DO RITMO

Lorega

 

 Uma dúvida atroz  de mim se apodera quando fico matutando se foi uma boa idéia essa de colocar um " campo"  para classificação por gênero, em um banco de dados que tenho, das músicas que digitalizo, ou seja a identificação de seus ritmos. Pensem em uma complicação!

Deveria ser bem fácil ha alguns 40 anos, quando, pelo menos para nós brasileiros que pouco acesso tinham a rádios (coisa de gente rica),  as produções nacionais ficavam somente na faixa do samba; samba-canção; bolero; mambo; valsa;baião; guarânia; a marcha e o frevo em época de carnaval, o fox-trot e alguns outros importados também latinos e europeus. 

Fiz meu banco de dados para auxiliar na tarefa de localização e classificação das músicas que tenho em MP3, e temerariamente coloquei esse fatídico " campo" relativo ao ritmo da música. Ainda bem que um anjo iluminou-me (obviamente antes de se mandar com a confusão depois de armada) orientando-me a colocar um dispositivo para acrescentar novos ritmos por ventura esquecidos no feitio da listagem inicial. 

Iniciei a catalogar as músicas e estava indo muito bem obrigado, quando começam a aparecer os entraves. E me aparece Egberto Gismonti, com suas músicas, muitas vezes trilhas de espetáculos de dança, Carlos Santana, que com seus Porto-riquenhos, Cubanos e outros mais, misturam o rock com  salsa, cumbia, merengue, sem contar com o Hermeto Pascoal, tocando até com chaleiras, na sua busca por novos sons, timbres etc, uma banda chamada Os Mulheres Negras e tome misturadores de ritmos. Felizes os antigos que ao executarem os, hoje denominados, clássicos somente os classificavam como: Sinfonias, Óperas, Valsas, Polcas ou Marchas. Hoje a minha lista vai aumentando quase que diariamente quando acham pouco a simples denominação básica e vão sub-classificando.

O Samba, que somente tinha a outra denominação de samba-canção para indicar um certo langor no seu andamento, foi recebendo outros adendos como: Samba de breque, De roda, Sambão, Enredo, Pagode, a própria Bossa Nova, que não passa de um samba feito com a maior preguiça após algum almoço com a " cuca cheia" seja do que for que acarretou esse andamento demente, cuja "perseguição" ao violão, faz a alegria dos ortopedistas de plantão, pelas torções e distensões dos dedos das mãos devido as posições traumáticas, tonantes ou dissonantes etc., e sem mais nada para inventar aparece o Fundo-de-quintal, então confundem o " O que estou fazendo" com " Onde estou fazendo"  não sendo mais de admirar se aparecerem mais outros gêneros de samba como " Em frente do meu barraco" ou mesmo "Debaixo daquela jaqueira" .

O modismo de alguns ritmos que se classificaram pelo seu modo de dançar ou pelo "intencional", dando origem a "Lambada" ao " Arrocha" que duram apenas um certo período, mas que, se não deixam saudades, aumentam o rol de novos ritmos. Como se não bastassem os ritmos regionais, como o Côco; Bumba; Afoxe; Catira; Toada; Caboclinhos; Maracatu, ainda dividiram o Frevo. Originário dos dobrados marciais tocados com o seu andamento um tanto quanto acelerado para agitar mesmo a turma que participava dos Entrudos, e como a "alta-sociedade" não admitia mesmo estar a se esfregar com estivadores, carregadores e a plebe em geral (embora intimamente muitos o quisessem) criaram o Frevo-canção, que era cantado, para ser executado nos clubes sociais, um pouco mais calmo como  convinha a imagem social. Depois as marchinhas e a necessidade de ir para as ruas, porém sem estardalhaço, foi criado o Frevo de Bloco.

Juntamente com o Baião, havia a Marchinha junina (própria para a dança da quadrilha) e ainda o Xote muito executado durante o período junino aqui no Nordeste, mas aperta a marchinha de um lado, estica o baião de outro e inventam um tal de Forró, depois o Forró Universitário (seria por acaso o outro, analfabeto, ou tem apenas o primeiro grau?) sem mencionar um tal de Forró Eletrônico com umas bandas gigantescas de mais de 15 elementos (isso antes já era orquestra) que danam-se a complicar mais e mais a classificação rítmica, não se sabendo a quem creditar a expressão " Forró Pé de Serra, quando queremos agora nos referir aos ritmos originais. (Baião, Marchinha e notadamente o Xote)

É de ficar mais " aluado" quando lembramos que o Rock and Roll era quase único, somente tendo as versões Rockabilly e o Country, só que depois foi um tal de: Rock balada, Twist, Metal, Progressivo, Trash, Heavy, Pop, Alternativo, Roots, Garage, Experimental, Boogie, Comedy, Glam, Southern, College e muitos outros. 

Um maior acesso a outras culturas musicais, fez com que conhecêssemos mais e mais ritmos que foram se incorporando ao nosso dia-a-dia e influenciando compositores, instrumentistas, cantores e demais responsáveis e irresponsáveis por nossa música. Coisas boas de se escutar, coisas que beiram a insanidade, coisas suaves, pulsantes, histéricas ou destoante. Muitos dão certo a exemplo do Manguebeat.

Não me falem da música eletrônica. Todo dia alguém vem com uma classificação diferente: Esse é Techno, esse outro é Dance, ou Trance, ou Industrial, Euro-dance, Jump-up, Ambient, Goa-trance e mais uma danação.

Sei não! Ainda falta bastante música para catalogar e para ter certeza de que o meu restinho de sanidade mental não vai escoar pelo ralo, acho melhor daqui por diante apenas classificar como: Canção, canção, canção, e pronto!!!

Senão eu danço gente!!!

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