; ·
Início
da aprendizagem pelos sons da língua. |
·
Silêncio
do professor; ·
Correção
em pares; ·
Uso
de fichas para associação; ·
Autocorreção; ·
Uso
de gestos; ·
Quadro
de palavras; ·
Avaliação
da lição pelos alunos; |
|
“Suggestopedia” |
·
A
metodologia visa a derrubar as barreiras que atrasam a aprendizagem do aluno,
impostas por ele próprio inconscientemente por medo ou auto-sugestão; ·
Ênfase
no sentimento dos alunos e na necessidade de ativação de suas potencialidades
através de um ambiente relaxante e confortável, e na confiança no professor; ·
Aproveitamento
da aprendizagem periférica do aluno; ·
Apresentação
do conteúdo em duas etapas: fase receptiva, fase ativa. |
·
Adequação da
sala; ·
Uso de pôsteres
nas paredes; ·
Visualização de
cenas imaginárias; ·
Criação de nova
identidade pelos alunos; ·
Dramatização de
situação improvisada; ·
Leitura ao ritmo
de músicas; ·
Escuta de
leitura com olhos fechados; ·
Leitura
dramatizada de pequenos textos (os alunos
lêem rindo, chorando), Cantando, etc.); |
|
“Community Learning” |
·
Alunos
vistos como “pessoas por inteiro”, onde não só os sentimentos e intelecto
contam, mas o modo como relacionam suas reações físicas, instintivas e sua
vontade de aprender entre si; ·
Atenção
para com a necessidade de apoio aos medos e inseguranças dos alunos na
aprendizagem através de um bom relacionamento comunitário na classe e do
incentivo à cooperação e não à competição. ·
A
aprendizagem lingüística visa à comunicação e expressão de idéias, a língua
nativa é tolerada; |
·
Gravação da
conversa dos alunos; ·
Transcrição das
gravações; ·
Uso de gravações
para corrigir pronúncia; ·
Formulação de
novas frases a partir das gravadas; ·
Tarefas em pares
ou em pequenos grupos; ·
Reflexão aberta
sobre as atividades em sala; |
|
“Total Physical Response” |
·
Enfoca a
compreensão auditiva antes das habilidades de fala; ·
Aborda a
aprendizagem de forma prazerosa através de atividades divertidas e
engraçadas; ·
Recurso ao
movimento corporal para a ajudar na compreensão; ·
Estruturas
aprendidas e praticadas através de comandos. |
·
Uso de comandos
pelo professor; ·
Uso de comandos
pelos alunos; ·
Ação seqüencial. |
|
“Communicative Approach” |
·
Visa
à competência comunicativa apropriada dos alunos dentro de um contexto
social, onde ele saiba escolher entre diferentes estruturas a que melhor se
aplica às circunstâncias da interação; ·
As
atividades envolvem comunicação real e uso de material autêntico como, artigo
de revista, jornal, trechos de programas de radio e TV, etc. |
·
Uso
de material autêntico; ·
Texto
com frases desordenadas; ·
Jogos
de cartões com perguntas autênticas; ·
Uso
de figuras sugerindo estórias; ·
Dramatização
de cenas propostas. |
Como já se disse, o estudo foi feito com
dez alunos de nível iniciante de um curso de inglês. O grupo era composto por
nove mulheres e um homem. Todos eram adultos com idades variantes entre dezoito
a trinta e cinco anos de idade, com a exceção de uma menina de apenas doze. A
aula teve uma hora de duração e mais meia hora para o preenchimento do
questionário. Os alunos foram filmados no decorrer da lição e a mesma pôde
então ser posteriormente observada para se checar alguns pontos que causaram
dúvidas nos questionários. O que se queria saber é de que maneira os alunos
interpretariam os objetivos das atividades realizadas em sala e como se
enxergaram dentro delas.
Descrição da turma Os alunos estavam cursando as aulas iniciais do segundo
semestre
do curso de nível beginner. A
etapa em que se encontravam é um nível bastante elementar, específico para quem
não havia tido o menor contato com o idioma anteriormente em nível de
conversação. No momento da pesquisa os sujeitos se encontravam na sétima lição
do livro Headstart da editora Oxford, que tem ao todo doze lições. O conteúdo
gramatical abordado pelo livro até aquele momento era basicamente o uso do
presente simples em perguntas e respostas afirmativas e negativas, excluindo a
terceira pessoa do singular (he, she, it), o que exclui o uso do auxiliar does
e dos marcadores de terceira pessoa no final dos verbos na afirmativa, s,
es, ies (em plays, goes, etc.). Os tópicos de conversação eram informações
pessoais, gostos e rotina diária. O ponto da aula em questão eram
especificamente as atividades de rotina e de fim de semana. Os alunos iriam pôr
em prática os conteúdos aprendidos durante a lição sobre como perguntar e
conversar sobre determinadas tarefas do dia-a-dia e sobre quando as faziam. Um exemplo
do tipo de perguntas e respostas desenvolvidas até aquele momento seria: “Do
you like watching TV? When do you watch TV? What’s your
favourite program, I usually watch TV at night, My favourite program is...”.
