ENCONTRO
PREMEDITADO...
A ruiva até podia pensar isso, mas
não conseguia deixar de pensar também
{TRIM} [Recepcionista] Recepção do Hotel Plaza, pois não?
[Recepcionista] Ligação a cobrar,
Sr. Logan, é da senhorita Ohana,
o Sr. aceita?
[Wolvie]
Hum... Aceito sim. – a recepcionista transfere - Fala, guria...
[Ohana] Hã... Sei que é piegas, mas me desculpe... Não te dei a
chance para falar e não agi como gostaria que agissem comigo...
[Wolvie]
Essa é tua filosofia?
[Ohana]
É... sim.
[Wolvie]
Acho que tá na hora de tu repensar ela...
[Ohana]
Olha! Eu errei! E-estou disposta a te ouvir; estou
mais calma agora. Eu pensei que as coisas iam tomar um rumo diferente e você...
– ela engole seco - A sua sinceridade me deixou sem ação!
[Wolvie]
Hum, hum... – como quem não está nem aí.
[Ohana] Ah! Droga! Olha: vou até o bar do hotel Plaza, tá? Vou ficar uma hora esperando por você, se não aparecer,
vou embora e será um castigo bem merecido pra mim, ok?
[Wolvie]
Ok... – desligando o telefone - {TUM, TUM, TUM}
[Ohana]
Mas que filho da...! Desligou na minha cara! Aiaiai, Ohana, você só se mete com caras doidos,
isso ainda vai acabar com você...
Depois de alguns
minutos ela chega à recepção do Plaza, pergunta onde é o bar e, só pra não
acostumar, pede uma vitamina de frutas. Fica esperando e, agora que estava mais
tranqüila, começa a pensar na palavra “superdotados” na frente do cartão. Era
uma palavra estranha pra designar mutantes, mas, ao ser pronunciada baixinho,
pareceu mais “humana”...
No quarto, Logan resolve não deixá-la esperando muito. “Só uns vinte
minutos”, ele diz para si; levanta-se e, sem mesmo avisar Jubileu, desce pelo
elevador indo para o bar; na entrada ele pôde sentir o cheiro da moça e, alguns
passos depois; vê-la. Ela estava bem mais calma, isso ele conseguiu constatar.
Ficou olhando-a,
tentando se entender, tentando entender o que ela tinha de diferente que o
prendia assim! Ele acabou de conhecê-la e já se sentia atraído de uma estranha
forma por ela; porém, não pôde olhar muito, a ruiva virou-se, como se tivesse
sentido que estava sendo observada. Logan disfarça e,
sentando-se ao lado dela, comenta:
[Wolvie]
Você não é telepata também, né?
Ela sorri, é bom ouvir a voz dele
mais calma.
[Ohana] EEu sempre consigo sentir quando estou
sendo observada. Acho que isso não me faz uma telepata...
– franzindo o cenho, como que pra pensar melhor.
[Wolvie]
É... Dever ter alguma relação com a telecinesia, já
que seu cérebro acaba ficando mais “alerta” do que o normal...
Ohana presta
muita atenção, não diz nada, apenas ouve:
[Wolvie]
Ruiva, como cê pode ver no cartão, faço parte de um
Instituto que ensina e protege mutantes. Na verdade também serve de fachada
para algo mais sério, pra coisa de “gente grande”, entende?
[Ohana]
Está um tanto vago até agora, mas prossiga. - diz isso, apoiando os cotovelos
na bancada do bar.
Ele pára uns poucos instantes e surpreende-se
com o olhar de “menininha interessada” dela. Grandes olhos verdes arregalados.
Volta a falar:
[Wolvie]
Bom, o nosso mentor e criador do Instituto, Professor Charles Xavier é um dos
maiores telepatas do mundo e...
[Ohana]
Eu já vi esse cara na tv! Ele-ele
é paralítico, não?
[Wolvie]
É ele mesmo. O Charli é duca!
Quando um mutante usa seus poderes, ele consegue captar, foi assim que ele te
achou e como percebeu que você estava passando por um período muito conturbado
da sua vida, pediu pra que a gente viesse te oferecer a oportunidade de
desenvolver sua mutação pra algo maior. A gente tá
sempre na tv, usando roupas engraçadas - ele sorri -
não sei se já viu. Somos os X-Men! – completa com um
sorriso inteiro, daqueles que aparecem toda a arcada dentária.
[Ohana] Putz!! Os X-Men?! –
surpreende-se, enquanto pensa “acho que eles me confundiram! Não tenho “cacife”
para entrar em algo assim!!”
A demora em responder faz com que Logan quebre o silêncio:
[Wolvie]
Gata, você não precisa responder agora e, muito menos, é obrigada a aceitar se
não se sentir preparada... – o canadense termina, colocando a mão sobre a da
ruiva.
