APENAS POESIA

Glenda Maier
�NDICE Apresenta��o por Messody Benoliel
Veloz botao.gif (8343 bytes)V�cios botao.gif (8343 bytes)Calabou�os da voz botao.gif (8343 bytes)Labirinto
Destino botao.gif (8343 bytes)Desencontro botao.gif (8343 bytes)Dando tempo ao tempo botao.gif (8343 bytes)Poesia Maldita
Assim vi as �rvores botao.gif (8343 bytes)Adolesc�ncia botao.gif (8343 bytes)Borboletas de outono botao.gif (8343 bytes)A Jovem Prostituta
Ap�s a vida botao.gif (8343 bytes)Meu Quarto botao.gif (8343 bytes)Ra�zes do passado botao.gif (8343 bytes)Sil�ncio
Envolv�ncia botao.gif (8343 bytes)Poesias Maternas n� 1 botao.gif (8343 bytes)Tom botao.gif (8343 bytes)Elei��es
Vizinhan�a botao.gif (8343 bytes)Brega botao.gif (8343 bytes)Para Chico Buarque botao.gif (8343 bytes)O Homem e a Cidade
Confete e Serpentina botao.gif (8343 bytes)Expectativa botao.gif (8343 bytes)Ula e Cebolinha
botao.gif (8343 bytes)Bares...Av. S�o Jo�o

botao.gif (8343 bytes) Livron-line
botao.gif (8343 bytes)As duas amigas botao.gif (8343 bytes)Guerra e Paz Ag00280_comp.gif (4672 bytes)

MANDE UM E-MAIL PARA GLENDA MAIER

 

 

 

 

 

 

 

VELOZ

Gostaria que a caneta percorresse este papel
                          com a velocidade do vento.
                 Buscaria, assim, nas nuvens, enredos de hist�rias,
                          transit�rias e eternas.
Faria da poeira das estrelas a tinta do brilho das id�ias.
                Na cauda de um cometa eu afastaria da Terra a tristeza e a dor.
                Poderia derramar emo��es como raios de luar,
                           atravessando as noites.
Transformaria raios de sol
                           em poesia de vidas encantadas neste planeta azul.
Ah! Se eu pudesse ser a velocidade do vento
                           para me transformar na respira��o das artes!
Ressuscitaria o brilho da estrela em cada ser vivente...
                Criaria rel�mpagos de alegria a irradiar-se da Terra
                           saudando o Universo.
Conseguiria imaginar um incr�vel arco-�ris noturno,
                           cintilando nos raios de luar todas as emo��es de amor.
E, extasiada, perceberia o verde campo magn�tico
                           estabelecido entre a Terra e o Sol.
Corre, minha caneta... voa... veloz ventania transformadora...
               Cria sempre, minha caneta.
               Cria livre... uma nova hist�ria, um novo tempo... AGORA.

 

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DESTINO

Acordei em branco. Sem margens. Sem linhas.
Sem palavras. Sem exclama��es.
Desespero da aus�ncia. Fome de comunica��o. Uma id�ia!...
Talvez, em n�o tendo palavras...
uma cor, uma forma, um contorno viessem a surgir.
Ilus�o. Branca acordei. Branca permaneci.
Ouvi um som. Quis ser a partitura de uma... sinfonia?
Tolice! Partitura de um mero... samba-can��o?
Desastre. Aus�ncia. Em branco.
Neste af� de ser �til, de pertencer, optei por embrulhar um presente.
Um p�o?... O lixo?
Intocada e intoc�vel. Solit�ria. Branca permaneci.
Desisti.
Abandonei-me � sorte. O vento soprou. Fui levada embora.
Voei como p�ssaro. Rastejei no ch�o como folha seca.
Ergui-me como pluma...
Aterrizei no colo de uma velha mulher,
sentada num descorado banco daquela pra�a-destino.
Uma l�grima rolou de seus olhos maculando
o vazio branco de minha exist�ncia in�til.
Aquela l�grima foi absorvida por mim,
transformando-se em estrela.
A mulher, surpresa, olhou a estrela,
tomou-me em suas m�os,
apertou-me ao peito...tornei-me esperan�a...
Adormeci sorrindo. Ainda em branco... e repleta de emo��o.