A aula da pesquisa A aula da pesquisa foi uma espécie de aula de fechamento da
lição.
Inclusive não foi usado o livro texto do
curso (Headstart), algumas das atividades foram retiradas de uma outra série
didática, New Interchange. O objetivo geral foi pôr em prática no nível das
quatro habilidades (leitura, escrita, audição e conversação) os conhecimentos
adquiridos até aquele momento, focando especialmente a questão da rotina que
era o ponto específico da última lição. Ao mesmo tempo a aula foi estruturada
dentro de uma seqüência de atividades que incluíam também a revisão de alguns
tópicos passados na aula anterior e a apresentação de algumas tarefas
realizadas pelos alunos em casa. Abaixo seque o plano das atividades e seus
objetivos específicos:
|
Plano
da aula |
||
|
[2]Atividade |
Procedimento |
Objetivo |
|
Perguntando as horas
com cartões. |
Distribuem-se
cartões com relógios desenhados indicando as horas. Os alunos se revezam
perguntado e respondendo as horas em pares. |
Praticar
o conteúdo da aula passada. |
|
Leitura da Tarefa |
Um
aluno mostra a figura que ilustra um texto por ele escrito, fazemos algumas
perguntas sobre a figura para introduzir os alunos no texto e chamar sua
atenção. O aluno lê seu texto enquanto os demais tomam notas sobre o mesmo.
Após uma segunda leitura os alunos remontam o texto através de suas
anotações. Dois alunos procedem desta forma. |
Praticar
a leitura em voz alta, os demais alunos praticam sua audição. O aluno que
produziu o texto praticou sua capacidade de redação. |
|
Jogo
de descobrir quem é o colega descrito num pedaço de Papel |
Escreve-se
no quadro em cinco linhas aproximadamente a descrição da rotina da
professora. Explica-se para os alunos que eles irão fazer um jogo no qual
cada um terá de escrever suas rotinas em apenas quatro linhas. Depois as
descrições serão recolhidas e divididas entre os colegas da sala. Cada aluno
terá de descobrir quem é o colega da descrição que estiver em suas mãos. |
Preparar
os alunos para a próxima atividade, introduzindo vocabulário e revisando
conteúdo. Praticar o uso dos conhecimentos aprendidos anteriormente até o
presente na redação do parágrafo e na sua leitura pelo o outro colega. |
|
Leitura e escuta de
diálogo |
Os
alunos lerão um texto sobre pessoas conversando sobre suas atividades
diárias. A seguir ouvem a fita enquanto lêem. Após ouvirem a fita e tirarem
suas dúvidas em pares, os alunos deverão se revezar em duplas lendo as partes
do diálogo. Posteriormente mudam um pouco o diálogo falando de si mesmos em
pares fechados. |
Ter
um modelo de diálogo e estruturas como exemplo para desenvolver uma
conversação futura. Ao mesmo tempo, introduzir os alunos na atividade
seguinte. |
|
Produção de diálogo |
Os
alunos produzem uma conversa semelhante à anterior. Eles escrevem num pedaço
papel o nome de uma personalidade famosa. A seguir eles tentam pensar em que
tipo de rotina esta personagem deve levar. A professora faz o diálogo com um
aluno para demonstrar, depois os alunos fazem diálogos semelhantes com seus
colegas em pares fechados e voluntários os fazem para a turma. |
Produzir
estruturas, adquirir fluência. |
Resultados e Discussão
Para a maior facilidade de análise e
visualização dos dados, foram criadas algumas tabelas, planificando as respostas
dos alunos por atividade (ver no apêndice). A partir dessas primeiras tabelas
mais duas foram igualmente criadas para a exposição do nível de correlação
entre os objetivos propostas pela professora e os apontados pela turma em geral
e por cada aluno individualmente. Dessa forma, os dados serão comentados tanto
no nível do grupo quanto no plano das impressões particulares dos alunos. Pelas
tabelas pôde-se traçar algumas considerações sobre as próprias atividades com
relação a grau de dificuldade ou facilidade. Observando-se a tabela abaixo,
pode-se notar que nem todos os alunos citaram todas as atividades desenvolvidas
em sala. Na primeira dois alunos não estiveram presentes, pois chegaram quando
a mesma já havia terminado, e dois alunos se atrasaram. Talvez, por isso a
atividade só tenha sido comentada por apenas cinco alunos. De qualquer forma,
somente dois alunos citaram todas as atividades realizadas na aula, os demais
pularam uma ou outra por esquecimento, presume-se, ou mesmo por falta de percepção.
