" Ecce quam bonum et quam iucundum habitare fratres in unum:   sicut unguentum optimum in capite, quod descendit in barbam, barbam Aaron, quod descendit in oram vestimenti eius;   sicut ros Hermon, qui descendit in montes Sion, quoniam illic mandavit Dominus benedictionem, vitam usque in saeculum."
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O TEMPLO DE SALOM�O

O Templo de Salom�o ocupa posi��o de destaque na simb�lica ma��nica (o conjunto de s�mbolos da Ma�onaria ou a disciplina que estuda esses s�mbolos). Pois bem, uma das mais marcantes fontes de s�mbolos, alegorias, lendas, ensinamentos ma��nicos, �, inequivocamente, a constru��o do Templo de Salom�o. Inclui-se nas mais antigas tradi��es dos  oper�rios da Idade M�dia e, at� com alguns excessos, ainda integra os mais po�ticos temas dos ma�ons especulativos deste final de S�culo XX. Dela se extraem as mais diversas mensagens tanto na vertente anglo-sax�nica (o mundo cultural brit�nico) como na vertente latina (o mundo cultural franc�s) em diversos ritos e graus.
  Sim, a did�tica ma��nica utiliza intensamente s�mbolos, alegorias, lendas e mitos. Um dos defeitos desse m�todo � a confus�o (muito comum, diga-se de passagem) que alguns fazemos entre hist�ria e lendas - um incr�vel emaranhado de id�ias e opini�es conduzindo-nos, �s vezes, a desvios indesej�veis. Na realidade dever-se-ia distinguir o que se constitui em concreto elemento hist�rico do que � meramente lend�rio, havendo um segundo n�vel de distin��es necess�rias, onde separam-se lendas com algum fundamento hist�rico ou liter�rio (a Hist�ria b�blica, por exemplo) dos mitos totalmente imagin�rios, decorrentes de uma cadeia de inven��es ditas esot�ricas, sem fundamento algum, que acabam por se transformar em verdades. Isso n�o � bom. O uso de s�mbolos (j� em si exigindo imagina��o) n�o pode conduzir � supersti��o ou � idolatria, desvios que, de modo especial, nossa sublime ordem condena (como, enfim, condena a todos os v�cios).
A tradi��o b�blica
  O Templo de Salom�o, outrossim, integra as narrativas do livro mais respeit�vel na sociedade ocidental - a B�blia. Ao sair do Egito, conduzido por Mois�s, o povo hebreu n�o possu�a uma religi�o definida, muito menos um templo.T�o somente ap�s o epis�dio no monte Sinai - quando Mois�s recebe de Deus as normas fundamentais da Lei bem como as instru��es exatas quanto � constru��o da Tenda Sagrada (o Tabern�culo) - � que os hebreus passam a ter um local espec�fico de culto, nessa Tenda abrigando os objetos sagrados, a saber: a Arca da Alian�a, a Mesa dos p�es �zimos (ou sem fermento), o Candelabro de sete bra�os (Minor�). Haveria tamb�m um altar para queimar as ofertas sacrificais, outro para queimar incensos (perfumes) e uma pia de bronze (todos conhecem essa hist�ria). E enquanto o povo vagava pelo deserto, Deus orientava quando, onde e por quanto tempo estacionar. Os retirantes do Egito levantavam seu acampamento de um lugar ao outro somente quando a nuvem que cobria o Tabern�culo (indicando a presen�a do Eterno) se erguia e indicava o caminho a ser seguido. Durante o dia, a nuvem; a noite, uma coluna de fogo (veja em �xodo, 40.34-38; ou em N�meros, 9.15-23). E foram quarenta anos.
Antes de Jerusal�m ser transformada por David na capital do reino, ainda no tempo de Samuel (um sacerdote, juiz, profeta, mediador, chefe de guerreiros - Deus, falando a Jeremias, equipararia Samuel a Mois�s - Jer. 15.1) - a Arca ficou guardada em um templo, em Silo, sob os cuidados da fam�lia de Eli, tamb�m sacerdote. Em Silo, Josu� (que sucedera a Mois�s) acampara o povo pela �ltima vez (Josu�, 18.1 e sgs.). Esse pequeno templo de Silo foi, presumidamente, destru�do pelos filisteus (Jer. 7.11-12: �Ser� que voc�s pensam que o meu Templo � um esconderijo de ladr�es? V�o a Silo, o primeiro lugar que escolhi para nele ser adorado, e vejam o que fiz ali por causa da maldade de Israel.� Assim falou  o Eterno.). Outrossim houve tamb�m o templo de Betel, �s margens da estrada que ligava Siqu�m a Jerusal�m - Betel, t�o ao gosto dos ma�ons, mas sede de um culto desviado, esse � o fato. Em Betel seria adorado um deus de mesmo nome, que causaria desilus�es aos israelitas (Jeremias, 48.13). Esse templo, rejeitado pelos profetas (Am�s, 10.13), ficou sendo o santu�rio do reino do norte, nele havendo a imagem id�latra de um touro (1 Reis, 12.29). Sim, Betel - embora suscite a lembran�a do altar constru�do por Abra�o (Gen. 12.8), o sonho de Jac� com sua escada (t�o ao gosto ma��nico) e a pedra comemorativa que ali foi erguida (Gen. 28.10-22) - tem essa parte negativa de idolatria tamb�m. Pois �.
