Poemas
LIRA
Quando me volves teus formosos olhos,
Meigos, banhados de celeste encanto,
Rasgo uma folha da carteira, e a lápis
Escrevo um canto.
Quando nos lábios do rubim mais puro
Mostras-me um riso sedutor, faceto,
Encomendo minh'alma às nove musas,
Faço um soneto.
Quando ao passeio, no mover das roupas,
Deixas de leve ver teu pé divino,
Sinto as artérias palpitarem túmidas,
Componho um hino.
Quando no mármor das espáduas belas
As negras tranças a tremer sacodes,
Ébrio de amor, sorvendo seus perfumes,
Rimo dez odes.
Quando à noitinha me falando a medo
Elevas-me do céu à luz suprema,
Esqueço-me do mundo e de mim mesmo,
Gero um poema.