OS DIAS PASSAM, MAS O LABMED CONTINUA O MESMO

 

Logo após sua “captura”, Logan é colocado numa espécie de jaula, para seu próprio bem. Nela, toda sua atividade física e cerebral é captada e enviada para os supercomputadores do laboratório. Nos primeiros dias, todos concordaram que seria melhor ele ficar por si mesmo, para que pudesse de alguma forma, lutar contra aquilo e tentar se recuperar.

Esses dias pareceram uma eternidade para Ohana e James! Especialmente para James que, ao que foi constatado, tinha o metabolismo extremamente acelerado. Ele surpreendia a todos, a cada dia. Pois, assim como seu corpo crescia, o mesmo acontecia com sua inteligência e suas aptidões físicas.

Como não podia deixar de ser, Hank ficou simplesmente apaixonado pelo garoto, pois este tinha uma especial predileção por Sheakspeare. Todas as tardes, depois dos estafantes treinos na sala de perigo, alguns deles se reuniam na sala de jogos para ouvir o garoto – agora com corpo de adolescente – recitar algumas obras literárias.

Enquanto todos estavam ali, atentos demais aos talentos natos de seu filho, Ohana ia até o observatório do Labmed, uma grande cúpula sobre o lugar onde Logan estava, toda em vidro fumê e à prova de odores e sons. De lá, ela podia vê-lo em segurança, sem correr o risco de atrapalhar o processo de cura.

Numa dessas tardes Ohana percebeu que ele estava um pouco mais calmo. Não mais queria fugir e nem mais gritava impropérios. Entrando em contato telepático com Jean, ela explicou o que via e, em alguns minutos, Jean chegou para ver se era mesmo verdade. Dando uma rápida olhada nas leituras ela confirma com a cabeça, mas adverte:

 

[Jean] Cuidado, Ohana! Isso pode ser um golpe, um grande golpe de mestre para tentar escapar. As leituras ainda não indicam uma mínima proximidade aos padrões anteriores que Logan tinha... Ainda estamos diante da fera e não do homem. Cuidado...

 

[Ohana] Será que ele conseguiria fazer isso? Fingir pra se libertar? Quero dizer... Ele... – confusa.

 

[Jean] Ele é mais esperto do que você imagina, Ohana. – fazendo cara de desapontamento - Eu já tive a infelicidade de vê-lo assim e receito cautela.

 

A ruiva toca de leve no ombro da amiga e envia um olhar de boa sorte.

Nem bem a porta começa a abrir, Wolverine respira fundo, fecha os olhos e sorri:

 

[Wolvie] Ahhhhh! Fazia tempo que não sentia teu chêro, guria! Sentiu minha falta?

 

Ohana não diz nada. Ela não tinha certeza de com quem estava falando ainda...

 

[Wolvie] Que qui foi? Alguma garra cortou sua língua? Ahahahahahahah

 

Ela sacode a cabeça, olhando com raiva para aquele ser à sua frente. Com um movimento de cabeça ela o lança para o fundo da jaula, fazendo-o sentir seu corpo ser esmagado.

 

[Wolvie] Ah! Isso mesmo! Solte o SEU lado selvagem e, desse jeito, acho que a gente pode fazer algo menos patético do que aquele teu filho!

 

Ele gargalha com dificuldade, enquanto sente seu pulmão ser comprimido.

 

[Ohana] Então é isso que você quer? Que eu seja uma espécie de put@ sem consciência?? Bom, pois pode tirar o seu da chuva. Se depender disso, você vai passar o resto dos seus dias sem saciar a vontade.

 

Ela caminha até a jaula e, completa:

 

[Ohana] Você SABE que podemos fazer isso. E eu SEI que você convivia muito bem com ele, mesmo quando eu cheguei. Só me faça entender o que aconteceu e, assim, talvez possamos ajudar um ao outro...

 

[Wolvie] falando dos tempos em que eu deixava ele um pouco mais solto? – ainda sentado no fundo da jaula, com uma das mãos no queixo - Hum... Não sei se a fim de viver assim de novo...

Sabe o que é? Depois que ele te conheceu, parou de dar vazão ao seu lado animal. Parou de precisar de mim! Eu também vivo, saca? E cansei de ficar com as migalhas. Por isso, sem tratos! Ou me aceita assim, gatinha – lambendo os lábios e olhando lascivamente para Ohana - ou vai ficar sem nada!

 

Completa, como se na frente dele estivesse um pedaço de carne preste a ser comido.

