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MEDITAÇÃO
PARA TRANSCENDER AS EMOÇÕES
TRANSCENDENDO
A DOR
Você
sente dor em alguma parte de seu corpo, por exemplo: você sente dor em
sua perna, concentre-se em sua perna, esqueça-se de todo o resto, esqueça-se
do restante do seu corpo e esqueça-se do mundo. Concentre-se apenas na
perna, na dor que sente em sua perna. Observe-a atentamente. Você irá
observar que, à medida que você se concentra, a área dolorida se reduz,
a dor agora é apenas na coxa, ou no joelho, ou na barriga na perna...
Continue concentrando-se, agora apenas nessa parte da perna, o restante da
perna já não mais existe. Novamente a área dolorida se reduzirá,
continue concentrando-se até que reste apenas um ponto. O ponto onde
realmente a dor está. Então permaneça concentrado, apenas nesse ponto
e, perceberá, que até esse ponto deixará de existir. Em seu lugar ficará
apenas uma sensação de frescor.
Durante
toda a técnica, combine a concentração com uma respiração lenta,
profunda, harmoniosa. Poderá acontecer no início, da dor se
intensificar, porém isso é sinal de que você está realmente dirigindo
sua consciência a ela, mas à medida que você vai se concentrando, ela
progressivamente vai sendo eliminada.
Você
poderá associar a essa técnica, a visualização: enquanto você
concentra-se na parte do corpo dolorida, visualize uma luz intensa,
brilhante, penetrando na parte afetada, imagine toda a parte afetada sendo
preenchida pela luz, mentalize que essa luz curativa está eliminando toda
a dor.
Quando
você integrar essa técnica, vá mais fundo, procure focalizar o que
ocasionou essa dor, penetre nessa dor e vá fundo, veja onde ela o leva, a
que sentimentos ou emoções. Você irá perceber que, na maioria das
vezes, existe uma emoção ou sentimento presente na origem da dor. Mesmo
quando você sofre um acidente, você esfola o joelho ao tropeçar na calçada,
você está com dor no joelho porque ele está esfolado. Mas o que o levou
a tropeçar? Você estava disperso, desatento, ansioso... isto o levou a
tropeçar. Agora, porque você estava disperso, desatento, ansioso? Vá
fundo, vá mais fundo, você irá aprender muito sobre você.
SOFRIMENTO
A
frustração e o sofrimento conduzem a profunda compreensão de nós
mesmos, é a compreensão de que não há jeito de escapar a dor senão
passando através e além dela. Quando estamos confortáveis, muitas vezes
não estamos nem um pouco interessados em continuar a olhar, mas quanto
mais frustração, dor e confusão nós sentimos, tanto mais urgentemente
buscamos um meio de sair disso. O sofrimento propriamente dito, não nos dá
nenhuma resposta, mas pode puxar-nos interiormente para o despertar, para
iniciar a meditação, para desenvolver nossas percepções.
O
sofrimento, portanto, pode ser visto como uma experiência positiva,
porque nos dá a oportunidade de transformar nossas emoções e de nos
trazer para mais perto da libertação. Quando nós compreendemos isso,
podemos acordar e encontrar a força interna e a energia que nos sustentarão
cada dia pelo resto de nossas vidas.
DOENÇAS
Nossos
desejos são como o fogo, quão mais o alimentamos mais brilham em sua
queima. Desde que os desejos não podem sempre ser satisfeitos, a frustração,
a raiva e o ressentimento se estabelecem.
Doença
é a resposta da Mãe Natureza a nossos incansáveis esforços para a
destruição e indulgência. A doença é a maneira que a Natureza tem
para refrear-nos. Em sua compaixão, ela nos avisa primeiro,
com enfermidades brandas, de que estamos caminhando para um precipício.
Quando teimosamente, recusamos ouvir. Ela retruca com doenças mais
severas.
A
saúde, ao contrário, é uma feliz jornada de volta à harmonia. Desejos,
possessões materiais, gratificação dos sentidos, são vistos na
perspectiva própria. Amor, fé, compaixão, compartilhamento e carinho,
tomam lugar das emoções negativas. Isto nos põem em contato com nosso
Guia Interior. Se estamos ouvindo, se estamos afinados, o Guia Interior
nunca falha em guiar-nos.