[Ohana]
São todos tão dedicados quanto você, no Instituto? – ela inquiriu, sorrindo,
sem malícia - É porque faz muito tempo que eu não me sinto num lar de
verdade... Parece que você sabe o quanto é duro se sentir sozinho... – completa
a telecinética, levantando e abraçando-o.
[Wolvie]
Cê tem certeza que não é telepata,
gata? – ele diz, retribuindo o abraço de forma bem espontânea.
Ohana
sorri:
[Ohana]
Acho que o Professor terá que descobrir isso... Na verdade, o palpite surgiu
por você não desistir de mim, mesmo quando eu mereci isso. É só uma prova de
que você passou por algo parecido na vida. Eu juntei as partes, só isso.
Ela torna a sentar-se.
Ambos sorriem e a alegria é até mesmo palpável.
[Ohana]
Até quando eu posso decidir? – levantando a sobrancelha e dando um gole em sua
vitamina.
[Wolvie]
Bom, eu não gosto de pressionar, mas o avião sai hoje, às 9 p.m.
Mas cê tem o cartão, pode ligar pro Instituto quando
quiser. É que seria bom se pudesse ir com a gente... – abaixa os olhos nessa
última frase, mexendo num aparador de copos que estava diante dele.
[Ohana]
“Gente”? Quer dizer que você está acompanhado? Foi por isso que não quis ir
mais adiante no bar? E-eu não sabia... – é a vez dela abaixar os olhos.
Ficando super sem jeito, querendo
ser um avestruz para poder enfiar a cabeça num buraco e pensar que todos os problemas
estariam resolvidos. Só podia ser isso, ele tinha alguém!
Levantando, Logan
coloca a mão sobre a nuca, pigarreia:
[Wolvie] Não, Ohana!
Ela é como uma filha, sabe? Seu nome é Jubilation
Lee... É uma das alunas do Instituto.
[Ohana] O-ok, eentão... – ela faz menção de
levantar-se - Já que eu decidi ir, acho melhor fazer minhas malas.
A
atração era tanta que tudo parecia estranho, falar parecia um incômodo... Sair
dali também, Ohana levantou-se, mas parecia andar em
câmara lenta. Queria voltar e dar mais um abraço nele. Era tudo diferente...
Por sorte, Wolvie nunca foi muito de falar; mas de agir... Enquanto
ela virava-se para sair, ele a pega firmemente pelo braço, aproxima-a de si e
dá-lhe outro beijo, ao qual, igualmente, ela não põe resistência; parecia algo
que deveria ser. A ruiva sente como se, desde sempre, devesse ser
abraçada pelos fortes braços dele. O sentido de “completude” ficava nítido
naquele momento.
Ele, por sua vez,
sentia-se muito diferente. Aquilo não estava tomando o rumo de mais um
“casinho”. Como se ele tivesse muitos... Logan sentia
que o animal dentro de si também apreciava o momento. Algo que não acontecia
comumente... Isso o punha numa situação singular.
O calor dela, sua
pele, seu cheiro; tudo parecia no lugar certo, pela primeira vez ele estava em
concordância consigo. Pela primeira vez, depois de Mariko
Yashida... Isso era bom!
Depois desse beijo, a
ruiva pergunta, sem medo de parecer oferecida demais. Era evidente que ele já
tinha dito o que queria, isso foi fácil de constatar pela intensidade do beijo,
pelas mãos dele percorrendo seu corpo, a respiração...
[Ohana]
Você não quer ir me ajudar a arrumar as malas?
[Wolvie]
Claro! – completa Logan, segurando-lhe a mão.
Na saída, ele deixa um recado com
a recepção de com quem estava e de que logo voltaria, caso Jubi
se inquietasse.
[Ohana]
Você preocupa-se mesmo com a garota, hein?
[Wolvie]
Ela é minha família, assim como o pessoal do Instituto. Antes deles eu não me
sentia bem em nenhum lugar, vivia sem propósito, desgarrado do mundo. Como me
disse uma vez o Charlie: “solitário, encontrou um
lar; descrente conheceu algo em que acreditar”. Isso me define muito bem, antes
e depois dos X-men. Eu posso até querer ter meus
momentos de solidão; aos quais eles respeitam, mas eu sempre acabo voltando. Lá
é meu verdadeiro lar... Existem coisas lá que me prendem...
A imagem de Jean passa por sua
cabeça; num rápido flash, seu olhar se entristece e, percebendo seu silêncio, Ohana pergunta:
[Ohana]
Hum... Quer dizer, então, que você tem um passado e tanto, não? – brinca,
fazendo cara de “você está me escondendo algo”.
