VIOLÊNCIA CONJUGAL E INTRAFAMILIAR:
ALGUNS
DADOS DE MUNDO, BRASIL, MINAS GERAIS E UBERLÂNDIA
Cláudia Guerra*
·
Cantadas,
constrangimentos no trabalho, abandono material, discriminações, ameaças,
intimidações, injúrias, calúnias, difamações, espancamentos, molestamentos sexuais,
estupros, quebradeiras, rapto, tráfico de mulheres e assassinatos são formas
de manifestação das relações violentas entre os gêneros. Deter-se há, aqui, na
violência doméstica/conjugal e familiar.
·
O número de mulheres vítimas de violência
doméstica e sexual, no Planeta Terra, é maior do que o número de vítimas em todos os
conflitos armados. (Casa de Cultura da Mulher Negra, de Santos/94).
·
A
violência doméstica é a maior causa de ferimentos femininos em todo o mundo, e
principal causa de morte de mulheres entre 14 e 44 anos. (Rel. Dir. Hum. Da Mulher da
Human Rights Watch/96).
·
Um em cada
cinco dias em que as mulheres faltam ao trabalho é motivado pela violência doméstica.
(Banco Mundial/98).
·
O risco de
uma mulher ser agredida em sua própria casa pelo pai de seus filhos, ex-marido ou atual
companheiro é nove vezes maior que sofrer algum ataque violento na rua ou no local de
trabalho (BID Banco de Desenvolvimento/98).
De 10% a 34%
das mulheres do mundo já foram agredidas por seus parceiros; segundo a OMS, 30% das
primeiras experiências sexuais das mulheres foram forçadas; 52% das mulheres são alvo
de assédio sexual. Isso tudo, sem contar o número de homicídios praticados pelo marido
ou companheiro sob a alegação de legítima defesa da honra. (Organização Mundial de Saúde/2001).
·
O
homicídio não pode ser encarado como meio normal e legítimo de reação contra o
adultério, pois nesse tipo de crime o que se defende não é a honra, mas a autovalia, a
vaidade, o orgulho do senhor que vê a mulher como propriedade sua. (Decisão do
Sup. Trib. de Justiça, Brasília/91).
·
O Brasil
perde 10,5% do seu PIB (R$84 bilhões anuais) com os problemas da violência. (Banco
Mundial/98)
·
A
cada 4 minutos, uma mulher é espancada no Brasil. (Human
Rights Watch - Org. Int. Dir.
Humanos/95).
·
No Brasil,
70% dos casos de incidentes violentos devem-se ao espancamento de mulheres por seus
companheiros; os agressores escapam de penas alegando ter agido sob forte emoção;
e 50% dos assassínios de mulheres são cometidos por seus parceiros e há uma média de
2,1 milhões de mulheres espancadas, por ano, 175 mil por mês, 5,8 mil por dia.(Human
RightsWatch./96 e Pesquisa Nacional da Fundação Perseu Abramo/2001 e revisão 2002).
·
1 mulher é espancada a cada 15 segundos no
Brasil (Fundação Perseu Abramo 2001 e revisão 2002).
·
No Brasil, o ciúme desponta como a principal causa
aparente da violência, assim como o alcoolismo ou o fato de estar alcoolizado no momento
da agressão (mencionadas por 21%, ambas). Essas razões se destacam em respostas
espontâneas sobre o que as mulheres acreditam ter causado a violência sofrida.
(Fundação Perseu Abramo 2001 e revisão 2002).
·
Como
proposta de combate à violência contra a mulher, a criação de abrigos para mulheres e
seus/suas filhos/as é a que merce maior adesão (43% na primeira resposta, 74% na soma de
3 menções); a criação de Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (21%)
aparece como segunda principal medida, seguida por um serviço telefônico gratuito
SOS Mulher e um serviço de atendimento psicológico para mulheres vítimas(propostas
empatadas tecnicamente com 13% e 12%, na ordem), dentre oito ações de políticas
públicas sugeridas. (Fundação Perseu Abramo 2001 e revisão 2002).
·
O Brasil é um dos campeões mundiais em
violência contra a mulher. (Relat.
Americas Watch/92).
·
Apanhar
dentro de casa é uma realidade para 63% das mulheres brasileiras (Ministério da
Justiça/98)
·
98%
das preocupações de mulheres brasileiras são o combate à violência contra a mulher e
96% sobre o abuso sexual no trabalho. (Revista Veja/94)
·
Em torno de
50% do telespectadores disseram via ligação gratuita que já vivenciaram a violência
doméstica (Globo Repórter sobre Violência Doméstica, set./98).
