PREPARATIVOS
E SURPRESAS
Uma
semana havia passado e August permaneceu com os X-Men,
explicando que havia fugido de casa, pois seu pai era contra os mutantes.
Jamais havia dito a ele que era mutante, para não magoá-lo. Antes de sair,
contudo, levou várias jóias da família e quase todo o dinheiro que estava no
cofre! A família é de abastados comerciantes nova-iorquinos, por isso, sabe que
não terão problemas em recuperar o que o garoto roubou. Charles não aprovou o
modo como ele saiu de casa e, muito menos, o meio como tinha escolhido para
viver
Infelizmente,
também era o momento de, novamente, os mutantes subirem aquela colina, em meio
a qual uma pequena capela havia sido construída, muito antes de Ohana fazer parte dos X-Men.
Novamente, estavam ali para relembrar daquelas importantes pessoas que ajudaram a construir um mundo melhor, cada qual dentro de
seu estilo, contudo, todas foram responsáveis pelos dias de paz que reinavam
atualmente. Mesmo aqueles que somente buscaram a paz pela espada, deram sua
contribuição, mostrando ao mundo uma importante lição: não há caractere que
determine o caráter. Não é o fato de ser mutante ou humano uma determinante
para a prática do bem ou do mal! É o que cada um tem dentro de si, naquela
porção da alma nunca desvendada aos outros o diferencial!... E James, com
certeza, teve um enorme diferencial dentro de si. Teve uma força interior e conhecimento nunca antes vistos. A semana anterior levou Ohana a imaginar o fato de James saber que ela não
suportaria sua perda; dele saber que tudo aconteceria exatamente como aconteceu
e está acontecendo e, por conta disso, não se preocupou tanto
Apesar
dos pais estarem silenciosos demais, em seus olhos era possível ver que não
estavam tristes. Apenas tinham optado pelo silêncio como uma forma de respeito
pela ocasião, já que esta não representava um momento de pranto ou de
pensamentos tristes. Nenhum dos mutantes presentes na noite da morte dele
poderia esquecer seu significado. Quem ousasse derramar uma lágrima ali,
estaria deixando clara sua descrença perante tudo o que havia acontecido. E
isso era impossível!
A
colocação da nova campa foi rápida e sem nenhuma pompa. Ohana
tinha escolhido pessoalmente o tipo de lápide, pois, uma vez, James comentou
gostar de motivos medievais e, foi exatamente por isso que a ruiva escolheu uma
de mármore, com dois cavaleiros montados em seus corcéis, espadas em riste e
adornada por folhas de parreira. Ao centro, a escrita escolhida por Logan: Carpe Diem; nada faria
mais jus ao tipo de vida que James levou; nada seria mais apropriado do que a
famosa frase “Aproveite o dia”, não para alguém que o aproveitou como nenhum
outro! Viveu como nenhum deles e passou por suas vidas, mudando-as para sempre!
Claro!
Depois da cerimônia totalmente simples, Ohana não
quis saber de falar em casamento, ou mesmo de compartilhar a alegria de todos
os presentes. A ruiva ficou mal, quis tirar o dia para uma espécie de retiro e
foi fazer isso no rikyu construído por Logan, logo que retornou do Japão, em meio à mata da
mansão.
A
construção, como é padrão no rikyu, é o mais simples
possível, com as tão conhecidas portas corrediças de papel de arroz, além do
jardim com pedras e areia, simbolizando as forças da natureza. O telhado tinha
também a forma característica das construções orientais, ou seja, as quatro
pontas eram voltadas para cima, ligando aquele rikyu
com os deuses.
Ohana não ia muito lá, justamente por saber que Logan passava tanto tempo naquele lugar. Era uma espécie de
retiro somente dele, mas o momento atual pedia uma maior separação do clima
festivo de dentro da mansão. E foi o que a ruiva fez, pegou duas frutas na
cozinha, avisou Logan de seu desejo em ficar sozinha
e rumou para a floresta, passando no meio daquela areia branquíssima que
simbolizava a água e as pedras, negras, que representavam os continentes.
Aquilo era tudo o que Ohana sabia acerca da
construção e dos costumes orientais. Ela ficava imaginando, enquanto ia para o
interior do rikyu como faria na lua-de-mel, pois nada
sabia desse país ou do idioma de seu povo... Ela não entendia, por exemplo,
porque Logan havia feito uma pequena caixa com porta,
onde dentro tinha uma pedra com a ponta superior arredondada, escrita em
japonês e, todos os dias, à tarde, ele ia colocar uma tigela de arroz, com um
par de hashi espetados no meio do alimento; passando
uns vinte minutos ali e retornando logo em seguida, sem fazer comentários ou
tocar no assunto.
Se
perguntasse, provavelmente, Ohana não gostaria da
resposta... O hashi espetado é usado somente para dar
comida aos mortos, para que eles possam ter seu alimento e, com ele apontando
para cima, encontrem o caminho de volta. A escrita na pedra poderia ser
traduzida como Mariko Yashida.
A pequena caixa é uma forma de sempre poder estar em contato com os mortos que
nos são caros. Uma espécie de morada no mundo dos vivos...
Nunca
tinha parado para explicar a Ohana quem foi Mariko, o que ela significou para ele e, muito menos, que
estaria casado com ela, caso ainda estivesse viva...
Mas
nada disso importava, no momento. Entrando no rikyu, Ohana sente-se mais tranqüila, mais feliz, por assim dizer.
A decoração totalmente oriental do lugar, mesmo em sua simplicidade, produzia
esse efeito nas pessoas. Era essa a intenção: ser um lugar de paz, de reflexão.
Além do altar para Mariko, havia duas katanas num canto da construção. Uma delas, era a espada do
Clã Yashida, dada por Mariko
quando Logan matou o pai dela, numa luta justa; a outra, dada por Yukio, a ninja tutora de Amiko, filha
adotiva de Logan, para que ele nunca a esquecesse.
