Casa Branca Decreta Guerra

Seria uma obra de ficção, se a notícia não tivesse sido publicada na revista Science. Os mais de 160.000 assinantes da mais conceituada publicação científica norte-americana, sediada em Washington, ficaram surpresos ao lerem a matéria de capa da edição semanal de 7 de maio. A revista, que é uma mistura bem temperada de acontecimentos importantes da ciência com uma seleção de trabalhos científicos sobre as inovações mais significativas em pesquisa global, deu destaque à mais recente e polêmica preocupação da Casa Branca: o aumento descontrolado da flatulência humana e os inevitáveis efeitos que isto provoca na estratosfera.

Região da atmosfera situada entre 15 a 50 km de altitude, a estratosfera recebe uma carga anual de aproximadamente 9.101,5 mol de flatulência humana, principalmente de três fontes: homens (23%), mulheres (45%) e crianças (32%). Os gases intestinais contribuem mais para o aumento do efeito estufa na atmosfera (95%) do que todos os outros rejeitos humanos, incluindo-se o arroto (1%), a evaporação da urina (0,3%) e o ar expelido durante o espirro (3,5%). A constatação mais assustadora destes dados é que, ao contrário do que se imaginava, as mulheres são muito mais flatulentas do que os homens, o que indica que elas desenvolveram ao longo do tempo uma apuradíssima técnica de camuflagem e uma bem sucedida capacidade diversionista, varrendo as suspeitas para outros ares.

 
Estudos realizados com sedimentos minerais do Rio Mississipi indicam que os níveis de flatulência na atmosfera até o final do século passado estavam ao redor de 200 a 300 ppm. Os cientistas concordam que está havendo um aumento constante na concentração destes gases na atmosfera, principalmente depois que o consumo de Coca-Cola e Mcfritas tornou-se a principal fonte de alimentação do americano médio.

 
Desde a década passada, os níveis médios de gás intestinal na atmosfera subiram de 280 para 345 ppm, e os ambientalistas acreditam que estes níveis subirão para 600 ppm em mais ou menos 50 anos. Somente esta mudança poderia aumentar imensamente o mau cheiro global médio do planeta. Por um tratado internacional denominado Protocolo de Montreal, sobre substâncias que poluem a camada de ozônio, os americanos viram-se agora na iminência de combater o flatulento padrão, já batizado pelos leitores da Science como Serial Poom, que numa tradução livre significa Peidorreiro em Série.

 
Oracle e a Microsoft unem-se no combate à flatulência.

Mas as piores linhas da matéria da Science aguardavam os leitores nas páginas seguintes da revista. Num lance mágico, a Casa Branca, sob a batuta da CIA e do FBI, costurou um acordo inédito entre os arqui-rivais Bill Gates, da Microsoft e Larry Ellison, da Oracle. As duas empresas estão desenvolvendo, em conjunto, um avançadíssimo sistema de monitoramento da flatulência, via satélite.

 
A Oracle está produzindo o programa que trabalhará num grande computador central que vai monitorar as pessoas que não têm PCs. Elas serão observadas por terminais instalados em empresas ou lugares públicos ou ainda, usando aparelhos portáteis relativamente baratos, como odômetro celular e sismtop, um sismógrafo de mão. Já a Microsoft vai colocar um PC em cada casa, todos com o Windows rodando o aplicativo YSLS 2000 (You Smell Like Sheet). Juntas, as duas tecnologias alimentarão a base de dados de um satélite Stealth, de 2,2 bilhões de dólares, que sobrevoará o território americano 24 h por dia, todos os dias da semana.

Simplicidade é a chave do mecanismo de busca Stealth. Essa preocupação levou a equipe da NASA a desenvolver um software para varrer o solo e ver se algo pode ser detectado, mesmo que seja um simples e involuntário gás, próprio das plenitudes pós-pranteais. Para isto, criou um robô para verificar se os gases expelidos se mantêm no ar. Entre as tecnologias adotadas, estão o sistema operacional aberto FreeBSD, o HTML, o Perl e a linguagem dos sinais, caso a comunicação com Houston seja interrompida.

 

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