·
Em todo o
Brasil há apenas 307 delegacias especializadas de atendimento à mulher(que favoreceriam
a queixa e busca de ajuda) e só nas cidades
do Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Goiânia, Fortaleza, Goiânia e Porto
Alegre existiam casas-abrigo e mais 35 outras de menor porte, para abrigar temporariamente
a mulher e filhos(as) quando ameaçados de morte e em risco de vida, sem terem para onde
ir. (Conselho Nacional dos Direitos da Mulher/2001).
·
As
relações de violência entre homens e mulheres ocorrem em todas as classes sociais,
raças e etnias.
·
As classes
médias(as maiores afetadas) e altas não denunciam, muitas vezes, por terem um status
a preservar e receiam escândalos.
·
Somente 1/3
das relações de violência entre os sexos é denunciado.
·
A
violência conjugal e doméstica traz prejuízos ao mercado, pois a mulher falta mais ao
trabalho, produz menos, torna-se menos eficiente, sentindo-se insegura, ameaçada e com
baixa auto-estima.
z
·
Fatores
inibidores da denúncia da violência conjugal/familiar: crença de que a violência é
temporária, conseqüência de uma fase difícil; receio de possíveis dificuldades
econômicas na ausência do companheiro; a situação dos filhos caso este tenha ficha na
polícia ou fique desempregado; vergonha perante os filhos; pena do agressor que é
violento só quando bebe; vergonha de ser vista como espancada; falta de apoio
familiar; medo do agressor; sentimento de culpa; receio de ficar sozinha; falta de
informações; baixa auto estima; falta de infra-estrutura e atendimento precário de
delegacias gerais, especializadas ou juizados especiais e/ou descrença nos serviços
prestados, dentre outros.
·
Não é
atoa que as mulheres permanecem, em média, de 10 a 15 anos na relação violenta.
·
Fatores que
contribuem com as relações de gênero violentas: feminização da probreza; padrão
sexista /machista nos relacionamentos; desigual divisão social do trabalho; exclusão
política feminina; pequeno percentual de mulheres ocupando cargos de chefia e educação
diferenciada para meninos e meninas, resultando em desigualdades.
·
Engana-se
quem pensa que a violência conjugal/doméstica/familiar é decorrente de fatores como
desemprego, alcoolismo e miséria. Esses são apenas facilitadores/catalisadores. ...
A violência apresenta as seguintes características: visa à preservação da
organização social de gênero, fundada na hierarquia e desigualdade de lugares
sociais sexuados que subalternizam o gênero feminino; amplia-se e reatualiza-se na
proporção direta em que o poder masculino é ameaçado; é mesclada com outras paixões
com caráter positivo, como jogos de sedução, afeto, desejo, esperança que em última
instância, não visam abolir a violência, mas a alimentá-la, como forma de
mediatização de relações de exploração-dominação; denuncia a fragilizada
auto-estima de ambos os cônjuges, que tendem a se negar reciprocamente o direito à
autonomia nas mínimas ações. (Saffioti/95).
·
O ritual
das agressões é iniciado, muitas vezes, no namoro ou primeira gravidez da mulher.
·
A simples
vitimização feminina perpetua os papéis tradicionais, que estão na origem
mesma das agressões. É preciso perceber que, às vezes, por mais perverso que possa
parecer, as relações de violência doméstica aparecem como uma forma ritualizada de
comunicação entre o casal, havendo muitas ambigüidades em ambos os papéis
constituídos. (Gregori/93).
·
Foram
registradas 239.530 queixas nas Delegacias de Defesa da Mulher do Estado de São Paulo no
ano de 1998.(DDM/98)
·
Dos 115.000
processos criminais analisados, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, em tramitação,
durante o primeiro semestre de 1995, 17.625 , ou seja, 15% são de crimes contra a mulher
e 41,55% desses, constituem-se lesões corporais - agressões físicas e espancamentos. Os
homicídios representam 13,92% e atingem na maioria mulheres entre 18 e 35 anos. Os crimes
de estupro representam 11,88% dos processos. Na maioria das vezes o réu é o marido, o
companheiro ou parente próximo da vítima. (Comissão Especial da Assemb. Legislativa de
Minas Gerais/95).
·
De mar. a
nov./96, em Uberlândia, ocorreram aproximadamente 11 assassinatos envolvendo mulheres,
sendo a maior parte crimes passionais; de jan. a dez./96 foram registrados, ainda,
aproximadamente 58 estupros e de mar. a ago./97 houve 5 assassinatos de mulheres; de jan.
a jul./97 foram aproximadamente 15 estupros. (Dados fornecidos pelo jornalista Pedro
Popó).