Portanto,
a doença, tem um importante papel na nossa vida, sendo ela em níveis físico,
emocional, mental ou espiritual. Quando ela se apresenta, antes de
resolvermos eliminá-la, devemos nos interiorizar e buscar consciência de
sua origem.
Tomemos
o exemplo de uma dor de cabeça. você a sente, então vai ao seu armário
de remédios e toma um comprimido para eliminá-la, na maior parte das
vezes, isso basta para que ela seja eliminada. Ótimo, porém o que você
fez, nada mais foi do que mascará-la, pois em breve, ela retornará, pois
a dor de cabeça nada mais era do que um sintoma, não uma doença. Você
somente obterá um resultado efetivo, combatendo a causa da dor de cabeça.
para isso, você deverá se conscientizar da origem dessa dor, que muitas
vezes, não está em nosso corpo físico, e sim no emocional, mental ou
espiritual. Quando temos consciência da origem, podemos trabalhar em sua
transmutação. Podemos modificar o que está nos prejudicando, e conseqüentemente
afetamos a doença.
Por
isso é necessário que participemos de nossa cura. Somente assim
cresceremos. Tudo o que passamos, tem uma razão de ser. Nossas
dificuldades nos projetam para a evolução. Porém é necessário que
absorvamos os ensinamentos que elas descortinam. E cada dificuldade que
superamos, nos torna mais fortes e preparados para que, quando tivermos
que enfrentar algo semelhante não mais nos abale tanto.
Muitas
pessoas pensam que, quando você entra no caminho espiritual, ou entra em
contato com alguma técnica de equilíbrio, harmonização ou cura, que não
mais passará por nenhuma dificuldade, ou não mais irá adoecer.
Porém, isso não é verdade. O que acontece, é que você passa a ter uma
percepção diferente de todas essas coisas. Seus valores começam a se
transformar. Você começa a valorizar o que realmente é valioso.
E passa a confiar que tudo o que te for necessário e for de seu merecimento,
no momento certo, será conquistado. Desta forma, você
se liberta da ansiedade, pois você
pode focalizar
apenas o presente, sem remoer o passado, ou perder tempo com aspirações
para o futuro. Concentrando toda sua energia no momento presente, cada
momento será um momento de alegria, independente desse momento ser feliz
ou não. Pois o seu espírito será livre para aproveitar intensamente
esse momento. Absorvendo tudo o que ele lhe proporciona. Festejando a
felicidade ou aprendendo com a dor. Pois cada experiência de nossa vida
tem o seu potencial positivo, tudo depende da nossa intenção e da nossa
entrega. Nós podemos transformar qualquer situação, mas para isso é
necessário que sejamos conscientes.
DIRIGINDO-SE
PARA A FONTE
“Quando
um sentimento contra ou a favor de uma pessoa surgir, não o coloque na
pessoa em questão, mas permaneça centrado”.
Quando
surge um sentimento de ódio contra uma pessoa, ou um sentimento de amor
por alguém, que fazemos? Nós o projetamos sobre a pessoa. Se você sente
raiva de mim, esquece completamente de si mesmo nessa raiva, apenas eu me
torno o seu objeto. Se sente amor por mim, você esquece completamente de
si mesmo; só eu me torno o objeto. Você projeta seu amor, seu ódio ou
outra coisa qualquer sobre mim. Você se esquece completamente do centro
interior do seu ser; o outro torna-se o centro. Este sutra diz que, quando
o ódio, o amor ou outro sentimento qualquer a favor ou contra alguém
surgir, “Não o projete na pessoa em questão”. Lembre-se, você é a
fonte.
Eu
o amo. O sentimento mais comum é de que você é a fonte do meu amor.
Mas, na verdade, não é assim. eu sou a fonte. Você é apenas a tela
onde projeto meu amor. Você é só uma tela; eu projeto meu amor em você
e digo que você é a fonte do meu amor. Não é o que acontece. Isso é
ficção. Eu lanço a minha energia de amor e a projeto em você. Nessa
energia amorosa projetada em você, você se torna encantador. Talvez não
o seja para outra pessoa. Talvez seja absolutamente repulsivo para outro.
Por quê? Se você fosse a fonte do amor, então todos deveriam sentir
amor por você. Mas você não é a fonte. Eu projeto amor e então você
se torna encantador; outro projeta ódio e você se torna
repulsivo. E outra pessoa não projeta nada- é indiferente- talvez
nem mesmo olhe para você. O que está acontecendo? Estamos projetando
nossos próprios estados para os outros.