Os resultados estão sendo expostos e comentados a seguir de acordo com cada
atividade para melhor organização.
Tabela 1
|
Como os alunos interpretaram |
Tarefa 1 (5 alunos) |
Tarefa 2 (8 alunos) |
Tarefa 3 (8 alunos) |
Tarefa 4 (9 alunos) |
Tarefa 5 (8 alunos) |
|
Expressou o objetivo
proposto pelo professor |
4 |
4 |
3 |
4 |
4 |
|
Expressou parcialmente o
objetivo do professor |
1 |
2 |
- |
3 |
1 |
|
Expressou um outro objetivo
que não o do professor |
- |
2 |
5 |
2 |
3 |
|
Manifestou facilidade na
tarefa |
2 |
1 |
3 |
- |
1 |
|
Manifestou dificuldade na
tarefa |
1 |
2 |
1 |
3 |
4 |
De um modo geral os
objetivos traçados foram apenas parcialmente apontados pelos alunos em todas as
atividades. Houve, todavia tarefas com maior convergência entre o que a
professora propôs e o que os alunos interpretaram, é o caso da primeira
atividade (aquela que os alunos perguntavam e respondiam as horas) os alunos
definiram os objetivos com verbos como, treinar, não esquecer, gravar,
assimilar, que vão ao encontro do que foi proposto. Um aluno, todavia aponta
para uma “verificação”. Segundo a classificação de Richards apresentada na
revisão teórica, a atividade 1 se encaixaria no perfil das atividades de
treinamento, porque sua finalidade foi realmente treinar, repetidas vezes, a
prática de perguntar e responder as horas. A atividade havia sido feita em
pares fechados, com os alunos perguntado e respondendo um para o outro sem a
intervenção de outros colegas ou da professora, que apenas circulou pela sala e
auxiliou nas dúvidas dos alunos. No entanto a atividade não teve uma conotação
explícita de correção e nem de avaliação, suas próprias características não o
permitiriam porque, uma vez que a atividade se desenvolveu entre dois alunos
sem interferência da professora, os mesmos tiveram liberdade de construir suas
estruturas através de acerto e erro, tendo apenas seu parceiro como cúmplice.
No vídeo se observou como os alunos com dúvidas as esclareciam com seus
colegas. É possível que o aluno que citou a expressão verificar o
conhecimento das horas, tenha talvez se sentido na posição de estar sendo
averiguado por seu colega ou de corrigi-lo. Às vezes na interação entre os
pares algumas considerações sobre poder se evidenciam sem que se tenha intenção
de estabelece-las. Fatores como personalidade, auto-estima, timidez,
introversão etc, podem gerar diferentes atmosferas nas relações interpessoais.
Atividade dois
Pela classificação de
Richards a segunda atividade teria características de certa forma ambíguas,
porque pode ser interpretada tanto do ponto de vista de quem lê o texto, como
do ponto de vista de quem o ouve. Sob o primeiro prisma, a tarefa dividiria os
aspectos das atividades de treinamento, se considerarmos que o aluno ao ler seu
texto está exercitando sua capacidade de leitura oral. Ao mesmo tempo pode-se
classificar a prática de redigir textos como uma atividade aplicativa, pois o
aluno teve que organizar seus conhecimentos criativamente na redação de sua
composição. Na aula em questão, todavia, esta última atividade teria sido feita
em casa, tendo o aluno no momento da aula executado uma outra tarefa que seria
apenas a leitura de seu trabalho para o resto da sala. Do lado dos que ouviram
a leitura, a atividade pode ser classificada como do tipo interpretativa, na
qual os mesmos teriam que compreender uma mensagem, um conteúdo expresso no
texto lido. Poderíamos ainda encaixar a atividade numa outra classificação, a
das atividades reflexivas, pois o aluno que redigiu o texto, ao lê-lo para o
resto da turma, está apresentando-o como uma forma de buscar feedback de
seus companheiros. Não se pretende, contudo adotar esta classificação, porque
segundo Richards, ela demanda sugestões dos alunos para a melhoria da
performance do colega, o que não se verificou. Fiquemos então com as duas
primeiras de treinamento e de interpretação.
Dos oito alunos que responderam
(dois se esqueceram de comentar) a metade usou expressões coincidentes com os
objetivos expressos pela professora. A outra metade os apontou apenas
parcialmente ou indicou termos como a prática de conversação, que não era
propriamente o ponto em questão, mais sim leitura e redação, e algumas metas
subjetivas como a desinibição dos alunos ou o entretenimento, também aparecem.
