SE ARREPENDIMENTO MATASSE...
O sangramento do ombro e a tremenda emoção fazem
Amiko desmaiar antes de chegarem na
modesta casa, Logan a recolhe em seus braços, Yukio vai logo atrás, ainda sentida e chorosa. Não demora
muito para chegarem à casa da ninja; tomando a dianteira, ela abre a porta para
que os dois possam entrar.
O canadense retira as sapatilhas e as deixa na
porta, indo na direção do quarto, onde a deita com carinho e a cobre. A
"mãe" dela vê tudo de longe, sem poder expressar por palavras o que
lhe ia à alma.
Ele fecha a porta de correr, suspira e sai da
casa, indo parar no telhado da mesma. Era sempre melhor tentar meditar ao ar
livre do que dentro de qualquer construção. Especialmente se a mesma não era
feita para propósitos de meditação...
A velha ninja o acompanha sem nada pronunciar;
senta-se ao lado dele e apenas medita, tentando encontrar um caminho sensato
entre o que queria e o que devia fazer. Jamais suspeitara dos comportamentos da
filha adotiva. Suas incursões noturnas eram totalmente misteriosas para ela.
Isso a faz pensar em como não podia confiar em Amiko
e, como o próprio Logan havia dito, o quanto ela
mesma falhou em não perceber isso...
[Wolvie] *Charlie...
– ele contacta telepaticamente – tô
com um problemão... Como cê
acha que eu posso resolver isso?*
[Prof. X] *Logan!
Mas que lua-de-mel é essa, meu amigo?... Deixe-me ver
quais são seus problemas. – alguns segundos se passam e o telepata percebe tudo
que o canadense passou nas últimas horas – Hum... Eu
preciso de mais tempo para pensar. Quais são suas dúvidas?*
[Wolvie] *Cê
sabe que eu resolvo meus próprios problemas, mas não tô
conseguindo conciliar o que eu quero com o que eu devo fazer. Ela pode não ser
responsável pelos atos dela, mas matou uma porrada de gente. O Hidochi não vai
aliviar a barra pra ela, ele tá com a Ohana sob custódia... Eu mesmo acho que ela devia pagar
pelo que aconteceu. Gente inocente morreu, Charlie...*
[Prof. X] *Permite-me entrar na
mente dela e perceber o quanto é culpa dela e o quanto é culpa do Tentáculo?*
[Wolvie] *Claro! Mais do que isso,
dá uma checada pra ver se não tem mais nenhuma lavagem cerebral nela, pode
ser?*
[Prof. X] *Farei meu melhor.
Aguarde meu contato, ok?*
[Wolvie] *Tá
certo, 'brigado...* <O que faremos, Yukio-sama?> - quebrando a concentração da amiga e
colocando a cabeça dela em seu ombro.
[Yukio] <Não sei, Logan-san, mas se conseguirmos resolver mesmo isso como uma
família, se todo o seu discurso não foi demagogia, com certeza, sairemos
fortalecidos dessa. Como sempre saímos, não é?> - aceitando a cabeça no
ombro dele e abraçando-o pela cintura.
[Wolvie] <Eu não mudei muito...
Ao menos, não passei pra mentiroso. Não tava mentindo quando disse pra
enfrentarmos isso como uma família, Yu. Porque é isso
que a gente é!> – passando a mão nas costas dela, estava começando a ventar
mais forte.
[Yukio] <Que bela família!
Nossa "filha" sofre lavagem cerebral, vira uma assassina, com o único
propósito de te matar e nenhum dos dois percebe isso! Acho que não nascemos pra
colocar filhos no mundo, não é?> - divagando.
[Wolvie] Podes crer... – pensando
em James, o canadense levanta os olhos e começa a mirar as estrelas.
