NOVIDADES PARA CALAR
A FERA
Já
faz dois anos que Ohana chegou ao Instituto. Nunca os
preceitos de Xavier estiveram tão vivos em sua mente e atos; nunca a paixão
pela batalha mostrava-se tão forte! Seus olhos brilhavam a cada captura bem
sucedida e lágrimas vertiam, copiosamente, cada vez que um inocente era morto
por mutantes fanáticos.
O quarteto: Jean x
Ciclope, Ohana x Logan era
insuperável em suas incursões.
Devido à grande
quantidade de mutantes revoltosos, a solução encontrada foi: capturar e
converter. Diante do caos reinante, não
foi possível outra solução. Aqueles – poucos - que teimavam em sua maldade,
eram “convertidos” por uma mente mais poderosa que a deles. Porém, outros tantos,
estavam apenas sem rumo, desinformados, com raiva pelos motivos errados... Para
estes outros, foram criadas várias sucursais do Instituto, como se fosse uma
gigantesca rede de operação, sendo possível, aqueles que
desejam aprofundar suas habilidades e conhecer seus poderes para viver
em paz com a comunidade se inscrever em mini-cursos e, com isso, o Instituto
Xavier era a mais bem preparada instituição no quesito mutante.
Treinando
na sala de perigo estava Ohana, nível oito, só para
relaxar... Já fazia algum tempo que seu passatempo predileto nessa sala era
lutar contra os gigantescos robôs chamados Sentinelas. Máquinas criadas por um
cientista anti-mutante feitas há muito tempo atrás e
as quais a ruiva só conheceu nessa sala. Por mais reais e complexos que
parecessem, os hologramas nunca poderiam ser comparados à realidade... Ela
jamais poderia entender como foi aquela época de medo,
onde o preconceito era tão grande a ponto de tomar proporções gigantescas e
metálicas. De repente, uma forte dor no ventre!
[Ohana]
Parar simulação!... – grita, apoiando-se na parede e segurando o ventre com a
outra mão.
[Máquina] Simulação cancelada.
Prévia de pontos? – pergunta uma voz feminina e metálica.
[Ohana] Na-não... – a dor aumenta - Ai! Meu Deus, mas o que é isso?!
Essas são suas últimas
palavras antes de desmaiar. Quem a encontra é um dos novos alunos, ele seria o
próximo a usar a sala.
Ela é levada às
pressas para o Labmed e colocada na maca. Logo em
seguida, Jean chega. Na ausência do Dr. Hank, ela era
a segunda a operar o computador.
Rapidamente
os sinais vitais são estabilizados e uma rápida varredura é feita. Conforme ia
percorrendo o corpo ainda dormente de Ohana, um
sorriso aparecia nos lábios de Jean. Ao final, o resultado é proferido pela
máquina:
[Máquina] Sinais vitais
estabilizados; nenhuma anomalia encontrada; objeto de estudo na terceira semana
de gravidez, feto um pouco acima do tamanho, sem alterações físicas presentes;
acompanhamento médico sugerido... – termina o programa.
Jean coloca a mão no lábio e
arregala os olhos enquanto diz, baixinho:
[Jean] Oh! Ela está grávida! Isso
é ótimo – dá uma pausa -...Ou não? - levanta a sobrancelha.
Nada mais podia ser feito, senão
esperar o próprio organismo de Ohana reagir aos
medicamentos; após alguns minutos ela desperta e encontra Jean explicando para Logan que aquilo foi apenas uma indisposição.
[Ohana]
Hum... – ela chama a atenção para si, ainda com a voz pesada - perdi alguma
coisa?
[Wolvie]
Se cê perdeu, ´magina eu?! Fiquei
te esperando no restaurante, gata e quando ligo pra cá, dizem que cê tá desmaiada!! Cum´é que cê tá?
Logan
fala, sentando-se ao lado dela e pegando sua mão.
Ela acaricia-lhe a
mão, o rosto:
[Ohana]
Agora estou bem. Só me lembro de estar treinando na sala de perigo, de ter
desmaiado; não sei de mais nada, até agora. Mas sei que a “Dra. Grey” fez seu melhor! – sorri para a amiga.
Jean aproxima-se, confirmando com
a cabeça e fala, dirigindo-se para Logan:
[Jean] Agora que ela despertou,
tenho que fazer mais alguns exames. Rotina. Nos dá
licença, por favor? – sorri solicita.