A confusão com o caráter de entretenimento, diversão, descontração como metas
didáticas é citado praticamente em todas as atividades, esses aspectos foram
mencionados pelos alunos como sendo o objetivo central das interações. No
tópico seguinte esta questão será comentada mais extensivamente. Neste ponto
nos basta considerar que a metade dos alunos que apontou outros objetivos que
não o da professora, o fez cada um de forma individual, ou seja, as
interpretações expressam diferentes pontos de vista.
Atividade 3
Esta atividade (na qual os alunos tinham
que descobrir quem era o colega descrito num parágrafo) foi a que apresentou o
maior índice de desencontro quanto a seus objetivos. Os sujeitos definiram as
metas da tarefa com expressões do tipo desinibir, descontrair, divertir, se soltar,
que também aparecem em outras atividades mais isoladamente, mas que nesta foi
apontado como o objetivo principal pela maioria dos alunos. A atividade 3 foi
planejada com vistas a cumprir dois objetivos específicos, treinar estruturas
já aprendidas de forma escrita e pela leitura e introduzir a atividade
subseqüente. Pela classificação de Richards ela também seria uma atividade de
treinamento, porque, apesar dos alunos usarem de criatividade na elaboração de
seus parágrafos, pela limitação dos mesmos os sujeitos não tiveram que empregar
maiores esforços, a estrutura foi apresentada previamente e os alunos só
tiveram praticamente que encaixar alguns verbos e expressões de tempo para
adequar à sua realidade. Por isso a atividade pretendia treinar a turma para
uma tarefa futura onde eles teriam que produzir diálogos mais independentes e
criativos com estruturas semelhantes. A maioria dos alunos, no entanto, não foi
capaz de apontar tal objetivo. Mais da metade da turma identificou um caráter
de descontração como sendo o tópico da tarefa. Embora as características da
atividade tivessem de fato um perfil descontraído_ os alunos se divertiram ao
tentar encontrar o colega descrito em seus papéis, ao errarem às vezes seus
palpites e ao se animarem com seus acertos_ a diversão não foi a meta
primordial. De fato a maioria das atividades são idealizadas de forma que os
alunos tenham interesse em participar delas comunicativamente, ou seja, que não
as desenvolvam mecânica e repetitivamente, mas que tenham algo de fato a
expressar e que interesse de algum modo ao seu parceiro. Conseqüentemente os
alunos acabam se conhecendo melhor e aprendem coisas novas e mais íntimas sobre
seus colegas. Todavia este é um recurso usado para manter a conversação num
nível comunicativo, mas por esse meio, outros objetivos específicos são também
desenvolvidos, ligados a determinados pontos referentes à aquisição e
aprimoramento de vocabulário, estruturas sintáticas, pronúncia, leitura,
redação, etc.
Este tipo de confusão é
interessante porque pode determinar a participação dos alunos na atividade. Ao
encarar uma tarefa como somente de descontração o aluno pode ser levado a
pensar que não está adquirindo ou aprimorando seus conhecimentos, mas está
apenas se divertindo. É comum entre os professores de línguas comentários do
tipo “nossos alunos acham que não estamos dando matéria quando introduzimos
atividades que fogem ao padrão tradicional da aula expositiva, com enfoque em
gramática e correções no quadro”. Como se disse na introdução, toda atividade
será reinterpretada de acordo com as crenças, posições e concepções individuais
dos alunos.
O treino da pronúncia foi muito apontado
como meta da quarta atividade. A mesma teve o intuito de apresentar um modelo
de diálogo para uma conversação futura. Pela classificação de Richards esta
atividade seria do tipo Introdutória, pois apresenta um tópico novo. De fato a
pronúncia era também um aspecto a ser observado no texto, os alunos inclusive
ouviram o diálogo após sua leitura para assimilar a pronúncia do vocabulário
novo e o próprio ritmo da conversa entre nativos. Mas a atividade não se
caracterizou essencialmente como um exercício de pronúncia. Tal interpretação
pôde ter interferido no desenvolvimento da tarefa porque, ao dar mais enfoque à
pronúncia correta de certos vocábulos, o aluno pode ter desviado-se da prática
das estruturas do diálogo que, afinal, era o ponto central da atividade. Pelo
vídeo pôde-se observar que os alunos realmente despenderam um certo tempo esclarecendo
novas palavras e suas respectivas pronúncia. Mas também ficou evidente que após
esse momento os alunos praticaram as falas do texto com seus colegas.
