Capítulo 12 – A Grande Torre
“Eu mato Lupin!”
Esse era o único pensamento de Harry Potter, o garoto
bruxo que acabara de passar pela maior e estupenda vergonha de toda a sua vida.
Escondido pelas cortinas da sua cama de dossel, ele podia ouvir os risinhos e
comentários dos outros alunos e, pela primeira vez, amaldiçoava o recém
adquirido dom de falar e entender francês fluentemente.
“Eu realmente
vou matar Lupin!”
Atirado de costas sobre a cama, o olhar fixo na
estrutura de madeira de mogno, ele repassava mentalmente todo o fatídico
decorrer do jantar de boas vindas, como se fosse um filme de horror lento
demais. Mesmo forçando os olhos cansados para adormecer e esquecer de tudo, ele
não conseguia... As cenas retornavam, reprisando uma vez mais o seu tormento...
Ele ainda podia se ver ali, parado na porta do Salão
dos Banquetes, pasmo e absolutamente congelado, sem piscar um único olho. O
rapaz sabia que estavam falando dele, na verdade, rindo dele, com espasmos e gargalhadas; sabia que sua vida em
Beauxbatons, que mal começara, seria a pior possível depois daquele começo
aterrador; sabia que a Madame Maxime parecia profundamente desapontada; sabia
que Draco teria que ser internado no Hospital St. Mungs para tratar das risadas
histéricas que o arrogante garoto teria se tivesse conhecimento do que se
passara ali; e, principalmente, sabia que precisava sair correndo do Salão o
mais rápido que pudesse. Assim que sua mente processou estes fatos e os
músculos do corpo, finalmente, começaram a reagir frente à gritaria que seu
cérebro buzinava, ele fez menção em se virar e fugir para dentro do seu malão,
mas a Madame Maxime foi mais rápida.
Elegantemente, com os movimentos plácidos e calmos,
para alguém daquele tamanho, a Diretora de Beauxbatons se levantou. Quase como
se alguém houvesse lançado um feitiço quietus
no Salão, a algazarra cessou. Os alunos largaram os talheres e se viraram para
a professora, as expressões sérias, a zombaria desaparecendo por completo dos
rostos pueris.
- Monsieur
Harry Potter – disse ela, fazendo um aceno para que o rapaz se aproximasse.
O garoto precisou levar um encontrão da velha bruxa
para se mexer, o que lhe causou um espasmo assustado, pois ele se esquecera
completamente da senhora que o guiara até o Salão. Meio que tropeçando nas
vestes, ele andou com os passos rápidos até a Madame Maxime, tentando se
esconder atrás do corpanzil da enorme professora.
- Por favor, mein
petit, se acomode na mesa do monsieur
Artois – pediu, apontando com um gesto empolado para um rapaz de cabelos
louros, boca fina e, obviamente, trajes azuis escuros. O garoto se levantou e
apontou para uma cadeira vazia ao seu lado.
Harry agradeceu a diretora com um aceno e foi para seu
lugar. Os poucos passos que separavam a mesa dos professores do seu assento
nunca lhe pareceram tão grandes. Um silêncio opressor dominava o lugar e o
garoto notou as centenas de pares de olhos observando cuidadosamente os seus
movimentos. Com um arrastar arranhado da cadeira, que arrancou um suspiro mais
forte da diretora, o rapaz finalmente se sentou, baixando os olhos para o
próprio prato.
Assim que a Madame Maxime retomou seu jantar, as
conversas retornaram e o ambiente ganhou mais vida, diminuindo um pouco a
aflição de Harry. Ele observou com o canto dos olhos os demais alunos da sua
mesa, que também pareciam constrangidos com a sua presença. Todos comiam e ele
achou melhor se servir também, para que não parecesse tão anormal. Além disso, seu estômago roncava como a Orquestra Fantasmagórica, pois não
colocara nada na boca desde o insípido café da manhã.
Engolindo em seco, ele cortou um pedaço de um assado
que lhe parecia suculento e se serviu de batatas, enchendo o fino cálice de
cristal a sua frente com suco de uva. Artois, que estava ao seu lado, se voltou
para o rapaz.
