NOITE
A noite chega
Sinto frio, sinto medo,
Por que sinto medo?
Tão linda noite,
Tão calma noite,
Tão longa noite.

E no silêncio da noite,
Na solidão da noite,
No cintilar da noite,
Sinto-me assim...
Na imensidão, na sofreguidão,
Na escuridão.

Noite, misteriosa companheira,
Também traiçoeira,
Trazendo lembranças,
Que se diziam esquecidas,
Mas ainda tão aquecidas,
Sofridas...

A estrela maior a brilhar,
Solidão a lamentar,
Questões a levantar,
Cigarros a fumar,
Na noite dos mistérios,
Dos castelos, dos choros, dos luares...

E quando a brisa penetra,
Pela fresta da janela entreaberta,
Subtraindo a angústia febril do inocultável desejo,
Adormeço...
Na cálida noite,
Também dos amantes, dos amores, das dores.

Amiúde encontro-me
No refúgio dos insones,
No recolhimento,
Na cumplicidade
Dos solitários noturnos.
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