Atividade 5
O objetivo dessa atividade foi
percebido pela metade dos alunos. A outra metade se dividiu entre os que
chegaram mais próximo do que foi traçado, apontando, por exemplo, o desembaraço
do aluno, e os que elegeram o treino da leitura, a aproximação com o colega e a
memorização. A atividade visava a produção de estruturas pelos alunos e a
fluência. Dentro da classificação de Richards a tarefa dividiria as
características das atividades aplicativas, pois seu intuito era realmente
aplicar itens aprendidos a um novo contexto ou situação. O aluno que alegou que
a atividade visava desinibir a pessoa, ou seja, promover seu desembaraço, pode
estar querendo dizer que, ao se falar na frente de outros colegas um texto
criado no momento, o aluno está treinando sua capacidade de articulação, o que
de certa forma é um objetivo implícito. Já a leitura, a aproximação com o
colega e a memorização são percepções divergentes do que a professora havia
planejado. Somente quatro alunos se dispuseram a fazer o diálogo na frente da
sala para os demais alunos ouvirem. Pelo vídeo não foi possível perceber se os
alunos que se equivocaram quanto aos objetivos da tarefa não a desenvolveram
como o previsto. Pode ser que quem tenha citado a leitura como meta tenha se
restringido a ler o texto anterior, assim como quem apontou a memorização tenha
se limitado a tentar memorizar o mesmo texto. Isso são apenas conjecturas, não
podemos inferir tais questões com certeza.
Além
dos encontros e desencontros entre as propostas do professor e as percepções
dos alunos, um outro ponto da pesquisa foi o modo como os alunos participaram
das atividades. Alguns conseguiram responder esta questão com maior
objetividade, usando frases como do tipo “participei perguntado e respondendo
com meu colega, tirando nossas dúvidas”, “participei lendo a atividade e senti
um pouco de nervosismo na hora, porque tenho vergonha de ler na frente”, etc.
Todavia, os comentários mais presentes são aqueles que se referem ao grau de
dificuldade dos alunos dentro da atividade. As respostas mais comuns nesse sentido
são, “tive muita dificuldade de responder, tive dificuldade de compreender o
que o colega leu, porque achei rápido, não tive nenhuma dificuldade”.
Segundo
estes comentários as tarefas que demandaram maior nível de esforço foram as
duas últimas. É interessante que tais atividades de fato exigiram um pouco mais
de complexidade porque, no caso da última, por exemplo, os sujeitos tinham que
criar um texto oral e desenvolvê-lo com seu parceiro para possível apresentação
para o resto da turma. Além de envolver criatividade e um grau de domínio do
conteúdo, tal atividade ainda demandava uma certa extroversão. A possibilidade
de ter que se expor para os demais colegas gerou um pouco de ansiedade entre os
alunos, dificultando sua performance.
Por
outro lado, as tarefas 1 e 3 foram apontadas com as que proporcionaram maior
segurança entre os alunos e facilidade. A primeira atividade era um tanto
mecânica e repetitiva, além disso, ela foi desenvolvida em pares fechados, o
que diminui o medo de exposição. A terceira atividade além de ter sido feita
individualmente, com os alunos redigindo seus textos e depois lendo o dos
colegas, ainda teve aquele caráter lúdico e de descontração, pois os alunos se
divertiram ao tentar descobrir seus pares. O clima de ansiedade ou relaxamento
influem diretamente na ação dos estudantes, diminuindo ou aumentando o grau de
dificuldade por ele enfrentado na execução de uma atividade.
Um último aspecto evidente neste estudo é o que concerne às
diferenças individuais entre os sujeitos e os diferentes modos de percepção que
isso atribui. Como se expôs anteriormente, apenas dois alunos comentaram todas
as atividades desenvolvidas em sala. Os demais pularam uma ou outra tarefa,
alguns por não terem realmente participado delas, da primeira, por exemplo,
pois chegaram atrasados, mas outros por distração talvez ou por falta de
lembrança ou ainda por não a terem percebido realmente como tal. Os objetivos
das atividades foram, de um modo geral apontados apenas parcialmente pela
maioria da turma. Todavia um aluno relacionou metas que praticamente
coincidiram com o que a professora havia traçado. Assim como também houve um
aluno que desviou todos os objetivos. Isso mostra as diferenças individuais. Após
a análise dos dados deste estudo ficou evidente a necessidade de se ter usado
um terceiro instrumento de coleta, uma possível entrevista com os alunos para
se poder acessar melhor alguns pontos que causaram interesse. Por exemplo, os
dois alunos em questão deveriam ter sido ouvidos numa entrevista para se
esclarecer que concepções estavam por trás de suas respostas. O conhecimento de
certos valores do indivíduo possibilitam a compreensão de determinadas atitudes
suas. Infelizmente a coleta para esta pesquisa se limitou ao questionário e
vídeo, por isso não se pôde inferir com propriedade as razões para que um aluno
apontasse todos os objetivos relacionados aos da professora e um outro não. A
tabela abaixo ilustra esses aspectos. Nela as atividades foram subdivididas de
acordo com o nível de correlação dos objetivos percebidos pelos alunos e os da
professora e o grau de dificuldade por eles manifestado. Assim “m” está
pra mencionou os objetivos propostos pela professora, “p”
equivale a percebeu parcialmente os objetivos e “o” para apontou
outro objetivo. As letras “f” e “d” indicam respectivamente facilidade
e dificuldade. As linhas tracejadas mostram as tarefas que não foram
comentadas pelos alunos.