É
por isso que, se você está em lua de mel, a lua parece tão linda,
milagrosa, maravilhosa. Parece que o mundo inteiro é diferente. E, na
mesma noite, para o seu vizinho, esta noite milagrosa pode não estar
existindo. O filho dele morreu, então a mesma lua é triste, intolerável.
Mas, para você, é encantadora, fascinante. Por quê? A lua é a fonte ou
é apenas uma tela na qual você está-se projetando?
Este
sutra diz: “Quando um sentimento contra ou a favor de alguma pessoa
surgir, não o coloque na pessoa em questão” (ou no objeto em questão).
Permaneça centralizado. Lembre-se de que você é a fonte, por isso não
se dirija para o outro: dirija-se à fonte. Quando sentir raiva, não se
dirija ao objeto. Vá para o ponto de onde provém a raiva. Não vá à
pessoa a quem ela está sendo dirigida, mas sim para o centro de onde ela
vem. Dirija-se para o centro; vá para dentro; use a sua raiva, o seu
amor, ou qualquer outra coisa como uma jornada em direção ao centro
interior até a fonte. Dirija-se à fonte e permaneça centralizado aí.
Tente!
Esta é uma técnica psicológica muito científica, alguém o insultou; a
raiva de repente explode; você está fervendo. A raiva está fluindo em
direção à pessoa que o insultou. Agora você projetará toda essa raiva
sobre ela. E ela não fez nada. Se o insultou, o que fez ela? Apenas o
provocou, ajudou para que sua raiva surgisse, mas a raiva é sua. Se alguém
chegar a um Buda e o insultar, não será capaz de criar nele nenhuma
raiva. Ou, se chegar a Jesus, Jesus lhe dará a outra face. Ou, se chegar
a Bodhidarma, ele vai morrer de rir. Isso depende.
O
outro não é a fonte. A fonte sempre está dentro de você. O outro está
apenas atingindo a fonte, mas, se não existir raiva dentro de você. Ela
não surgirá. Se você bater num Buda, só sairá compaixão, porque nele
só a compaixão existe. A raiva não virá a tona porque ela não existe.
Se você jogar um balde num poço seco, não sairá nada. Num poço cheio
você joga o balde e a água vem, mas a água é do poço. O balde só
ajuda a trazê-la para fora. Assim, a pessoa que o insulta está apenas
jogando um balde em você o balde sai cheio da raiva, do ódio, do fogo
que há dentro de você. Você é a fonte, lembre-se.
Para
essa técnica, lembre-se de que você é a fonte de tudo o que está
projetando nos outros: lembre-se sempre disso. E, sempre que
houver um sentimento contra ou a favor, volte imediatamente para
dentro e vá à fonte de onde provém o ódio. Fique centralizado aí; não
se dirija para o objeto. Alguém lhe deu a oportunidade de ter a
consciência de sua própria raiva: agradeça-lhe imediatamente e esqueça-se
dele. Feche os olhos, volte-se para dentro e olhe para a fonte de onde vem
esse amor ou essa raiva. De onde vem? Vá para dentro; entre: aí você
encontrará a fonte, porque a raiva vem da sua fonte.
O
ódio, o amor, tudo vem da sua fonte. E é fácil chegar à fonte no
momento em que se está sentindo raiva, amando ou odiando, porque então
você está quente. É fácil entrar nessa hora. O fio está quente e você
pode usá-lo. pode ir para dentro com esse calor. E quando você atingir lá
dentro um ponto frio, de repente Realizará uma dimensão diferente, um
mundo diferente se abrindo à sua frente. Use
a raiva.
Use
o ódio, use o amor para entrar.
Sempre
os usamos para nos dirigirmos aos outros, e sentimo-nos muito frustrados
quando não há ninguém em quem projetar. Vamos então projetando até
sobre objetos inanimados. Tenho visto pessoas furiosas com seus sapatos,
arremessando-os com raiva. O que estão fazendo? Tenho visto pessoas
enraivecidas batendo portas, jogando toda a raiva sobre a porta,
xingando-a, usando até palavrões contra ela. O que estão fazendo?