Não demora muito para que Yukio
adormeça abraçada ao mutante. Isso é um sinal de extrema confiança, na espécie
animal, da qual fazemos parte. Tanto a emoção como a madrugada que já corria
alta foram fatores estafantes, somente ignorados por um fator de cura e uma
preocupação como a muito Logan não tinha. Pega a
velha ninja cuidadosamente e enlaçando-a, entra na casa, colocando-a para
dormir no sofá.
[Prof. X] *Logan?...
– entrando furtivamente na mente do canadense – Terminei de ler completamente a
mente de Amiko e garanto: ela foi capaz de remover
todas as imagens implantadas em sua mente. Contudo, as imagens das vítimas
estão transformando-se em algozes poderosos. Mesmo com a ajuda de Jean, seu
sono não está totalmente tranqüilo, meu amigo...*
[Wolvie] *Valeu, Charlie... Só quem matou pode saber o que ela vai enfrentar
de agora
Cancelando a conversa telepática, Wolverine olha para um canto da sala e resolve ir sentar-se
ali, em posição de meditação, mas sem fechar os olhos, atento a todos os
cheiros e sons. A respiração pesada e os grunhidos de Amiko
eram imperceptíveis para qualquer um, menos o canadense. Acabam
transformando-se num mantra e remetendo o velho combatente há tempos esquecidos, inimigos antigos, mortes
quase inevitáveis, alianças inimagináveis... Apesar de permanecer com os olhos
abertos, não via a mobília da sala de Yukio, mas cada
uma das cenas ligadas a esses acontecimentos.
[Jean] *Deixe o passado no passado, meu amigo... – aparecendo
como um ser etéreo no meio da sala e estendendo a mão – Ele de nada vai
adiantar para o que virá.*
O canadense estende a mão e vê sua parte
psíquica saindo ao encontro de Jean, enquanto seu corpo permanecia sentado no
canto da sala.
[Wolvie] *Pra onde a gente vai, ruiva? Não posso deixar meu posto. Elas precisam de mim,* - olhando em redor, já quase sobre o teto da casa.
[Jean] *Relaxe, eu cuido delas enquanto vamos ver outra
pessoa, ok? Não as deixarei acordar, pode confiar!* –
sorrindo confiantemente.
[Wolvie] *Ah! Por que não disse
antes, eu não tenho nenhum medo de deixar as duas nas mãos da maior telepata
que conheço!* - começando a subir e atravessar o teto.
O trajeto dura pouco, saindo da parte mais pobre
de Tóquio para o centro da cidade, pensamentos vagos passam pela mente do
mutante, ou seria Jean a pensar isso e transferir para o amigo? O céu que
banhava as duas áreas era o mesmo, o mesmo clarão da Lua, nada mudava na
natureza, algumas árvores presentes, estavam tanto na parte mais abastada
quanto na área menos favorecida. Logan somente
percebe onde estão indo quando divisa a construção da Delegacia
Central de Polícia. Atravessam o telhado de uma sala específica onde, sentada
num canto do sofá, ainda abraçada a mesma almofada,
estava Ohana, cochilando momentaneamente.
Sem saber o que fazer, o mutante olha atônito
para as duas ruivas, tentando focar-se em como resolveria esse problema, como
iria desfazer essa "custódia"?
[Jean] *Não foi para ficar preocupado que o trouxe, Logan. Apenas resolvi atender um pedido de Ohana. – sorri de lado – Ela estava preocupada com você...
Adormeceu assim. Vamos "acordá-la"?*
[Wolvie] *Cê
tá certa! Tenho que aproveitar o momento...*
- agachando em frente de Ohana e passando a mão em
seu rosto - *Ruiva, vamos acordar? Preciso falar com você...*
Delicadamente, a mão etérea de Ohana vai em direção ao braço
forte de Logan e, enquanto este levanta, vai trazendo
consigo a parte psíquica da ruiva. Sem perder tempo, ela o abraça fortemente,
pendurando-se em seu pescoço e fica assim por muito tempo, até que o próprio
momento perca-se e o abraço diminua de intensidade.
