Livro Virtual "PORTAL PARA HARMONIA Manual Prático de Meditação"


 

Parte III - MEDITAÇÃO

“Existe uma bela analogia que pode ser encontrada nas tradições orientais e também no ocidente. Esta descreve uma pessoa sendo comparada com uma lâmpada cujo vidro está coberto de sujeira mantendo a luz no interior pura e incorrupta. O vidro sujo que encobre a luz representa todas as imperfeições, impurezas, distorções da personalidade. Nosso serviço é o de remover a sujeira para que a luz, que sempre esteve ali, possa se manifestar. O que chamamos de mal é a interferência da personalidade com a natureza pura e incorrupta da alma. O mal é simplesmente a ausência do bem. De uma perspectiva mais elevada, o mal é o bem que ainda não se manifestou. Para usar uma analogia física, existe uma partícula de luz, chamada fóton, mas não há partículas de escuridão. Se uma sala está escura, não é porque existe escuridão sendo emitida, é porque existe uma ausência de luz”.

ESSENE, Virginia & FEURST Irving. Bênção de Energia das Estrelas – Sete Iniciações, Spiritual Education Endeavors Publishing, Califórnia, EUA.  

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SOBRE A MEDITAÇÃO

 A saúde é um estado natural, ela pertence a todos nós, é um tesouro disponível, como o amor, a paz, a espiritualidade, a fé, a abundância, etc...

Muitas situações das que vivemos hoje e com as quais não concordamos são resultado de escolhas erradas que fizemos. Nossas doenças, vícios, relacionamentos, etc... são criados por nossos pensamentos, emoções e crenças, com as quais alimentamos nosso subconsciente. Se o alimentamos com crenças restritivas, levamos uma vida repleta de limitações. Porém se o alimentamos com crenças construtivas, caminhamos para uma vida plena, libertando-nos da preocupação, tristeza, medo, raiva, ansiedade, angústia, baixa auto-estima, etc... que limitam nossa realização.

Todos possuímos o mesmo potencial, porém alguns o exploram mais que os outros.

“A mente agitada está sempre concentrada no passado e no futuro, ao passo que meditar é focalizar o presente”.

São inúmeros os benefícios da meditação.

Ela produz um estado fisiológico de profundo relaxamento, junto a um estado mental desperto e altamente alerta. Um homem dormindo consome seis vezes mais oxigênio que meditando. Há uma diminuição no metabolismo e no ritmo cardíaco e respiratório, fortalece o sistema imunológico equilibrando o trabalho das células como um todo. É um maravilhoso antídoto contra angústia, ansiedade, medo, stress, etc... quando entramos em estado meditativo, harmonizamos nossas emoções, proporcionando um estado de profunda paz e serenidade

Nas primeiras práticas, podemos demorar a alcançar esse estado, e algumas pessoas, nem o alcançam nas primeiras vezes, porém com a determinação, cada vez maior, nós o atingimos mais rapidamente e seus efeitos são cada vez mais prolongados.

Existem muitas formas de conectar-nos com o DEUS de nossa devoção: a meditação é uma delas, e ela pode intensificar qualquer outra. A meditação quando utilizada em conjunto com a canalização ou com a oração, permite ao praticante um maior centramento.

A prática da meditação independe de religião. Seja qual for sua religião, ela poderá fortalecer sua fé, pois a meditação não é algo palpável ou algo que se possa explicar racionalmente. Para se compreender a meditação é necessário praticá-la. Sendo assim, à medida que você pratica a meditação e vislumbra os resultados que ela lhe proporciona, sua se fortalece.

 

TRÊS FASES DA MENTE E A MEDITAÇÃO

Associação:

O pensamento comum é o estado natural de nossa mente, é o pensar associativo, um pensamento leva a outro, sem qualquer direção de sua parte. O pensamento o leva por si a outro por causa da associação.

Você vê um cachorro atravessando a rua: no momento em que o vê, sua mente começa a pensar em cachorros. O cão o conduz, então, a mente faz muitas associações. Quando você era criança, tinha medo de um cão em particular. Esse cão vem em sua mente e sua infância também. Então os cães são esquecidos. E, apenas por associação, você começa a relembrar a infância, depois a infância continua ligada à outras coisas, e você se move em círculos.

Quando você estiver relaxado, tente voltar seus pensamentos para onde eles nasceram. Volte, volte os passos. Então verá que estava presente outro pensamento que o levou a este. E eles não estão relacionados logicamente, porque, como pode um cachorro, na rua, estar ligado à sua infância?

Não existe conexão lógica, apenas uma associação na mente -. Se eu tivesse cruzado a rua, o mesmo cachorro não me levaria à infância. Levaria à outra coisa qualquer. Em uma terceira pessoa levaria a outra coisa ainda. Todo mundo tem elos associativos na mente, em qualquer corrente, qualquer acontecimento, qualquer acidente o leva à corrente. Então a mente começa a funcionar como um computador. E uma coisa leva à outra, outra leva ainda à outra e você fica assim, o dia todo fazendo isso.