Vou
terminar com um enfoque Zen sobre isso. Um dos maiores mestres
Zen, Lin-Chi, costumava dizer: “Quando eu era jovem, adorava andar de
barco. Tinha um pequeno barco e ia para o lago sozinho. Era capaz de ficar
ali durante horas.
Um
dia, aconteceu que, de olhos fechados, eu estava meditando no meu barco
sobre a noite tão maravilhosa. Um barco vazio veio flutuando com a
correnteza e aproximou-se e bateu no meu. Meus olhos estavam fechados e
então eu pensei: ‘alguém está batendo seu barco contra o meu’.
Senti raiva. Abri meus olhos e já ia dizer alguma coisa com raiva para
aquela pessoa. Então percebi que o barco estava vazio. Não havia jeito
de me extravasar. A quem eu poderia expressar minha raiva? O barco estava
vazio. Estava apenas flutuando na correnteza, chegou e bateu no meu
barco”.
Assim,
não havia nada a fazer. Não havia possibilidade de projetar minha raiva
num barco vazio.
Então
Lin-Chi falou: “Fechei os olhos. A raiva estava ali presente, mas não
achando um jeito de sair. Fechei os olhos e simplesmente comecei a navegar
naquela raiva. E o barco vazio
tornou-se
a minha Realização. Naquela
noite silenciosa cheguei a um ponto dentro de mim. Aquele barco
vazio foi meu guru. E agora, se alguém vem num barco e me insulta, dou
risada e digo que esse barco também está vazio. Fecho os olhos e vou
para dentro”.
Mas
quando experimentamos esta técnica com nossa raiva, nosso ódio, etc...,
sentimos que estamos reprimindo nossas emoções e isso se torna um
complexo reprimido. Como ficar livre desses complexos reprimidos enquanto
praticamos a técnica mencionada?
A
expressão e a repressão são dois lados da mesma moeda. São contraditórios
mas, basicamente, não são diferentes. Na expressão e na repressão, em
ambos, o outro é o centro.
Eu
estou com raiva: reprimo a raiva. Eu ia expressar a raiva contra você.
Mas a raiva continua sendo projetada em você, seja ela expressa ou
reprimida.
Esta
técnica não é de repressão. Esta técnica transforma a própria base
tanto da expressão quanto da repressão. Esta técnica diz para não
projetar no outro; você é a fonte. Expressando ou reprimindo você é a
fonte. A ênfase não está nem na expressão, nem na repressão. A ênfase
está em saber de onde vem essa raiva. Você tem de ir para o centro, para
a fonte, onde surgem a raiva, o ódio, e o amor. Quando você reprime, não
está indo para o centro. Está lutando contra a expressão.
A
raiva surgiu em mim. Normalmente, posso fazer duas coisas, expressá-la em
alguém ou reprimi-la. Mas, em ambos os casos estou preocupado com o outro
e com a energia da raiva que veio à superfície, não com a fonte.
Esta
técnica é para esquecer o outro completamente. Olhe apenas para a sua
energia de raiva surgindo e vá bem no fundo para encontrar a fonte dentro
de si mesmo, de onde ela está vindo. E, no momento em que você encontrar
a fonte, permaneça centralizado nela. Não faça nada com raiva,
lembre-se. Expressando, você está fazendo algo com a raiva; reprimindo,
também está fazendo algo com ela. Não faça nada com raiva; não toque
nela. Use-a apenas como um caminho. Vá bem fundo dentro dela para saber
onde surgiu. E, no momento em que encontrar a fonte será muito fácil
ficar centralizado nela. A raiva tem de ser usada, na verdade, como um
caminho para encontrar a fonte. Qualquer emoção pode ser usada.
Quando
você reprime, não encontra a fonte: está só lutando com a energia que
surgiu e que quer ser expressa. Você pode reprimi-la,
mas ela será expressa mais cedo ou mais tarde, porque você não pode
lutar contra a energia que surgiu. Ela tem de ser expressa. Assim, você não
pode expressá-la sobre “A”, mas expressa-a sobre “B” ou “C”.
Sempre que encontrar alguém mais fraco do que você, expressará a
energia. E, a menos que o faça, sentir-se-á carregado, tenso, pesado e
até doente.
Portanto,
ela será expressa. Você pode reprimi-la constantemente. Por algum lugar
ela escapa, porque se não escoar, você estará constantemente preocupado
com ela. Assim, a repressão nada mais é do que uma expressão adiada.