- Você não quer um pouco da entrada? Acho que sobrou
um pouco do fromage – ofereceu.
Harry olhou com desconfiança o prato de queijo mofado
e pães ressequidos e decidiu não aceitar, agradecendo o oferecimento. O garoto
aparentou um grande desapontamento.
“Pelo menos ele estava lhe tratando como uma pessoa
qualquer” – pensou, desanimado, ao notar os olhares que misturavam curiosidade
e despeito. Os demais se voltavam para cochichar, ou discutiam coisas em voz
muito baixa e rápida. Nas outras mesas, o comportamento não era muito
diferente. Por várias vezes, o garoto notara que eles o observavam, seguido
rapidamente por explosões de gargalhadas e risos indomáveis.
Harry suspirou. Ele já passara por situações
semelhantes antes. No segundo ano, vários alunos achavam que ele era o herdeiro de Salazar Sonserina
e, seguindo a tradição do maligno bruxo, teria aberto a Câmara Secreta e
libertado o terror que lá vivia. No terceiro ano, o ataque dos Dementadores lhe
trouxera nova má fama, pois seus constantes desmaios sugeriam algo mais que o
simples temor pelas criaturas de má índole. Finalmente, no último ano, a sua
escolha no Cálice de Fogo e a obrigação de competir pela escola no Torneio
TriBruxo, mesmo contra a vontade, lhe rendera mais uma saraivada de xingamentos
e imprecações, que pioraram depois da morte de Cedrico. No entanto, em todas estas
ocasiões, ele podia, ao menos, contar com a força e o companheirismo dos seus
amigos. Agora, em Beauxbatons, ele estava sozinho e teria que arcar com as
conseqüências de sua vida atribulada por si mesmo.
Além de Artois, que recebera a incumbência implícita
de ciceronear Harry, somente outro rapaz prestava atenção no garoto inglês. Ele
deveria estar no segundo ano da escola, os cabelos castanhos muito pálidos e
espetados, quatro pintas sardentas e protuberantes saltando em cada face,
praticamente não comera mais desde que Potter se sentara. Harry já o notara,
mas como já chamara a atenção demais, decidira ignorar o olhar bisbilhoteiro do
rapaz.
- Porque você está se vestido como uma menina? –
perguntou ele, em um rompante.
Harry se engasgou com uma colherada de batatas e
precisou tomar um grande gole de suco para parar de tossir. Imediatamente, a
mesa silenciou e dez pares de olhos estavam voltados para ele. Como não havia
outra possibilidade, ele resolveu contar a verdade de uma vez.
- Meu... hmmm...
– começou Harry, hesitante. Não sabia como definir seu relacionamento com Remo
Lupin. Não se sentiria à vontade em comentar que ele fora professor de
Hogwarts, afinal, o engano dele respingaria na fama da escola. De qualquer
forma, ele era muito velho para ser chamado de amigo, apesar de nutrir, até o início da noite, uma grande simpatia
por ele.
- Meu tutor...
– disse, por fim, inventando uma mentira que achava ser convincente -
...comprou as vestes em Londres. Ele não sabia que havia dois tipos de vestes e
acho que o vendedor também não – tentou se justificar.
O garoto sardento ergueu as sobrancelhas e fez um ar
expressivo, como se compreendesse a situação do rapaz. Os demais o observaram
com uma fina incredulidade.
- Não conhecem nossas vestes em L'Angleterre? – perguntou uma menina de olhos amendoados,
com ar superior e uma expressão de desdém que fez o sangue de Harry ferver.
- Não, a maioria de nós nunca ouvira falar de Beauxbatons antes do torneio TriBruxo – respondeu
bruscamente, irritado. Rapidamente, ele notou que atingira o alvo. A menina
adquiriu um leve tom púrpuro e o rapaz podia jurar que uma fumacinha escapava
pelas suas orelhas alvas.
- Seu tutor deve ser um mat, um imbécile
– vociferou ela, largando os talheres dourados na mesa.
