QUEIXAS
Queixou-se de mim a poesia...
Lamentou-se por mim a poesia
De mim fugiu o verso
Em pranto silencioso, expirou-se.

Queixou-se de mim a poesia...
Abandonada sentiu-se,
Quando versos, sonhos
Em águas correntes ecoaram
Afogando-se diante da minha presença
oculta
Triste ficou a poesia!

Queixou-se de mim a poesia...
Da minha melancolia,
Lucidez duvidosa,
Lamentos, aflições minhas.

Sorumbática...
Queixou-se do apático coração,
Exiloado, adormecido nos lençóis
Da passividade
Da quietude do esquecimento dos
versos,
Que do coração entoava.

Queixou-se de mim a poesia...

Livra-me da camisa-de-força, eu sou a
poesia!
Livra-me da indolência, eu sou a
poesia!
Livra-me, que a vida está à espera, eu
sou a poesia!

Hermético, não é o coração do poeta!
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