 

[Ohana] Nesse caso, você já fez sua escolha. – com a voz totalmente controlada - Boa sorte!

 

[Wolvie] Essa jaula não vai me prender por muito tempo! E quando eu sair daqui, vou acabar com tudo que ele amava! TUDO!!! GGGrrrrrrrrr!! – ejetando as garras e golpeando o ar.

 

Ohana sai do Labmed muito perturbada. Onde estava Logan? Onde ele tinha se escondido que nem mesmo as breves incursões de Jean tinham achado?

Ela temia muito pelo lado racional dele que parecia ter se perdido para sempre.

Depois dessa amostra decisiva, Jean avisou a todos da gravidade da situação. Como ela mesma tinha averiguado no início, seria mais difícil do que da primeira vez. Já que antes, o lado racional havia dado uma certa liberdade ao lado animal; dessa vez, o lado animal tomou posse, suprimindo totalmente a liberdade da razão.

 

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Acontece que nem só de pesadelos vive o homo superior e, mesmo contra a vontade e mais pelo desejo de James, a ruiva resolve passear pela cidade de Westchester, juntamente com Jean e Scoth:
 

[James] Mamãe, o que você acha que irá acontecer ao papai? Eu ouvi discussões a respeito disso e, ao que parece, ele não vai conseguir encontrar o caminho...

 

Para quem olhasse de fora, a cena seria curiosa. Um adolescente, iniciando a incursão para a idade adulta, com altura e peso compatíveis a uns 18 anos, falando dessa forma tão “infantil”. Todos na casa já haviam se acostumado com o fato de James estar crescendo, literalmente, a olhos vistos. De qualquer modo, para quem não os conhecesse, pareceria que o garoto é um "filhinho de papai"...

 

[Ohana] Eu não sei, James... A tarefa é árdua, mas parar seria privar seu pai de um possível retorno. Eu vou vê-lo todos os dias. Mas é sempre a mesma ladainha.

 

[James] Eu queria poder vê-lo... Eu acho que*...

 

[Jean] Não acho uma boa idéia, James. Ele está perturbado e tem a tendência de ser maldoso e egoísta.

 

[Scoth] ! Eu achei que ele estivesse diferente de antes?...

 

O olhar de Jean é matador. A brincadeira de Scoth não teve graça alguma e, se não fosse por James ter corrido para frente de uma vitrine, carregando Ohana, para ver um skate, Jean teria feito com que seu marido se retratasse, mesmo assim, não perde a oportunidade de uma “puxada de orelha” mental:

 

[Jean] *Isso não é coisa que se diga, Scoth! Parece que o tempo não tem feito muito bem a você...*

 

[Scoth] *Posso ter exagerado um pouco. Mas o que o garoto sabe sobre o pai? No dia que ele nasceu tudo isso aconteceu!*

 

Os dois saem de dentro da loja. James está com o skate na mão e, colocando-o no chão como quem sempre soube usar um, ele afirma, olhando magoado para Scoth:

 

[James] Posso não ter conhecido meu pai, Scoth. Mas sei que ele tenta ser uma boa pessoa e, mesmo tendo tido algum sentimento pela Jean no passado, ele a tem como uma boa amiga, no presente...

 

E sai andando com o skate, não esperando resposta alguma e não querendo mais ouvir nada a respeito de seu pai.

Ohana arregala os olhos! Ela nunca disse nada a ela a respeito disso. Como ele podia saber?!

Pela reação da ruiva, o casal Summers percebe que ela não tinha nada a ver com o ocorrido e, evitando tocar nesse desagradável assunto, continuam andando, como se nada tivesse acontecido...

 

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Claro que durante esses acontecimentos, Metabolisis e seus comparsas não pararam de estudar e vigiar os X-men. E que momento melhor para atacar do que esse? Onde todos estavam emocionalmente envolvidos?

Scoth tinha recuperado a visão e as rajadas ópticas recentemente, mas mesmo com essa boa notícia, a prisão de Wolverine estava minando as forças de alguns membros importantes da equipe X: Professor X e Jean; além de é claro, Ohana.

Mesmo para uma mente tão poderosa quanto a do Professor, conseguir encontrar o racional de Logan estava sendo uma tarefa difícil! Isso porque ele não queria simplesmente “enjaular” o inconsciente do canadense e liberar seu consciente. Um não consegue viver bem sem o outro e, ainda mais para Wolverine, essa constante vigia era necessária. Fazia parte de sua personalidade, de seu verdadeiro eu. Foi uma falta de vigília que havia levado a essa conseqüência. E o maior telepata do mundo queria fazer algo direito antes de morrer.