- Ele é um lobisomem – respondeu, simplesmente.
A garota levou as mãos na boca e se calou, olhando
pasma para Potter. Os demais também observaram o garoto com mais atenção, quase
admirados.
- Meu nome é Jacques Danton – disse o rapaz
sardento, estendendo o braço enorme entre os talheres e derrubando copos pelo
caminho. Harry cumprimentou rapidamente o rapaz, enquanto os demais reclamavam
do gesto impetuoso do colega. Logo, outros se apresentaram. Ele cumprimentou Luis
Artois, o seu cicerone; ao seu lado, estavam La Fayette e Drugall, dois rapazes
do quarto ano. Em frente, Lambert e Saint-Antoine seriam seus colegas, pois já
estavam no quinto ano. Danton, como Harry suspeitava, estava no segundo ano,
assim como Lévy. A menina que chamara Lupin de imbecil não se apresentou, bem
como suas duas amigas, que trocavam olhares nervosos e lançavam expressões
taciturnas e malevolentes para o garoto. Harry deu de ombros. Conseguira
conversar com sete pessoas entre dez. Para seu atual leque de amizades,
incluindo Hogwarts, ele estava se saindo muito bem.
O resto do jantar transcorreu um pouco melhor. A
questão das vestes fora esquecida, pelo menos naquela mesa; os alunos de
Beauxbatons estavam mais interessados no Torneio TriBruxo e na performance da
sua representante, Fleur Delacour.
- Ela não devia ter sido escolhida – resmungou a
menina de orelhas brancas, se intrometendo na conversa.
- Porque não? – perguntou Saint-Antoine, o rapaz do
quinto ano, os olhos azuis enrugados e as sobrancelhas grossas levemente
soerguidas.
- Ora, ela não devia ser muito boa, não é óbvio, mon enfant? – respondeu a garota,
encarando de leve os olhos de Harry, que trincou os dentes.
- Ela ficou em último e nem conseguiu terminar
aquele labirinto ridicule – chilreou uma
das amiga, a voz fanhosa arranhando os ouvidos de Harry.
- Ela foi atacada por Krum – disse o rapaz, bufando
e encarando as três companheiras – E eu acho que ela foi muito bem... para uma garota – completou, sentindo
uma mistura insana de raiva com desapontamento. Era óbvio que, em outras circunstâncias,
ele nunca repetiria estas palavras. Ele conhecia muito bem a grande bruxa que
Hermione era para ter estes arroubos de superioridade masculina. No entanto,
aquela garota tinha o dom de tirá-lo do sério e sua paciência estava reduzida à
bem pouco depois dos últimos acontecimentos.
Como era de se esperar, a menina babou de raiva, as
unhas compridas praticamente arrancando um pedaço da madeira da mesa.
- Para alguém que se veste como uma garota, você
está muito saliente, menininho!
As duas amigas deram gostosas gargalhadas enquanto
o sangue de Harry fervia até o ponto de ebulição. Os demais observavam,
atônitos, o embate verbal se desenrolar.
- Isso foi um
engano! – vociferou Harry, puxando a manga azul com força.
- É o que você diz, queridinho...
Felizmente, Harry não conseguiu cobrar explicações
da garota. A Madame Maxime acabara de se levantar, dando o banquete como
encerrado. Logo, o barulho dos talheres foi substituído pelo levantar das
cadeiras e o passar dos alunos. O garoto se virou para onde estavam as três
meninas, mas mal vislumbrou as suas capas esvoaçantes desaparecerem atrás da
turba. Ele bufava de raiva, emburrado e muito mal humorado. Os seus
companheiros de mesa também se despediam e o garoto notou que, pouco a pouco, o
Salão dos Banquetes estava ficando vazio. Decidido a não dar mais nenhum fora,
pelo menos hoje, ele resolveu
acompanhar os garotos, quando foi puxado por uma possante e forte mão.
- Monsieur
Potter? – disse a voz, que parecia muito mais fazer uma afirmação do que uma
pergunta.
