Vedas
Rigveda
A canção da criação
"Não havia então não-existência nem existência; não
havia o reino do ar nem o firmamento por trás dele.
O que protegia e onde? e o que dava abrigo? Estava ali a água, a
desmedida profundidade da água?
Não havia morte então, nem havia algo imortal; não havia sinal
ali, o divisor do dia e da noite.
Aquela Coisa Una, sem vida, vivia por sua própria natureza;
além dela nada mais havia.
As trevas lá estavam; a princípio escondido nas trevas Tudo era
um caos indiscriminado.
Tudo que existia então era vazio e informe. Mas pelo grande
poder do Calor nasceu aquela Unidade.
A seguir, surgiu o Desejo no começo, o Desejo, a semente e o
germe primordial do Espírito.
Os sábios que buscavam com o pensamento de seus corações
descobriram o parentesco do existente no não-existente.
Transversalmente estava estendida uma linha de separação: o
que, então, havia acima e abaixo dela?
Havia progenitores, havia forças poderosas, ali havia ação
livre e energia mais além.
Quem verdadeiramente conhece e quem pode aqui declarar de onde
nasceu e de onde veio essa criação?
Os deuses são posteriores a essa produção do mundo. Quem sabe
então como se originou?
Ele, a primeira origem da criação, formou tudo ou não formou.
Na verdade, Ele, cujo olho vela pelo mundo nos altos céus, sabe
ou talvez não saiba."
(Rigveda X, hino 129, em The hymns of Rigveda, R.T.H.Griffith)
Hino ao sábio de longos cabelos
"Aquele com longos cabelos carrega consigo fogo e elixir e o
céu e a terra. Olhar para ele é como ver o esplendor celestial
em sua plenitude. Diz-se que ele é a própria luz.
Os ascetas, rodeados com o vento, estão vestidos com poeira
amarronzada. Eles seguem o caminho do vento quando os deuses
neles penetram.
'Intoxicados por nossas austeridades, nós ascendemos a planos
superiores. Vocês, mortais, vêm somente nossos corpos.'
O asceta voa pelo ar, iluminando todas as formas abaixo dele.
Dado ao trabalho santo, ele é a companhia de todos os deuses.
O ar é a única comida daquele que é inspirado por deus, e o
asceta sente-se em casa em ambos os mundos, o espiritual e o
material.
Vagando no caminho de ninfas celestiais e feras das florestas,
aquele de longos cabelos tem conhecimento de todas as coisas, e
com seu êxtase inspira a todos os seres.
O deus do Vento o agitou, e a ele deu fundamento, então aquele
de longos cabelos bebeu, junto com Shiva, o elixir do
recipiente."
(Rig Veda, 10.136, tradução citada em Sadhus, the Holy men of
India, Dolf Hartsuiker)
Atharvaveda
Encantamento Contra o Medo
Como o céu e a terra não têm medo, e jamais sofrem perda ou
dano,
Assim, também, meu espírito, não temas.
Como o dia e a noite não têm medo, e jamais sofrem perda ou
dano,
Assim também meu espírito, não temas.
Como o sol e a lua não têm medo, e jamais sofrem perda ou dano,
Assim também, meu espírito, não temas.
Como o brâmane e o poder principesco não têm medo,
e jamais sofrem perda ou dano,
Assim também, meu espírito, não temas
Como a verdade e a falsidade não têm medo e jamais sofrem perda
ou dano,
Assim também, meu espírito, não temas.
Como o que foi e o que será não têm medo, e não sofrem perda
ou dano,
Assim também, meu espírito, não temas.