[Ohana] *Pensei que não ia mais te
ver! Você não deu notícias, Hidoshi está uma fera!
Estava morrendo de saudades, meu amor!* - segurando nas duas mãos dele e
sorrindo, feito criança - *Obrigada por ter feito isso, Jean. Não sei o que
seria de mim sem você!*
A telepata apenas sorri ao comentário, sem nada
falar, dirige-se até a porta e passa pela mesma, desaparecendo no complexo
policial e deixando os dois sozinhos.
[Wolvie] *Sumi porque estou
enfrentando uns problemas muito sérios e não sei como sair deles sem magoar
alguém, também não quero me magoar, tô num mato sem
cachorro... Eu ia te contar, no momento certo, que eu...*
– ele desvencilha-se das mãos da esposa, dando um passo pra trás e passando a
mão no rosto como se estivesse suando... O que é impossível.
[Ohana] *Chegamos até aqui por
confiarmos um no outro. Você pode confiar em mim, não que deva, mas pode e sabe
disso... – avança na direção dele, retirando a mão do rosto, levemente e
sorrindo.
O canadense "respira" fundo, escolhe
as palavras e, por fim, solta:
[Wolvie] *Antes de conhecer você,
eu salvei uma menininha da morte e a adotei, como
filha mesmo, sabe? A deixei aos cuidados de uma grande amiga, aqui no Japão,
com quem eu já tive um histórico no passado. – ele acompanhava e buscava cada
mudança no semblante de Ohana, mas apenas encontrava
compreensão e incentivo – O nome da minha filha é Amiko,
e da minha antiga companheira, Yukio. Nos conhecemos em circunstâncias não importantes agora.
Confiei meu bem mais precioso a ela, porque antes ela era ninja do Tentáculo,
então, tinha certeza de que saberia cuidar muito bem de Amiko.
Por ser minha filha, tentaram várias vezes acabar com
ela, mas sempre tinha alguém pra ajudar. – pausa para chegar mais perto da
ruiva, pois ele sabia que a notícia a chocaria – Uma vez, conseguiram raptar a
guria. A gente conseguiu tirar ela de lá e achávamos que tudo tinha acabado
bem. Acontece que não acabou. Ela sofreu lavagem cerebral e, agora a noite, descobri o pior: ela era a assassina...*
O corpo astral de Ohana
treme diante da narrativa, sua garganta pensa em articular uma pergunta, mas
cala. Ela coloca-se no lugar de Logan e imagina que
ela não seria bem recebida nesse momento. O mutante parece entender a apreensão
que a cerca e retoma a narrativa:
[Wolvie] *Eu não matei ela,
ainda... Se era isso que cê
ia perguntar. A questão é: se eu não matar, com certeza, Hidochi
vai. Por isso eu não sei o que fazer, Ana... Ela já
viu que errou, eu sei que a morte de tantas pessoas
vai ter seu peso na recuperação dela, mas acredito que ela possa ficar boa.
Voltar a ter uma vida normal...* – quando cita
"morte de tantas pessoas" nova sacudidela assalta o corpo da ex-mutante,
a imagem de Metabolisis aparece em sua mente e,
inconscientemente, ela vira o rosto e aperta-se ao marido, sem saber o que
dizer... Ao perceber o que aconteceu, Logan se maldiz
por sua boca solta, mas percebe que as duas pessoas que mais ama estão passando por situações semelhantes, senão, iguais. Ele
retribui o abraço apertado e percebe Jean passando novamente pela porta.
[Jean] *Precisamos voltar, Logan.
– virando-se para Ohana – Farei com que lembre de
tudo o que conversaram quando acordar, está bem?