 Contemplação:

O pensamento torna-se contemplação, quando não acontece através da associação, mas é dirigido. Você está trabalhando em um problema particular e isola todas as associações. Você trata apenas daquele problema, você direciona sua mente. A mente tentará novamente escapar, por qualquer outro lado, para alguma associação. Você corta todos os atalhos. Dirige sua mente em apenas uma via.

- Um poeta contempla uma flor, então o mundo todo é suprimido e, apenas essa flor e o poeta permanecem. E ele se move com a flor. Muitas coisas paralelas o atrairão. Mas ele não permitirá que sua mente se desvie. A mente se move em uma linha única, dirigida. Isso é a contemplação.

 Concentração:

Concentrar-se é permanecer em um só ponto. Não é contemplação. Não é pensar, não é contemplar. Na verdade é estar em um só ponto, sem permitir que a mente se mova. No pensar, a mente se move como uma louca, no pensar comum. Na contemplação, o louco é conduzido, dirigido, não pode escapar para lugar nenhum. Na concentração a mente não tem permissão para mover-se, só pode ficar em um só ponto. A energia inteira, o movimento inteiro pára, fixa-se em um só ponto.

 Meditação:

No pensar comum, a mente tem permissão para se mover para qualquer lugar; na contemplação, apenas para uma direção, todas as outras são eliminadas; na concentração, não tem permissão para mover-se nem mesmo em uma única direção. Pode-se concentrar em apenas um ponto. E na meditação, a mente nem é permitida. Meditação é “não mente”. Esses são os quatro estágios, pensamento comum, contemplação, concentração e meditação.

Meditação significa não mente, nem mesmo a concentração é permitida. A própria mente não tem licença para existir. Por isso é que a meditação não pode ser percebida pela mente. Até a meditação a mente tem acesso, um acesso aproximado. A mente é capaz de compreender a concentração. Mas não pode compreender a meditação. Na verdade, nela, a mente não é permitida de modo algum. Na concentração, a mente tem licença para existir num ponto único. Na meditação até mesmo esse ponto é retirado. No pensar comum, todas as direções estão abertas; na contemplação, apenas uma; na concentração, apenas um ponto está aberto, nenhuma direção; na meditação, até mesmo esse ponto não fica aberto, a mente não tem permissão para existir.

O pensar comum é o estado de mente normal, a meditação é a possibilidade mais alta. A mais baixa o pensar comum, a associação; e a mais alta é a meditação - a não mente.

Como pode estados mentais auxiliar à chegar ao estado de não mente?

Você diminui sua mente aos poucos. É como se retirasse o móvel de uma sala, um espaço é criado aí, se você tirar mais móveis, mais espaço é criado. Então você retira todos os móveis, a sala toda se tornará espaço. Na verdade o espaço não foi criado pela retirada dos móveis. O espaço já estava aí: só que estava ocupado pelos móveis, quando você retira os móveis, nenhum espaço entra vindo de fora. Você retirou a mobília e o espaço foi recuperado, reivindicado. Bem no fundo, a mente é um espaço ocupado. Repleta de pensamentos. Se você retira alguns pensamentos, o espaço é criado, ou descoberto, recuperado. Se continuar removendo seus pensamentos, aos poucos irá recuperando seu espaço. Esse espaço é a meditação.

É natural a mente querer nos dominar seguir sua própria direção, porém se desejamos alcançar a meditação, necessitamos discipliná-la, durante a contemplação ela tentará fugir muitas vezes. Quando ela fugir traga-a de volta, quantas vezes for necessário; na concentração também; no entanto, se persistirmos, ela se habituará à contemplação e à concentração e então a meditação surge.

OSHO. Bhagwan Shree Rajneesh. O Livro dos Segredos. Ed. Ícone.

PREPARANDO O AMBIENTE PARA MEDITAÇÃO

  Nós podemos meditar em qualquer lugar: em casa, em um templo, junto à natureza, no carro, enfim, onde desejarmos. O mais importante, não é o local e sim a atitude, a entrega à meditação.

Também não é necessário nada, além de nós, para meditar: nenhum aparelho, elemento ou ritual.

Porém existem algumas coisas que poderão criar um ambiente mais propício à meditação.

Você poderá utilizar a representação dos quatro elementos básicos da natureza, que elevam a qualidade vibratória do local: um copo ou uma jarra com água, representando o elemento água; um incenso ou difusor aromático, representando o elemento ar; cristais, pedras naturais ou sal grosso, representando o elemento terra; e uma vela representando o elemento fogo.

Além de proporcionar um ambiente agradável, os elementos proporcionam uma transformação energética, elevando o padrão vibratório do ambiente, principalmente o fogo, que promove uma transmutação quase que instantânea.

No caso dos cristais e das pedras naturais, a melhor forma de escolhê-los é pela intuição, pois costuma-se dizer que: “nós não escolhemos os cristais, eles nos escolhem”. E eles devem ser periodicamente limpos e energizados, o que poderá ser feito, deixando-os de molho em um recipiente com água e sal grosso por algumas horas, e após, deixa-los sob a luz do Sol ou da Lua, por um dia ou uma noite. Deixá-los sob uma tempestade com raios também é muito eficiente tanto para limpá-los quanto para energizá-los.

O sal grosso deverá ser trocado diariamente.