[Wolvie]
Claro, ruiva! – levanta-se - Nosso almoço ainda tá de
pé, viu? – para Ohana.
[Ohana]
Tudo bem, mas eu preferia que fosse um jantar, pode ser? – tentando sentar na
maca, recostando na mesma.
[Wolvie]
Tá ok. A gente se vê mais
tarde, então. Tchau, Jeannie. – antes de cruzar a
porta – e obrigado!
Jean acena com a mão e, assim que
a porta se fecha, a voz de Jean invade a mente de Ohana;
seus olhos brilhavam como duas pedras preciosas:
[Jean] *Isso foi só um pretexto
para que ele saísse! O que tenho pra te dizer será chocante!*
[Ohana]
Credo, Jean! Pára com o suspense senão você me mata! – ela verbaliza.
[Jean] *Se isso acontecesse, seria
duplo homicídio!*
[Ohana]
Quê!?!? – ela arregala o olho e joga de vez as costas na maca, pesadamente.
[Jean] *Você está grávida, Ohana!* - a telepata morde uma
lateral do lábio, sem saber que expressão fazer, pois até que ponto seria essa
uma boa notícia?
Tudo emudece. Era possível
ouvir as gotas de soro caindo no copinho do equipo de soro. As respirações
ofegantes. Parecia que o tempo havia parado...
No
interior da irlandesa a felicidade fazia-se presente em grande escala; mas
havia uma pequena e insistente insegurança que a impedia de manifestar seus
reais sentimentos...
“O
que Logan fará?” - era a pergunta que não calava!
Porém, resolvida a tomar uma atitude, ela esboça um sorriso. Não importa o que Logan fosse dizer ou fazer. Ela criaria a criança com ou
sem ele! Uma onda quente percorre seu interior e, em seu consciente, sabia do
“poder de persuasão” que um bebê podia ter, mesmo ainda no ventre.
Ela
entendia a preocupação dele com relação à maldade do mundo, contudo, aconteceu!
O que podiam fazer?
Jean sente os
sentimentos da amiga, mas resolve não interferir; deixando que a amiga decida o
que fazer e quando falar.
[Ohana] I-isso é incrível, Jean... – ela sussurra - estou muito,
mas muito, feliz!
[Jean] Fique tranqüila, ele não
pode nos ouvir daqui. A sala é à prova de som - Jean pisca, colocando a mão
sobre o ombro da futura mãe.
[Ohana]
Prefiro não arriscar! – ela faz menção de abraçar Jean – Não quero que ele
saiba de outro modo, além de mim mesma contando. – diz no ouvido da amiga,
ficando em silêncio.
Jean explica que, por
precaução, colocará todos os arquivos encriptados e
acessados somente por ela, através de senha.
Ela realiza mais
alguns testes para determinar o porquê do bebê ter sido descrito como acima do
tamanho e, realmente, a gestação, apesar de estar na 3ª semana, parecia estar
no 1° mês! Isso era incrível e demonstrava, de pronto, que o metabolismo do
feto era parte de sua mutação.
Ela explica tudo para Ohana e aconselha a fazer um acompanhamento semanal, para
garantir a saúde de ambos.
A telecinética
acena com a cabeça, levantando-se e fazendo menção de sair:
[Ohana]
Posso me arrumar para o jantar, Jean?
[Jean] Claro! Espero que dê tudo
certo! Estou muito feliz por você! Acima de tudo, saiba que vamos te apoiar,
qualquer que seja a resolução, tá certo?
[Ohana]
Obrigada, amiga!
Termina, segurando na
mão da “doutora” e subindo para tomar um banho.
Já terminando de se arrumar, Ohana
estava apenas fazendo uma trança no longo cabelo e colocando brincos e
pulseiras. Seu vestido preto de alças e com um grande decote nas costas deixava
seu físico
[Wolvie] Cê
tá linda, Ohana! – ela
adorava ouvir seu nome pronunciado pela voz dele, tão grave e sexy - hum... Vestido novo...
[Ohana] Obrigada, Loggie! – retruca, dando uma volta e perguntando: Gostou do
vestido?
[Wolvie] Tá
ótimo! Mas cê sabe o quanto sou ciumento...
[Ohana] Ah! Como seu eu não fosse!
A diferença é que eu não arrumo encrenca!