Agora, preciso que volte a sentar-se e descanse. Nos veremos
em breve.*
A ruiva obedece a telepata e, em poucos
segundos, os dois estão prontos para partir, mas dessa vez, Jean fala:
[Jean] *Iremos do meu jeito dessa vez, a aurora já vem
chegando, logo Amiko despertará* - segurando nas duas
mãos de Logan, ela simplesmente teleporta
ambos para a casa de Yukio.
Diferentemente do teleporte
de Kurt, este não dá nenhum enjôo, apenas acelera
mesmo o tempo de chegada, fazendo com que o canadense viva
a experiência única da rapidez do pensamento.
[Wolvie] *Valeu, ruiva. A gente
tava precisando mesmo se falar... Estranho eu ter tido como falar pra ela sobre
a Amiko, sendo que em todos esses anos, nunca
consegui falar. É como dizem: "antes tarde do que nunca", né não?!* - agradecendo com um gesto de cabeça e indo em direção de seu corpo – *a gente se tromba por aí!* -
e mergulha, sem nenhuma delicadeza, acordando de supetão.
A casa estava com o mesmo silêncio de quando
saíram. A respiração de Amiko estava mais pausada,
mesmo assim, alguns gemidos teimavam em aparecer, vez que outra. O canadense
volta a pensar em como cuidar da situação: Hidochi x Amiko.
[Wolvie] *O que é que eu vou
fazer... Aquele cara não parece alguém disposto a negociar. Será que ele aceita
meu sacrifício no lugar do dela? A gente ia saber que era uma farsa, mas o
povão não... Hum... Péssima idéia, depois disso ia ser
mais difícil colocar os pés no Japão de novo. Eu não escolhi amar esse país...
Foi ele que me escolheu, não tenho como sacrificar isso...*
- e passou os próximos minutos tentando conncatenar as idéias, pensar em alguma
solução, repensar como o Capitão da Polícia reagiria.
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[Jubi] Ei,
joga esse freesbe com força, tá
parecendo uma mocinha! – a garota provoca, correndo bem além da piscina,
tamanha a força com que August lança o disco. *agora sim!* - ela pensa.
[August] Vai pegar esse, sua metidinha! – fazendo uma concha
com as mãos para que o som fosse mais longe ainda.
Olhando da sacada, Charles Xavier sorri diante
das brincadeiras e da camaradagem existente entre eles.
[Fera] Tem um minuto, Professor? Acredito que consegui
isolar o gene responsável pela "boa vontade" do Remy.
– tirando os óculos e coçando as vistas cansadas.
[Prof. X] Não temos mais idade para
abrir mão de nosso descanso noturno, Hank! Acredito
que o motivo tenha sido genuíno, mas a que preço? Prometa-me uma coisa: irá
descansar depois de ter me mostrado suas conclusões, sim? – virando a cadeira e
indo na direção do amigo.
[Fera] "Que é o homem, se sua máxima ocupação e o bem
maior não passam de comer e dormir?" (W.
Shakespeare). Fique tranqüilo, meu amigo, prometo cuidar de mim, logo que
consiga terminar meu trabalho. – tomando a dianteira e indo até o LabMed, onde vários tubos de
ensaio estavam dispostos sobre a bancada, num deles, uma solução
azul-esverdeada estava ainda tomando forma.
Os dois entraram e discutiram vários aspectos
sobre as descobertas de Hank, além de trocarem
informações, ambos chegaram a um veredicto: seria mesmo possível isolar somente
o gene responsável por essa parte da mutação. Para tanto, seria necessário
trabalharem em conjunto: ciência e telepatia. A notícia deixa a todos na mansão
muito felizes. Por motivos pessoais, apenas Jean e o Professor estavam sabendo
sobre Logan e Ohana;
decidiram manter assim, pois nada podiam fazer para ajudar e, portanto, não
havia motivos para deixar os outros preocupados. Trocavam olhares, algumas
vezes, para consolo mútuo e, mesmo diante da maravilhosa notícia de Remy, não conseguiram ficar 100% felizes, um pedaço de suas
almas estava em frangalhos pelos sofrimentos dos recém-casados.