|
Aluno |
Tarefa
1
|
Tarefa 2 |
Tarefa 3 |
Tarefa 4 |
Tarefa 5 |
||||||||||||||||||||
|
m |
p |
o |
f |
d |
m |
p |
o |
f |
d |
m |
p |
o |
f |
d |
m |
p |
o |
f |
d |
m |
p |
o |
f |
d |
|
|
1 |
X |
|
|
|
X |
|
X |
|
|
X |
|
|
X |
|
|
|
|
X |
|
|
X |
|
|
|
X |
|
2 |
|
X |
|
|
|
X |
|
|
|
|
X |
|
|
|
|
X |
|
|
|
X |
|
|
X |
|
|
|
3 |
X |
|
|
X |
|
- |
- |
- |
- |
- |
|
|
X |
X |
|
|
X |
|
|
|
|
|
X |
|
|
|
4 |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
X |
|
|
|
X |
|
|
X |
|
X |
|
5 |
- |
- |
- |
- |
- |
X |
|
|
|
|
|
|
X |
X |
|
X |
|
|
|
|
|
X |
|
X |
|
|
6 |
X |
|
|
|
|
|
X |
|
X |
|
|
|
X |
|
|
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
|
7 |
- |
- |
- |
- |
- |
X |
|
|
|
X |
X |
|
|
X |
|
|
X |
|
|
|
X |
|
|
|
|
|
8 |
- |
- |
- |
- |
- |
|
|
X |
|
|
X |
|
|
|
X |
|
X |
|
|
X |
X |
|
|
|
X |
|
9 |
X |
|
|
X |
|
X |
|
|
|
|
- |
- |
- |
- |
- |
X |
|
|
|
|
X |
|
|
|
X |
|
10 |
- |
- |
- |
- |
- |
|
|
X |
|
|
|
|
X |
|
|
|
|
X |
|
|
- |
- |
- |
- |
- |
Considerações Finais
Segundo
Kamaravadivelu (1991), os desvios de interpretação dos alunos com relação às
intenções do professor têm origem em diferentes pontos de percepção do
indivíduo baseados em aspectos diversos de sua personalidade como a cognição, a
comunicação, repertório lingüístico, concepção pedagógica, estratégias de
aprendizagem, cultura, modos de avaliação, modos de resolução de problemas,
atitudes, motivação, etc. Atender a todos estes elementos é missão quase
impossível. Na realidade sabemos que os desencontros dentro da sala de aula
excedem os limites das interpretações dos objetivos que o professor traça
através das atividades. Buscar um nível de compreensão absoluto para todas as
facetas do evento de sala de aula é uma meta utópica ou até mesmo inatingível
Dentre os tipos de atividades que
Jack Richards expõe, há uma que o autor classifica de Atividade Afetiva, que
apesar de não envolver metas de aprendizagem específicas, tem um papel
importante no esclarecimento das diferenças de pontos de vista, concepções e
crenças do grupo envolvido no evento de aula. No caso específico dos objetivos
seria desejável que, na medida do possível, os mesmos fossem esclarecidos para
os alunos, de modo que eles pudessem direcionar sua ação o mais próximo dos
fins propostos pelo professor. Diante da impossibilidade de se colocar sempre
os objetivos de cada passo da lição_ o que com o tempo poderia tornar-se
monótono ou mesmo inviável, até porque eles próprios serão muitas vezes
reformulados no decorrer da aula em função das eventualidades não previstas e
do interesse dos alunos_ periodicamente seria oportuno reunir a turma para,
através de uma atividade do tipo “Afetiva”, promover a exposição de algumas
metas e a avaliação das mesmas.
Por fim é importante que os
professores tenham sempre em mente que uma aula não é a concretização fiel de
um projeto previamente por ele fixado. As atividades e metas que ele traça são
inevitavelmente reformuladas de acordo com as perspectivas individuais e dentro
de um contexto espacial, temporal e social dos indivíduos envolvidos. Serão
estes últimos que irão também determinar os rumos das atividades em sala de
aula, porque independentemente do que o professor estabelece como um objetivo
para o aluno, este terá sempre os suas próprios.