Desse passado, Ohana não sabia nada! Absolutamente,
nada... Nunca tinha perguntado e, desse modo, Logan
preferiu deixar onde estavam: no passado. Ao menos, por pouco tempo. Esse
desejo repentino de voltar para o Japão foi, justamente, com o intuito de
explicar tudo para Ohana. Explicar o porquê de, uma
vez por ano, Logan voltar ao Japão, por algumas horas
do dia, para regressar logo em seguida, visivelmente satisfeito de si. Todas as
cartas seriam postas na mesa e, desse modo, o canadense esperava recomeçar a
vida, totalmente senhor de seus atos e de seu passado, e não o oposto.
O
que importava para a ruiva naquele momento era estar em tranqüilidade e poder
pensar em tudo o que se passava em sua mente, poder colocar os pensamentos em
ordem e, nesse instante, aquele lugar foi providencial.
Na
mansão, com apenas duas semanas faltando para o casamento, todos estavam num
alvoroço total! Já tinham sido confirmados mais de duzentos convidados, entre
amigos dos X-Men e amigos, dos amigos. Quem não
poderia comparecer, em sua maioria por falta de condições físicas, estava
enviando algum representante: filho, sobrinho, parente em grau distante. O que
a grande parte não queria perder era o evento! Afinal, não era sempre que Logan casava e todos haviam aprendido a respeitá-lo e
querê-lo bem, como um membro valoroso da equipe!
Logan já tinha comprado seu “misterioso” smoking, com a ajuda de Warren e Kurt, este último veio
somente para o casamento, retornaria para a Alemanha assim que a cerimônia
terminasse. Ele tinha muito que fazer na sua paróquia e, mesmo por pouco tempo,
era penoso deixar seus fiéis.
Ohana ainda não tinha ido comprar o vestido. Já sabia qual
queria, sabia que seu futuro marido havia aprovado o modelito
e, com isso, não tinha muita empolgação para ir. Talvez, na última hora,
mudasse de vestido. Quem sabe?... Tudo iria depender da opinião de Warren, pois, nem em mil anos, ela ouviria a vendedora!
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Bem
ao cair da tarde, naquele mesmo dia, Logan resolve ir
checar como estava Ohana, chegando de mansinho, ele a
vê sentada com as pernas cruzadas, a costa ereta, em posição de meditação, com
as mãos sobre os joelhos, dedão quase encostado no indicador. O canadense
senta-se do mesmo modo, ao lado dela, falando suavemente, com sua voz grave:
[Wolvie] Posso me juntar a você?
Ela
abre os olhos calmamente, já tinha sentido que não estava sozinha, e esperava
mesmo que ele tivesse ido até lá:
[Ohana] Claro que pode! Na verdade, este lugar te pertence.
Não precisa me pedir permissão. – segura na mão dele e retorna à posição
inicial.
[Wolvie] Nada me pertence, ruiva. Tudo o que eu tenho, é
teu...
Ela
nada fala, somente lança um olhar de profundo agradecimento:
[Wolvie] Quer aprender uma coisa nova?
[Ohana] Quero... – ela responde,
insegura.
O
canadense levanta-se, vai até as katanas e, pegando a
do Clã para si, leva na outra mão a de Yukio para Ohana. Ela olha impressionada para ele. O que será que
tinha em mente?
[Wolvie] Vou te ensinar a meditar através da espada, gata. Tá a fim?
[Ohana] Sim! Mas, não é perigoso? – a ruiva nunca tinha
manejado uma espada antes!
[Wolvie] No começo, a gente deixa elas
dentro das suas bainhas. Quando tiver confiança, a gente tira
elas e avança um pouco mais, tá?
[Ohana] Ok. Pode começar, sensei! – sorri, fazendo
uso da única palavra que sabia em japonês e que significa mestre, professor.
Logan amarra uma tira de tecido da largura da mão (obi) na cintura e, depois de bem firme, introduz a katana dentro dela, de modo que a empunhadura
ficasse na altura certa para que sua mão direita pudesse pegá-la. Respirando
fundo, ele começou a executar diversos movimentos, todos um pouco mais velozes
do que o Tai-chi-chuan, mas de um modo que Ohana pudesse percebê-los.
A
ruiva fica impressionada com a majestade dos movimentos e em como a face de Logan havia se tornado séria, em contrapartida à vivacidade
de seus olhos. Parecia, realmente, que o canadense estava entrando num momento
de meditação profunda, nos primeiros minutos da prática.
Enquanto
Ohana começa a tentativa de cópia dos movimentos, Logan acende as pequenas luminárias do lugar, fazendo uma
luz morna, um tanto avermelhada, tomar conta do ambiente.
Passam
a noite toda assim, um ensinando ao outro, já que ninguém é detentor da verdade
absoluta e tem a capacidade de aprender consigo e com o erro dos outros.
Ele
fica bastante impressionado com a capacidade rápida de aprendizado dela; já
havia tentado ensinar essa técnica para Jubi e Kitty, sem sucesso; talvez, elas fossem jovens demais, na
época, para conseguir transcender a essência dos movimentos. Com certeza,
passariam a noite ali, não fosse Jubi e August
aparecerem ali, chamando-os:
[Jubi] Hei! Vocês resolveram desaparecer, é? – aparece,
sorrindo.
[Wolvie] A gente tá meditando,
guria... Que cê quer? – com a katana
em riste.
[August]
Pediram pra gente vir chamar vocês, sr.
Logan... – meio impressionado com o fato de Logan manejar uma espada.
[Ohana] É verdade! Já é noite! Eu perdi totalmente a noção
do tempo aqui... Nós estamos indo atrás de vocês, tá bem?