  David, j� consagrado rei, levaria a Arca da Alian�a para Jerusal�m (1 Cr�nicas15.25-28). T�o alegre e festivo esteve David nesse cortejo (cantando e dan�ando com o povo), que Mical, sua esposa, filha de Saul, sentiu desprezo por ele (1. Cron., 15.29). Contudo o tabern�culo e o altar dos sacrif�cios continuariam em Gabaon, posto que David ca�ra em desgra�a aos olhos de Deus. Derramara sangue em abund�ncia, fizera guerras em demasia e, por isso mesmo n�o poderia edificar em nome de Deus (ver I Cron. 22.6-19). Somente Salom�o teria a gl�ria de construir o Templo - o primeiro de Jerusal�m, posto a ocorr�ncia de mais dois templos: o constru�do por Zorobabel, ap�s o ex�lio na Babil�nia, e o constru�do por Herodes (todos conhecem essa hist�ria).
  Fontes extrab�blicas
  Apesar das minuciosas descri��es registradas na B�blia, ainda n�o foi poss�vel, contudo, se ter certezas quanto a esse primeiro templo de Jerusal�m. N�o h� registros extrab�blicos. As escava��es arqueol�gicas ainda n�o apresentaram alguma comprova��o v�lida da exist�ncia dessa obra. Explica-se tal aus�ncia de restos arqueol�gicos � completa destrui��o que teria sido realizada por Nabucodonosor, ou ao fato de insufici�ncia de escava��es no pr�prio s�tio atribu�do � localiza��o do Templo. Esse lugar (santificado por diversas linhas religiosas) seria o hoje ocupado pela bel�ssima e muito sagrada Mesquita de Omar, ou o Domo da Rocha, onde Abra�o, obediente a Deus, quase sacrifica seu pr�prio filho, Isaac (Gen. 22.1-19) - onde, de modo significativo, a tradi��o isl�mica localiza Maom� subindo ao C�u (portanto mais do que justificado o impedimento maometano em permitir escava��es naquele local santificado). Contudo, causando decep��o, n�o s�o encontrados, tamb�m, registros arqueol�gicos (monumentos comemorativos) da vit�ria de Nabucodonosor, como, por exemplo, podem ser encontrados registros do triunfo romano de Tito, seiscentos anos ap�s, destruindo o templo constru�do por Herodes (a terceira constru��o na s�rie hist�rica).
fala-se no c�lebre �muro das lamenta��es� como tendo sido parte da grande alvenaria de arrimo na esplanada do Templo. Contudo as determina��es cient�ficas de datas ali procedidas d�o ao muro idade pr�xima � d�cada anterior ao nascimento de Cristo, tornando-a uma obra mais adequada de ser atribu�da ao terceiro templo, destru�do pelos romanos.
  Contudo Salom�o foi efetivamente um grande construtor. Sua �poca - historicamente considerada, arqueologicamente comprovada - foi de grande prosperidade. Um dos registros arqueol�gicos mais significativos dessa �poca, � o da cidade de Megido, um complexo not�vel, cavalari�as com seus pilares em s�rie, talhados em pedra calc�rea. H�, outrossim, ainda do tempo de Salom�o, restos arqueol�gicos da fundi��o-refinaria de cobre em Ezion-Geber, produtora da mat�ria-prima que serviria de ornamentos e utens�lios de bronze (que as narrativas b�blicas apontam ao Templo). Outrossim (mesmo sem descobrimentos arqueol�gicos em Jerusal�m) pelo resultado de outras escava��es e estudo de documentos diversos (o leitor interessado encontrar� detalhes e documenta��o em Alex Horne, op. cit., Cap. IV, p. 37 e sgs.) � poss�vel estabelecer conclus�es quanto � arquitetura atribu�da ao Templo de Salom�o, no que concerne � ornamenta��o, disposi��o das depend�ncias, t�cnica construtiva, comparando a tradi��o b�blica com restos arqueol�gicos de outros templos do Oriente pr�ximo. S�o li��es preciosas.
  Conclus�o
  Enfim, o ma�om � mestre na arte de compor oposi��es e n�o desprezar� o reposit�rio inesgot�vel de ensinamentos velados por alegorias que nos proporciona a hist�ria (ou a lenda) da constru��o do Templo do Rei Salom�o. N�o desprezar� a tradi��o dos ma�ons oper�rios, s� porque a Arqueologia ainda n�o obteve provas insofism�veis. Ademais n�o se negar� a tradi��o b�blica t�o apenas por insufici�ncia de escava��es arqueol�gicas.
          � li��o de Jules Boucher contida no c�lebre A Simb�lica Ma��nica - segundo as regras da simb�lica esot�rica e tradicional (trad. de Frederico O. Pessoa de Barros, Ed. Pensamento, S. Paulo, 9a. ed., 1993, p. 152): os ma�ons n�o tentamos reconstruir materialmente o Templo de Salom�o; � um s�mbolo, nada mais - � o ideal jamais terminado, onde cada ma�om � uma pedra, preparada sem machado nem martelo no sil�ncio da medita��o. Para elevar-se, � necess�rio que o obreiro suba por uma escada em caracol, s�mbolo inequ�voco da reflex�o. Tem por materiais construtivos a pedra (estabilidade), a madeira do cedro (vitalidade) e o ouro (espiritualidade). Para o ma�om, ensina Boucher, �o Templo de Salom�o n�o � considerado nem em sua realidade hist�rica, nem em sua acep��o religiosa judaica, mas apenas em sua significa��o esot�rica, t�o profunda e t�o bela�.
O Templo de Salom�o � o templo da paz. Que a Paz do Senhor permane�a em nossos cora��es!
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