 

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ASSIM VI AS �RVORES

Cabeleiras da Terra
Guardi�es dos caminhos
Dan�ando ao vento
Curvadas por chuvas
Assim vi as �rvores
Nas estradas da vida...
Verdes, tal cabelos de "punks
"Gentis cabeleiras sonoras de encanto.
Os fios que caem
Em outonos inclementes
Renascem risonhos em novos amanh�s.
Desejo um shampoo mais moderno e possante
Que salve os cabelos que protegem pulm�es.
Meu Deus! Que matreira
Esta id�ia nascente!
Criar nova linha, um produto legal
Que liberte as �rvores,
Cabelos da vida,
Da destrui��o polu�da que h� por aqui.
Encontrar a maneira, assanhada e faceira,
De ter nessa vida novo ideal.
Descobri, sem querer,
Vendo �rvores na estrada,
Profiss�o encantada que vai tudo mudar
N�o se mais professora
Nem sequer jardineira...
Vou deixar a poesia fazer de mim todo dia
No sal�o de beleza das �rvores do mundo...
Cabeleireira... Afinal!

 

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AP�S A VIDA

Disseram-me que a vida ap�s morte
Ser� como eu quiser!
Sendo assim, deixem-me pensar
Naquilo que vou querer.
Estranho! Me vem � cabe�a
Que por l�... ora essa...
N�o haver� FILA!
Acho a id�ia t�o pobre...
� este o meu Para�so?...Esperem um pouco!
Isto � nobre! Venham comigo para ver.
Percorram, com grande cuidado,
O c�u, t�o bonitinho, criado em meu cora��o!
N�o h� fome neste espa�o - nem de est�mago, nem de amor.
Se quero um petisco ou carinho
N�o vou precisar esperar
Algu�m gentil me conduz: "por aqui, fa�a o favor!"
E as respostas das perguntas - � tudo t�o f�cil por l�!
Se nos olhos h� a d�vida... um mestre para nos ensinar.
E nossas necessidades! Ah! Como vai ser bom!
N�o h� fila paro banheiro; nem paro banco... n�o h� dinheiro;
poss�vel enviar mensagens, nas asas de um anjo amigo...
Imaginem que beleza: n�o h� filas nas estradas,
nem no mercadinho da esquina, e... estando desempregada...
� s� querer trabalhar!
Para o prazer e pra dan�a n�o h� concorr�ncia n�o!
� lindo o meu Para�so ... dan�o, canto e tem "bem-bom".
Vou pensando nas crian�as: n�o esperam pr� nascer,
nem para crescer, nem pr� mamar... crescem em terra macia,
sugam na M�e-Natureza e nascem do seio de Deus.
N�o h� fila de INAMPS! Documentos? ... Nem pensar!
L� todos nos conhecemos! Este c�u � nosso lar!
Esse meu sonho � bonito. Eu vou inverter a ora��o.
N�o quero o daqui l� em cima!
Eu quero o de l�, maior e mais belo...
Aqui. Bem aqui e...AGORA!... Acreditem. � poss�vel...
� s� n�o parar de sonhar. O Para�so EXISTE
querendo... chegamos l�!