[Jubi] Não... Atrás de nós, não... Eu vou levar August pra
conhecer um pouco mais da mansão... – comenta, baixo.
[Wolvie] A essa hora da noite? Jubi,
cê tá legal?
O
rapaz coça a cabeça, Jubi fica sem jeito. Numa fração
de segundos, Logan capta que tinha falado demais,
como sempre. Eles iam namorar, isso sim!
[Wolvie] Tá certo! Sumam daqui!
Não se esqueçam: não façam nada que eu não faria! – sorri para os dois.
[Jubi] Sei, Wolvi!
Sei! Vê se não demora pra voltar pra mansão! Senão, daqui a pouco, vai ter uma
equipe de busca vindo aqui! Ahahahahah – pega August
pela mão e sai correndo com ele, sumindo na mata.
[Wolvie] Essas crianças... – maneia a cabeça.
Ohana sorri, tira a katana da mão dele
e a coloca na bainha e, depois de dar um beijo nele, comenta:
[Ohana] Ela não é mais uma criança, Logan.
Cresceu e, agora, é uma mulher muito bonita! Você não percebeu? – passa a mão
no rosto dele.
[Wolvie] Pra mim, essa guria vai ser sempre uma pirralha, Ohana! E eu vou sempre
me preocupar com ela. Mas concordo, ela está muito bonita...
[Ohana] Engraçadinho. Isso você notou, né?
Muito obrigada pela tarde de hoje. Foi perfeita! Eu me sinto muito melhor,
querido.
Ele
a abraça, pegando-a pela cintura:
[Wolvie] É “querido sensei”, viu?
E eu estou aqui pra isso. Te fazer sentir melhor,
gata!
Trocam
mais um beijo, Ohana arruma as katanas
e eles voltam para a mansão, de mãos dadas; muito mais relaxados e mais
receptivos às festividades e ao clima “corrido” da mansão. Para Ohana, era ótimo perceber o quanto todos estavam envolvidos
com o casamento. Era ótimo estar conhecendo Kurt
Wagner, Katherine Leeann Pryde e Moira McTaggert em
pessoa! A ruiva tinha muito ouvido falar deles, mas nunca tinha tido a chance
de conhecê-los! Estavam todos ali, alguns com pouco menos de viço que antes,
outros mais marcados pelos sofrimentos do tempo, porém, um ponto era inegável:
todos tinham orgulho de ser mutante ou de fazer parte dos X-Men!
Charles
tinha avisado que muitos viriam na véspera do casamento, apenas para dar
presença. Entre eles, a família LeBeau,
os filhos de Heather Hudson,
Samurai de Prata (primo de Mariko), entre outros.
Para
Logan, o casamento não seria a parte mais importante
da cerimônia. A lua-de-mel sim! Seria uma redenção, o momento onde o canadense
deixaria claro para Ohana todo o seu passado, mesmo
tendo que expor alguns assuntos um tanto delicados e importantes...
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A
semana seguinte passa sem grandes novidades. O ritmo continuava intenso e,
muitas vezes, Ohana lembrava de James e do quanto
gostaria que ele estivesse presente. Nada que a deixasse triste por mais de
algumas horas; todos percebiam esses momentos e respeitavam seu isolamento. A
parte mais interessante foi quando a ruiva conversou com Warren
a respeito do vestido. O mutante virou-se para ela e respondeu que nenhuma
amiga dele usaria um vestido comprado em boutique! Aquele era um dia especial e
requeria ações especiais. Dando um telefonema e falando em francês, combinou
com um renomado estilista da época para vir imediatamente a Westchester,
fazer o vestido de noiva sob medida, no modelo que Ohana
escolhesse. Ela não acreditou! Pediu para não fazer isso, insistiu sobre estar
muito feliz com o vestido da boutique, contudo, em seu interior, adorou a
idéia! Seria a primeira vez que teria a oportunidade de ter uma roupa como sua
imaginação mandava. E esta estava bastante fértil nesses dias!!
No
dia seguinte, Pierre estava na mansão, totalmente disponível para a ruiva.
Claro que o estilista jamais pensou estar numa casa recheada de mutantes.
Aqueles que tinham mutações muito explícitas, usavam
indutores de imagem, para poder caminhar livremente sem correr o risco de
assustar Pierre e pôr tudo a perder.
O
francês e a ruiva ficaram algumas horas estudando riscos e influências. Ao
final da tarde, chegaram a um consenso: o vestido seria branco, com uma
inspiração medieval, simples em seu talhe, porém, muito sensual. Ohana insistiu para que não tivesse alças e, desse modo,
fizeram um desenho para as luvas também. Essas seriam de renda francesa branca,
no dedo indicador e anelar de cada uma das mãos, não teria tecido algum, isso
facilitaria na hora de colocar a aliança e daria um ar bem descontraído ao
visual; o vestido teria uma cauda não muito exagerada. Para grinalda, a ruiva
não queria nada, mas o estilista insistiu, em seu inglês carregado, ser
necessário colocar algo para “fechar a moldura”, segundo ele. Depois de muito
discutirem, Ohana aceitou a idéia de uma tiara de
flores, pois combinava com toda a decoração e com o tema do casamento.
Tinha
ficado decidido, então: o estilista trabalharia com sua equipe por quatro dias,
consecutivos, a um preço exorbitante, que Warren já
tinha, inclusive, pago. A tiara seria feita por uma conhecida do francês,
moradora dos arredores e, quando tudo estivesse pronto, escolheriam o sapato
que melhor combinasse com a ocasião.
O
local da cerimônia já estava totalmente arrumado. Faltavam apenas decorações de
última hora. Tudo estava saindo exatamente como Ohana
tinha planejado! Pensando assim, faltando alguns dias para o casamento, a ruiva
entristeceu... Tudo estava do jeito que ELA queria! Mas não fazia idéia se Logan também estava querendo as coisas assim!! Num acesso de desespero pré-casamento, foi atrás dele,
encontrando-o em meio às motos, consertando uma delas:
[Ohana] Logan! Finalmente te encotrei! – fala, esbaforida.
