enfim afins.gif (59266 bytes)

pen�lope charmosa

                sem resposta

becos & esquinas

       rival dor

m�scara & fantasia

olfato

vinho

cad�ver

dis(que eu)abafo

constata��o       brilho
    amanh� mundo

   palavra & fogo

S�rgio Ger�nimo

      relendo drummond

poema        

Apresenta��o por Glenda Maier

          � tarde

botao.gif (8343 bytes) Livron-line

Fale comigo.
Se precisar, use o megafone

Ag00010_.gif (6417 bytes)

 

 

 

 

 

 

 

   

relendo drummond
(no sexteto)

jo�o amava cl�udio
que amava raimundo
que amava m�rio
que amava joaquim
que amava pedro
que n�o amava ningu�m
jo�o foi para nova iorque
cl�udio resolveu ser monge no nepal
raimundo comprou um s�tio
m�rio ficou sem parceiro
pois joaquim suicidou-se
e pedro? casou-se com ant�nia dos anz�is pereira
promissora atriz de teve
que n�o tinha entrado na est�ria
e acabou morrendo de aga-i-ve

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espaguete.jpg (16608 bytes)

dis(que eu)abafo

estou no centro
360 graus de horizonte azul
verde, vermelho, branco
coral
tonteiamminhasnuvens
tentandotatearalgu�m
ningu�m, multid�o, quem
algo(z)
abro os bra�os
abra�o o ar
o mar, o lar, um par
rodo
estou no centro
atento h� tanto
e no entanto
h� marasmo
h� mesmice
h� calmaria
(h�)marias demais
a minha pr�pria
arma ou ilha
minha inconfess�vel armadilha

 

 

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um sem�foro a me dizer

se eu quiser!
crescimento inevit�vel
(previs�vel)
perceber o outro
noutro e neutro
elos soltos
anelos de si mesmo
aceitar a a��o
se eu quiser!
o dispon�vel do contacto
constato n�o � suficiente
( e o que � ? )
perceber o outro
solto...
narciso espelha narciso
narciso.jpg (78121 bytes)
narciso espera narciso
se eu quiser
narciso s� existe
enquanto tela
e na tela micro-imagem
uma seta barra o olho
intermitentemente
um sem�foro a me dizer
nasci s�
narci s�
narciso
se eu quiser!

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m�scara & fantasia

com que cara eu vou
ao samba que voc� me convidou

os tamborins invadiram o planalto
ou a mangueira ou o salgueiro
& faceiros expuseram todos os gatos
pandeiros & conchavos
& no entanto a minha conta de luz
�gua & esgoto, que desgosto
esgota a cu�ca de qualquer imp�rio
todas, agora, privadas & privativas
onde mestre-sala com muita arte
beija a flor de formosa porta-estandarte
no porto que j� n�o � de pedras
& sem farol o tarol suplica
a volta de est�cio � tijuca

com que cara eu vou
ao samba que voc� me convidou

j� � tradi��o a gasolina mais cara
que mascara m�scara & fantasia
senado & c�mara
uma confraria de tambores
clem�ncia ao santo _ nos fa�a uma ilha
de prazeres e amores no hemisf�rio sul
cuja mocidade, brasileir�ssima,
independente
� prato do fmi ou do surdo fhc ltda
caprichosos bobos da corte
ah! se pudesse no tempo voltar da imperatriz
e por um triz ouvir os reco-recos
virando ouro, trocos, tro�os ,trecos
d�lares & u�sque agog� & afinal
ter por tela essa festa de aquarela

mas, me diga,
e com que cara eu vou

 

 

 

 

 

becos & esquinas

de tudo que voc� conhece
amanhece no oriente da minha face
e em ravinas escavadas pelo meu olhar
sou direito �s avessas: farol milenar

de tudo que voc� conhece
adormece ao norte do meu peito
e em veios injetados pelo meu sopro atento
sou a outra costela: parceria que alento

de tudo que voc� conhece
transparece ao sul dos meus desejos
e em esquadros que minhas pernas
descompassam
sou a corda bamba: vontades que se entrela�am

de tudo que voc� conhece
anoitece no ocidente dos meus instintos
e em becos & esquinas procurados
pelas andan�as
sou igual a voc�: somos crian�as

de tudo que voc� conhece
eu sou...

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penelope gif.gif (19129 bytes)

 

pen�lope charmosa
(quando ulisses chega em casa)

quero chamar voc� �s falas
essa hist�ria de n�o � comigo...
n�o sei... sei l�!
� preciso os pontos nos is colocarmos
voc� n�o entende...
deixa disso... p�ra com isso...
� sempre a mesma cantilena
� s� helena aparecer..
a de tr�ia mesmo,
e voc� arma uma tram�ia
eu navego porque � preciso,
assim disse o poeta
o outro lado da moeda
� que estou a observar
esses fios no seu tear
h� muito que se entrela�am
e o som da roca
rouco ro�a no meu pensamento
agu�a & instiga
investiga essa odiss�ia
quantos medos compartilham com seus
dedos?
n�o sei... sei l�...
voc�, certamente, n�o resistir�
deixa disso... p�ra com isso!

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amanh�

o dia foi o mesmo...
mesmice
aquele c�o ainda vadiava latidos
na cozinha - fog�o, torradeira
impass�veis
e minha doida concep��o de vida
do�da

o dia foi o mesmo...
mesmice
minha op��o de sol ou nuvens - intacta
outro, ou o mesmo, c�o latiu ( ou seria cadela?)
impass�veis
na capela as rezas de choros de vida
enfado

o dia foi o mesmo...
mesmice
como sempre o monte em frente
enfrenta o desmatamento
impass�veis
no apartamento corro�das as alegrias da
vida
mera alegorias

o dia foi o mesmo...
mesmice
o trem cargueiro sempre �s dez apitando
n�o quis saber o que avisava
impass�veis
jornaleiros noticiaram a vida
�vida havia uma

o dia foi o mesmo...
mesmice
ele sempre � o mesmo...
eu, n�o!