Além desses quatro elementos básicos, podemos utilizar uma música agradável, que auxiliará a aprofundar nosso relaxamento: sons da natureza, cantos Gregorianos, músicas clássicas, New Age, etc...

Você poderá também utilizar uma iluminação suave, com algumas lâmpadas coloridas, as quais cada cor estimula uma determinada qualidade.

Você poderá se basear na Cromoterapia para a escolha das cores. Eu prefiro me basear nas informações que obtive nos seminários do Sistema Devocional a respeito dos Raios Cósmicos, que me proporcionaram ótimos resultados.

Azul

tranqüilidade, paz, renovação, amor espiritual e incondicional

Amarelo-ouro

inspiração, intuição, sabedoria, energia vital

Rosa, Laranja

bondade, amor altruísta, serenidade, liberdade

Branco

pureza, purificação, ascensão, desobstrução, limpeza profunda

Verde

cura, verdade, luz da consciência, conhecimento concreto

Vermelho-rubi

entrega, devoção, atividade, força, aspiração

Violeta

transmutação, renovação, libertação

Você poderá obter mais informações sobre os Raios Cósmicos nas obras de Trigueirinho. Editora Pensamento.

 LIMPEZA ENERGÉTICA DO AMBIENTE

 Como vimos no capítulo sobre Energia, tudo está interligado: nós interagimos com o ambiente, impregnando-o com boas ou más vibrações.

Por isso eu irei compartilhar com vocês duas técnicas que aprendi quando fui apresentado ao REIKI.

O primeiro tratamento é uma técnica puramente mental.

  • Visualiza-se uma luz violeta impregnando todo o ambiente com suas vibrações de limpeza.

  • Visualiza-se, após, uma luz branca energizando o ambiente.

  • E, finalmente, visualiza-se uma luz dourada, selando o cômodo das vibrações exteriores.

Durante todo o procedimento mantenha uma atitude de confiança e entrega, confie que a energia dessas luzes realmente está promovendo a limpeza, e se você tem dificuldade de visualizar, apenas imagine, e confie que isso realmente estará acontecendo.

 

O segundo tratamento é mais físico, podendo ser usado pela casa toda e em qualquer ocasião que julgar necessário. É uma fórmula muito eficiente utilizada por radiestesistas. Os ingredientes são encontrados em qualquer farmácia de manipulação.

  • Adquira uma garrafa de um litro, de álcool de cereais;

  • Coloque dentro da mesma, duas colheres de sopa de amoníaco;

  • Junte a isso, quatro tabletes de cânfora;

  • Tampe e sacuda suavemente, até que os tabletes se dissolvam completamente;

  • Adicione sete galhos de arruda;

  • Deixe a mistura descansar por 24 horas; coloque um pouco da mistura em um pulverizador manual de plantas;

  • Pulverize as paredes, o assoalho, o teto. Dê atenção especial aos cantos e locais de pouco ou difícil acesso, pois a energia negativa costuma se acumular neles.

A.C.I.

POSIÇÃO PARA MEDITAR

 Não existe uma posição única para meditar. Algumas escolas e tradições indicam uma ou outra posição. Como por exemplo, a posição de lótus, como se encontra a imagem de Buda. Porém, eu considero como melhor posição, aquela em que você se sente confortável, principalmente no início da prática meditativa. O ideal, quando sentado, seria ficar com a coluna ereta e a cabeça em uma posição como se estivesse sendo sustentada por um balão de gás. Algumas tradições costumam meditar com braços e pernas cruzadas. Eu prefiro manter, principalmente, os braços descruzados, pois costumo unir a meditação com a Energia Cósmica e, se cruzarmos os braços, seria como se nos fechássemos para a Energia Cósmica, por isso costumo ficar com as mãos sobre as pernas, com as palmas para cima, assim ficarei aberto à Energia.

Quando deitado, o ideal também seria não cruzarmos nossos braços e pernas. Mas isso são apenas indicações. O importante, mais que qualquer coisa, na meditação, é a atitude que deve ser de total entrega. Permaneça confortável, entregue-se à meditação e seja feliz.

 ABERTURA

 Há rochas no oceano que vem sendo cobertas de água há milhares de anos. Em seu interior, todavia, elas continuam secas. Da mesma forma podemos tentar compreender-nos a nós mesmos mergulhando em várias idéias e filosofias, mas, se nossos corações estiverem fechados e frios, o verdadeiro significado não nos tocará. Onde quer que estejamos e seja o que for que fizermos, se não estivermos abertos, ninguém, nem mesmo o maior dos mestres, poderá chegar até nós.  

GRATIDÃO E BÊNÇÃOS

 Toda ação divina traz em si, uma bênção. Embora muitas vezes não a reconheçamos.

 Você está indo para o trabalho a pé, no meio do caminho começa a chover. Então você pensa “O que eu fiz para Deus me castigar e fazer com que eu passe o dia todo molhado?

 Você acredita que Deus molharia milhares de pessoas somente para puni-lo? Não seria um demasiado exercício do ego pensarmos somente em como as situações nos afetam sem pensarmos que elas também afetam nossos semelhantes?

Não estamos sós no universo e não somos o centro dele. Somos parte dele, parte fundamental, como cada coisa nele existente. Cada criação divina é igualmente importante.