[Wolvie] Que foi, ruiva? – larga a
chave de fenda no chão, todo preocupado – Problemas?!
[Ohana] Um problemão!
[Wolvie] Onde? – *snikt*
[Ohana] Calma! Não é nada que requeira suas garras,
querido... É um problemão aqui... – aponta para a
cabeça – na minha consciência, Logan...
Ele
recolhe as garras e chega mais perto dela:
[Wolvie] Bom... Eu preferia que fosse algum trabalho pras
minhas garras, mas, tô aqui, gata. No que eu posso te
ajudar?
[Ohana] O que você está achando do casamento, Logan? Da decoração, de tudo!...
Ele
surpreende-se com a pergunta. Esperava algo mais relacionado com os sentimentos
dela, alguma dúvida de última hora. Não uma questão sobre enfeites e
badulaques... Ele nunca foi bom nessas coisas, não ia ser agora que passaria a
ser. Coça a cabeça. Pára pra pensar em todas as coisas que viu durante essas
semanas:
[Wolvie] Olha, Ohana,
eu nunca fui bom com essas coisas. Por isso, deixei tudo sobre os seus
ombros... Pra mim, tá tudo ótimo! Mas eu só vou
gostar mesmo, quando estivermos nós dois no altar e nada mais em volta
importar. Aí, sim! Eu vou estar diante da coisa mais linda do casamento: você!
– e a beija na testa.
[Ohana] Ohhh! Que lindo! Sabe, eu estava preocupada por você não estar gostando de
alguma coisa, sei lá...
[Wolvie] E eu achei que era algo mais sério... Relaxa, ruiva! Tá tudo muito
melhor do que eu faria! – e sorri, limpando a mão de graxa com uma estopa
tirada do seu bolso.
[Ohana] Agora, você pode me explicar uma coisa: como é que
consegue ficar consertando motos às vésperas do seu casamento?!?
[Wolvie] Ué... Tô
só relaxando. – sorri de canto de boca – Ah! Tava pensando numa coisa: já que cê mora onde a gente vai casar, não vai ter aquele papo de
chegar atrasada, né?
[Ohana] Todos estão tentando me convencer de que eu tenho de
chegar atrasada... Mas eu esperei tanto por isso que não tenho intenção de
atrasar um segundo!
Os
dois riem e se beijam. As últimas semanas foram tão corridas que nem mesmo
tiveram muito tempo um com o outro. Quando iam deitar, estavam tão cansados que
adormeciam juntos. Até parece que estavam combinando de deixar o melhor para a
lua-de-mel.
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O
vestido finalmente fica pronto! Assim que o veste, Ohana
sente que diferença existe entre cetim e tecido sintético! Por ela, não tiraria
mais até o dia do casamento e, com certeza, não tiraria depois dele! Era muito
gostoso de usar! As luvas também tinham ficado magníficas! Pareciam feitas para
bonecas e não para ela! A tiara chegaria somente no dia, mas já havia sido enviada
uma foto de como ficaria. Seria feita com mini-rosas e flores silvestres, uma
graça! O buquê seria dado pelo casal Summers: uma
solitária orquídea, com um arranjo de folhas. Tudo amarrado com cipózinhos, num arranjo bem simples, mas muito bonito!
Assim
que a viram de noiva – Ororo, Jean, Jubi, Moira e Kitty – foram
unânimes: Ela estava linda! O tom brilhoso do cetim realçava ainda mais o verde
de seus olhos e o vermelho de seu cabelo. O sapato escolhido para completar o
conjunto foi bem simples, uma sandália sem salto, já que Ohana
fez questão de não ficar mais alta do que Logan. Ela
nunca tinha usado um salto, não ia ser no casamento que o faria. As outras não
concordaram, disseram que ele ia adorar, mas ela foi inflexível em sua decisão.
Acabaram
escolhendo uma sandália feita de tirinhas, como se quisesse fazer par com o
buquê. O ar que ela tinha como noiva era o mais simples possível, sem grandes
pompas, apenas pela extravagância de Warren a ruiva
tinha ficado com um vestido tão caro! O restante era de bom gosto e de um preço
aceitável, para um casamento.
Mas
a simplicidade da noiva acabou sendo um martírio para a madrinha! Qualquer
vestido que usasse apareceria mais do que a noiva e isso não era
possível!... O mesmo estilista desenhou os vestidos das madrinhas, pois Ohana não poderia escolher apenas entre uma! Tinha que ser Ororo e Jean! Jubilee não foi
escolhida por ter saído há alguns anos atrás, para ajudar a organizar mais um
Instituto, fora dos EUA, com isso, perderam o contato. Quem estava sempre ao
lado da noiva era a africana e a outra ruiva.
[Ororo] Você chegou a ver a previsão do tempo, Ohana? Ao que parece, não vou ter que mexer tanto assim com
a mãe natureza!
[Ohana] Mesmo? Mas que ótimo! – sorri, aliviada. Não queria
a madrinha voando por aí para que não chovesse nos convidados...
[Ororo] Eu não pensei que fosse viver pra ver esse
casamento, Ohana. Você realmente conquistou Logan! E isso é um prodígio! – comenta, ajudando-a a tirar
o vestido.
[Jean] É
verdade, Ororo. Espero que vocês possam ser tão ou
mais felizes do que eu e o Scott! – sorri, desejando com sinceridade e dobrando
o vestido telecineticamente.
[Ohana] Aiai! Como eu sinto
saudades da minha telecinesia... Ver você fazendo
isso me dá um aperto no coração, Jean!
A
ruiva pára na hora, jogando o vestido meio dobrado sobre a cama:
[Jean] Oh! Desculpe, amiga. Foi sem intenção... – colocando a mão na
boca e arregalando os olhos.