A primeira a saber da
notícia é Vampira e ela corre para o imenso jardim,
onde estava o cajun, tentando manter-se longe de
problemas:
[Vampira] Ele conseguiu,
Remy! O Hank conseguiu
isolar o gene que te deixa um canalha! – correndo em sua direção e abraçando-o
assim que ele levanta.
[Remy] Non
é bem assim, mon coeur... Remy está bem longe de ser um canalha... – ressentido com a
extrema felicidade da sulista – E quem garante que o restante
de meus poderes mutantes não vão sumir junto com esse gene?!
[Vampira] Cê
não tá feliz, mô? – dando
um passo para trás e visualizando o rosto e o jeito do mutante – Eu não
acredito que você não tá feliz! Como pode ter alguma
dúvida do que o Hank falou? Você conhece o azulão!
Ele só fala quando tem certeza! – dá uma pausa – Acho que você não quer é ficar
sem esse seu gene da canalhice... Por isso, antes de me responder alguma coisa
que se arrependa, vai conversar com o doutor, falô?
Ele ia abraçá-la, mas Vampira
faz um sinal com a mão para ele manter distância e sai voando para a parte
superior da mansão, entrando na janela que dava para o corredor dos quartos de
hóspedes.
Ele suspira, dá de ombros e começa uma marcha –
parecida com fúnebre – para dentro da mansão. Precisava mesmo ouvir o doutor e
conversar corretamente com ele, expondo todos os seus medos. Não demora muito
para chegar as pesadas portas do LabMed
onde o Dr. Hank o esperava, juntamente com o
Professor Xavier, este, porém, decide sair assim que o mutante entra, deixando
médico e paciente conversarem sem constrangimentos.
[Remy] Her...
nem sei como Remy vai dizer
isso, mas tenho minhas dúvidas sobre esse sua terapia gênica. E se non funcionar como deveria? Se afetar meus outros poderes, mon ami?
[Fera] Hum... – levantando os olhos
por sobre os óculos – esse seu medo não teria nada a ver com o que estou
pensando, teria? Você não tem medo do tratamento realmente funcionar, tem Remy?
[Remy] Je
ne se como colocar isso, ami.
Mas e se a Vampira non
gostar mais de moi? E se Remy
ficar sem poderes e sem a Vampira? – apoiando as mãos
em cima da escrivaninha onde Hank estava e deixando
uma gota de suor escorrer por sua face – Estou genuinamente preocupado! E com raison, non?!
O mutante azul sorri de lado, vira a tela do
computador e, mostrando dois gráficos na tela, pigarreia antes de começar:
[Fera] "Devemos
aceitar o que é impossível deixar de acontecer" (William Shakespeare),
meu amigo. Tentarei colocar da forma mais leiga possível. Foque esses dois
gráficos: o da esquerda mostra o momento onde você esteve sozinho com Ohana na sala, perceba os picos hormonais e a instabilidade
generalizada nessa parte superior – representando o organismo de nossa
"cobaia"; agora, preste atenção ao gráfico da direita e compare as
barras pintadas de verde, percebe que essa segunda não apresenta nenhuma
oscilação? Esta representa o organismo de Vampira, Remy!
[Remy] O que está querendo dizer, mon ami? O teste precisa ser
refeito? Os eletrodos não foram colocados corretamente? Non
existe nenhuma oscilação nessa barra... – coçando a cabeça com a ponta do dedo,
numa indizível pose de perplexidade – Remy acha que
ela non vai fazer novamente, está meio chateada... –
baixando a cabeça.
[Fera] Não é nada disso, meu obtuso amigo... Significa que
no organismo da Vampira, sua mutação não tem o mesmo
efeito! Portanto, seu medo é infundado... A Vampira
gosta de você – por mais espantoso que isso possa parecer – do jeito que é.
Nela, seus poderes persuasivos não têm o menor efeito, Remy.