Você simplesmente adiará.
Você
sente raiva de seu chefe, e não pode expressar isso. Não é “bom negócio”.
Você vai ter que engolir e, assim, vai esperar apenas até que possa
expressá-la em sua mulher, em seus filhos, ou em qualquer outra pessoa -
em seu empregado. E, no momento em que chegar em casa, você a expressará.
Encontrará motivos, é claro, porque o homem é um animal racional. Ele
raciocinará, encontrará alguma coisa, algo trivial. Mas que agora se
tornará muito importante, porque ele tem alguma coisa para expressar.
A
repressão não é outra coisa senão um adiamento. Você pode adiar por
meses, ou anos, mas ela terá de ser expressa. Esta técnica não está
nem um pouco interessada na repressão ou na expressão - não! Esta técnica
usa a sua emoção, a sua energia, como um caminho para você ir fundo
dentro de si mesmo.
Crie
uma emoção qualquer, mas não há necessidade, porque as emoções estão
presentes o dia todo. Use qualquer uma para meditar. Então, você se
esquece completamente do outro e não está reprimindo nada. Está apenas
mergulhando com uma energia que surgiu. Toda energia vem da fonte, por
isso, nesse exato momento, o caminho está quente e você pode usá-lo
para voltar. E, no momento em que você alcança a fonte original, a
energia se dilui na fonte original. Isso não é repressão: a energia
voltou a fonte original. E, quando você for capaz de reunir sua energia
à fonte original, se tornará o mestre de seu corpo, da mente e da sua
energia. Você se tornará o mestre!
Agora não dissipará sua energia.
Uma
vez que saiba como sua energia volta com você para o centro, não há
necessidade de qualquer repressão. Nem de qualquer expressão. Neste
momento você não está zangado. Eu digo
uma coisa você fica zangado. De onde essa energia está vindo? Um
minuto antes você não estava zangado, mas a energia estava dentro de você.
Se ela puder voltar de novo para a fonte, você será o mesmo que há um
minuto.
Lembre-se
disto: energia não é raiva, amor, nem ódio. Energia é simplesmente
energia - neutra. A mesma energia se torna raiva; a mesma energia se torna
sexo, a mesma energia se torna amor; a mesma energia se torna ódio. Tudo
isso são formas da mesma energia. Você dá a forma, sua mente dá a
forma e a energia se move dentro dela.
“Portanto,
lembre-se, se você amar profundamente, não terá muita energia para
ficar zangado. Se não amar, então terá muita energia para se irritar e
continuará encontrando muitas situações para ficar zangado”.
O
que significa isso? Cientificamente, significa que sua energia inteira
voltou para a fonte. Se você a expressa, ela vai para fora. E,
expressando-a, você está criando hábito para a energia sair, para ela
ser liberada. Se você a reprime, então a energia não se moveu nem para
dentro nem para fora: fica suspensa. E uma energia suspensa é uma carga.
É
por isso que, se você realmente exprime a raiva, sente-se aliviado. Se
destrói alguma coisa, seu ódio é liberado e você se sente aliviado.
Por que é sentido esse alívio? Porque a energia suspensa é uma carga
pesada. Sua mente fica anuviada por ela. Você tem de jogá-la fora ou
permitir que ela volte à sua fonte original: só existem essas duas
possibilidades.
Se
ela volta à fonte, torna-se amorfa. Na fonte, a energia não tem forma.
Por exemplo, a eletricidade é amorfa. Quando ela existe em um ventilador,
toma um tipo de forma. Quando está em uma lâmpada, toma uma forma
diferente. Você pode usá-la de mil maneiras. A energia é a mesma. A
forma é dada pelo mecanismo na qual ela se move.
A
raiva é um mecanismo; o sexo é um mecanismo; o amor é um mecanismo; o
ódio também. Quando a energia se move pelo canal do ódio, torna-se ódio.
Se a mesma energia se mover pelo canal do amor, se tornará amor. Mas,
quando ela se move para fonte, é uma energia sem forma, energia pura. Não
é ódio nem amor, nem raiva, nem sexo: simplesmente energia. Então é
inocente, porque a não forma é inocência absoluta. Por isso é que:
Jesus, Buda parecem tão inocentes, como uma criança. A energia se moveu
para a fonte.