[Ohana] Não! Não tem o que desculpar! Eu não devia ter
falado nada... Mas é que eu sinto tanta falta. Nunca tinha me dado conta de
como a usava, até perdê-la!
[Ororo] É... Não sei o que faria sem meus poderes. Como você
disse, todas nós fazemos uso deles constantemente, sem nos darmos conta.
[Ohana] Até na... – ela enrubesce.
[Jean] O
que foi? – sorri.
Ohana olha o chão e comenta, baixinho:
[Ohana] Eu não sabia que o Logan
era tão pesado!
[Ororo] Pela Deusa!
Todas
riem, enquanto Ohana senta na cama. Passam o dia
assim, comentando assuntos frívolos. Kitty, Jubi e Moira saíram para verificar se faltava alguma coisa
para o grande dia.
No
final da tarde Logan passa pelo quarto e pergunta se
podia “roubar a ruiva um pouco”; as duas amigas saem, dando os parabéns pelo
dia seguinte.
Logan senta do lado de Ohana e segura a
mão direita dela, tinha um olhar diferente, como alguém que pretende fazer uma
confissão, mas não sabe por onde começar. A ruiva não sabe se inicia um diálogo
ou o deixa falar, não importando quanto tempo isso levasse...
[Wolvie] Eu tenho umas coisas pra te falar, mas não sei se
esse é o momento certo... Na verdade, eu nem sei se elas deviam ser ditas, ruiva...
Ela
passa a mão no rosto dele, sente os pêlos tão sedosos em sua mão, sorri:
[Ohana] Se você tem dúvida, acho que não devia falar, querido... A dúvida leva a gente a se arrepender, depois
que falou. Mas eu vou estar sempre aqui pra ouvir, quando você achar que está
pronto pra falar. Eu já disse uma vez e torno a repetir: você não vai se ver
livre de mim tão cedo, Logan. – tira a mão do rosto
dele e dá um suspiro de alívio – Finalmente chegou o dia. Acho que eu ficaria
louca se tivesse mais uma semana!...
[Wolvie] Eu também tô feliz que
tenha chegado. A gente vai poder descansar depois disso... – não tocou mais no
assunto. Não estava mesmo preparado para falar de Mariko,
Amiko e Yukio.
Será
que seria melhor apresentar as três lá no Japão? O canadense não sabia o que
fazer! Passando a mão pelo lábio dela, pelo pescoço, ele acaba se esquecendo
para quê foi lá e os dois ficam se beijando, sem ter vontade de ir mais além...
A noite chega e encontra os dois deitados na cama, abraçados, trocando
carinhos. Kitty e Jubilee
entram esbaforidas no quarto, atravessando a porta, ambas desmaterializadas
pelo poder de Kitty:
[Jubi] Adivinhem quem chegou??! – com um sorriso gigante no
rosto.
Os
dois levantam de supetão e Logan as encara e brada:
[Wolvie] Mas que diabo é isso?! Cês
duas não têm mais educação, não?!
Kitty fica roxa! Esqueceu completamente de bater na porta, vieram
atravessando todas as paredes para chegarem mais rápido e esqueceram do
“pequeno” detalhe: Logan!
[Jubi] Hii! Relaxa,
Wolvie! Vocês não estavam fazendo nada, então, tá tudo certo! – diz, debochada,
subindo e descendo a mão.
[Wolvie] E se a gente tivesse? Qual ia ser tua desculpa,
guria? – pergunta, encarando-a e sentando mais
na ponta da cama.
[Kitty] Desculpe, Logan! Mas eles chegaram antes do combinado!! Estou tão feliz! – e esfregava as duas mãos, dando
pulinhos nervosos.
[Jubi] Ela é lindaaaa! Vocês dois
têm que ver!
[Wolvie] Quem é linda, Jubi?! –
levanta um pouco a cabeça, farejando bem fundo, depois de alguns segundos,
esboça um sorriso
[Jubi] Hum... Agora está
interessado, né? Mas acho que não preciso responder,
pela sua cara! – sorri.
[Ohana] Quem é que chegou, Logan? – questiona, sentando bem na ponta da cama, com os
pés no chão.
[Wolvie] É o casal LeBeau.
Remy e Vampira! Além da
Clarisse*
[Kitty e Jubi] Ela é LINDA!
O
canadense faz uma cara de enfado e suspira, sacudindo a cabeça. Mas será
possível que elas só sabiam falar isso?!
[Wolvie] Bom, vamos descer pra dar boas-vindas ao casal
francês... – um tanto contrariado.
[Ohana] Mas que voz é essa, amor? Não queria vê-los?
[Jubi] Hehe, ele tá é com ciúme do cajun! – e se
desvencilha de um tapa, segurando na mão de Kitty e sumindo, ambas, para a sala de baixo, atravessando
o chão.
[Ohana] Cajun?... – não entendendo
nada e não sabendo se era saudável entender...
[Wolvie] É um dos apelidos do Remy,
pode também ser Gambit. Sabe o que é... – e não fala
nada, esperando que a ruiva dissesse algo.
[Ohana] Não... Mas dá pra imaginar. Agora, por que você
teria ciúme de alguém, Logan?
[Wolvie] É que esse não é “qualquer” alguém, Ohana. É um alguém que sabe o que falar pra uma mulher.
[Ohana] Ótimo! A mulher dele deve gostar muito. Pra mim, eu
fico feliz com o que você me diz, do jeito que me diz! Não importa pra mim o
que ele fale! – sorri, tentando passar alguma certeza ao noivo.
[Wolvie] Ah! Ruiva... Se ele te cantar, eu quebro a cara dele! – e fecha o rosto, fechando o punho de
uma das mãos.