O rapaz se virou para encarar um jovem senhor,
vestido elegantemente com um longo casaco azul escuro de botões dourados, colete
e calças beges justas, botas pretas de cano alto e uma camisa branca de gola
emplumada. Ele usava os longos cabelos de um castanho escuro presos por um nó
de tecido preto e encarava o rapaz com os olhos seguros e tranqüilos.
- Madame Maxime deseja lhe falar – disse o homem,
se virando quase que imediatamente. Harry entendeu a deixa e saiu do Salão
atrás do seu acompanhante. Eles desceram novamente as escadas e seguiram por um
amplo corredor de colunas prateadas e arcos róseos. Atravessaram várias alas
mal iluminadas e vazias, saindo para o pátio interno do Castelo. O garoto
respirou o ar fresco da noite com satisfação, desanuviando a sua mente,
enquanto o seu guia o levava por entre as cisternas e depósitos, se aproximando
da Grande Torre.
Com um movimento rápido da varinha e murmurando
algum feitiço que Harry não entendeu, ele abriu a pesada porta de ferro
engastada na pedra, entrando em um hall de tochas flamejantes e tapetes persas
fofos e convidativos. À esquerda, uma escada de pedra subia serpenteando para
cima.
- Vamos subir – informou o homem, apontando para a
escada. Harry o acompanhou, sentindo, lentamente, o cansaço dominá-lo
novamente. A escadaria não chegava a lugar algum! Não havia janelas, nem
portas, somente um número infinito de degraus. Pisando um por um, eles subiram
e subiram, iluminados por tochas intermitentes que lançavam sombras
perturbadoras para trás. Harry seguiu sempre para cima, sem descanso.
“Não há a mínima dúvida de que vamos galgar até o
alto da Grande Torre” – pensou, desanimado, marchando cada vez mais para cima. Quando
ele imaginou que suas pernas já não conseguiriam forçar mais um único passo, a
escadaria acabou, formando um pequeno terraço coberto, onde duas cadeiras de
veludo vermelho guarneciam a entrada de uma colossal porta. O homem que o
acompanhava bateu três vezes na madeira, que se abriu sem nenhum rangido.
Harry foi conduzido para o escritório mais jactante
e galhardo que jamais vira. Ele era ovalado e resplendia a incenso e
afetamento. Duas colunas romanas douradas sustentavam a cúpula em abóbada, onde
uma pintura enfeitiçada imitava o percorrer esguio das estrelas em uma via-láctea
miniaturizada. As paredes de mármore esbranquiçado eram cobertas por cortinas
de seda de várias cores, presas em balaústres dourados e ilhoses de prata
polida. Baús orientais, com arabescos que dançavam em feixes de cobre, estavam
espalhados pelo ambiente, no meio de enormes almofadas de cetim brilhante e
tapeçarias felpudas. Atrás de uma mesa de carvalho do tamanho de um carro
médio, a opulente Madame Maxime despachava com duas assistentes, que corriam de
um lado para o outro, consultando pergaminhos em uma biblioteca anexa ou
redigindo documentos com a caligrafia harmoniosa.
A diretora da escola Beauxbatons demorou alguns
minutos conversando em voz baixa com a primeira assistente, antes de se virar
para os convidados.
- Professor Aubrey, muito obrigado por conduzir
nosso jovem étudiant até minha
presença – disse, com a voz pastosa e educada.
O mestre respondeu ao agradecimento com um leve aceno
e se retirou, deixando o garoto para trás. Harry encolheu os braços, tentando
se esconder, apesar de saber que essa era uma tarefa impossível. Por alguns
momentos, a diretora o encarou com os olhos pensativos.
- Dumbly-dorr me pediu para que sua chegada fosse a
mais discreta possível – disse, afinal, depois de pigarrear alto.
Harry suspirou. Era óbvio que, depois das trapalhadas
de Lupin, até mesmo os alunos de Durmstrang estariam sabendo da entrada
apoteótica do rapaz em Beauxbatons. A diretora não tinha como frear as fofocas
entre os alunos e, muito menos, interceptar todas as corujas que tivessem
notícias nada animadoras sobre o garoto.