Bibliografia
ALLWRIGHT, Dick & BAILEY, Kathleen _ Focus on the
Language Classroom_
CUP. New York. 1991
CROOKERS, Graham. _What
Influences What and How Second and Foreign Language
Teachers Teach ? _The modern
language Journal. 81 (1) : 68- 79. 1997.
FREITAS,
Lúcia G._ Quem são e como ensinam os professores de Língua Inglesa (LI)
das
escolas públicas no interior: Uma pesquisa sobre
perfil do professor de inglês de Jaraguá_ UFG, Goiânia-GO. 1999 (Revista Signótica, no
prelo)
KUMARAVADIVELU, B. _ Language-learning tasks: teacher intention
and learner
interpretation _ ELT Journal,
Oxford University Press. London. v. 45/2 p. 98-107. 1991
LARSEN-FREEMAN, Diane._ Techniques and Principles in Language
Teaching_ Oxford
University Press. New York. 1986.
RICHARDS, Jack C _ Beyond Training. Cambridge University
Press, Cambridge. 1993
___________ _ Reflective Teaching in Second Language Classrooms
_ Cambridge
University Press. Cambridge
UK. 1996.
WILLS, Dave & WILLS, Jane _ Varied activities for variable
language _ ELT Journal,
Oxford University Press.
London. v. 41/1 p.12-18. 1987
Apêndice 1
Questionário
|
Você
conseguiria colocar em sequência as atividades feitas por sua professora
hoje? Enumere-as descrevendo brevemente cada uma delas. |
Porque
você acha que sua professora desenvolveu tais atividades? Qual seria o
objetivo de cada uma delas? Explique. |
Como você participou das atividades? Qual foi o seu
papel dentro delas? Você participou ativamente? Você teve dificuldades?
Explique |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Apêndice 2
Tabelas de dados
Tabela 1
Primeira atividade (Horas)
Aluno |
Descrição da Atividade |
O objetivo da atividade |
Como participou |
|
1 |
Perguntamos
as horas para o colega do lado |
Para
assimilarmos o que foi feito na última aula |
Participei
ativamente, perguntando as horas do meu colega. Tive um pouco de dificuldade |
|
2 |
Dividiu
em duplas ou em três pessoas para perguntar horas |
Verificar
se já estamos sabendo falar as horas |
Fiz
a atividade com minha parceira |
|
3 |
As
horas |
Para
ficar bem gravado e não esquecer |
Respondendo
as horas em inglês. Não tive nenhuma dificuldade |
|
4 |
|
|
|
|
5 |
|
|
|
|
6 |
Perguntar
horas |
Para
não esquecermos o que já foi aprendido |
Procurei
participar |
|
7 |
|
|
|
|
8 |
|
|
|
|
9 |
Distribuiu
relógios para treinar as horas |
Treinar
as horas |
Eu
tive bom desempenho |
|
10 |
|
|
|
Tabela 2
Segunda atividade (Leitura da tarefa)
Aluno |
Descrição da Atividade |
O objetivo da atividade |
Como participou |
|
1 |
Duas pessoas leram a tarefa
da aula anterior |
Para apresentarmos o que
foi aprendido e desenvolver o texto |
Li meu texto. Tive
dificuldade porque fico nervosa quando vou para a frente |
|
2 |
Leitura da composição feita
em casa |
Ouvir em inglês, pronunciar
frases, responder perguntas da leitura |
Fiz a leitura da composição |
|
3 |
|
|
|
|
4 |
|
|
|
|
5 |
Apresentação de um texto
pelos alunos |
Para entender somente
através de leitura e fazer perguntas |
Não participei, participei
somente fazendo alguns comentários |
|
6 |
Leitura de texto |
Para pronunciarmos
corretamente as palavras |
Não tive dificuldade |
|
7 |
Lemos e interpretamos duas
redações |
Verificar se entendemos o
que o colega escreveu. Aprender a raciocinar em inglês |
Tive um pouco de dificuldade |
|
8 |
Foi lido em sala a atividade
de casa |
Para prática de
conversação e para ampliar o vocabulário |
Não participei da leitura,
mas compreendi o que foi lido |
|
9 |
Duas alunas apresentaram
textos |
Para treinar a leitura e
aprender a ouvir. Para a aula ter dinâmica |
Achei rápido, mas entendi
algumas palavras |
|
10 |
Voluntários leram redação
(tarefa de casa) |
Para nos desinibir
|
Participei pouco das
atividades pois faltei duas aulas |
Tabela 3
Terceira atividade (redação de parágrafo)
Aluno |
Descrição da Atividade |
O objetivo da atividade |
Como participou |
|
1 |
Cada
aluno escreveu sobre sua rotina. Depois trocamos os papéis. |
Cada