No exemplo acima, devemos reconhecer a bênção da chuva, que irá regar os campos e lavouras, encher os rios...

Devemos sempre lembrar que um copo com água pela metade pode estar meio cheio ou meio vazio. A diferença pode ser sutil, mas é de importância fundamental. A forma que vemos uma situação, poderá transforma-la completamente.

Quantas vezes nos esquecemos de ser gratos pelos presentes divinos que recebemos diariamente. Algumas vezes, nem ao menos percebemos que os recebemos. Devemos estar atentos e agradecermos cada presente, independente da forma que ele se apresente, às vezes algo que consideramos um castigo, mostra-se futuramente como uma bênção.

A gratidão deve estar presente em todos os momentos de nossa vida, em todas as situações.

Se ao orarmos, trocarmos nossa súplica pelo agradecimento, o resultado será mais imediato.

 “Quando agradecemos antecipadamente ao Criador por aquilo que desejamos, reconhecemos a existência do que desejamos”

DE CARLI, Johnny. Reiki. Sistema Tradicional Japonês. Madras

  APEGO

Há uma história a respeito de dois irmãos. Um era mau, porém, muito esperto, o outro era muito teimoso e também muito estúpido. Um belo dia. Estavam ambos correndo num campo. O irmão maldoso resolveu divertir-se um pouco e disse: “Fique sentado nesse vale, que irei para as colinas e de lá te mandarei um grande presente, o presente fará estranhos ruídos e você ouvirá estalos e chiados esquisitos, mas não deixe de segurá-lo até minha volta”. Em seguida subiu o morro, encontrou uma grande rocha branca, aqueceu-a até deixá-la vermelha e fê-la rolar morro abaixo, berrando: “Pronto mano, aqui está seu presente. Pegue-o! Não o largue enquanto eu não voltar!”

O irmão estúpido estava tão ansioso por ganhar o presente que saiu correndo e agarrou a rocha. O pêlo do couro de animal que estava usando estalou e chiou ao queimar-se. A rocha queimou a pele do animal e depois, queimou-lhe o corpo, mas nem assim ele a deixou cair, supunha que ela fosse valiosa. E por isso falou, dirigindo-se à rocha: “Faça o que quiser comigo que não desistirei de você enquanto meu irmão não chegar”. E teimoso, continuou a mantê-la aconchegada a si, porque a julgava importante para si.

Nós nos apegamos da mesma maneira a tudo o quanto amamos ainda que isso pareça ser extremamente frustrante e doloroso, também nos apegamos a nossa meditação, desejando ver cores e visões, experimentar emoções e sensações quentes e conhecer as fases mais elevadas. A nossa mente ainda quer identificar, capturar e manipular a experiência, a fim de ter algo aprazível para relatar-nos. Entretanto, quando nos livramos do nosso apego aos sentidos e sentimentos, podemos nos tornar a própria experiência, e este é o verdadeiro processo da cura.

Tulku

ANSIEDADE

 Por meio da atenção, podemos nos tornar sensíveis às nossas emoções, à medida que elas surgem e, dessa forma, começar a quebrar nossos padrões emocionais e nossos apegos a eles. Quanto mais aumenta nossa atenção, de tanto mais tempo dispomos para ação positiva. Para a pessoa que tem percepção do que está acontecendo, três semanas, são o mesmo que três meses para pessoas que não a tem. Quando nos lembramos de manter nosso corpo e nossa mente em harmonia com a percepção, familiarizamo-nos com toda a mudança em nossos pensamentos e estados de espírito e podemos nos lembrar de levar a nossa percepção para o meio de qualquer situação capaz de perturbar nosso equilíbrio. Podemos desenvolver a meditação contínua se sustentarmos uma atitude aberta em quaisquer atividades em que estejamos envolvidos. Porque a ansiedade consciente ou inconsciente é a causa de muitos problemas, é importante lidar com ela assim que aparece. O melhor antídoto para a ansiedade é a meditação. Quando aprendemos a controlar as emoções através da meditação, tornamo-nos menos sobrecarregados de problemas, nosso corpo e nossa mente se imobilizam e a ansiedade principia a dissolver-se num calmo relaxamento e quietude. Podemos então começar a trabalhar com nossos problemas diretamente, pois já não sentimos necessidade de escapar deles. Afrouxam-se naturalmente nossas tensões e bloqueios. Dessa maneira, já não estamos presos num ciclo de desejos e ansiedades e podemos desfrutar o viver no nosso corpo e na nossa mente.

 GUIA INTERIOR

 Quando a vivência da meditação faz realmente parte de nós, as qualidades espirituais expressam-se de forma natural em nossa vida diária e podemos confiar de que a nossa atenção meditativa nos fará atravessar quaisquer situações que se nos deparem.

Depois que essa inspiração e autoconfiança passam a ser nosso mestre e, depois que estabelecemos contato com esse guia interior, podemos sempre depender da nossa experiência e compreensão em lugar de depender do que está fora de nós.

