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relendo drummond
(no sexteto)
jo�o amava cl�udio
que amava raimundo
que amava m�rio
que amava joaquim
que amava pedro
que n�o amava ningu�m
jo�o foi para nova iorque
cl�udio resolveu ser monge no nepal
raimundo comprou um s�tio
m�rio ficou sem parceiro
pois joaquim suicidou-se
e pedro? casou-se com ant�nia dos anz�is pereira
promissora atriz de teve
que n�o tinha entrado na est�ria
e acabou morrendo de aga-i-ve
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dis(que eu)abafo
estou no centro
360 graus de
horizonte azul
verde, vermelho,
branco
coral
tonteiamminhasnuvens
tentandotatearalgu�m
ningu�m, multid�o, quem
algo(z)
abro os bra�os
abra�o o ar
o mar, o lar, um par
rodo
estou no centro
atento h� tanto
e no entanto
h� marasmo
h� mesmice
h� calmaria
(h�)marias demais
a minha pr�pria
arma ou ilha
minha inconfess�vel armadilha
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um sem�foro a me dizer
se eu quiser!
crescimento inevit�vel
(previs�vel)
perceber o outro
noutro e neutro
elos soltos
anelos de si mesmo
aceitar a a��o
se eu quiser!
o dispon�vel do contacto
constato n�o � suficiente
( e o que � ? )
perceber o outro
solto...
narciso espelha narciso

narciso espera narciso
se eu quiser
narciso s� existe
enquanto tela
e na tela micro-imagem
uma seta barra o olho
intermitentemente
um sem�foro a me dizer
nasci s�
narci s�
narciso
se eu quiser!
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m�scara &
fantasia
com que cara eu vou
ao samba que voc� me convidou
os tamborins invadiram o planalto
ou a mangueira ou o salgueiro
& faceiros expuseram todos os gatos
pandeiros & conchavos
& no entanto a minha conta de luz
�gua & esgoto, que desgosto
esgota a cu�ca de qualquer imp�rio
todas, agora, privadas & privativas
onde mestre-sala com muita arte
beija a flor de formosa porta-estandarte
no porto que j� n�o � de pedras
& sem farol o tarol suplica
a volta de est�cio � tijuca
com que cara eu vou
ao samba que voc� me convidou
j� � tradi��o a gasolina mais cara
que mascara m�scara & fantasia
senado & c�mara
uma confraria de tambores
clem�ncia ao santo _ nos fa�a uma ilha
de prazeres e amores no hemisf�rio sul
cuja mocidade, brasileir�ssima,
independente
� prato do fmi ou do surdo fhc ltda
caprichosos bobos da corte
ah! se pudesse no tempo voltar da imperatriz
e por um triz ouvir os reco-recos
virando ouro, trocos, tro�os ,trecos
d�lares & u�sque agog� & afinal
ter por tela essa festa de aquarela
mas, me diga,
e com que cara eu vou
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| becos & esquinas
de tudo que voc� conhece
amanhece no oriente da minha face
e em ravinas escavadas pelo meu olhar
sou direito �s avessas: farol milenar
de tudo que voc� conhece
adormece ao norte do meu peito
e em veios injetados pelo meu sopro atento
sou a outra costela: parceria que alento
de tudo que voc� conhece
transparece ao sul dos meus desejos
e em esquadros que minhas pernas
descompassam
sou a corda bamba: vontades que se entrela�am
de tudo que voc� conhece
anoitece no ocidente dos meus instintos
e em becos & esquinas procurados
pelas andan�as
sou igual a voc�: somos crian�as
de tudo que voc� conhece
eu sou...
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pen�lope charmosa
(quando ulisses chega em casa)
quero chamar voc� �s falas
essa hist�ria de n�o � comigo...
n�o sei... sei l�!
� preciso os pontos nos is colocarmos
voc� n�o entende...
deixa disso... p�ra com isso...
� sempre a mesma cantilena
� s� helena aparecer..
a de tr�ia mesmo,
e voc� arma uma tram�ia
eu navego porque � preciso,
assim disse o poeta
o outro lado da moeda
� que estou a observar
esses fios no seu tear
h� muito que se entrela�am
e o som da roca
rouco ro�a no meu pensamento
agu�a & instiga
investiga essa odiss�ia
quantos medos compartilham com seus
dedos?
n�o sei... sei l�...
voc�, certamente, n�o resistir�
deixa disso... p�ra com isso!
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amanh�
o dia foi o mesmo...
mesmice
aquele c�o ainda vadiava latidos
na cozinha - fog�o, torradeira
impass�veis
e minha doida concep��o de vida
do�da
o dia foi o mesmo...
mesmice
minha op��o de sol ou nuvens - intacta
outro, ou o mesmo, c�o latiu ( ou seria cadela?)
impass�veis
na capela as rezas de choros de vida
enfado
o dia foi o mesmo...
mesmice
como sempre o monte em frente
enfrenta o desmatamento
impass�veis
no apartamento corro�das as alegrias da
vida
mera alegorias
o dia foi o mesmo...
mesmice
o trem cargueiro sempre �s dez apitando
n�o quis saber o que avisava
impass�veis
jornaleiros noticiaram a vida
�vida havia uma
o dia foi o mesmo...
mesmice
ele sempre � o mesmo...
eu, n�o!
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| poema
estou c�ustico
antes ser su�stica
estar na ant�rtica
e o poema?
estou suado
antes ser magoado
estar mareado
e o poema?
estou em p�
antes ser pedra trigo m�
estar na garganta com um n�
e o poema?
estou sendo
sou estando
estanque
no poema
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| constata��o
... e justo no castanho portal dos meus olhos
meu cart�o-postal
n�o h� mais cliques ou tiques
do diafragma
estranhamente n�o consigo diagramar tua poesia
e sequer leio no teu corpo as
evid�ncias da cidadania
n�o h� mais jogo ou fogo na
mar� do teu humor
estranhamente n�o consigo
focalizar tua topografia
e sequer observo na tua fala as
�bvias observa��es
n�o h� mais!
... e justo no castanho portal
dos meus olhos
meu cart�o-postal
h� desertos de pensamentos
longe um choro... de crian�a
e eu estranhamente n�o consigo dormir
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| rival dor
sentado no canto do quarto
ap�s o d�cimo andar
revela-dor
sentido no canto do quarto
ap�s o d�cimo olhar
observa-dor
sentindo no canto do quarto
ap�s o d�cimo aperto
esclarece-dor
sem sair do canto do quarto
sem rasgar as frestas do ar
mergulha-dor
necess�rio � um v�o
e t�-la nas m�os entrela�ada
engana-dor
esperando...esperado...
sem sair do canto do quarto
a nossa social rival dor
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sem resposta
o que mais saber quero
espero, um dia: nostalgia
dispersar-me na perman�ncia
enquanto ess�ncia ao teu lado
enternecer enamorado
o que mais saber quero
espero, um dia: nostalgia
fixar-me na inconst�ncia
enquanto �nsia de amantes
sequer acasalamento antes
o que mais saber quero...
...quero te saber
no verso
na rima
(in)verso
em cima
de uma resposta
suposta.
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vinho
de um tinto, um branco,
quem sabe ros�
das mais saborosas uvas como prendas
baco moldou e fez teu buqu�
em espuma de plumas pelas fendas
de um tinto, um branco, quem
sabe ros�
de um transparente orvalho como h�lito
baco moldou e fez teu buqu�
em l�grimas de esperan�a um h�bito
de um tinto, um
branco, quem sabe ros�
das antigas adegas-egeu em �nico escaninho
baco moldou e fez teu buqu�
precioso, festejado, saboroso vinho
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palavra & fogo
(macromicro)
enquanto em noite
o pensamento submergia
a maestria das palavras
um mist�rio, um a�oite
macromicro
de repente
o fogo aprisionado
perseguiu sombras dan�arinas
lamparinas m�gicas
desvendaram
palavras
macromicro
palavra & fogo
e o verbo estr�ia
(primeiro foi o verbo?)
estr�ia a via-l�ctea de letras
macromicro
de repente, n�o mais que de repente
existe
existe o homem
o complexo macromicro
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brilho
o som invadiu os ares
escutando o sol por tr�s do arco-�ris
inesgot�veis s�o as escolhas da paix�o
s�o outonos
s�o os tons dionis�acos
desses mares
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� tarde
o entre-sai na esta��o ferrovi�ria
n�o me entretem
e entre um e outro trem
o tempo espera voc�
entretanto meus l�bios
entreabertos
n�o conseguem
sseu nome adormecer
tremem teimam
cad� voc�?
mais um trem...mais um...mas
agora
somente o p�r-do-sol

