A NOVA ORGANIZAÇÃO
Consultor
de Plantão nº 05
Para se adequarem ao novo mercado as
empresas precisam começar a romper com antigos paradigmas. A ampla participação
nas decisões, e a permanente atualização de conhecimento e tecnologia são
algumas das exigências.
Já foi tempo em que a
administração podia ver o homem como um ser passivo motivado apenas por
dinheiro, vantagens e estabilidade no emprego.
No Brasil, este fato começou a ser sentido de forma mais acentuada a
partir dos movimentos de abertura política, onde palavras como democracia,
mutirão, co-gestão, associações de bairro, de classe, etc., deixaram de
estar associadas somente a conquistas para adquirirem antes de tudo um sentido
de participação.
As organizações, até meados da década de 60, no Brasil, necessitavam
de muito trabalho manual, e o que media a eficácia do trabalhador era a
quantidade e, em menor nível de importância, a qualidade produzidas. Para a
organização alcançar bons resultados bastava um cérebro dominante e muitos
braços executantes. Entretanto, com o surto do desenvolvimento tecnológico
aliado ao aumento da competitividade do mercado com uma exigência cada vez
maior pela qualidade, as organizações foram, e continuam sendo, obrigadas a se
modernizarem. Para isto não basta apenas adquirir ou instalar equipamentos
modernos, deve-se também contar com funcionários cada vez mais preparados,
cujo trabalho intelectual passa a ser o fator determinante do sucesso da
organização.
Quando falamos em surto de desenvolvimento tecnológico, manifestação
do desejo de participar e importância do trabalho intelectual em relação ao
braçal, estamos contando uma história de apenas 20 anos, que começou a tomar
vulto na última década, e este período é muito pequeno para um total
rompimento com os paradigmas anteriores. A grande maioria dos profissionais que
hoje constituem a alta administração das empresas foi formada num período em
que os conceitos de administração e a própria filosofia de trabalho eram
completamente diferente dos atuais. Daí
que esses profissionais em sua maioria ainda não se conscientizaram da
necessidade de atualização e aplicação de novas técnicas de administração
, o que atrasou em muito o nosso ingresso na corrida pela Qualidade.
Nos últimos anos houve uma grande arrancada para diminuir essa diferença,
e o Brasil suplantou até mesmo os Tigres Asiáticos na busca pela Qualidade
Total. Somente em 1994 aumentamos em 13% o número de empresas certificadas em
sistemas de garantia de qualidade, ou envolvidas em programas de implantação
de Gestão da Qualidade Total, enquanto a média mundial é de 10% anuais.
É, pois, momento de participar, criar um estilo de gerenciamento
adequado as necessidades nacionais, nos atermos as técnicas que o mercado
internacional consagrou como eficazes, analisar as causas das falhas no passado,
trocar experiências em encontros permanentes de "benchmarking" e
buscar soluções conjuntas.
Tudo isto só será possível, porém, com Administradores e Gerentes preparados para este novo momento, convencidos de que a Qualidade não é mais uma palavra de ordem de um modismo como tantos outros que vieram e se foram, mas algo que veio para ficar, um processo irreversível que oferece carona a tantos quantos queiram comprometer-se com sua filosofia, mas que também, como todos os grandes eventos que mudaram a história da humanidade, só nos convida uma única vez, para que embarquemos com ela ou nos condenemos a perdê-la de uma vez por todas, posto que a história jamais espera pelos retardatários que não desenvolveram sua visão enquanto podiam usufruir de seus efeitos.