 COMPREENSÃO

 A fim de compreendermos a meditação, precisamos vivenciá-la, nós mesmos e pô-la à prova em nossa vida diária. Esse grande potencial, esse tesouro inexaurível, não se encontra em alguma terra distante, está dentro de nós, por isso falamos em auto-libertação, em refugiar-nos dentro de nós mesmos. Os próprios ensinamentos ficam vivos em nosso interior. Desde que saibamos disso, a experiência imediata passa a ser o nosso mestre e a percepção nos ajuda a tornar nossa vida mais positiva e alegre.

CONFIANÇA

Se você puder confiar, uma coisa ou outra sempre acontecerá e ajudará seu crescimento. Suas necessidades serão supridas. Tudo aquilo que for necessário numa determinada época, ser-lhe-á dado, nunca antes.

Você somente o recebe quando precisa, e não há sequer nenhum momento de atraso. Quando você necessita, você o recebe imediatamente, instantaneamente! Essa é a beleza da confiança. Pouco a pouco você vai aprendendo como a existência dá a você, como a existência cuida de você. Você não está vivendo uma existência indiferente. Ela não o ignora. Você está preocupado desnecessariamente. Tudo é provido.

Uma vez que descubra a chave de perceber isso, toda a preocupação desaparece e você vive mais feliz.

Osho

Sustentar a nossa fé e nossa confiança é uma das partes mais importantes do desenvolvimento de uma vida espiritual. Qualquer pessoa pode manter um interesse por curto período de tempo, ou até mesmo por um ano ou dois, mas, quanto mais complexo e conflitante se torna o mundo, tanto mais difícil é sobreviver espiritualmente, sobreviver internamente, porque tudo parece tentar-nos com a intenção de afastar-nos da meditação e da calma interior, do nosso sentido de força interior e de sabedoria. Mas é importante ficar atento a cada ação, em cada situação e nos animarmos, pois até um pensamento negativo pode inverter a nossa direção. Cada momento tem seu potencial de Iluminação, mas cada momento tem também o seu potencial de destruição.

Todos os dias podemos expandir nossa abertura de modo que a percepção flua livre e naturalmente. Não precisamos de nenhuma outra preparação. Podemos tentar meditar por muitos anos sem êxito, com essa abertura, todavia, em muito pouco tempo poderemos aprender a meditar perfeitamente sem nenhuma dificuldade. Quando meditamos com essa abertura e deixamos as dúvidas e hesitações para trás, a nossa orientação interior nos leva automaticamente para os ensinamentos que há lá dentro. Quanto mais se desenvolve a nossa percepção, tanto mais nos abrimos para a experiência mental espontânea.

Enquanto não houver confiança total e ainda subsistirem dúvidas para dirimir, tudo é prática e preparação. Seja o que for que estivermos fazendo, podemos praticar mantendo-nos perceptivos, no espontâneo momento presente. Não há necessidade de perguntar: Como é isso? O que é? Quem é? Aprendemos a meditar perfeitamente, sem restrições ou segundas intenções.

OS SINOS DO TEMPLO

- “Na praia à leste da aldeia existe uma ilha, com um gigantesco templo, cheio, de sinos”, disse a mulher.

O menino reparou que ela vestia roupas estranhas, e tinha um véu cobrindo os cabelos. Nunca a vira antes.

-“Você já viu esse templo?”, perguntou ela. “Vá lá e me conte o que acha dele”.

Seduzido pela beleza da mulher o menino foi até o lugar indicado, sentou-se na areia e olhou o horizonte, mas não viu nada além do que estava acostumado a ver: o céu azul e o oceano.

Decepcionado, caminhou até um povoado de pescadores vizinho, e perguntou sobre uma ilha com um templo.

- “Ah, isso foi há muito tempo atrás, no tempo em que os meus bisavós moravam aqui”, disse um velho pescador. “Houve um terremoto e a ilha afundou no mar, entretanto, embora já não possamos mais ver a ilha, ainda conseguimos escutar os sinos de seu templo, quando o mar os faz balançar lá no fundo”.

O menino voltou para a praia, e tentou escutar os sinos, passou a tarde inteira ali, mas só conseguiu escutar o ruído das ondas e os gritos das gaivotas.

Quando a noite chegou, seus pais vieram buscá-lo; na manhã seguinte, ele voltou à praia; ele não podia acreditar que uma bela mulher pudesse contar mentiras; se algum dia ela voltasse, poderia dizer que não vira a ilha, mas escutara os sinos do templo, que o movimento da água fazia tocar.

Assim se passaram muitos meses, a mulher não voltou, e o garoto a esqueceu, agora estava convencido de que precisava descobrir as riquezas e tesouros do templo submerso; se escutasse os sinos, saberia sua localização, e poderia resgatar o tesouro ali escondido.

Já não se interessava mais pela escola, nem pela sua turma de amigos, transformou-se no gracejo preferido das outras crianças, que costumavam dizer: “Ele não é mais como nós, prefere ficar olhando o mar porque tem medo de perder nos jogos”.

E todos riam, vendo o menino sentado na beira da praia.

Embora não conseguisse escutar os sinos do templo, o menino ia aprendendo coisas diferentes, começou a perceber que, de tanto ouvir o ruído das ondas, já não deixava se distrair por elas, pouco tempo depois, acostumou-se também com os gritos das gaivotas, o zumbido das abelhas, o vento batendo nas folhas das palmeiras.

