Chamamos
de Clima Organizacional à ambiência proporcionada por uma
série de fatores internos que afetam diretamente intenções e
sentimentos dos funcionários na organização. O que todas as pessoas
procuram é ser respeitadas nos seus anseios mais legítimos: uma
vida digna e um trabalho que atenda mais do que simplesmente a
questão da sobrevivência, mas também suas expectativas de
aprendizagem, crescimento e, é claro, prazer. Enfim, um tratamento
justo.
É fundamental, no entanto, definir-se claramente para
as pessoas o que se considera um tratamento justo. Muitas
pessoas, mais freqüentemente as que trabalham em empresas de grande
porte ou em serviço público, consideram que respeito ao funcionário
é quando a empresa oferece um número considerável de mordomias e
vantagens, como residências funcionais, gratificações salariais,
veículos para uso privativo, ajuda de custos para alimentação,
roupas, viagens de férias, etc. Porém, tudo isso tem que ser
analisado com bastante propriedade para não se transformar na arma
que acaba por matar a galinha dos ovos de ouro. Empresas que
distribuem privilégios sem critério ou planejamento são candidatas
certas à falência, e são seus próprios funcionários que acabam
contribuindo para que isso aconteça ainda mais rápido.
Existem determinadas situações em que tais vantagens
precisam ser oferecidas para suprir uma necessidade premente e
temporária, como é o caso de empresas que se instalam em regiões
inóspitas ou com muito poucos recursos, e precisam atrair para lá o
interesse de profissionais de gabarito para garantir o seu
desenvolvimento. É comum, nesses casos, que a empresa adote uma
postura dita paternalista, oferecendo uma série de benefícios que
normalmente não se encontraria em organizações localizadas nos
grandes centros urbanos.
Mas isso tem uma razão de ser, e se justifica no fato de que,
consideradas as carências naturais de uma região afastada do
conforto e das facilidades das grandes cidades, dificilmente se
conseguiria reunir um elenco de bons profissionais que se
dispusessem a deixar sua “zona de conforto”, onde possuía todas as
facilidades, para conviver com as restrições de um lugarejo no
interior, o que representaria, na verdade, perdas significativas.
Isso ainda terá um peso maior se considerada a sua situação
familiar: ele terá que optar entre permanecer longe de casa a
maior parte do tempo – se escolher ir sozinho – ou retirar filhos da
uma boa escola na cidade para matriculá-los em uma escolinha do
interior, por exemplo. Ou ser colocado na situação de ficar longe da
esposa que trabalha na cidade de origem ou convencê-la a abrir mão
de sua própria carreira profissional para acompanhá-lo.
Tudo isso tem um preço para esse profissional, preço esse que a
empresa tem que bancar oferecendo-lhe vantagens que justifiquem, de
certa forma, a sua escolha, e compensem as perdas que teria com a
troca. Então é natural que receba uma residência funcional ou
outras mordomias como carro à disposição, gratificações,
licenças periódicas para visitar a família, e tudo o mais que o
funcionário, numa negociação prévia, considere justo para reduzir o
índice de dificuldades que terá com a mudança de local.
Mas acontece que mesmo situações contextuais
como essa naturalmente sofrem alterações. Existem cidades muito bem
estruturadas hoje que começaram como vilarejos operários em torno de
empresas, cidades que surgiram como conseqüência direta da
instalação de uma grande empresa no local, como foi o caso de Angra
dos Reis – surgida em torno da Petrobrás e da Verolme - e também
Volta Redonda, desenvolvida em torno da Companhia Siderúrgica
Nacional durante a era Vargas. Ambas as empresas tiveram grandes
dificuldades depois, para convencer seus funcionários de que suas
cidades haviam há muito deixado de ser vilarejos, e que não se
justificava mais a manutenção das vantagens de antes, utilizadas
como atrativos no passado, mas que agora com certeza se
caracterizariam, aos olhos dos funcionários que chegaram depois, em
privilégios injustificados oferecidos para os mais antigos, uma vez
que a situação local já não era mais a mesma.