Ele sacode a cabeça, realmente
impressionado com as conclusões que ela toma:
[Wolvie]
Ah! Ruiva, se eu fosse contar, cê não ia acreditar!
Se cê ficar firme no grupo, eu vou te contando aos
poucos; pelo menos, as partes que eu me lembro...
O caminho é seguido em
silêncio, no semblante de Ohana, pode-se ver como as
palavras dele a impressionaram; alguns passos à frente:
[Ohana]
Chegamos! – sobe um lance de escadas - Seja bem-vindo ao meu humilde lar! – ela
abaixa o tronco e estende as mãos, para que ele entre. Logan
o faz, sendo seguido pela ruiva.
O que ele vê é uma
típica casa de classe média; um estreito, porém aconchegante, corredor onde ao
fim pode-se ver uma escada de
algumas dezenas de degraus. À esquerda, uma entrada para a sala, sem nada de
muito esdrúxulo. É uma pessoa normal, sem muitas pretensões. A próxima porta à
direita era a cozinha e, subindo os degraus, do lado direito do hall ficava o
quarto da moça e, em frente, o banheiro. Tudo muito arrumado e cheiroso.
Depois de dizer o que era cada
cômodo, a ruiva, entrando no quarto, fez descer da parte de cima do armário uma
mala, não muito grande; a qual foi levitando até a cama e abriu-a.
[Ohana]
Você não disse como eu vou pagar pela minha estadia...
[Wolvie]
O Charlie é rico, Ohana. O
que cê levar é seu... A gente quer em troca é sua
disposição em aprender e treinar sua mutação, só isso. – ele conclui.
[Ohana]
Bom, se vocês têm treinamento é porque combatem alguma coisa, certo? Que tipo
de coisa é?
Questiona, começando a
abrir as gavetas mentalmente e fazendo algumas roupas ajeitarem-se na mala, enquanto
vira-se para ele e espera a resposta.
Logan
impressiona-se com o controle, levando em conta que ela nunca direcionou seu
treinamento para desenvolver todo seu potencial.
[Wolvie]
Hã... Na verdade, combatemos nossa própria espécie.
Parece irracional, mas é o que acontece.
[Ohana]
Como assim?! Por quê?
[Wolvie]
Alguns mutantes acreditam que enquanto existir o ser humano, nunca
conseguiremos viver
[Ohana]
Eles querem fazer o mesmo que os humanos fazem por séculos... Exterminar não é
a saída...
A ruiva termina, “colocando”
alguns frascos de perfume na parte externa da bolsa e fechando-a. Enquanto a
trás para si, Logan pergunta:
[Wolvie]
É nisso que cê acredita?
Seus olhos lúcidos olham nos dele:
[Ohana]
Sim. Sempre...
[Wolvie]
Então, seja bem-vinda.
Ele diz, passando a
mão em seu cabelo, beijando seu pescoço, abraçando-a. Por alguns instantes ela
fica petrificada. Aquilo estaria mesmo acontecendo? Ela merecia?
Ela pousa a mala no
chão, perto da cama e, quando sente o calor da mão dele sobre suas costas,
percebe que tudo é real. Maravilhosamente real. Começa a retribuir os carinhos.
Desabotoando a camisa dele e passando suas mãos pelo tórax, costas, dando
suaves beijos em seu peito.
Fazia tempo que Ohana não sentia essas sensações. Como ela mesma havia se
censurado, nunca soube escolher os caras certos, até agora.
Ela deixa-se ser
despida e, mesmo não sabendo que ele é o melhor naquilo que faz, naquela noite,
ela comprova o fato. Ele conseguia ser extremamente delicado, com uma firmeza
que ela nunca sentiu antes.
O som de seu coração
acelerado era música para os ouvidos de Logan. Seu
calor contra ele, sua respiração ofegante; a vida não devia ter felicidades
assim, pelo menos, não pra ele...
Já para Ohana esse momento parecia surreal. Ela sempre esteve à
procura do cara certo, de quem a fizesse sentir especial, feliz e, quando menos
espera, ele vem até ela! Num bar onde já tinha perdido a conta de tantas
cantadas baratas. A vida devia ser sempre assim, fácil.
Apesar de ser, até a
presente data um solitário incorrigível, Logan sabia
o que fazer com uma bela mulher. Nesse ponto, seus instintos prevaleciam. Ele
deixava-se levar por cada som, cada cheiro, aproveitando ao máximo e fazendo Ohana aproveitar também. Ao final, a ruiva não tem dúvida
de esta ter sido a melhor tarde da sua vida! Adormeceram juntos, abraçados.
*Texto corrigido e rediagramado em 18/06/2006 – 16h30min*