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| mundo

mundo mundo vasto mundo
seria
se eu n�o o colocasse em minhas m�os
no teclado meus dedos agilizam
a conquista
a seta me leva onde a m�o age
meu mundo ficou pequeno
a tela minimiza ou maximiza
a percep��o
o apocalipse chegou
gritam os cr�dulos
eu quero � mais cr�ditos no
ciberespa�o
a mem�ria-data determina
2000
a isto chegar�s
disto n�o passar�s
um novo totem
o novo pentium
e o mundo
mais vasto mundo
ainda
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Olfato
Abram a porta!
Deixem-me entrar!
� noite
O cheiro de f�meas & machos
Me atrai muito mais
Sou animal olfativo
Meu sexo se dilata & me delata
Me exp�e � todas as luas
Em cada hidrante escarlate
Em cada balc�o bacante
Em todas as m�os
Sou contram�o!
Inverto o verso
Perverto o papel & sou teu servo
Quero sentir o aroma
Em tuas calcinhas
Trancinhas de pentelhos
Se forem cuecas de cetim
Xeque-mate de pura sedu��o
Entre
Seios & coxas
Bundas & peitos
Todos & todas
Quero narinas sentinelas
Espreitando tuas entradas...
& sa�das escorregadias
S�ndalus, eucaliptus, �piuns
Oxigenando orgasmo & esperma
Ei! Espera...
Abra a porta...Abra a boca...
Abra, abra!
Abracadabra...
Abra as tuas pernas!
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