Mulheres e Futeboles



Paulo Rebêlo 


Costumam dizer que mulher e futebol são como nitroglicerina pura: basta você agitar um pouco para que explodam. Os casados que gostam das peladas (futebol!) domingueiras conhecem bem a situação. O fato é que, querendo ou não, mulher e futebol têm tudo a ver. Há muito em comum entre as duas entidades, basta usar a imaginação inerente ao mundo boleiro. 

Cenário 1 - 
Quem nunca conheceu uma colega de trabalho que, durante anos, foi a moça mais cobiçada da empresa inteira, quiçá de toda uma categoria? Desejada por todos. Inclua aí diretores, zeladores, motoristas, assistentes… a danada era a deusa a qual todos olhavam querendo pular em cima. Agora imagine vinte e dois marmanjos suados se matando atrás de uma bola, branquinha e fofinha, cheia de amor para dar. Vinte e dois machos que saem na porrada para decidir quem fica com ela: a bola. É quase igual e nem é preciso invocar Freud para explicar. 

Cenário 2 - 
Com a bola no pé, você precisa superar todos os obstáculos à frente (outros jogadores e o goleiro adversário) para atingir o... gol, o momento máximo do futebol, o supra-sumo da alegria masculina, o auge da felicidade brasileira. Enfim, o júbilo do boleiro. Em uma partida, com exceção de certas gambiarras, dificilmente você vê jogos com uma grande quantidade de gols. O normal é o placar sempre acabar rasteiro. Um, dois, talvez três gols. Se você substituir jogadores por pretendentes e goleiro por namorado/marido, o resto é fácil de entender. 

Imagine, também, aquela maravilhosa musa que fez você de gato e sapato durante um tempão e, depois de muito rococó, resolve aceitar um inocente convite para jantar ou para ver uma comédia pastelão nos multicomplexes do shopping. Você terá mil e um obstáculos pela frente, tudo para no final conseguir chegar ao, bom, como podemos definir... chegar na pequena área e fazer um gol de placa. Depois o segundo gol, se for uma partida emocionante; e o terceiro, se for um espetáculo. 

Cenário 3 - 
Penalidade máxima. Você, para variar e como todo bom boleiro que se preza, conseguiu a façanha de ser mais rápido do que a própria bola, passou rasgando tudo (sem duplo sentido) e cometeu um pênalti com a musa. A depender da penalidade, pode levar cartão amarelo ou um cartão bem vermelho; um tapão ao pé da orelha, por exemplo. O cartão amarelo é para jogar charme. 

Em uma partida de verdade, muitas vezes a cobrança do pênalti nada tem a ver com perícia, técnica ou experiência. Mas sim com fatores externos à razão, como a sorte ou o bom humor da dita cuja, que poderá cair do lado certo ou errado. Com a musa do seu lado, depois de ter cometido um pênalti você precisará apelar aos fatores externos, pois sua técnica, perícia ou experiência com o mulherio não vão contar pontos para você. 

Para começar, leve em consideração o fator TPM e as condições do gramado. Diferentemente do futebol de verdade, se o gramado estiver encharcado (em todos os sentidos) a cobrança do pênalti fica mais fácil, é claro. Agora, se estiver seco, é melhor você esperar um momento de hesitação, escolher o canto, fazer todo aquele catimbó para só então chutar. Se não entrar, digo, se não der certo, reze para que ainda haja um segundo tempo.

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