 

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ENVOLV�NCIA

"O anel que tu me destes...
era vidro e se quebrou". (Cantiga de Roda)

An�is envolvem os dedos.
Cord�es e colares envolvem o pesco�o.
Pulseiras e braceletes envolvem os bra�os.
Chap�us e coroas envolvem a cabe�a.
Tem mais...
A f� envolve as almas.
A sabedoria envolve as mentes.
O amor envolve os cora��es.
Auras envolvem os corpos.
� tudo t�o envolvente!
Eu queria ser um ovo.
Freud deve explicar,
mas... esta envolv�ncia...
me fez lembrar do ovo.
A ess�ncia da clara e da gema ficam t�o...
t�o envolvidas pela casca!
�, devo estar com saudades do �tero materno.
Ser� que � s� isto?
Pode ser que sim. Pode ser que n�o.
Muito engra�ado. Pensei, de repente, na possibilidade
de Deus ser uma imensa galinha c�smica,
sempre botando ovos.
Logicamente isto n�o tem nada a ver com an�is,
cord�es, pulseiras... mas...
seria t�o bom ser um ovo c�smico!

 

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VIZINHAN�A

Meu cora��o distra�do
Saiu do segundo andar.
Subiu para a cobertura
Com o c�rebro foi papear.
Imaginem voc�s a surpresa
Do dono da cobertura
Ouvindo o alegre rosado
A lhe contar aventuras.
Sentaram-se pr� conversar
Em cima do pobre pesco�o
Que, desconfiado, bem sabe
o quanto o c�rebro � nervoso.
Enquanto o jovem contava
hist�rias de amor, emo��o
O outro, t�o convencido.
J� formulava a quest�o:
"Nunca Pensei, ora essa,
que tu pudesses falar.
Quem te ensinou, meu vizinho,
as gra�as do conversar?"
"Meu lar � um peito bonito,

aberto, cheirando a flor.
Foi f�cil aprender a falar,
meu mestre foi o amor."

O choque foi grande. Que susto!
O C�rebro estremeceu.
O cora��o, preocupado,
pergunta logo: "O que foi?"
"Tarde demais! Saia da�!"

diz o pesco�o, aos berros.
"Veja os raios, perigosos!
Ai! Vai come�ar outra vez!"

O cora��o, t�o bondoso,
insiste, quer ajudar...
O fino pesco�o, sorrindo,
apesar da cefal�ia,
acalma o outro dizendo:

"Nada grave. � sempre assim...
� s�...tempestade de id�ias!"

 

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CONFETE E SERPENTINA – uma tr�gica hist�ria de amor

Chegou rebolante e sapeca
Enroscou-se em troncudo pesco�o
Dan�ou agarrada ao mo�o
Que beijava, sem pudor, um biqu�ni.
O suor amea�ava parti-la,
Mas ali, decidida, a e sem fita
Procurava um cantinho mais seco
Do pesco�o troncudo do mo�o
Que roubara, sem piedade, seu ser.
O biquini, num corpo escultura
Conquistou cora��o mais cruel;
Infultrado nas curvas dos seios,
Do biquini enroscado ao pesco�o,
Do mo�o troncudo, um colosso,
Que roubara, de outro algu�m, a raz�o.
O ci�me, este monstro maldade,
Atacou sem ter d� ou piedade
O amante do seios sambantes.
Num momento de ira... um instante...
Rancoroso pulou fora dos seios!
Enfrentou a garganta troncuda
do rival! Foi o fim!
Serpentina rasgada, aos peda�os!
O confete sumiu como encanto!
O biquini, de novo no embalo...
e o pesco�o troncudo... est� mal!
Engasgado ele agora se encontra...
na cama de um hospital!

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BARES ...AV. S�O JO�O

Nos bares,
bares da vida,
maiores e mais complexos problemas
que nos simples problemas dos bares
da avenida s�o Jo�o.
Ah! Seria bom procurar voc�
e encontr�-lo... jogando dadinhos...
Triste procurar voc�
e voc� n�o estar l�...
Tr�gico encontr�-lo, mat�-lo
ali, na avenida S�o Jo�o.
Neste bar...mais tr�gico e complexo
que o simples barzinho
da avenida S�o Jo�o
Procuramos algo maior, mais tr�gico, mais belo
Problemas de vida
Meus queridos...
que dificuldade encontrarmos o tom!

