O olho do dono
Novamente estou no meu lazer etílico semanal na Palhoça do Melo (ganhei até dois calendários de bolso para o ano em curso) prova de freqüência certa ao reduto dos súditos de Baco.
Assumo aquela posição, na cadeira, de quem não quer absolutamente nada da vida a não ser, devorar a loura gelada á frente ou, a morena que, acompanhada da mãe tentava dar uma “forcinha” para a “velha”.
- Está vendo, Mamãe – diz ela – Uma cerveja, uma ou duas cocas, tira-gostos, e o dia fica bem melhor, não acha??
A velha não chega a balbuciar algo, mas acena com a cabeça que Sim!
- A senhora deve é deixar a sua rotina de casa e vir aqui, ou outro barzinho e descontrair. Não é gostoso?
E a velha afirmando com a cabeça. Um gole de Coca-cola pra dentro e balança a cabeça afirmativamente. Enquanto que a filha ao passar aquelas lições de vida, sentada à mesa 25, e ainda de frente para mim, ficava balançando as pernas no movimento de abrir e fechar as coxas, os joelhos iam e vinham, quase se chocando, deixando ver lá no fundo um biquíni estampado, sofrendo para tapar aquela quantidade de “monte de Vênus” e olha que não era uma farta cabeleira que dava aquele volume pois o danado era de um tecido bem fino e mostrava até a divisão frontal do “capô de fusca”.
Volta e meia eu “engolia em seco”, pois a menina , que tinha aí seus vinte e poucos anos, às vezes acelerava o ritmo do abre-pernas, e depois as separava desmensuradamente. Não fazia propositalmente, tenho quase certeza, pois de mulher não se deve ter certeza de nada, era mais um tique nervoso. Parecia que ela tentava mostrar para a mãe, que estava bem, parece que morando sozinha, e dava para a mãe o seu roteiro semanal. Trabalho, casa, algumas amigas, casa, trabalho, cinema, shopping, casa e nos finais de semanas a praia, encantadora e receptiva para bronzear o corpo. E tome abrir pernas. E acelera. Ah se eu estivesse fazendo um eletrocardiograma agora! Era risco que não acabava mais. As agulhas enlouqueceriam de tanto riscar........
Desvio a atenção e visão para não me tornar um incomodo e conseqüentemente, perder o espetáculo gratuito. Fico a relembrar o caso que Melo me contara sobre um casal que chegara, há alguns dias naquelas mesmas mesas e, como dois pombinhos em lua-de-mel, ficavam arrulhando juras de amor. Aproveitado o momento, Melo coloca um CD de músicas “bregas”. (De vez em quando ele faz isso), um tal de “Paulo Márcio”, e quando começou a tocar a primeira música, ele fica observando a reação do casal que demonstra, ELE, gostar do que estava a escutar, tanto que, levanta-se e vai conversar com Melo, e ao voltar para a mesa quem se levanta e vai conversar, é a “Consorte”, “Semsorte” ou outro título que se queira dar. Solicita a Melo, que estava a programar o CD, que poderia tocar todo o CD menos a música de número 6 de título: Estela. Infelizmente era justo a música que Melo colocara por solicitação do rapaz, e naquele exato momento começava a tocar.
Senhoras e senhores, o alpendre da Palhoça do Melo ficou pequeno para tanta pancada que o sujeito levou. E, segundo o próprio Melo, o sujeito tanto apanhou como a menina bateu nele sob o fundo musical de Paulo Márcio, não sendo acudido por ninguém, tal era a competência da menina em distribuir tapas e pontapés. Click! Como num passe de mágica, desliga-se o devaneio.
...... Levantou-se e procurou um local na areia da praia. Estávamos no alpendre, e ali não havia sol. Graças a Deus! Mas, ela acabara de dizer à mãe que sempre ia à praia para se bronzear, portanto, a hora era de achar sol. Levanta-se, e posso ver que o seu corpo é bem arrumadinho, a bundinha protuberante mas educada, mas a testa da “perseguida” era fenomenal. Tentou tirar o fio dental de dentro do rego da bunda, mas somente um gesto mecânico pois ali não se tirava nada, a não ser, o próprio biquíni.
Chamou o garçom e pediu uma mesa na areia da praia. Gentilmente foi informada que não havia nenhuma disponível, e atarefado com os pedidos para atender, o garçom retira-se apressado.
Gira sobre o seu eixo e exibe por completo, traseiro e “testa”, estou gostando da cervejinha de hoje.
Volta a perguntar ao garçom se não haveria um jeitinho. O que foi novamente negado.
- Então me traz a conta – disse ela
Porcaria! – resmungo – vou ficar sem um belo visual, e ainda ameaçador pois a continuar ela sentada com o tique nervoso, era bem possível que o biquíni resolvesse se esconder em uma das dobras daquele “pão crioulo” revelando mais do que o especificado no contrato.
É aí que entra o olho do dono. Sem perceber o que ocorre, Melo vai até a mesa das duas, solícito, perguntando se queria alguma coisa a mais, mais uma cerveja, mais uma coca.
Deu para perceber que ela fez a mesma solicitação que fizera ao garçom, e pimba! O Melo arrumou a solução para nós três. - O que não faz o “olho do dono” quando o interesse é da casa.
A mesa ficaria no alpendre, onde havia sombra, para atender à senhora mãe da “reconchochuda de pernas nervosas” porém bem colada à mureta limite, do outro lado, onde havia areia e sol abundante, note-se o termo ABUNDANTE, é condizente com a posição que a garota ficou para se bronzear ao estender a canga, e deitando-se de barriga para baixo. O hemisfério sul dela ficou na direção de minha mesa. Novos pedidos de cerveja e coca-cola, e desta vez, com os desejos atendidos relaxa a menina e...
Ah não! ela naquela posição vai começar a abrir e fechar as pernas???
Não é possível!
Vai sim!
Foi! ....
E garanto a vocês que naquele “volume todo” não tinha sequer, um fiozinho de cabelo.