Vai na
direção dele e abraçando-o no pescoço. Ele segura-a pela cintura, gira-a uma
vez e, sorrindo, fala:
[Ohana] Você está lindo, amor!
Ele ainda ficava sem palavras quando ouvia a palavra “amor”.
Não era sempre que a telecinética dizia, justamente
por isso, mas quando era espontânea, sempre escapava. Ela finge que não disse
nada e segue em frente.
[Ohana] Vamos? – ainda com os pés
levantados por ele.
[Wolvie] Claro! Sim!
Responde o canadense, enquanto um milhão de
coisas passa por sua mente! Ele também a ama, mas
não tinha coragem de falar, com medo de que essa fosse a
palavra mágica que ativasse o botão de auto destruição...
Avisam a todos que vão sair, só para serem
localizados em caso de emergência. Esta noite eles não eram X-men,
mas sim, apenas um casal querendo passar bons momentos juntos.
Pegam um corvette
conversível, apenas com o símbolo do xis nas rodas; a noite estava extremamente
agradável, a lua cheia fazia tudo ter uma cor sensualmente sombria, o vento
soprava vagarosamente... Tudo estava perfeito!
A ida até a cidade acontece sem maiores
problemas, com trocas mútuas de carinho e muita alegria.
Chegam ao restaurante e, após confirmar a mesa,
o garçom leva-os até um reservado que deixava à vista um mimoso jardim.
O garçom puxa a cadeira e Ohana
senta-se, logo
[Garçom] Boa noite! Sou Gautier,
seu garçom e estarei trazendo, como oferta da casa, um cálice de vinho do
porto, juntamente com o menu. Retornarei prontamente, oui?
Ambos acenam com a cabeça, o sotaque francês do
garçom faz com que Logan se lembre de Remy. Por onde aquele “bandido” devia andar? Será que
estava roubando novamente? A imagem de Vampira também
passa por sua mente calejada. Como sempre, era prazeroso ter certeza de suas
lembranças, especialmente quando estas envolviam amigos.
Ohana o faz
voltar a realidade, pegando na mão dele e, com olhos
brilhantes, anuncia:
[Ohana] Tenho algo muito
importante para te dizer!
A expressão facial do canadense muda. De romântico para
interessado. Ele coloca a outra mão sobre a de Ohana
e completa:
[Wolvie] Cê
sabe que pode me contar tudo, gata! – sorri.
[Ohana] É,
eu sei... Mas isto está sendo um pouco mais complicado, talvez por meu próprio receio de como você irá reagir... – baixa os olhos, mas
rapidamente os levanta, encarando aquele enigmático homem.
O óbvio passa pela cabeça dele: “ela vai me
deixar! E eu nem mesmo disse o quanto a amo!”
Nesse instante o garçom retorna e, vendo ter interrompido
algo importante – pela cara que Logan fez:
[Garçom] Assim que escolherem é só me chamar...
Retira-se, deixando os cálices de vinho e o menu no centro da mesa.
[Ohana] Hã
– a ruiva tenta retomar, sacode a cabeça, pisca repetidamente - Você lembra-se
do passeio que demos nas Rochosas, há três semanas atrás?
O mutante sorri, maliciosamente, de canto de boca e
responde:
[Wolvie] Claro! Tivemos a infelicidade dee encontrar o Dentes,
mas assim que cuidamos dele, foi uma noite e tanto! Aliás, eu me lembro até do tailler vermelho que cê usava da
primeira vez que te vi, de cada detalhe, imagina se não vou lembrar de uma
coisa que aconteceu há três semanas... Por que a pergunta, ruiva?
Ela sorri diante do
comentário. Era bom saber que assim como ela se lembrava, ele também. Era um
alívio!
Acariciando-lhe a mão, como que tentando
encontrar a palavra certa, perdida em alguma linha ou músculo:
[Ohana] Bem... Naquela noite eu...
Você... – “fala de uma vez, Ohana!” – Nós fizemos
muito mais do que amor, Logan... Nós fizemos um
filho!
Ohana
olha-o nos olhos para não perder nada, nenhuma mudança de humor.
Pela primeira vez, desde que ela se lembra, ele não tinha
nenhuma resposta, o “Sr. Resposta afiada” ficou mudo;
seu rosto congelou na expressão de surpresa total!