Não
exprima, porque estará desperdiçando sua energia e ajudando a outro a
desperdiçá-la também. Não a reprima, porque então estará criando um
fenômeno suspenso que terá de ser aliviado. Então o que fazer?
Não
faça nada com o sentimento em si. Volte para a fonte de onde ela vem. E
quando a sensação ainda está quente, o caminho é claro, internamente
visível. Você pode se dirigir para ele. Use os sentimentos para meditar.
O resultado é milagroso, inacreditável. E, uma vez que você encontra a
chave que mostra como canalizar a energia de volta para fonte, você tem
uma qualidade diferente de personalidade. Não está mais desperdiçando
coisa alguma.
OSHO.
Bhagwan Shree Rajneesh. O
Livro dos Segredos. Ed. Ícone.
MEDITAÇÃO
PARA TRANSCENDER AS EMOÇÕES
Acomode-se
confortavelmente. Feche os olhos, e concentre-se em sua respiração.
Respire lenta e profundamente, deixando-se ir mais fundo a cada respiração.
Enquanto respira deixe que todas imagens, pensamentos e impressões que
lhe acompanharam durante o dia venham à sua consciência. Deixe que
passem, como nuvens em dia de tempestade, como um forte vento que passa
sem deixar marcas, simplesmente passam. Libertando-se de toda ansiedade e
aspiração. Imagine agora uma luz azul preenchendo todo o ambiente, essa
luz azul é relaxante e irá relaxá-lo em níveis físico, emocional,
mental e espiritual. Relaxando sua pele, músculos, nervos e ossos.
Imagine a luz envolvendo todo o seu ser enquanto você relaxa
concentrando-se em cada parte de seu corpo.
Dirija
toda a sua atenção para seus pés, esqueça-se do restante de seu corpo,
concentre-se apenas em seus pés. Nos dedos dos pés, sola, calcanhares,
dorso e tornozelos. Sinta seus pés inteiramente relaxados.
Então,
dirija-se para suas pernas, dos tornozelos até os joelhos, relaxe todos
os músculos de suas pernas, sinta suas pernas relaxadas.
Proceda
da mesma forma para o restante do corpo: suas coxas, dos joelhos até os
quadris; toda a área de seus quadris, nádegas e órgãos genitais; área
do abdômen, músculos do abdômen e órgãos internos; toda a área do tórax;
costas da base da coluna até o pescoço, músculos das costas e vértebras
da coluna; braços dos dedos das mãos aos ombros, dedos das mãos, mãos,
pulsos, antebraços, cotovelos, braços, ombros; pescoço, músculos do
pescoço, garganta e cordas vocais; cabeça, queixo, maxilares, boca (a língua
deve ficar solta repousando suavemente), nariz, faces, orelhas, olhos, pálpebras,
testa, nuca, topo da cabeça.
Agora,
mentalize a raiva que você está sentindo (ou outra emoção qualquer),
esqueça-se de todo o resto, concentre-se unicamente nessa emoção. Então
tome consciência de que você é a fonte dessa emoção, que a outra
pessoa é a ferramenta que o auxiliou a reconhecê-la a perceber sua
presença. Entre fundo nessa emoção, comece a retroceder, busque outras
emoções que acompanham essa emoção. Em que situações ela torna-se
mais evidente? Que sentimentos você tem reprimido e fortalecem essa emoção?
O que você tem buscado negar, porém o persegue incessantemente? Entre
profundamente nessa emoção, vá até o seu centro, até a origem. Então,
quando você encontrar a origem, ela se dissolverá. Tornar-se-á apenas
energia, energia pura, que você poderá tornar amor, amor por você
mesmo, amor por outras pessoas ou amor incondicional pelo Universo.
Imagine
a energia tornando-se amor, imagine o amor sendo representado por uma luz
dourada, e essa luz dourada impregnando-o inteiramente, harmonizando-o.
Imagine agora que essa luz que o envolveu expande-se envolvendo o seu
corpo, e que você irradia essa luz, afetando a todos os que se
aproximarem de você com essa energia amorosa.
Quando
você sentir que está completamente harmonizado, e houver transcendido a
emoção, retorne a sua consciência objetiva.
Agora
você possui uma ferramenta para transcender a emoção, sem necessitar
reprimi-la ou expressa-la. Depende de você utilizá-la ou não.
Técnicas
Sumário
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