Portanto, não é necessário temer por isso. Além do mais, que vantagem existe em
ter de usar sua mutação para conquistar uma mulher, meu caro?! – tirando os
óculos e voltando o monitor a sua posição anterior.
O cajun não sabe o que
dizer, ou fazer. Baixando a cabeça, ele aproveita para sentar-se na cadeira da
sua direita, deixando seu corpanzil cair:
[Fera] Irei deixá-lo sozinho; apesar de não achar ter o que
se pensar a respeito, estarei com o Professor, naquilo que decida fazer, está
bem? Jamais colocaria em risco a vida ou a mutação de um paciente meu e, com
certeza, jamais faria algo sem seu consentimento, portanto, pense bem Remy; pense os prós e os contras e informe-me, certo, meu
indeciso amigo... – deixa os óculos sobre a mesa e sai, sem esperar uma
resposta.
Enquanto isso, num dos quartos de hóspedes, Vampira está sentada na cama, com a cabeça baixa, pensando
em mil coisas ao mesmo tempo. Nem se deu conta quando Clarisse entra no quarto
e senta na cama, ao lado dela. Apenas volta a realidade quando suas pequenas
mãozinhas tocam sua face e limpam o caminho de uma antiga lágrima:
[Clarisse] Mami! Por que você está
chorando? É porque a gente já vai embora? Podemos ficar mais se for por isso...
– sorrindo.
A mutante vira-se para a filha e várias imagens
antigas tomam posse de sua mente, ridiculamente, ela lembra-se de Cody e de como um simples toque em sua pele havia deixado o
rapaz em coma; segura a mão de Clarisse com um respeito e um amor que jamais
sentiu por nada nesse mundo:
[Vampira] Não é isso, meu amor...
– voltando a sorrir – seu pai sempre consegue me surpreender, sabe?... –
levantando as sobrancelhas – Mas, nada me importa mais nessa vida do que você,
filha; por isso, com ou sem Remy, eu sempre vou estar
feliz! Vamos brincar de pular no colchão? – desafia.
[Clarisse] Puxa... eu queria tanto
que vocês se acertassem. Eu não fico totalmente feliz somente com você,
mamãe... desculpe, mas sou egoísta nisso. – fazendo
cara de triste – Mas eu sei que tudo vai dar certo entre vocês! – tirando os
sapatinhos e ficando em pé no colchão – VAMOS!!
Ambas passam algumas horas de pura infância,
sendo que nem sempre Vampira jogava conforme as
regras, pulando e levando Clarisse para a altura do teto, com um vôo leve,
seguido de muitas gargalhadas.
Na biblioteca da mansão, Scott folheava alguns
livros nunca antes explorados. Aproveitava que Jean estava ajudando o Professor
com os alunos mais novos e ele ficava algumas horas
lendo sobre as peripécias de ser pai; tanto em literatura científica quanto em
romances e histórias. O que ele não sabia é que devido aos acontecimentos
atuais com Logan e Ohana,
Jean havia sido liberada da ajuda, era necessário ao
Professor estar em contato incessante com ambos e, devido a isso, as aulas
haviam sido suspensas:
[Jean] Não sabia que meu maridão estava planejando uma
conspiração desse nível! – a telepata chega, abrindo sorrateiramente a porta,
com a intenção de surpreendê-lo.
O susto do líder dos X-Men
é imediato e, batendo o livro com uma força desnecessária, ele vira-se para
onde a conhecida voz vinha; através de suas lentes de quartzo rubi, Scott via tudo
em tom avermelhado, tinha aprendido a diferenciar as nuances e, portanto, era capaz de distinguir tantos quanto os tons de branco que
um esquimó é capaz de perceber. Ele caminha na direção dela, deixando o livro
pousar sossegadamente sobre um sofá:
[Scott] Você não tem idéia do que tem passado pela minha
mente, Jean... – abraçando-a intensamente – Agradeço por isso, sabe? Apesar de
poder, você nunca invadiu minha privacidade, nunca me obrigou a fazer coisas
que não queria e, acima de tudo, me respeitou como pessoa. Eu sei que sou o
cara mais sortudo do mundo por isso. Obrigado. – aninhando o rosto no ombro
dela.