Lembra-se que o grupo dos vilões - NeoGênesis – não havia sido encontrado em nenhum lugar na Terra? Bem, eles não estavam mesmo nesse planeta. Um dos mutantes que compunha o grupo tinha a capacidade de criar um meio ambiente propício à vida em qualquer superfície ou lugar; já outro, podia criar “ilusões reais”. Com isso, eles foram para a Lua e lá, num pequeno espaço físico formaram seu quartel general.

Assim como o Professor queria tentar fazer algo certo, do mesmo modo Metabolisis o queria. Para ele não era interessante capturar ou matar algum membro do grupo. Ele queria que fosse uma ação conjunta e que resultasse na extinção dos X-men, para sempre! Foi acertado que agiriam naquela noite e, se tudo corresse certo, atacando em várias frentes, eles seriam vitoriosos!

O plano era simples, aproveitar o momento em que todos estivessem relaxados e, se tudo seguisse a rotina, esse momento seria à noite; e atacar cada um dos Institutos espalhados pelo mundo. Eles estavam se concentrando mais no de Westchester, já que os mutantes mais desenvolvidos estavam lá. Os ataques às filiais ocorreriam na mesma hora.

Metabolisis tinha o antigo defeito de Magneto. O de se achar superior a todos, mesmo aos mutantes que o cercavam e, com isso, todos os postos-chave estavam na mão de outros mutantes, ele mesmo não queria correr o risco de morrer ou de se ferir nessa missão. Aos outros, pobres tolos, somente restava obedecer cegamente às ordens dele, torcendo para que o plano desse certo e abrisse a possibilidade de exterminar os humanos restantes. Grande parte deles, estava no grupo pelo simples ódio à humanidade, por ter tido a infelicidade de conhecer pessoas erradas e, com isso, justificavam o fim de uma raça, apenas para saciar seus propósitos mesquinhos...

 

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Após retornarem das compras, o dia torna-se corriqueiro.

Devido ao acontecido a Logan, Ohana havia sido dispensada dos treinos e de todas as rotinas da Mansão; além do que, ela deveria passar o maior tempo possível com James.

Jean, Scoth, Fera e os demais foram treinar defesa pessoal e Ohana foi para o jardim, acompanhada do filho que carregava alguns livros sobre química.

 

[James] Mãe, você sabia que a proporção de Homo superior para Homo sapiens aumentou drasticamente? Antigamente, na época do Professor, era de 1 mutante para cada 10 mil humanos! Hoje, essa proporção ficou assustadoramente maior: 1 para 500... Somos mesmo o próximo estágio da evolução! Eu acho que...

 

Ele se interrompe ao perceber que ela estava com o pensamento longe. Olhando o campo de rosas. Tocando em seu ombro ela não muda as feições, apenas aceita o toque, fechando os olhos:

 

[Ohana] Você foi a melhor coisa que me aconteceu, James! Foi o que faltava para completar minha vida. É uma pena Logan não estar aqui para*...

 

Ela vira-se, abraça o filho e se esforça para que nenhuma lágrima escorra. Estava ficando cansada de somente chorar!

Ela pensava em tudo que poderia dizer para o filho. Em como tinha orgulho de tê-lo e em como pesava saber que seu futuro era incerto. Ainda não tinha sido possível identificar se ele viveria muito ou se morreria dentro de alguns dias. A ruiva evitava pensar nisso, vivia cada dia como se fosse único; ela tinha aprendido isso com Logan... Mas sempre que tentava falar tudo para James a voz embargava e ela preferia ficar assim, abraçada a ele.

James, por sua vez, sabia de tudo. Essa era sua mutação, era sua maldição! Ele sabia que viveria pouco, sabia que sua mãe sofreria por isso. Sabia de coisas que aconteceriam e eram inevitáveis, assim como era inevitável o fato de amar seu pai, mesmo sem nunca tê-lo visto. Dentro de si, ele conhecia o caráter de Logan; conhecia o caráter de cada um. Ele sabia que alguém com tanto conhecimento devia ter uma vida curta, devia tentar passar um pouco disso para alguém ou tentar fazer algo de importante. Ele se via como uma estrela cadente: passando rápido e espalhando sua luz... Apenas desejava que alguém conseguisse levantar o rosto e captar essa manifestação, usando disso com alegria e amor...

 

[James] Eu sei, mãe... Eu sei... Amo você e o papai como jamais saberei ser possível amar.

 

[Ohana] Não diga isso, filho! Você vai amar e ser amado com muita intensidade ainda!