Seis meses depois de sua primeira conversa com a mulher. O menino já era capaz de não se distrair por nenhum barulho, mas, tampouco escutava os sinos do templo afundado.

Outros pescadores vinham falar com ele, e insistiam, “Nós ouvimos!” diziam.

Mas o garoto não conseguia.

Algum tempo depois os pescadores mudaram de conversa: ”Você, está muito preocupado com o barulho dos sinos lá embaixo, deixe isso para lá e volte a brincar com seus amigos, talvez apenas os pescadores consigam escutá-los”.

Depois de quase um ano, o menino pensou: “Talvez esses homens tenham razão, é melhor crescer, tornar-me pescador, e voltar todas as manhãs para esta praia, porque passei a gostar dela” e pensou também: ”Talvez isso seja uma lenda, e com o terremoto, os sinos tenham quebrado e jamais tornem a tocar”.

Naquela tarde resolveu voltar para casa.

Aproximou-se do oceano, para despedir-se, olhou mais uma vez a natureza, e como já não estava mais preocupado com os sinos, pode sorrir com a beleza dos cantos das gaivotas, o barulho do mar, o vento batendo nas folhas das palmeiras, escutou ao longe a voz de seus amigos brincando, e sentiu-se alegre por saber que logo estaria de volta aos jogos da sua infância.

O menino estava contente e da maneira que só uma criança sabe fazer, agradeceu por estar vivo, tinha certeza que não perdera seu tempo, pois aprendera a contemplar e reverenciar a natureza.

Então, porque escutava o mar, as gaivotas, o vento, as folhas das palmeiras, e as vozes de seus amigos brincando, ouviu também o primeiro sino,... e mais outro,... e mais outro, até que todos os sinos do templo afundado tocaram, para a sua alegria.

COELHO, Paulo. Manual do Guerreiro da Luz. Rocco.

A meditação é assim. Primeiro, devemos nos concentrar em cada som, cada imagem, depois permitirmos que elas passem e nos concentrarmos no vazio em direção ao nosso objetivo; mas somente quando não desejarmos mais, quando nos desapegarmos, quando nos entregarmos à pura contemplação, o fenômeno acontece.

A meditação é o ato de simplesmente estar, sem objetivo algum, uma entrega absoluta, a profunda paz interior.

VISUALIZAÇÃO

 Tente visualizar, por exemplo, interiormente a cor azul, sinta como ela o relaxa e harmoniza, se você não puder vê-la, sinta que a vê, essa visão é bela, por isso limite-se aceitá-la e essa aceitação o ajudará a vê-la, se ainda assim não a vir, convença-se, com jeito, de que você está vendo, perfeita, belamente, e mesmo que ainda assim não consiga ver coisa alguma, sinta a qualidade e a magnitude da experiência. Fique dentro do momento e a visualização acabará finalmente chegando a você.

A visualização e a imaginação têm algumas similaridades. A imaginação, entretanto, é como a memória ou uma projeção mental, ao passo que a visualização se torna espontânea e é o mesmo que ver tridimensionalmente em todas as direções. A visualização representa um processo dinâmico, mais fino e mais altamente desenvolvido. Na imaginação nunca podemos estabelecer contato com o brilho original das cores, das formas, dos gestos, dos sons. Mas as visualizações, as vezes, são tão intensas e radiantes, que transcendem as nossas percepções comuns. Neste campo da visualização nenhum objeto é temporal.

A proporção que se aprimoram as nossas capacidades, nossa visualização se torna mais complexa - inúmeras imagens

passam a ser uma, ou uma imagem passa a ser muitas. Podemos desenvolver uma única imagem ou mandá-la para incluir o universo inteiro, tudo se ajustando perfeitamente entre si e podemos começar a compreender a natureza de toda existência e de todos os fenômenos, tempo, espaço e conhecimento. Durante a visualização podemos ter experiências extraordinárias, que a mente racional não consegue explicar, mas sabemos que o que estamos vendo é verdadeiro, porque estamos vivenciando o trabalho harmonioso das leis naturais.

Quanto mais nos acostumamos à prática da visualização, tanto mais nos conscientizamos de que o que chamamos de real também não passa de visualização. Essa compreensão pode modificar toda a nossa maneira de pensar e aumentar a nossa capacidade de ver a qualidade transparente do ego e dos objetos materiais. Depois de vermos isso, podemos transformar até os nossos obstáculos emocionais em energia positiva.

Podemos utilizar essa visibilidade da visualização para concentrar-nos em diferentes níveis de atenção em diferentes centros do corpo. Isso ajuda a abrir as energias do nosso corpo físico e a libertar as tensões construídas pelas emoções. Muitas vezes ao lidar com nossos problemas, só os vemos de uma perspectiva ou dimensão, incapazes de enxergar outras alternativas. Como uma visualização complexa pode consistir num único pensamento isolado, podemos começar a ver como cada pensamento pode ter muitas qualidades diferentes.