·
O S.O.S.
Mulher/Família de Uberlândia atende gratuitamente, por meio de profissionais da área
social, psicológica e jurídica, em média, mais de 150 casos (mulher, casal, família,
grupos) mensais, sendo a maior parte agressões físicas, espancamentos, ameaças entre
casais, funcionando das 8:00 às 12:00, e dois dias a tarde, à R. Johen Carneiro,
1454, Lídice, Uberlândia/MG (S.O.S Mulher/Família de Uberlândia/2002). A
constituição da PAM Patrulha de Atendimento Multidisciplinar, uma parceria entre
a PMU, UFU, SOS e 17o- BPM para abordagens domiciliares a situações de
violência intrafamiliar faz visibiliar mais, ampliar e dinamizar os atendimentos.
·
Dentre os
processos crimes, envolvendo crimes contra a mulher, pesquisados no período de 1980 a
1994, no Forum Abelardo Penna de Uberlândia, constata-se que a maior parte dos crimes
são lesões corporais, em seguida os homicídios; os agressores, na sua maioria:
amásios, maridos, namorados e ex...; com instrução; brancos, de 21 a 40 anos; motivados
por ciúmes e a impunidade prevalece. (Dissertação de Mestrado defendida na USP em 1998,
por Cláudia Guerra).
Esses
dados tornam visível uma realidade que preocupa e a necessidade da implementação e
ampliação de políticas públicas voltadas para o atendimento à violência conjugal e
familiar. Os números sugerem que em briga de marido e mulher é preciso meter a
colher e que roupa suja deve ser lavada no espaço público e,
estimulando-os a buscar ajuda, antes que seja tarde.
--------------------------
*Cláudia
C. Guerra é professora universitária; mestre em História pela USP-SP; vice-coordenadora
do Núcleo de Estudos de Gênero e Pesquisa sobre a Mulher da Universidade Federal de
Uberlândia; membro fundadora, voluntária e da diretoria da ONG S.O.S. Mulher Família de
Uberlândia; Presidenta do Conselho Municipal da Mulher(gestão 2004-2006) e consultora do
Instituto de Desenvolvimento Humano de Uberlândia.
ONJUGAL E INTRAFAMILIAR:
ALGUNS
DADOS DE MUNDO, BRASIL, MINAS GERAIS E UBERLÂNDIA
Cláudia Guerra*
·
Cantadas,
constrangimentos no trabalho, abandono material, discriminações, ameaças,
intimidações, injúrias, calúnias, difamações, espancamentos, molestamentos sexuais,
estupros, quebradeiras, rapto, tráfico de mulheres e assassinatos são formas
de manifestação das relações violentas entre os gêneros. Deter-se há, aqui, na
violência doméstica/conjugal e familiar.
·
O número de mulheres vítimas de violência
doméstica e sexual, no Planeta Terra, é maior do que o número de vítimas em todos os
conflitos armados. (Casa de Cultura da Mulher Negra, de Santos/94).
·
A
violência doméstica é a maior causa de ferimentos femininos em todo o mundo, e
principal causa de morte de mulheres entre 14 e 44 anos. (Rel. Dir. Hum. Da Mulher da
Human Rights Watch/96).
·
Um em cada
cinco dias em que as mulheres faltam ao trabalho é motivado pela violência doméstica.
(Banco Mundial/98).
·
O risco de
uma mulher ser agredida em sua própria casa pelo pai de seus filhos, ex-marido ou atual
companheiro é nove vezes maior que sofrer algum ataque violento na rua ou no local de
trabalho (BID Banco de Desenvolvimento/98).
De 10% a 34%
das mulheres do mundo já foram agredidas por seus parceiros; segundo a OMS, 30% das
primeiras experiências sexuais das mulheres foram forçadas; 52% das mulheres são alvo
de assédio sexual. Isso tudo, sem contar o número de homicídios praticados pelo marido
ou companheiro sob a alegação de legítima defesa da honra. (Organização Mundial de Saúde/2001).
·
O
homicídio não pode ser encarado como meio normal e legítimo de reação contra o
adultério, pois nesse tipo de crime o que se defende não é a honra, mas a autovalia, a
vaidade, o orgulho do senhor que vê a mulher como propriedade sua. (Decisão do
Sup. Trib. de Justiça, Brasília/91).