um tinha que descobrir o seu colega. Para desinibir e treinar escrita |
Escrevi
a minha rotina e depois adivinhei quem era meu colega |
|
2 |
Todos
escreveram a rotina. Trocamos os papéis para identificarmos o colega |
Saber
escrever e ler sobre nós |
|
|
3 |
Falando
secretamente sobre mim para os colegas adivinharem |
Para
compreendermos a matéria de forma divertida |
Escrevendo
minhas características no papel. Sem dificuldade |
|
4 |
|
|
|
|
5 |
Fazer
um texto sobre sua rotina |
Para
conhecermos melhor o colega e aperfeiçoar a língua |
Não
tive dificuldades |
|
6 |
Criar
textos sobre nós |
Para
nos soltar mais e saber usar as palavras |
As
aulas são muito bem coordenadas pela professora |
|
7 |
Descrever
a rotina |
Aprender
a escrever, fazer um texto |
Tive
um pouco de dificuldade |
|
8 |
Escrever
algumas linhas sobre nós e depois trocar os papéis para saber quem é o colega |
Desenvolver
a escrita e capacidade de leitura |
Participei
sem dificuldade |
|
9 |
|
|
|
|
10 |
Escrevemos
coisas sobre nós e trocamos os papéis para adivinhar quem era o outro |
Para
saber como está a escrita e a pronúncia através da conversação. Para
descontrair |
|
Tabela
4
Quarta atividade (leitura e prática de texto)
Aluno |
Descrição da Atividade |
O objetivo da atividade |
Como participou |
|
1 |
Um
texto pra conversação |
Treinar pronúncia |
Participei
treinando um texto com o colega |
|
2 |
Distribuiu
um texto para leitura e conversação |
Ler,
entender e principalmente falar |
Tive dificuldade de falar
|
|
3 |
Texto
sobre uma pessoa famosa |
Para
desenvolver pronúncia e aprender palavras |
|
|
4 |
Conversação |
Para
podermos falar melhor, estimular o aluno |
Tive
dificuldade de ouvir e entender |
|
5 |
Diálogo |
Desenvolver
melhor a conversação, dicção. Objetivo: aperfeiçoamento |
Participei
dialogando |
|
6 |
|
|
|
|
7 |
Lemos
um diálogo entre duas pessoas com o colega |
Treinar
o modo certo de pronunciar as palavras |
Participei
ativamente pronunciando o texto |
|
8 |
Ouvimos
um diálogo no tape |
Aprendemos
a pronunciar corretamente as palavras |
Tive
dificuldade de pronunciar as palavras |
|
9 |
Passou um texto em inglês, depois
o ouvimos, dividiu papéis para cada aluno ler um
|
Aprender
a ler, treinar o ouvido, reforçar com a leitura |
Achei
rápido, mas entendi um pouco |
|
10 |
Distribuiu
texto de conversação e pôs no som |
Para saber como estamos |
|
Tabela 5
Quinta atividade (produção de diálogo)
|
Aula |
Descrição da Atividade |
O objetivo da atividade |
Como participou |
|
1 |
Pediu que pensássemos que
fôssemos famosos |
Para ver se assimilamos o texto
|
Tive vergonha |
|
2 |
Fazer conversação criada por
nós |
Para ler com nosso parceiro |
|
|
3 |
Texto sobre uma pessoa famosa
|
Para desinibir nossa
pronúncia |
Fui uma contora famosa |
|
4 |
Falar sobre nós
|
Para nos conhecer melhor |
Tenho dificuldades de fazer
frases |
|
5 |
Colocar
o nome de um pessoa famosa, falar com o colega e descobrir quem era |
Pra memorização mais correta |
Tive pouca dificuldade |
|
6 |
|
|
|
|
7 |
Criamos um personagem
famosos e falamos sobre ele |
Desenvolver o raciocínio e a
conversação |
Participei falando sobre uma
pessoa e questionando sobre outra |
|
8 |
Escolhemos um
personagem para representar |
Desenvolver a idéia do texto |
Tive um pouco de
dificuldade. Fui o Romário |
|
9 |
Fez um texto similar ao dado |
Aprender o que foi passado |
Meu vocabulário é curto. Não
consegui fazer |
|
10 |
Pediu para fazer mudanças no
texto |
|
|
[1] Línguas Estrangeiras
[2] Embora o plano indique apenas cinco atividades, na realidade cada uma delas se constitui por sua vez numa série de atividades relacionadas, pois na medida que elas se desenvolvem dentro de uma sequência de passos onde o professor apresenta a atividade, demonstra, os alunos esboçam textos para apresentação, o praticam e apresentam, cada um desses momentos poderia ser analisado e classificado como uma tarefa isolada. No entanto neste artigo consideram-se esses passos dentro de uma atividade maior cujo objetivo é bem determinado.