TRANSPARÊNCIA
Fujo, viajo
não me acho.
Penso que me acho
mas vejo o fisco de fugir do fracasso,
de não tê-lo ao mau lado,
em meus braços.

Tranco-me como concha,
minguo como lua,
baixo como maré.
Acossada,
ofuscada,
atravancada

E, num lapso,
de aguerrida,
torno-me arredia,
vida de idas e vindas,
amores de chegadas,
de saídas.

No fluxo da maré de março,
avulto, ganho força,
e como um rio em seu curso natural
deságuo no mar,
voltando plácida, fluorescente,
transparente.
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