·
O Brasil
perde 10,5% do seu PIB (R$84 bilhões anuais) com os problemas da violência. (Banco
Mundial/98)
·
A
cada 4 minutos, uma mulher é espancada no Brasil. (Human
Rights Watch - Org. Int. Dir.
Humanos/95).
·
No Brasil,
70% dos casos de incidentes violentos devem-se ao espancamento de mulheres por seus
companheiros; os agressores escapam de penas alegando ter agido sob forte emoção;
e 50% dos assassínios de mulheres são cometidos por seus parceiros e há uma média de
2,1 milhões de mulheres espancadas, por ano, 175 mil por mês, 5,8 mil por dia.(Human
RightsWatch./96 e Pesquisa Nacional da Fundação Perseu Abramo/2001 e revisão 2002).
·
1 mulher é espancada a cada 15 segundos no
Brasil (Fundação Perseu Abramo 2001 e revisão 2002).
·
No Brasil, o ciúme desponta como a principal causa
aparente da violência, assim como o alcoolismo ou o fato de estar alcoolizado no momento
da agressão (mencionadas por 21%, ambas). Essas razões se destacam em respostas
espontâneas sobre o que as mulheres acreditam ter causado a violência sofrida.
(Fundação Perseu Abramo 2001 e revisão 2002).
·
Como
proposta de combate à violência contra a mulher, a criação de abrigos para mulheres e
seus/suas filhos/as é a que merce maior adesão (43% na primeira resposta, 74% na soma de
3 menções); a criação de Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (21%)
aparece como segunda principal medida, seguida por um serviço telefônico gratuito
SOS Mulher e um serviço de atendimento psicológico para mulheres vítimas(propostas
empatadas tecnicamente com 13% e 12%, na ordem), dentre oito ações de políticas
públicas sugeridas. (Fundação Perseu Abramo 2001 e revisão 2002).
·
O Brasil é um dos campeões mundiais em
violência contra a mulher. (Relat.
Americas Watch/92).
·
Apanhar
dentro de casa é uma realidade para 63% das mulheres brasileiras (Ministério da
Justiça/98)
·
98%
das preocupações de mulheres brasileiras são o combate à violência contra a mulher e
96% sobre o abuso sexual no trabalho. (Revista Veja/94)
·
Em torno de
50% do telespectadores disseram via ligação gratuita que já vivenciaram a violência
doméstica (Globo Repórter sobre Violência Doméstica, set./98).
·
Em todo o
Brasil há apenas 307 delegacias especializadas de atendimento à mulher(que favoreceriam
a queixa e busca de ajuda) e só nas cidades
do Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Goiânia, Fortaleza, Goiânia e Porto
Alegre existiam casas-abrigo e mais 35 outras de menor porte, para abrigar temporariamente
a mulher e filhos(as) quando ameaçados de morte e em risco de vida, sem terem para onde
ir. (Conselho Nacional dos Direitos da Mulher/2001).
·
As
relações de violência entre homens e mulheres ocorrem em todas as classes sociais,
raças e etnias.
·
As classes
médias(as maiores afetadas) e altas não denunciam, muitas vezes, por terem um status
a preservar e receiam escândalos.
·
Somente 1/3
das relações de violência entre os sexos é denunciado.
·
A
violência conjugal e doméstica traz prejuízos ao mercado, pois a mulher falta mais ao
trabalho, produz menos, torna-se menos eficiente, sentindo-se insegura, ameaçada e com
baixa auto-estima.
z
·
Fatores
inibidores da denúncia da violência conjugal/familiar: crença de que a violência é
temporária, conseqüência de uma fase difícil; receio de possíveis dificuldades
econômicas na ausência do companheiro; a situação dos filhos caso este tenha ficha na
polícia ou fique desempregado; vergonha perante os filhos; pena do agressor que é
violento só quando bebe; vergonha de ser vista como espancada; falta de apoio
familiar; medo do agressor; sentimento de culpa; receio de ficar sozinha; falta de
informações; baixa auto estima; falta de infra-estrutura e atendimento precário de
delegacias gerais, especializadas ou juizados especiais e/ou descrença nos serviços
prestados, dentre outros.
·
Não é
atoa que as mulheres permanecem, em média, de 10 a 15 anos na relação violenta.
·
Fatores que
contribuem com as relações de gênero violentas: feminização da probreza; padrão
sexista /machista nos relacionamentos; desigual divisão social do trabalho; exclusão
política feminina; pequeno percentual de mulheres ocupando cargos de chefia e educação
diferenciada para meninos e meninas, resultando em desigualdades.