Ohana não responde nada, apenas segue resoluta para a porta,
achando que Logan não confiava nela. Iria
recepcioná-los, com ou sem ele!
Depois
de alguns segundos, ele a segue; descendo os degraus como quem vai para uma
execução. Todo esse clima ruim desaparece quando uma menina com seus sete anos aparece na parte de baixo da escada, um sorriso sincero nos
lábios:
[Clarisse]
Você é mais linda do que eu pensava! – comenta para Ohana,
com um sotaque afrancesado.
Uma
coisa que todos descobririam acerca de Clarisse LeBeau é que ela sempre via o lado bom das coisas!
Sempre! Muitas vezes, isso incomodava os pais, especialmente se estavam no meio
de uma briga e ela vinha com “amo vocês, não briguem!” ou “estão brigando por
outra mulher? Eu não a vejo aqui, por isso, não briguem!”, contudo,
estranhamente, eles paravam de brigar, mesmo ficando um pouco ressentidos. Mas
a maioria do tempo, ela era o alento de Vampira; a
felicidade de Remy! E, com isso, eles estavam parando
de brigar por bobagens. Mas as “olhadas de rabo” de Gambit
nunca deixavam Vampira feliz. Eles sempre brigavam
por isso...
[Clarisse]
E você não parece em nada com o que meu pai disse! Ele é um mentiroso! – grita,
subindo as escadas.
Assim
que chega perto dos dois, abraça as pernas de Logan,
olha-o nos olhos e sorri, faz o mesmo com Ohana e
pede para ela abaixar com as mãozinhas:
[Clarisse]
Nossa! Seu cabelo parece fogo! O da Jean não é tão vermelho assim... – e a
beija na bochecha, sorrindo marota e descendo a escada correndo, enquanto gritava para os outros que eles estavam vindo.
Enquanto
continuam a descer, Logan consegue ouvir a voz de Gambit, explicando que o vôo tinha adiantado,
coisa que nunca tinha acontecido antes. Depois, ouve a voz inconfundível de Vampira, dizendo que foi ótimo, porque assim não tiveram que
ficar esperando na ponte aérea. Estavam com a voz cansada, mas felizes.
Ohana comentava o quanto a filha deles
era linda! Realmente, Kitty e Jubi
estavam certos! Logan concorda, acenando com a cabeça
e achando estranho ele também ter a mesma opinião. Na mente dele, nunca tinha
visto uma menina tão linda assim antes! Nunca. O fato de ela ter conversado com
ele, o tom de sua voz, tinha deixado o canadense bem mais tranqüilo, receptivo.
Seu semblante, antes carregado, estava límpido e passivo.
Dobram
a porta de correr que separava o saguão de entrada da sala de visitas e
encontram todos lá, sorrindo, cumprimentando, fazendo perguntas ao casal recém
chegado. Gambit foi quem primeiro os viu, estava de
frente para a porta, ao contrário de Vampira:
[Remy] Mon ami!
– fala alto, abrindo os braços e indo na direção de Logan.
[Wolvie] Sai pra lá, Gambit! Desde
quando tu abraça barbado?! – colocando o braço na
frente.
Ele
nada responde, apenas muda a trajetória para Ohana e
dá um efusivo abraço nela. Enquanto ia à direção dela, comentava:
[Remy] Não vai poder reclamar de eu ter abraçado sua noiva, non? Praticamente me empurrou para os braços dela, Logan! – sorri para a ruiva e dá uma piscada.
Ohana não sabe o que fazer!! Olha para Logan, totalmente desconfortável com toda a situação. E
totalmente fascinada pelos olhos preto e vermelho e pelo charme mais do que
francês do cajun. Não sabia o que, mas tinha algo
nele que seduzia...
Tentando
descomplicar tudo, a ruiva entra no jogo, o abraça,
beija, sorri e tenta fazer um esforço mental monstruoso para não cair na
ladainha dele! Tanto, que sua cabeça começa a latejar sem dó. Ela coloca a mão
na testa, franze o cenho. Nunca tinha sentido uma dor como aquela antes...
Logan percebe que ela não está bem, mas não tem tempo
de perguntar pois Vampira lhe dá um beijo e um
abraço, comentando:
[Vampira] Pelo jeito já conheceu minha filhinha, né, gatinho? – apontando a garota que estava abraçada a uma
das pernas dela.
[Wolvie] Já, Vampira! E posso
dizer que ela é tão linda quanto tu! Além do mais, é simpática, coisa que
nenhum dos dois é! – e solta uma estridente gargalhada.
Vampira faz pouco caso, comenta que aquilo era só por
ele não saber demonstrar toda a saudade que sentia dos dois, tudo num clima
muito descontraído. Novamente Remy volta,
dessa vez, com a mão estendida para um cumprimento formal:
[Remy] Logan, você tirou na sorte
grande, homme! – e sacode a mão do amigo – Ela é beau, mon ami...
– mudando a voz para algo bem mais sexy e encarando a ruiva.
[Vampira] Sr. LeBeau!
Se não parar com essas cantadas baratas, a gente vai embora, hein??! – com cara
de brava – Todo lugar é a mesma coisa, Gambit?... Pôxa!
[Remy] Mon amour,
você sabe que Remy só tem olhos para você, vem cá...
– e a pega pela cintura, dando-lhe um beijo de desentupir pia.
Todos
ficam olhando, a maioria já estava acostumado, afinal, foram
anos juntos, muitas vezes vendo os dois sofrerem com a distância que era muito
mais recompensador vê-los juntos, aos beijos. Mas para os novatos, aquilo era
demais! August não sabia onde colocar a cara, a maior parte dele queria ver,
mas outra tinha vergonha de que Jubi o visse olhando.
Quando olha para ela, não acredita: Jubi está
olhando, descaradamente e toda feliz!! Era esse o sentimento que suscitava ver Remy e Vampira juntos, em todos
os que sabiam da “desgraça” que foi o poder dela, no início.