Através da visualização a atenção pode revelar, três, quatro e até cinco dimensões para cada experiência - num nível podemos vivenciar a dor física, em outro nível, podemos sentir a dor como uma espécie de sensação agradável, em outro nível ainda a sensação pode ser experimentada como se fosse neutra, nem dolorosa, nem aprazível, num quarto nível, pode ser que nada aconteça, pois a dor, o prazer e a própria experiência foram ultrapassados. Assim que pudermos olhar para uma experiência a partir dessas diferentes perspectivas, podemos aprender a dirigir a energia curativa positiva para áreas de dificuldade. Podemos transformar o que é nocivo no que será proveitoso.

Quando estamos conscientes, nossos sentidos estão sempre interpretando objetos, mas quando os sentidos se tornam mais leves e aguçados, sem consciência de nenhum objeto determinado, isto passa a ser percepção. A medida que essa percepção se desenvolve, a qualidade de ver aparece naturalmente. A consciência é uma espécie de olhar, ao passo que a atenção é uma espécie de ver. Quanto mais desenvolvemos a atenção, tanto mais leve e sensível se torna a sua qualidade. Quanto mais desenvolvemos a consciência dos sentidos, tanto mais escura, parada e deprimida se torna a nossa percepção.

No nível relativo, o tempo existe, num nível mais elevado, não há tempo, a atenção é um todo, como uma bola, dentro e fora, o passado, o presente e o futuro são todos o mesmo, assim sendo, as visualizações não são memórias, mas podemos, às vezes, reconhecê-las ou interpretá-las como tais!

Um tipo de ver se baseia na experiência passada: percepções imagens e memórias. Outro tipo de ver, não tem forma específica, mas, neste caso, imagens de memórias podem misturar-se a ele toda vez que pensamos em alguma coisa, criamos imediatamente uma imagem no pensamento, o pensamento e a imagem existem simultaneamente, como a mãe que carrega o filho ainda não nascido, estamos todos ligados a nossas memórias, de modo que o ver pode incluir muitas imagens específicas baseadas na nossa experiência passada. Via de regra, as imagens obscurecem a experiência direta, inibem o fluir espontâneo do pensamento e extraem energia positiva dos estados de meditação. Mas também podemos transmutar imagens aquecendo-as, fervendo-as até que elas percam a energia e derretendo-lhes a forma, de sorte que já não está lá, as imagens passam a ser conhecimento puro, visão pura, atenção pura. Entretanto, também podemos ver sem qualquer imagem, de modo que a nossa visão se transforma em atenção. Isto é, penetramos a natureza da existência, vamos para além do tempo e compreendemos que o passado, o presente e o futuro são um só. Desde que compreendamos tudo isso, poderemos compreender como a mente funciona.

O ver consiste no seguinte: quando você põe de lado a mente racional e permanece solto e equilibrado, a experiência lhe acontece incontinenti. Alguma coisa é inusitada. E essa é a maneira de começar a “ver”.

Quando a qualidade da visualização se torna muito relaxada o “ver” acontece, muito embora não vejamos necessariamente imagens. O “ver” é a experiência, não uma interpretação dela. Visto que o ver é uma parte da vida, da nossa vida, continuamos a ver o mundo à nossa volta, mas já não continuamos presos às formas e imagens que vemos. Posto que isso, talvez, não pareça muito claro para você agora, um dia você compreenderá. A experiência falará por si mesma.

Tulku

RETORNANDO A CASA

 Quando, por exemplo, vamos a um lugar onde nunca estivemos antes, um sem-número de perguntas nos acode a respeito desse lugar, mas depois que o tivermos visitado, a nossa experiência passa a ser a resposta às nossas perguntas.

Ainda que, de tempos em tempos, sejamos incapazes de estabelecer contato com a atenção meditativa, nunca a perderemos, pois poderemos sempre redespertar nossa atenção, deixando que se vão sujeito e objeto e entrando em nosso silêncio interior. É aí que o nível mais profundo de percepção se desenvolve naturalmente. Quando vivenciamos esses ensinamentos de modo que possamos compreendê-los dentro de nós mesmos e, quando praticamos com seriedade e devoção, a atenção estará sempre à nossa disposição.

Quanto mais desenvolvemos essa, tanto mais iluminada e viva se torna para nós. Os pensamentos já não nos distraem, podemos permanecer abertos, claros e equilibrados. Essa qualidade penetrativa e aberta é como a luz do sol, que brilha em todas as direções. Quando não tomamos posições, a porta para iluminação se abre de todo e compreendemos de forma muito natural o que se chama mente Universal, Infinito ou Compreensão Genuína.

Assim sendo, depois que você compreender alguma coisa, por pouco que seja, continue, e verificará que os seus fardos se tornarão mais leves e fáceis e você se tornará mais confiante e aberto, então você, você mesmo, se tornará os ensinamentos, pois o universo inteiro é a atenção da sua própria mente.

Quando temos a atenção meditativa, sabemos como atingir cada experiência e, conseqüentemente, não somos empurrados nem presos em armadilha pelas expectativas, decepções ou desilusões.

Em primeiro lugar nos concentramos, em segundo lugar estamos conscientemente atentos e em terceiro lugar a nossa atenção meditativa aumenta e se desenvolve até que, finalmente, a atenção surge ilimitada. É muito importante quebrar nossos blocos de construção conceituais, pois, de certa maneira, a concentração constrói uma concha em torno da meditação... alguma coisa tangível ou substancial com a qual podemos nos associar. A atenção direta procura penetrar a concha.