[Jean] Oh! Scott! Você nunca agiu com leviandade para
comigo, que motivos teria para desconfiar, invadir? Se
você tem motivos para agradecer, tantos outros tenho eu. – sorri e aceita o
abraço forte, aninhando também seu rosto no ombro do marido.
Os dois passam muito tempo assim, aconchegados,
até que um deles decide quebrar o silêncio com uma canção:
[Scott] Let me show you what I'm
made of
Good
intentions are not enough – ela ri, os dois
começam a dançar
To get me
though today and this life
You're
in the basement watching the TV
I'm
on the second floor watching the ceiling
We sleep
underneath the same big sky at night
And
dream the same dream we can fly
And you can run from
me *eu nunca fugiria de você, Scott* - a ruiva projeta mentalmente a frase
But you can
hide from me * nem me esconderia,
meu bem*
But
I am right beside you
In this life
Let me show
you who you really are
You're my comfort *você também é meu
conforto, em todos os momentos*
You're
not a superstar
Let can
reach up and bring you back down up to the ground
And give you everything you dream about
*você já me dá tudo o que eu poderia sonhar: amor, compreensão, cumplicidade. O que mais
eu poderia querer? E, além
de tudo, é um gatão!* - os dois riem
And
you can run from me
And
you can hide from me
But
I am right beside you
In this life
*e espero que, se existir uma próxima, você também esteja comigo…*
I'll
give you all the things that I never get
Give you all
I have and have no regret
Take you to
the places that I've never been
Forgive you
all the things that you can't forget
Take away
the pain with my healing hands
Wash away
your sins and set your spirit free
You can run
from me
And
you can hide from me
But
I am right beside you
In this life
And
you can run from me
And
you can hide from me
But
I am right beside you
In this life
Let me show
you what I'm made of (Chantal Kreviazuk
– "In This Life")
[Jean] Deixe-me retribuir isso, sim? – dando um passo para
trás e sorrindo – Eu sei que você será um pai maravilhoso, Scott! Que tal
deixar de ler sobre aquilo que os outros viveram e passar a viver você mesmo?... – levando as mãos até a aba do óculo e
tirando-o – Confie em mim, pode abrir os olhos...
É claro que o mutante confiava em sua esposa e,
lentamente, ele começa a abrir os olhos. As pálpebras estavam rubras e, assim
que termina de abrí-los, uma estrela vermelha aparece
no centro de sua pupila, sendo, aos poucos, extinta pelos poderes telecinéticos de Jean. As cores começam a aparecer e, aos
poucos, Scott começa a divisar como a ruiva estava vestida, sorrindo, mas com
um estranho brilho no olhar:
[Scott] Você nunca se perguntou o por quê
de, em todos esses anos, nunca ter engravidado? Apesar de todos ao redor,
acidentalmente, terem seus filhos?... Acho que criei essa imagem de durão e de
não querer "encher o mundo com mais mutantes" pelo fato de ser
incapaz de fazê-lo, Jean... Sei que não é uma coisa legal de se esconder da
mulher que amo, mas não sabia mesmo como te dizer isso, até agora. De que adiantou eu ter dado amor, compreensão, cumplicidade, se
menti pra você por tantos anos? – baixando a cabeça – Eu sei que uma das coisas
que você mais queria era ser mãe. Infelizmente, não poderei ser o pai, mas não
a impeço de tentar, caso queira. Apoiarei todas as suas decisões, está bem? –
resignado.