O que é importante, em se
tratando de motivação de grupo, é uniformizar o entendimento do que
se pode considerar como compensação, e o que se caracteriza como
privilégio. A empresa tem que deixar essa situação bem clara
para todo o seu corpo funcional, pois aí estará embasada toda a
diferença entre uma postura justa e outra meramente paternalista.
Esta última, quando não estiver fundamentada em suprimento legítimo
de necessidades oriundas do contexto, com certeza será sempre
injusta, por privilegiar alguns em detrimento de outros, gerando
altos índices de desmotivação interna.
Acontece que tais mudanças do
contexto não acontecem de repente, nem são marcadas por um evento
que inaugura uma nova era. Elas acontecem lenta e
imperceptivelmente, e aí então o papel dos dirigentes para
acompanhar essas nuances contextuais, e fazer ver as alterações
sutis que vão acontecendo, é fundamental para descaracterizar
situações difusas em que um suprimento de necessidades legítimo de
um outro momento se constitua no presente em privilégio e
discriminação entre seu pessoal. Isso exige uma análise permanente
do ambiente externo e interno, e das questões situacionais que
envolve. Algumas ações gerenciais poderão facilitar muito essa
transição, como, por exemplo:
-
assegurar
o cumprimento das instruções normativas da empresa que se
aplicam ä sua área de responsabilidade, à medida que elas vão
sendo adaptadas a novas situações;
-
assumir
uma postura participativa, incentivando iniciativas e
criatividade individuais para novos procedimentos, bem como o
desenvolvimento do espírito de equipe em seus funcionários;
-
estar sempre atento para identificar em seu início quaisquer
fatores que possam ser disseminados na equipe, e que venham a
interferir na qualidade de vida do pessoal e no andamento das
tarefas, tais como ansiedades, reivindicações legítimas,
demandas e expectativas, sem desvinculá-las do momento
contextual em que acontecem.
-
manter-se sempre voltado para a procura de alternativas de
solução com o mínimo possível ou - preferencialmente - nenhum
prejuízo para as pessoas e processos que estas envolvam;
-
buscar garantir para o seu pessoal um tratamento condizente com
suas qualidades e aptidões. Em resumo: o tratamento justo,
lembrando sempre que as pessoas são diferentes umas das
outras, e que tratá-las todas da mesma maneira pode ser
altamente desestimulante em função de suas diferenças.
Um
tratamento justo significa administrar o quadro de funcionários
de acordo com as políticas, normas e procedimentos da empresa
juntamente com uma forte dosagem de sensibilidade na percepção das
pessoas, além de conhecimento integral de suas ações e bom-senso na
hora de avaliá-los. Na prática, isto representa:
-
jamais estabelecer uma política "privativa " para o seu pessoal,
que venha a se constituir em perigosa exceção no contexto
organizacional; identificar os desvios existentes e promover
ações corretivas e preventivas;
-
planejar e promover educação e treinamento em todos os níveis;
-
observar a permanente atualização profissional em relação a
práticas tecnológicas e administrativas; oferecer oportunidades
plenas de aproveitamento de potencial dentro do limite de
atribuições dos seus cargos, seja em sua área de atuação ou nas
demais áreas da empresa;
-
avaliar permanentemente o desempenho de seus funcionários e
utilizar adequadamente os recursos de premiação e sanções
disciplinares definidas pela organização;
-
participar ativamente dos processos seletivos e de desligamento de
todos os seus funcionários, em todas as vezes que
acontecerem.
É utopia esperar-se que
todos os funcionários comunguem da mesma visão em relação à
empresa e se sintam igualmente satisfeitos pela forma como são
tratados, independente de todos esses cuidados. Mas com certeza
pode-se reduzir substancialmente os desgastes, e ter neutralizada
a carga emocional negativa se a transparência nas ações forem
mantidas, e se as regras do jogo se apresentarem sempre claras.