Não sabendo o que fazer, ela decide ficar quieta
e simplesmente continua olhando-o, sem preconceitos ou qualquer pensamento,
além de alívio! Ela ter conseguido falar era o que importava! Claro que ela
gostaria de tê-lo ao seu lado, criando a criança, mas não poderia obrigá-lo.
Contudo, depois de três minutos como que catatônico, quem aparece para interferir foi o garçom.
Achando que haviam demorado muito, ele aparece e Logan, mais que
rapidamente, segura-lhe forte o braço e diz, entre dentes:
[Wolvie] Xará, vê se trás o prato
que demore mais pra ficar pronto! – e olhando-o ameaçadoramente, diz: Cuide pra
que demore mesmo, falô?
O pobre empregado acena com a cabeça e vai rapidamente
pedir para que preparem o jantar mais demorado possível...
Voltando-se para Ohana,
levantando-se e apoiando as duas mãos na mesa, ele diz:
[Wolvie] Guria! Cê só pode tá brincando!!
[Ohana] Humpft!
Você fica três minutos em estado de letargia pra me
dizer isso?... Sinceramente... – ela encara-o - Se eu quisesse brincar, teria
inventado alguma outra desculpa! Sei como esse assunto incomoda você.
Ele volta a sentar, pega um charuto e diz, com a maior cara
de tranqüilidade do mundo, como se ela não tivesse acabado de anunciar que ele
seria pai:
[Wolvie] Bom, então, acho que
temos que celebrar.
Chama o garçom que chega meio ressabiado e fala:
[Wolvie] Quero que cê sirva o melhor champagne pra
todo mundo! Minha mulher está grávida! – e acende o charuto, com um sorriso nos
lábios.
De outra pessoa, Ohana teria
entendido como cínica a cena, mas vinda dele, era, simplesmente, normal...
Agora quem estava com cara de boba era ela. E de uma coisa ela tinha certeza:
Jamais seria capaz de decifrá-lo, seus humores eram
mais instáveis do que o clima! Ela maneia a cabeça e comenta:
[Ohana] Por essa, eu não
esperava...
O rosto dele estava totalmente luminoso! Ele
nunca pensou que conseguiria perpetuar seus genes, deixar alguém pra contar a
história, alguém que ele pudesse educar como ele não teve a oportunidade de
ser. Ou foi? Esses momentos ele nunca ia esquecer. Seria seu triunfo! O prova
de que era mais do que uma aberração solitária. Ele ia ser PAI!!
Olhando Ohana nos
olhos ele comenta, após uma longa baforada de charuto:
[Wolvie] O que cê
queria? Que eu colocasse esse restaurante abaixo, num ataque de loucura? –
dando de ombros e olhando ao redor.
[Ohana] Não sei! – ela comentou – Apenas nãão esperava essa felicidade. Dá pra ver
pelo seu rosto que está genuinamente feliz! Eu pensei que fosse ter alguma
resistência de sua parte. Não que eu a quisesse, mas...
Ela é interrompida:
[Wolvie] Se cê
não queria, então devia estar tão feliz como eu. Sabe,
os anos passam, mas eu nunca vou entender as mulheres... – dá mais uma tragada,
com um semblante misto de perplexidade e felicidade.
Finalmente Ohana sorri; ambos
sorriem! O garçom retorna e, trazendo um belo prato de frutos do mar,
acompanhado de vinho branco:
[Garçom] Aqui está o seu pedido. Espero que aproveitem.
Qualquer coisa é só me chamar... – ele fica algum
tempo ali, parado, como quem espera alguma reação dos dois, uma desculpa, mas
tudo o que ele ouve é:
[Wolvie] Tá
tudo ok, guri! Se precisar a gente te chama. Agora
vai andando... – Logan diz, pegando um garfo e
comendo com gosto um pedaço de lula.
A ruiva sorri. Ela percebeu que ele esperava uma
desculpa e, servindo-se também de um pedaço de peixe, ambos comeram e beberam
sem nada falar.
O canadense pareceu descontar toda sua alegria e nervosismo na comida. Pediu três pratos principais e bebeu duas garrafas de vinho sozinho. Ohana estava perplexa, ele nunca havia comido tanto assim! Ficou aliviada pelo álcool ser rapidamente metabolisado no organismo dele, caso contrário, teria receio de voltar no mesmo carro; ainda mais agora que precisava pensar não somente em si, mas em seu bebê também.