[Jean] Realmente, você está certo em dizer que era o que
mais queria nesse mundo, Scott. Com certeza, estou chateada por não ter
confiado em mim quanto a isso... Mas eu não quero que isso estrague o que temos, tá bem? – sua voz parecia
genuinamente chateada e, suspirando, ela recoloca o óculo – Ao menos, isso
explica sua relutância em ter filhos, o que, de certo modo, é genuíno. Está
tudo bem, eu já tinha na mente que as crianças desse instituto seriam como
minhas filhas. – abraça-o e ficam assim por um tempo, esquecidos dos outros e,
de certo modo, de si mesmos. Ao menos, por essa "traição" de Scott,
ela não precisaria mais dizer ao marido que seu tempo havia passado e que,
mesmo querendo, não tinha como ter filhos; com ou sem ele...
Correndo pelo corredor estava Remy LeBeau,
atrás de seu doutor atual: Dr. Henry "Hank"
McCoy, perguntando para qualquer um que cruzasse seu
caminho, como maldizia o fato da mansão ser tão grande nessas ocasiões! Parando
num dos corredores, ele dá um tremendo tapa da sua testa e diz em voz alta:
[Remy] C'est
stupide, Remy?! Ele disse
que estaria com o Professor! Então *é só enviar uma mensagem telepática para
ele, oras!*
[Prof. X] *Estou ouvindo, Remy. O que deseja?*
[Remy] *O bom Dr.
está com o senhor, Professor?*
[Prof. X] *Sim, estamos na estufa
da Ororo, ele já está descendo, pode esperá-lo no LabMed, ok?*
[Remy] *Oui,
merci!* - correndo para o laboratório.
Não demora muito para que o mutante azul
conhecido por Fera apareça no LabMed
e encontre Remy mexendo num dos tubos de ensaio da
bancada. Assim que o vê, o cajun começa a falar:
[Remy] Remy
quer que você faça isso, Hank... Excuse
se pareceu que non queria, mas é como perder um
filho, non? Demora para
pensar corretamente. Remy quer deixar de ser
"canalha", como diz mon petit,
oui? – agitando nervosamente as mãos.
[Fera] Acho que foi a decisão mais sensata que já teve em
toda sua vida, Remy! Dentro em breve o Professor
estará conosco e poderemos começar, certo?
---------------------
[Yukio] <Está mesmo decidido, Logan?> - ela pergunta, enquanto prepara o café da
manhã.
[Wolvie] <Tenho, Yu. Se não for pro pau, ele vai matar a Amiko.
A gente sabe que ela não merece isso; ainda mais pra que um filho da put@ daqueles cresça na vida, não é?> - ao lado da cama
de Amiko, preparando-se para acordá-la - <Mi,
vamos acordar, linda?...>
Não demora muito para que ela abra os olhos e
encare os dois, já prontos para sair, na frente dela:
[Amiko] <Onde
vão?>
[Wolvie] <Cê
devia perguntar "onde vamos"?, limpar sua honra, Amiko>
[Amiko] <Como assim, Rogan? Achei que todos do Tentáculo estivessem mortos...>
[Wolvie] <É aí que tu te
engana. Eu tenho quase certeza de que o chefe de polícia, Hidochi,
ainda pertence ao Tentáculo e tá querendo dar uma
última cartada para subir ao poder, guria! Tá
nessa?>
[Amiko] <Claro que sim! No que
puder ser útil, minha vida é sua...> - baixando a
cabeça.
[Wolvie] <Levanta essa cabeça, Amiko! Nenhuma filha minha pertence a ninguém e, acima de
tudo, nenhuma filha minha vive na sombra dos outros ou do passado! O futuro tá aí, batendo na tua porta; uma nova chance, vai pegar?> - levantando e estendendo a mão.
Ela agarra-se à mão de Logan
e levanta, abraçando-o.
[Wolvie] <Ótimo, temos uns ninjas pra detonar!>
*corrigido e rediagramado em 05/01/2007 – 19h46min*