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poema

estou c�ustico
antes ser su�stica
estar na ant�rtica
e o poema?

onde?

estou suado
antes ser magoado
estar mareado
e o poema?

onde?

estou em p�
antes ser pedra trigo m�
estar na garganta com um n�
e o poema?

onde?

estou sendo
sou estando
estanque

onde?

no poema

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constata��o

... e justo no castanho portal dos meus olhos
meu
cart�o-postal
n�o h� mais cliques ou tiques do diafragma
estranhamente n�o consigo diagramar tua
poesia
e sequer leio no
teu corpo as evid�ncias da cidadania
n�o h� mais
jogo ou fogo na mar� do teu humor
estranhamente n�o consigo focalizar tua topografia
e sequer observo na tua
fala as �bvias observa��es
n�o h� mais!
... e justo
no castanho portal dos meus olhos
meu
cart�o-postal
h� desertos de pensamentos
longe um choro...
de crian�a
e eu estranhamente n�o consigo dormir

voltar

 

 

 

 

rival dor

sentado no canto do quarto
ap�s o d�cimo andar
                                 revela-dor

sentido no canto do quarto
ap�s o d�cimo olhar
                                observa-dor

sentindo no canto do quarto
ap�s o d�cimo aperto
                                esclarece-dor

sem sair do canto do quarto
sem rasgar as frestas do ar
                               mergulha-dor

necess�rio � um v�o
e t�-la nas m�os entrela�ada
                              engana-dor

esperando...esperado...
sem sair do canto do quarto
a nossa social       rival dor
 

voltar

 

 

 

sem resposta

o que mais saber quero
espero, um dia: nostalgia
dispersar-me na perman�ncia
enquanto ess�ncia ao teu lado
enternecer enamorado


o que mais saber quero
espero, um dia: nostalgia
fixar-me na inconst�ncia
enquanto �nsia de amantes
sequer acasalamento antes


o que mais saber quero...
...quero te saber
no verso
na rima
(in)verso
em cima
de uma resposta
suposta.

voltar

 

 

 

 

 

 

baco.jpg (25130 bytes)

vinho

de um tinto, um branco, quem sabe ros�
das mais saborosas uvas como prendas
baco moldou e fez teu buqu�
em espuma de plumas pelas fendas

de um tinto, um branco, quem sabe ros�
de um transparente orvalho como h�lito
baco moldou e fez teu buqu�
em l�grimas de esperan�a um h�bito

de um tinto, um branco, quem sabe ros�
das antigas adegas-egeu em �nico escaninho
baco moldou e fez teu buqu�
precioso, festejado, saboroso vinho

voltar

 

 

 

 

 

palavra & fogo
(macromicro)

enquanto em noite
o pensamento submergia
a maestria das palavras
um mist�rio, um a�oite
macromicro
de repente
o fogo aprisionado
perseguiu sombras dan�arinas
lamparinas m�gicas
desvendaram
palavras
macromicro
palavra       &       fogo
construindo
o cosmos
e o verbo estr�ia
(primeiro foi o verbo?)
estr�ia a via-l�ctea de letras
macromicro
de repente, n�o mais que de repente
existe
existe o homem
o complexo macromicro


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brilho

o som invadiu os ares
escutando o sol por tr�s do arco-�ris
inesgot�veis s�o as escolhas da paix�o
s�o outonos
s�o os tons dionis�acos
desses mares

voltar

 

 

 

 

 

 

 

� tarde

o entre-sai na esta��o ferrovi�ria
n�o me entretem
e entre um e outro trem
o tempo espera voc�
entretanto meus l�bios
entreabertos
n�o conseguem

sseu nome adormecer
tremem teimam
cad� voc�?
mais um trem...mais um...mas
agora
somente o
p�r-do-sol

sol.gif (64048 bytes)

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mundo
mundo.jpg (51170 bytes)
mundo mundo vasto mundo
seria
se eu n�o o colocasse em minhas m�os
no teclado meus dedos agilizam
a conquista
a seta me leva onde a m�o age
meu mundo ficou pequeno
a tela minimiza ou maximiza
a percep��o
o apocalipse chegou
gritam os cr�dulos
eu quero � mais cr�ditos no
ciberespa�o
a mem�ria-data determina
2000
a isto chegar�s
disto n�o passar�s
um novo totem
o novo pentium
e o mundo

mais vasto mundo
ainda

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Olfato

Abram a porta!
Deixem-me entrar!
� noite
O cheiro de f�meas & machos
Me atrai muito mais
Sou animal olfativo
Meu sexo se dilata & me delata
Me exp�e � todas as luas
Em cada hidrante escarlate
Em cada balc�o bacante
Em todas as m�os
Sou contram�o!
Inverto o verso
Perverto o papel & sou teu servo
Quero sentir o aroma
Em tuas calcinhas
Trancinhas de pentelhos
Se forem cuecas de cetim
Xeque-mate de pura sedu��o
Entre
Seios & coxas
Bundas & peitos
Todos & todas
Quero narinas sentinelas
Espreitando tuas entradas...
& sa�das escorregadias
S�ndalus, eucaliptus, �piuns
Oxigenando orgasmo & esperma
Ei! Espera...
Abra a porta...Abra a boca...
Abra, abra!
Abracadabra...

Abra as tuas pernas!

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seios escultura.gif (116631 bytes)

 

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