[Vampira] Gatinho! Não exagera, senão vou pensar que você
está querendo alguma coisa... – e sorri, passando a mão no rosto dele.
[Wolvie] Mas que ótimo ver vocês, ainda mais felizes assim!
Isso merece um brinde! – e enquanto fala, vai indo para a direção da cozinha. Gian vai atrás para ajudá-lo.
[Remy] Logan nunca perde a
oportunidade de beber, non?... – e ri, fazendo todos
rirem.
Da
cozinha, ouve-se a voz do canadense abafada:
[Wolvie] Eu ouvi isso, cajun!...
Isso
faz os outros rirem mais ainda!
A
noite passa tranqüila, Logan levou apenas algumas
cervejas e, com isso, ninguém exagerou, guardando o melhor para o dia seguinte.
Jean
e Ororo já tinham avisado aos dois para não dormirem
juntos, pois cedinho, as duas estariam no quarto de Ohana
dando início o “dia da noiva”. Do mesmo jeito, Warren
e Gambit tinham combinado de levar Logan para uma despedida de solteiro naquela mesma noite e
prometido que chegariam durante a madrugada. Logan
deu sua palavra a Ohana de que não se atrasaria.
A
ruiva não gostou muito de uma despedida de solteiro, ainda mais com o charme de
Gambit ao qual a ruiva estava resistindo com força
hercúlea e uma forte dor de cabeça! Sempre que a sentia, ele estava olhando
para ela e Ohana pôde perceber que indo direção dele,
a dor passava! Isso só podia ser um dos fatores mutantes dele!
“Mas
que maldição ser mulher perto de um homem desses!”, pensava, olhando fixamente
para Logan na tentativa de esquecer todo esse
estranho evento...
E
assim a noite passa, com alguns se divertindo mais do que os outros enquanto a
maioria dormia sossegada nos confortáveis quartos da mansão. Claro que Ohana não conseguiu dormir muito; pensava toda hora no que
estaria fazendo Logan e aqueles “amigos” dele. O que
estariam aprontando? Só descansou um pouco mais quando ouviu o barulho deles
entrando. Aliás, ela foi a única a dormir, pois Gambit e Warren estavam bêbados e
faziam muito barulho! Logan não dizia nada, estava
cansado de tentar fazê-los calar a boca. Ficava em silêncio e subiu logo em
seguida, deixando os dois ali, até que ouve a voz de Vampira
chamando Remy para dormir. Como não tinha mais nenhum
parceiro de farra, Warren também resolveu dormir. Não
tinha graça aprontar sem ninguém para ver ou rir... Coisa de bêbado...
Antes
de ir para seu quarto, Logan passou pelo de Ohana e o abriu silenciosamente. Ela dormia, até ressonava
e, com isso, ele não entrou, apenas ficou olhando-a da porta, sentindo o cheiro
dela: tão reconfortante e doce. Tão diferente da espelunca que os dois o tinham
levado... Fecha a porta e vai deitar-se, respirando e suspirando longamente na
cama. “Ela é estranha sem a Ohana do lado”, pensa,
enquanto seus olhos começam a fecharem sozinhos.
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Logo
cedo, mesmo com a bagunça da madrugada anterior, como prometido, lá estavam
Jean e Ororo, com vários cremes e loções na mão,
toalhas, esmaltes, cosméticos, prendedores de cabelo, escovas e tudo o mais
necessário para que a noiva brilhasse!
O
casamento seria às 4 p.m. e todos os últimos toques
estavam sendo dados no imenso gramado onde seria feita a celebração.
Entregadores não paravam de bater na porta da mansão, alguns para entregar
presentes de pessoas que não poderiam estar presentes, outros entregando
bebidas, guardanapos e afins. Toda a prataria da casa seria novamente
utilizada, assim como havia sido no casamento de Vampira
e Remy e, antes deles, de Jean e Scott. Charles não
queria poupar nada, pois em seu interior temia ser essa a última união da qual
participaria. Ao menos, tão ativamente.
Ohana estava ficando tão relaxada que tinha medo de não querer
mais sair daquela banheira! Era um banho mais gostoso do que o outro! Leite,
rosas, chá de ervas, tudo regado com óleos e perfumes de deixar qualquer um com
água na boca!!
Do
outro lado da mansão, vários homens davam palpites de como Logan
devia estar, de como devia se pentear, se vestir, andar. Na verdade, o
canadense não estava mais agüentando, estava prestes a explodir e, somente se
controlava quando lembrava de Ohana e do quanto esse
dia era importante para ela. Claro! Era para ele também, mas não com a mesma
intensidade.
Com
a quantidade de pessoas que estava na mansão e as que ainda foram chegando
durante o dia, não faltou mão para ajudar e fazer com que tudo ficasse
perfeito!
O
caminho que a noiva deveria percorrer até o altar estava com um tapete branco.
O altar estava todo enfeitado com flores e sempre tinha alguém que lembrava de
algo para acrescentar ou retirar.
Enquanto
isso:
[Remy] Quer dizer, mon ami, que Ororo fez um arc’em ciel para vocês, non? – e fez um
gestual com a mão explicando que era um arco íris – No meu casamento ela não
ficou tão feliz assim...
[Warren] Aposto como está pensando que ela ficou triste,
pois estava apaixonada por você, não é? – e ri, fazendo Logan
rir também.
[Remy] Porquoi no?... – e faz cara
de quem não está entendendo a impossibilidade do fato.
[Wolvie] Cê não muda mesmo, hein, cajun?!
[Remy] Eu posso não ter mudado, mas você, Logan! Onde foi que arrumou uma mulher tão linda assim, ami? Aliás, ela tem uma semelhança incrível com a Jean... – comenta, já colocando a mão no bolso caso
necessitasse de alguma carta energizada.
