PREPARAÇÕES
E DECISÕES
Assim
que a energia foi restabelecida a tecnologia S’hiar
garantiu a pronta recuperação daqueles que antes estavam entre a vida e a
morte.
Fera
teve todo o seu organismo vasculhado por microscópicas sondas embutidas de
potentes chips capazes de avaliar todos os dados fisiológicos, possíveis e
inimagináveis para a nossa pobre medicina. Em algumas horas, um diagnóstico
preciso foi feito e os remédios certos começaram a ser ministrados, fazendo-o
sentir-se apto para levantar no dia seguinte. Claro que seu físico demoraria
alguns meses para se recuperar! Mas sua mente estava sã e essa era a coisa mais
importante!
Bobby teve que levar inúmeros pontos por todo o corpo, porém, com
a tecnologia usada, ele não precisaria ficar semanas com eles
e, muito menos ficaria com alguma cicatriz.
Ororo teve um osso da face quebrado; várias escoriações e foi
proibida de voar por duas semanas. Porém, também teve um ótimo diagnóstico e
sentia-se como nova pela manhã.
Era
importante que todos estivessem bem e, por isso mesmo, Jean resolveu passar
todos por um “scanner medicinal”; uma espécie de máquina capaz de prever as mais leves distonias
biológicas; até mesmo Wolverine. Ela queria ter
certeza de que o episódio da “fera” não se repetiria, pelo menos por um bom
tempo. Todos estavam muito bem! Scoth tinha algumas
luxações na perna, ao que também foi tratado.
Todos
subiram para seus quartos e, como que se houvesse caído uma cortina de “pó de
sono”, todos dormiram! Acordaram descansados e prontos para a mais difícil
missão. A missão que todos odiavam fazer: enterrar os mortos...
Não
pode existir nada mais triste no mundo do que os pais enterrarem os filhos...
Isso devia ser proibido! É impensável um pai durar mais do que seu filho... É
impensável... Se você não for um mutante!
Para
esses seres tão incomuns, essa cena impensável é tristemente comum... Alguns
nascem com dons tão extremos que morrem algum tempo depois; outros representam um
perigo para si mesmo e para quem o cerca... Alguns nascem com seus dias
contados, enquanto outros cansarão de contar os dias e não morrerão. Para seres
assim, a esperança tem que existir em cada amanhã, como a certeza de que o sol
surgirá, mesmo que seja por entre as nuvens.
Foi
com esse pensamento que a Mansão para Jovens Super Dotados, localizada em Westchester, Nova Iorque, acordou com os primeiros raios do
sol.
Na
colina, atrás da mansão, ao lado das campas de Elisabeth “Betsy”
Braddock e Eric “Magnus” Lehnsherr mais uma lápide foi colocada: James Logan. A parte dos dizeres estava em branco e seria
posteriormente escrita, assim que eles resolvessem algumas questões
pendentes...
[Fera] Meus
caros amigos, em mais esta manhã onde o sol nasce e ilumina nossas mentes e
espíritos, cá estamos nós, reunidos para prestar nossas homenagens a este que
de tão pouco esteve entre nós, tanto mais nos influenciou e nos marcou.
Suas
últimas palavras esclarecem e deixam claro que seu desejo era ser celebrado e
não lamentado neste dia, ao que todos sabíamos,
chegaria.
Certa vez,
numa de nossas tardes na biblioteca, ele me disse ser alguém consciente de sua adinamia e demonstrou sua desventura ao pensar sobre como
sua partida deixaria todos tristes... Lembro-me de haver pedido que não
pensasse em tal assunto, que deixasse as coisas de Deus aos cuidados de seus
anjos, ao que ele me respondeu: “Todos vocês são meus anjos! Por isso não quero
partir....”
Diante de
tais argumentos, senti-me incapaz e medíocre, já que nem diante de minha
ciência poderia dar-lhe um minuto sequer, a mais.
Por isso,
meus amados, eu os convoco hoje para que brindemos a
passagem de tão iluminada alma entre nós e não nos esqueçamos de que se
demonstrarmos fraquezas; já que isso é inerente ao ser humano; e cairmos,
devemos prontamente nos levantar e prosseguir, uma vez que se não temos valor
diante de nós mesmos, perante os outros, podemos ser anjos...
Dizendo
isso ele retira-se do proscênio onde estava e
senta-se ao lado de Jean. Esta se levanta e fala:
[Jean]
Belas palavras, meu amigo... – e, dirigindo-se a todos: Vamos ficar algum tempo
em silêncio, cada um rezando da forma como desejar.
Logan cutuca Ohana e comenta baixinho:
[Wolvie] Olha, ruiva... E-eu não sou de rezar. Acho melhor eu sair, não quero
atrapalhar ou fazer bobagem.
[Ohana] Por favor, Logan! Não
saia! Olha, se você se sente incomodado, não precisa rezar. Eu sei que você
nunca teve ninguém, mas agora não está mais sozinho e eu preciso de você aqui comigo, pra me dar forças pra agüentar.
Ele
segura na mão dela e não consegue entender nem metade dos sentimentos estranhos
que lhe passam pela cabeça. Era uma reviravolta de sensações; todas boas, mas
que faziam o canadense querem sair correndo delas! Ele nunca havia se sentido
tão feliz no mundo! Ela tinha dito a verdade: ele não estava mais sozinho! Isso,
junto com o que tinha ouvido de seu filho e da boca da própria Betsy deu-lhe
uma estranha paz interior, e isso o incomodava... Ele não devia estar triste
porque tinha acabado de perder o filho?! Não devia estar em prantos e louco, voltando
a soltar a fera pela maldita Vida ter tirado seu bem mais precioso??