TRANSCENDÊNCIA

 A pessoa que é uma boa meditadora está sempre aprendendo, sempre trabalhando com a decepção, ela sabe como lidar com o mundo e com toda e qualquer experiência que se depara na vida diária, esse é o verdadeiro processo de aprendizagem. Na realidade, olhar para as nossas vidas é a maneira mais inteligente de meditar, pois, a não ser assim, limitar-nos-emos a viver nossas vidas sem usufruir os benefícios da nossa compreensão espiritual.

Portanto, a meditação nos traz de volta à vida, talvez tenhamos de lutar mas, se estivermos dispostos e determinados a transpor os obstáculos em vez de escapar deles ou evitá-los, podemos experimentar tudo: o ver, o ouvir, o provar, o cheirar, o tocar e o ficar ciente de alguma coisa e dançar com cada uma das situações em lugar de precisarmos nos esconder ou nos proteger delas. Quando temos atenção meditativa, sabemos como tocar cada experiência diretamente e, em conseqüência disso, não seremos puxados para dentro, nem apanhados em armadilhas pelas expectativas, pelas decepções ou pelas desilusões, quando vivemos dessa maneira, a vida se nos figura significativa e valiosa.

 ASSOCIAÇÕES

 O caminho espiritual tem muitos obstáculos, tais como nossos diálogos interiores, as nossas emoções, os nossos medos e até nossos amigos ou famílias. Daí que as boas influências sejam cruciais, desde que estejamos interessados no caminho espiritual, a associação com os que tenham uma natureza semelhante pode ajudar a suportar e a nos proteger e, pode criar menos confusão para nós. O principiante tem muitos problemas e por isso lhe é difícil focalizar o caminho sem esse tipo de ajuda, será ótimo podermos tomar conta de nós mesmos, mas enquanto não o pudermos fazer, é importante escolher um ambiente espiritual e harmonioso que nos apóie. Isso não significa necessariamente que devemos evitar o mundo, senão que devemos nos proteger até certo ponto. À proporção que desenvolvemos nossa força interior, seremos talvez capazes de cuidar dos outros assim como de nós mesmos, entretanto, o fato de trabalhar com outras pessoas antes da hora pode levar-nos a perder a força que ganhamos e pode até fazer-nos mal.

A não ser que aprendamos a nos proteger, seremos facilmente tentados a recorrer aos nossos padrões antigos e a esquecer o que ganhamos com a prática, precisamos encorajar-nos e ser fortes, a autodisciplina significa ação correta, isto é, fazer o melhor que pudermos por nós mesmos, se a nossa mente não estiver equilibrada, nossos atos não serão equilibrados, chegaremos a extremos e criaremos mais frustrações para nós mesmos e para os outros.

Uma das melhores maneiras de disciplinar nosso ego, é ficarmos amigos de nós mesmos. Quando estamos alegres, o ego se acalma e não provoca a frustração e o descontentamento. Temos problemas porque pensamos que os temos e, uma vez que acreditamos neles, vemo-nos apanhados em situações frustrantes. O conflito ocorre quando não obedecemos à nossa própria voz interior.

Assim como a terra se compõe de água em sua maior parte, o ser humano em sua maior parte é emocional, e essa qualidade emocional sente necessidade de ser alimentada de alegria ou amor, há um imenso anseio em fazer contato com outros ou ligar-se a eles, precisamos de apoio, precisamos ser satisfeitos, mas muitas vezes não podemos confiar em amigos ou amantes, na sociedade ou mesmo em nossos pais, não há ninguém tão próximo de nós que realmente nos satisfaça, podemos ter amigos e parentes e ser bem sucedidos nos negócios, mas, ainda assim, não estar satisfeitos dentro de nós mesmos, porque estamos sós, ansiamos pela realização de nossos desejos, e esse próprio anseio cria um sabor emocional que afeta o que quer que façamos. Assim é que se constroem a frustração e a amargura, quando deixamos de tentar alcançar alguma coisa fora de nós em busca de satisfação, gradualmente nossos desejos começam a aquietar-se e nós nos sentimos menos exasperados pelos nossos anseios.

Quando somos muito sensíveis, os “amores” transitórios e egoístas deixam de satisfazer-nos, precisamos encontrar alguém em quem possamos realmente confiar, alguém que possamos amar sem medo de rejeição, então poderemos ser livres, para agir através de nossa própria compreensão, dos nossos corações abertos, das nossas energias despertadas. Nesse sentido, o mestre é um espelho do nosso ser superior, ele ativa a nossa fonte de conhecimentos interiores e o nosso sentido de completo preenchimento, quando temos o coração aberto, a “experiência despertada” surge dentro de nós e saberemos inequivocamente.

Quando essa própria compreensão se torna iluminada e silenciosa, já não há necessidade de perguntar nem de responder. Quando estamos abertos, atentos e alertas podemos guiar-nos corretamente, tornamo-nos nosso próprio mestre.  

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Atualizada em: 05-ago-2004 16:12:32


Amor, devoção, serviço...

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