 

Por dentro o garoto entristece, mas tenta dar um sorriso de conforto. Se existe algo que o deixava triste era saber que sua mãe poderia sofrer. Ele sabia o quanto seu pai era forte e sobreviveria a isso, mas ela... Era tão frágil por dentro...

 

[James] Espero mesmo que sim, mãe! Nos poucos dias que estou com você, aprendi tudo o que vale a pena saber! Aprendi a importância da família, do amor, dos amigos. Pude perceber em cada um dos X-men, o poder que eles têm dentro de si! O poder de respeitar o próximo e não impor suas “verdades” a ninguém! Se todos fossem como os NeoGênesisOhana treme ao ouvir esse nome –  a raça humana e grande parte da raça mutante teria sido dizimada...

 

[Ohana] Filho, onde você ouviu sobre esse grupo de racistas? – ela o segura pelos ombros, com as duas mãos e o olha serenamente.

 

[James] Lugar nenhum. Eu sei que eles existem... Eu só sei! – dá de ombros.

 

Ela o aperta mais para si e ele completa:

 

[James] Não tenho medo da morte. Ela não separa as pessoas que realmente se amam.

 

O silêncio é o melhor para aquele momento. Nada do que dissessem seria necessário ou mesmo bom.

Passam o resto da manhã ali no jardim. James mostra tudo o que sabe de artes marciais e Ohana se surpreende com as habilidades físicas do rapaz/homem. É... Ele já parecia um homem de 23 anos. Com olhar lúcido e brilhante. Feições que lembravam as de Logan, mas longilínio como a mãe. Ele era a fusão do que havia de melhor em cada um deles.

Com o cair da tarde, todos começaram a se reunir na sala de leitura, esperando a chegada de James e o início das declamações. Naquela tarde, Ohana resolveu ficar um tempo ali, vendo o filho.

Aqueles que não o viam desde o dia anterior surpreenderam-se em como ele estava crescido! Comentaram amistosamente o fato, sentaram-se em confraternização:

 

[James] Bem! Boa noite a todos! Hoje irei fazer um pouco diferente do que sempre faço, espero que igualmente gostem! Normalmente, eu me utilizo da obra de algum gênio da literatura internacional para entretê-los. Bem, hoje me permitam recitar algo meu; algo que possa expor minha alma, assim como as obras anteriores expunham a alma de seus escritores...

 

Os olhos de todos brilham em expectativa. Parece que o ar congela, todos olham com curiosidade para James:

 

[James] Que momento fugaz essa vida nos trás...

              Ela passa como um flash,

              Nós passamos como um flash...

 

              Que maravilha a vida nos ensina!

              Enquanto nós, pequeninos;

              Também ensinamos a Vida!

 

              A ensinamos a amar, sentir, sofrer...

              Através de nós Ela aprende a viver!

             

              Viver cada segundo, como se fosse o mais importante.

              Desafiando a eternidade em cada instante!

 

              Viver de momentos, lembranças, sons...

              Deixando em quem amamos nós mesmos.

 

              É... A Vida pode ficar, persistir e passar...

              Mas sem nós, jamais saberia Amar!

 

Uma lágrima escorre no rosto de Ohana... Enquanto ela sai da sala. Como alguém que viveu tão pouco podia saber tanto sobre a Vida? Parecia o maior dos enigmas!

Todos silenciaram e, se não fosse Fera aplaudir, ninguém saberia o que fazer... Aquilo parecia uma despedida.

 

[Fera] Esplêndido meu amigo! Com um toque de mau do século, mas esplêndido!

 

E, tomando a palavra, o Dr. Macoy começou a recitar Sheakspeare e, desse modo, mudaram o tom da conversa. Todos se sentiram à vontade para recitar algo, tanto seu como de autoria conhecida. Aquele momento estava parecendo uma confraternização.

Jean e o Professor perceberam que Ohana havia saído, mas dessa vez ela não foi ao Labmed; como toda a noite fazia. Dessa vez ela foi até a estufa, tão bem cuidada por Tempestade. Ficou lá, em meio a flores e plantas tão especiais que seria impossível para elas viverem fora dessa estufa. Eram mutantes, necessitando de cuidados constantes e de condições de temperatura ideais para não perecerem. O pôr-do-sol visto da estufa era uma das coisas mais lindas de Westchester. Ao menos era o que Tempestade dizia e, finalmente, Ohana decidiu confirmar...

 

*corrigido e rediagramado em 22/07/2006 – 20h47min*

 

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