Ao
contrário disso, ele tinha vontade de sorrir, de subir ao palco e indagar a todos o porquê de tanta tristeza! Ele garantiu que estarão
todos juntos, em algum momento e, por isso, ele jamais sentiria tristeza ao
lembrar-se do filho. Com certeza, sentiria saudades de tê-lo ao seu lado, mas
não derramaria uma lágrima! Pois ela seria a incerteza de tudo que seu filho
disse e ele viu naquela noite...
Afagando
as mãos de Ohana, ele sorri de uma forma inédita para
ela, deixando-a um pouco preocupada, mas feliz.
A
ruiva, por sua vez, estava decidida a fazer os culpados pagarem! Ela sabia que
se não fosse pelo ataque de Metabolisis, seu filho
poderia ter vivido um pouco mais.
Por
trás da pretensa tranqüilidade, uma multidão de pensamentos raivosos surgia endereçados a apenas um alvo: Metabolisis!
Eles
passam todo o funeral assim, de mãos dadas; Wolverine
com uma estranha calma em seu rosto e Ohana com um
falso sorriso nos lábios. Após mais meia hora de homenagens, o féretro foi
colocado sob a terra, selado pela telecinesia de Jean
e Ohana.
Hank e o Professor trouxeram flores e depositaram sobre a terra
úmida.
[Professor
X] Bem, meus queridos... Agora que esta etapa se completou, vamos nos preparar
para o contra-ataque.
[Wolvie] É assim que se fala, Charlie!
[Scott]
Bem, Professor, se me permite, gostaria de organizar as equipes. Nós vamos dar
o troco por tudo o que nos fizeram!
[Professor
X] Eu permito que organize os grupos, mas não permito que vá para essa
empreitada com o sentimento de vingança! Devemos fazer isso pelos mesmos
princípios que sempre fizemos: a convivência pacífica entre humanos e mutantes,
filho! Sempre que deixamos algum sentimento menos nobre nos comandar,
falhamos... E estaremos há milhas de distância da Terra, num lugar onde não
podemos falhar...
[Ohana] Milhas da Terra...? O que quer dizer com isso,
Professor?
[Jean]
Conseguimos entrar na mente do mutante alado pego em combate... A base deles é
na Lua, Ohana!
[Wolvie] Caraca! Quer dizer que
além de louco é covarde, também?
[Professor
X] Meça suas palavras, Logan....
[Wolvie] Meço o cacete! Eu nunca medi, Charlie!! Por que ia começar
a fazer agora? Além do que, eu tô errado?! O cara
manda os cupinchas dele massacrarem
a gente e fica na Lua?! Eu perdi meu filho, Charlie...
Talvez o único que vá ter! E você me pede pra ser condescendente? Desculpa! Mas
não dá!
Dizendo
isso, ele sai bufando da capela em direção à Mansão. Parecia que estava
decidido a levar a missão toda nas costas, só pra ter o gosto de matar o
calhorda que matou seu filho!
É...
Ele estava de volta, completo e sem problemas! Fazia tempo que não agia com
essa intempestividade! Com essa agressividade controlada; com essa força!
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Nem
bem Scoth termina de dizer o que cada um fará e como
traçarão um plano, Logan aparece na porta da mansão,
vestido com um antigo uniforme, um dos primeiros que ele usou. Caminha a passos
largos onde todos estão.
[Wolvie] E aí, engomadinho, qual é
sei plano?
[Jean]
Espero que não esteja se referindo ao Scoth, Logan?... – ela levanta uma sobrancelha.
[Wolvie] Cê sabe que eu tô, Jean! Não sei quanto a vocês, mas eu quero trazer esse
cara pra Terra e fazer ele provar o gosto do seu
próprio sangue! GGrrrrr!
[Fera] É
assim que se fala, meu amigo! Mas eu não creio ser
essa a melhor maneira. Enquanto você se trocava nós discutíamos que um ataque
não tão frontal seria mais apropriado e*
[Wolvie] O QUÊ?! Cês vão querer
que o cara pense que a gente tá mesmo morto e venha
por livre vontade? Olha, eu não vou esperar, não....
[Ohana] Querido! O que é isso? Eu entendo sua raiva, tenha a
certeza que compartilho dela. Mas se não fizermos tudo de acordo, poderemos
morrer lá! Todos nós! E de que adiantaria, nesse caso, o sacrifício do nosso
filho?!
A
voz da companheira, tão carregada de angústia e verdade calou fundo no coração
de Logan. Jean aproveitou o momento e incitou um leve
pensamento de calma no canadense, para que ele não “explodisse” de tanta
vontade de justiça!
Colocando
a mão na cabeça, retirando o capuz e permanecendo com o rosto baixo, ele
comenta:
[Wolvie] Cê tá
certa, guria... É... Desculpa aí, Caolho! Eu acabei me empolgando e*
[Scoth] Está tudo bem, Logan! Eu
quero ver essa vontade na hora da luta! Porque, como eu estava dizendo a eles –
e você pensou errado -, nós não podemos ficar de braços cruzados! Temos a nosso
favor o pensamento dele de que morremos e, com isso, nós podemos jogar! Jean
conseguiu mostrar a exata localização deles na superfície da Lua. Vamos para
dentro, temos muito que discutir antes de agir. – e colocando a mão no ombro de
Logan, o líder dos X-Men
completa – E nós vamos agir, meu amigo!
*corrigido
e rediagramado em 22/07/2006 – 21h58min*