Mas
o canadense nem responde. Na verdade, fica quieto e, depois de algum tempo,
diz:
[Wolvie] Eu não acho que ela parece a Jean, Remy... Sou gamado nela justamente por ela ser tão
diferente. Uma cor de cabelo e de olhos não a faz parecida com a Jean. E eu tenho sorte mesmo de ter encontrado ela... –
coloca o fraque e vira-se para eles.
A
cara de espanto de Warren e Remy
é evidente, já Kurt, que havia ficado quieto todo
esse tempo, resolve falar:
[Kurt] Mein freund,
jamais te vi tão controlado e calmo assim! O Wolverine
que conheço teria arrumado uma boa briga com Gambit
pelas palavras atrevidas dele! – e lança um olhar de reprovação para o amigo.
[Wolvie] Hoje não tem Wolverine
nenhum aqui, Noturno. Só o Logan que vai se casar. Eu
amo a guria como nunca pensei ser possível amar alguém antes... – fala a última
frase em tom baixo, mas audível.
Kurt sorri, Warren
também e Remy tem uma ponta de ciúmes por nada,
afinal, estava casado com uma das X-Men mais bonitas!
Muitas vezes, a mutação do cajun afetava a ele
também, que não fazia nenhum esforço para controlá-la...
[Remy] Mes amis,
o que vocês acham de mudar um pouco a aparência do noivo, hein? Como bom
francês, eu tenho sangue de cabeleireiro nas veias! – e vai até uma das
gavetas, pegar uma tesoura.
[Wolvie] Cara, tu nem francês é! E todo cabeleireiro é
frutinha, coisa que você também não é, então: NADA DE
ENCOSTAR NO MEU CABELO!!! - *snikt*
[Warren] Não concordo com o modo, mas sim, com o que ele
disse: bem que você podia cortar o cabelo, não? Ia dar uma boa impressão... Ao
menos por alguns minutos! – vai sorridente, tirar a tesoura das mãos de Gambit.
E
assim a manhã passa, o início da tarde chega e a vontade dos noivos em se
encontrarem vai crescendo... Todos tiveram de se esforçar para que não dessem
cabo dessa vontade e estragassem a surpresa!
Os
padrinhos já estavam prontos: Warren e Scott. As
madrinhas estavam preparadas também: Jean e Ororo. De
última hora, decidiram deixar Clarisse como daminha de honra e foi muito bom Vampira ter trazido alguns vestidinhos floridos na bagagem.
A menina era linda, nada que se colocasse poderia fazer ficar melhor.
Assim
que termina de se vestir, Ohana senta na frente da
grande penteadeira em madeira antiga. O quarto dela era um dos poucos que ainda
mantinham os móveis da primeira decoração da mansão. Ela sentia-se perdida no
tempo, sempre que entrava nele. O reflexo que vê não lembra em nada a
assustadiça mulher de alguns anos atrás, Ohana tinha
adquirido um brilho mais intenso no olhar quanto mais intensa
era sua felicidade em ter podido conhecer aquelas pessoas e aprender a amá-las,
mesmo com suas diferenças tão gritantes! Um leve suspiro é ouvido e, assim que
volta a mirar o espelho, Ororo está ao lado dela:
[Ororo] Está linda, criança! Só falta arrumarmos seu cabelo.
A tiara acabou de chegar, junto com o buquê! – e estende duas caixinhas de
papel branco na direção dela, apoiando-as na penteadeira.
Ohana sorri do modo como Ororo a chama.
Não importa quantos anos tivesse, ela sempre seria chamada de “criança” pela
amiga e, em qualquer lugar que estivesse, se ouvisse a voz sonora e cantada da
africana a reconheceria, mesmo sem ser capaz de vê-la. Ororo
tinha um duplo orgulho: em ser africana e mutante, isso a fazia ter uma pose
que nenhuma outra X-Girl tinha; mas seu jeito simples,
de quem entende as pessoas, nunca a fez ser debochada ou sentir-se mais capaz
do que qualquer outro mutante. Mesmo tendo uma mutação única e extremamente
cobiçada, isso jamais a afetou, pois, se tinha orgulhos, sabia muito bem como
fazê-los reverter em meiguice e sabedoria, nunca em soberba.
A
ruiva mira a amiga por alguns segundos, volta-se para as caixas e abre a
superior, um pouco menor e mais baixa. Nela estava a
tiara de mini-rosas amarelas e rosa-claro, era linda! Contudo, algumas rosinhas
haviam caído no transporte e, assim que as vê, Ororo
tem uma idéia:
[Ororo] Ohana! O que me diz de
colocarmos essas rosinhas que caíram no seu cabelo? Eu tenho uma cola especial
para isso, o que acha? – e sorri abertamente, deixando claro
ser uma ótima idéia.
[Ohana] Deixo minhas madeixas – e sorri – aos seus cuidados,
o que me diz? – e vira-se, segurando a mão da amiga.
Ororo fica muito feliz e começa então a secar o cabelo dela e
fazer alguns cachos, juntando em partes aleatórias algumas rosinhas. Por fim,
coloca a tiara e deixa a maquiagem por conta da Jean. Como não estava habituada a usar muita maquiagem, não se podia decidir fazer
isso agora... Então, Jean somente passou um batom quase no tom do lábio,
fazendo uma maquiagem um pouco mais “agressiva” nos olhos, sem exageros. Ao
final, a telepata estava orgulhosa do seu trabalho:
[Jean]
Modéstia à parte, ficou ótimo! O que você acha, Ororo? – pedindo para Ohana virar.
[Ororo] Está perfeito! – e bate palmas.
Ohana sorri, concordava em número e grau com elas. Estava mais
bonita do que sempre, já que nunca se achou feia e nem era desleixada.
*corrigido
e rediagramado em 25/07/2006 – 15h35min*