COMO AVALIAR?
Lorega
Ha tempos que estamos indo de mal a pior na nossa educação. Passamos décadas impedidos de pensar, com avaliações mecânicas de "sim e não", "certo ou errado" sem lugar para questionamentos. O salutar hábito de ler, foi trocado pelo insípido decorar ou receber "dicas" de professores que seguiam ditames superiores, ou por crerem na "nova educação" ou para não perderem o seu pão de cada dia. Pensar tinha o seu preço, e era caro!
Uma, duas, três e mais gerações formaram seu caráter e estrutura de cognição sob esta égide, e como tal, completamente desprovida da sede do conhecer científico, da dialética, do pesquisar, ávidas apenas por informações e mais informações, dados e mais dados. Bem situado estaria quem melhor memória tivesse. Bancos de dados ambulantes!
Após libertar se do jugo, imposto politicamente na década de 60, entra ano e sai ano e a nossa educação apenas dá alguns suspiros para informar que ainda vive e que poderia, se assim fosse vontade de alguns, ser salva, para que mais gerações não se pusessem a dizer, cometer, escrever, e outros "er", barbáries no dia-a-dia.
Ha uma semana, agora em julho, quando da realização de uma competição de natação de âmbito regional, aqui em Recife-PE, onde fui acompanhar e torcer por minha filha adolescente, o locutor oficial da prova ao agradecer a uma empresa de produtos para natação, pelo empréstimo de 8 cronômetros à Federação Aquática Pernambucana, entusiasmado fala ao microfone: "Agradecemos a (nome da empresa) pelo CEDIMENTO de oito cronômetros para a realização deste evento". Olhei ao meu redor, na arquibancada em que estava, e não notei, em semblante algum, qualquer reação que indicasse que alguém por ali escutara o "palavrão". Absorvi mais essa e voltei a atenção para as provas de natação.
Final da competição, na tarde do sábado, vou saindo da A.A.B.B. com a "minha atleta" em cujo pescoço balançava uma medalha de bronze, e paramos em um "stand" que uma conhecida marca de produtos esportivos sempre monta em competições de nível, estadual, regional ou nacional, para comprar uma nova touca, quando na vitrine me agride uma camiseta, que deveria ser para atletas de voleibol, onde estava escrito: GANHAMOS PORQUE: Ataquei muito! - Obedeci ao técnico! - Tenho garra! ,( e lá no final, à guisa de último fundamento) BLOQUIEI bastante!.
Aproveitei o momento para ensinar a minha filha, pedindo para ela identificar no "Varal de camisetas" qual delas continha uma agressão a nossa língua, o que, graças a Deus, foi rapidamente apontado. Então pergunto: As pessoas que negociavam o artefato não viram? A loja, de um nome até respeitável na região, também não presta atenção na qualidade do que vende? O fabricante, funcionários, vendedores, atravessadores, impressores etc não viram que estas camisetas continham esse erro gritante, ou fazem parte daquela legião que, em um passado, não muito distante, foram impedidos de aprender?
Hoje muitos se ufanam de que a quantidade de pessoas nas escolas tem aumentado sensivelmente, a permanência deles na escola também aumentou, etc, estatísticas, estatísticas e estatísticas. Temos, na verdade, quantidade. Quantidade de crianças nas escolas, atrás de uma merenda, cuja barriga vazia as impede até de raciocinar. Professores desestimulados pela grande carga horária que tem que cumprir, em dois ou mais estabelecimentos de ensino, se quiserem sobreviver com o parco salário, que não o permite atualizar-se comprando livros, periódicos ou afins. Milhares de jovens saindo de universidades, completamente atônitos, sem a menor capacidade para o exercício da profissão na qual acabam de se diplomar, pois, regra geral, quem determina agora a "vocação"do indivíduo é o mercado de trabalho. Aponta isso o recente exame da Ordem dos Advogados do Brasil, onde quase 90% dos candidatos foram reprovados. (Nota curiosa é que um deles fraudou o exame, recebendo respostas pelo celular, e foi reprovado! - Noticiário da Rede Bandeirantes do dia 21/07/2005) Imaginemos então a quantas andam os nossos Médicos (nossas vidas em suas mãos), Engenheiros, Arquitetos (nossas cabeças sob vossos tetos) etc.
E agora, quando a política educacional impede a instituição de ensino de "reprovar" o aluno? Tenho exemplo vivo, bulindo, de pessoas semi-analfabetas, e que estão cursando o segundo grau. Qual seria o método de avaliação usado? Acho que é um que vi na internet e transcrevo abaixo:
Avaliação
A . EXERCÍCIO:
6 + 7 = 18
B . ANÁLISE :
A grafia do número seis está absolutamente correta;
O mesmo se pode concluir quanto ao número sete;
O sinal operacional + indica-nos , corretamente, que se trata de uma adição;
Quanto ao resultado, verifica-se que o primeiro algarismo (1) está corretamente escrito - corresponde ao primeiro algarismo da soma pedida. O segundo algarismo pode muito bem ser entendido como um três escrito simetricamente - repare-se na simetria , considerando-se um eixo vertical! Assim, o aluno enriqueceu o exercício recorrendo a outros conhecimentos ... a sua intenção era, portanto, boa.
C . AVALIAÇÃO :
Do conjunto de considerações tecidas nesta análise, podemos concluir que:
A atitude do aluno foi positiva: ele tentou!
Os procedimentos estão corretamente encadeados : os elementos estão dispostos pela ordem precisa.
Nos conceitos, só se enganou (?) num dos seis elementos que formam o exercício, o que é perfeitamente negligenciável.
Na verdade, o aluno acrescentou uma mais-valia ao exercício ao trazer para a proposta de resolução outros conceitos estudados - as simetrias...- realçando as conexões matemáticas que sempre coexistem em qualquer exercício...
Em conseqüência, podemos atribuir-lhe um ...
..."EXCELENTE"...
...e afirmar que o aluno...
..." PROGRIDE ADEQUADAMENTE"!!!