- No entanto, creio ser evidente que tudo isso não
passa de um equívoco – disse ela, apontando com um dedo, tão grande quanto a
empunhadura de uma raquete, para as roupas do garoto.
O rapaz acenou afirmativamente com convicção,
explicando o engano do ex-professor Lupin.
- Bem, o que está feito, está feito – disse ela, com a
expressão carrancuda e levemente aborrecida – Juliette! – chamou, batendo com
uma piteira prateada na grande mesa.
A segunda assistente, uma bruxa novinha, provavelmente
recém formada, se apresentou rapidamente, os longos cabelos cobreados descendo
suavemente pelas costas do vestido laranja.
- Mande uma coruja para Mademoiselle Dijeon, minha menina. Peça três conjuntos completos de
vestes masculinas para Monsieur Potter
– ditou, enquanto encarava o garoto – Tire as medidas dele – acrescentou.
Juliette se aproximou rapidamente de Harry, quase
tropeçando nas almofadas e tirando um suspiro mais forte da Madame Maxime. Ela
sorriu e mediu completamente o garoto, usando uma trena auto-adesiva e
escrevendo os resultados ditados em um pergaminho oficial, o selo de
Beauxbatons brilhando no canto.
- Enquanto suas novas vestes não chegam, Monsieur Potter, é melhor usar suas
roupas normais – sugeriu, erguendo uma sobrancelha para o rapaz.
Harry assentiu, agradecendo a generosidade da
diretora, que dispensou o rapaz com um gesto, retornando imediatamente para
suas outras ocupações. O garoto estava se virando para a porta, quando se
lembrou da carta de Dumbledore.
- Madame Maxime – chamou, enquanto puxava o pergaminho
das vestes.
A diretora o encarou, mordendo os lábios.
- O professor Dumbledore lhe mandou uma carta – disse
ele, segurando a correspondência na mão direita.
- Iréne – ordenou ela, fazendo saltar a primeira
assistente, uma bruxa bem mais velha e empertigada, o vestido chumbo combinando
com os cabelos grisalhos e a expressão carrancuda. Ela praticamente arrancou a
carta das mãos de Harry e a levou, diligentemente, até os dedos ossudos da
Diretora, que puxou um pequeno monóculo para ler. Depois de passar os olhos
pelo pergaminho, dobrou a carta cuidadosamente e guardou numa espécie de porta
rapé de chifre e metal dourado.
- Mais alguma coisa? – insistiu ela, ao notar que o
garoto continuava ali.
- Não... Nada, boa noite, Madame – respondeu,
rapidamente, fazendo uma leve mesura e praticamente correndo para fora, onde o
professor Aubrey o esperava, recostado em uma das cadeiras rubras.
O garoto mal lembrava da descida extenuante até o
pátio, bem como o complicado caminho até o Campanário que o levaria até o
dormitório masculino. Cansado e respirando com dificuldade, ele seguiu a
indicação do professor pelos corredores escuros dos quartos, tropeçando em
malões e camas, chegando, finalmente, ao seu leito, onde largou o corpo
cansado. Retirando com sofreguidão as malfadadas vestes, recolheu os outros
pares e as enfiou bem no fundo do baú, tencionando jogar na face de Lupin na
primeira oportunidade.
Assim como em Hogwarts, apesar da hora de dormir já
ter sido anunciada há um bom tempo, os alunos continuavam conversando. Afinal,
esta era a primeira noite na escola e havia muito papo para ser colocado em
dia, principalmente depois da chegada inesperada do novo aluno inglês.
Chateado e fazendo planos para esganar Lupin, o garoto
se enfiou debaixo dos cobertores, cobrindo a cabeça com o travesseiro, tentando
chamar, desesperadamente, um sono que não vinha. No meio da madrugada, quando
só o silêncio imperava no dormitório, o rapaz finalmente adormeceu.
<< Capítulo Anterior Próximo Capítulo>>