·
Engana-se
quem pensa que a violência conjugal/doméstica/familiar é decorrente de fatores como
desemprego, alcoolismo e miséria. Esses são apenas facilitadores/catalisadores. ...
A violência apresenta as seguintes características: visa à preservação da
organização social de gênero, fundada na hierarquia e desigualdade de lugares
sociais sexuados que subalternizam o gênero feminino; amplia-se e reatualiza-se na
proporção direta em que o poder masculino é ameaçado; é mesclada com outras paixões
com caráter positivo, como jogos de sedução, afeto, desejo, esperança que em última
instância, não visam abolir a violência, mas a alimentá-la, como forma de
mediatização de relações de exploração-dominação; denuncia a fragilizada
auto-estima de ambos os cônjuges, que tendem a se negar reciprocamente o direito à
autonomia nas mínimas ações. (Saffioti/95).
·
O ritual
das agressões é iniciado, muitas vezes, no namoro ou primeira gravidez da mulher.
·
A simples
vitimização feminina perpetua os papéis tradicionais, que estão na origem
mesma das agressões. É preciso perceber que, às vezes, por mais perverso que possa
parecer, as relações de violência doméstica aparecem como uma forma ritualizada de
comunicação entre o casal, havendo muitas ambigüidades em ambos os papéis
constituídos. (Gregori/93).
·
Foram
registradas 239.530 queixas nas Delegacias de Defesa da Mulher do Estado de São Paulo no
ano de 1998.(DDM/98)
·
Dos 115.000
processos criminais analisados, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, em tramitação,
durante o primeiro semestre de 1995, 17.625 , ou seja, 15% são de crimes contra a mulher
e 41,55% desses, constituem-se lesões corporais - agressões físicas e espancamentos. Os
homicídios representam 13,92% e atingem na maioria mulheres entre 18 e 35 anos. Os crimes
de estupro representam 11,88% dos processos. Na maioria das vezes o réu é o marido, o
companheiro ou parente próximo da vítima. (Comissão Especial da Assemb. Legislativa de
Minas Gerais/95).
·
De mar. a
nov./96, em Uberlândia, ocorreram aproximadamente 11 assassinatos envolvendo mulheres,
sendo a maior parte crimes passionais; de jan. a dez./96 foram registrados, ainda,
aproximadamente 58 estupros e de mar. a ago./97 houve 5 assassinatos de mulheres; de jan.
a jul./97 foram aproximadamente 15 estupros. (Dados fornecidos pelo jornalista Pedro
Popó).
·
O S.O.S.
Mulher/Família de Uberlândia atende gratuitamente, por meio de profissionais da área
social, psicológica e jurídica, em média, mais de 150 casos (mulher, casal, família,
grupos) mensais, sendo a maior parte agressões físicas, espancamentos, ameaças entre
casais, funcionando das 8:00 às 12:00, e dois dias a tarde, à R. Johen Carneiro,
1454, Lídice, Uberlândia/MG (S.O.S Mulher/Família de Uberlândia/2002). A
constituição da PAM Patrulha de Atendimento Multidisciplinar, uma parceria entre
a PMU, UFU, SOS e 17o- BPM para abordagens domiciliares a situações de
violência intrafamiliar faz visibiliar mais, ampliar e dinamizar os atendimentos.
·
Dentre os
processos crimes, envolvendo crimes contra a mulher, pesquisados no período de 1980 a
1994, no Forum Abelardo Penna de Uberlândia, constata-se que a maior parte dos crimes
são lesões corporais, em seguida os homicídios; os agressores, na sua maioria:
amásios, maridos, namorados e ex...; com instrução; brancos, de 21 a 40 anos; motivados
por ciúmes e a impunidade prevalece. (Dissertação de Mestrado defendida na USP em 1998,
por Cláudia Guerra).
Esses
dados tornam visível uma realidade que preocupa e a necessidade da implementação e
ampliação de políticas públicas voltadas para o atendimento à violência conjugal e
familiar. Os números sugerem que em briga de marido e mulher é preciso meter a
colher e que roupa suja deve ser lavada no espaço público e,
estimulando-os a buscar ajuda, antes que seja tarde.
--------------------------
*Cláudia
C. Guerra é professora universitária; mestre em História pela USP-SP; vice-coordenadora
do Núcleo de Estudos de Gênero e Pesquisa sobre a Mulher da Universidade Federal de
Uberlândia; membro fundadora, voluntária e da diretoria da ONG S.O.S. Mulher Família de
Uberlândia; Presidenta do Conselho Municipal da Mulher(gestão 2004-2006) e consultora do
Instituto de Desenvolvimento Humano de Uberlândia.