 

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V�CIOS

Isto � verdade...
estar� sempre faltando uma carta
para ganharmos o jogo da Vida.
Estranho!
Ontem isto parecia uma trag�dia e...
hoje...
Que bom!
� um incentivo para jogar outra vez!
Ser� que viver vicia?

 

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DESENCONTRO

Chegava sempre no momento exato
em que o outro
triste
acabara de partir.
Lembrava-se sempre de sua sede imensa
no momento exato
em que a �ltima gota
acabara de ser consumida.
Sofria sempre sua fome insana
no instante supremo
em que o �ltimo peda�o fora
oferecido aos deuses.
Dizia sempre sua palavra m�gica
quando a busca eterna
encantada em sonhos
j� n�o mais importava.
E foi nesse momento
Exatamente esse
Em que a fome e a sede
foram saciadas
Em que o outro e a m�gica
realizaram os sonhos
Que sem o menor respeito
pela opini�o do mundo
como uma semente... decidiu morrer.
Desencontrara-se de si mesmo.
Que pena!

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ADOLESC�NCIA

Eu era t�o velha quando era jovem!
Endurecida por n�o compreender
que eu era diferente daquelas f�rmas todas
N�o cabia em nenhuma.
fiquei sozinha... chorei... sofri!
Um orgulho tolo por n�o perceber
que qualquer um � grande para qualquer f�rma
necess�ria � massa... dispens�vel ao Ser.
Eu era t�o velha quando era jovem!
Pensando numa longa e cansativa estrada que ainda n�o percorri...
S� agora, com a velhice se aproximando lenta
Vou compreendendo as f�rmas
as formas
e sem saber bem como
olho-me no espelho e percebo...
surpresa....
que rejuvenesci!

 

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MEU QUARTO

Este meu quarto est� impregnado de mim.
Repleto de sonhos, angustias, desejos
Paredes retendo uma cascata de id�ias
As marcas dos p�s que caminham na vida
s�o o forro do ch�o em que pisa minha alma.
Este meu quarto, t�o impregnado de mim.
Cheirando a cigarro, a perfume, a suor
do trabalho incessante de um cora��o t�o po�tico...
Estantes de livros que mudaram o destino
de algu�m que acredita na voz destes s�bios,
amigos do peito que trilharam comigo etapas dif�ceis,
ensinado-me tudo, sempre, em todos os lugares.
E este meu quarto, ainda e sempre, impregnado de mim.
De momentos de f�ria, cansa�o, esperan�a
Lavado com lagrimas de um amor que sofreu
Enfeitado em sorrisos de quem n�o desistiu
Protegido com grades de quem vive sem muros
Iluminado por luzes divinas de f�.
Impregnado de mim, este quarto parece
um ber�o, uma tumba, um cofre ou um barco...
Embalando, suave, as id�ias nascentes
Enterrando passados que morreram de dor
Acumulando riquezas que os olhos n�o v�em
Navegando comigo entre os mares-destino...
� verdade... este meu quarto... est�
completamente...impregnado de mim.

 

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POESIAS MATERNAS N.� 1

Meu filho quer ser compreendido
talvez queira, tamb�m, ser aplaudido
ou quem sabe, simplesmente, ser aceito.
� de carinho que precisa esta crian�a
talvez queira s� uma esperan�a
ou quem sabe, uma palmada no traseiro!
Ah! Este meu filho, complicado e t�o simpl�rio
de goza��o e brincadeiras faz a vida...
E eu buscando um dialeto adolescente
para contar a este jovem, irreverente,
que liberdade � algo mais do que brincar.
Meu filho quer contar dos seus amores
dos Malucos, dos Belezas, dos cantores
que marcaram este mundo com vis�o.
Eu quero ouvir as hist�rias deste filho
que filosofa entre piadas... tem estilo...
este menino est� me dando o que fazer!
Fale, menino! Eu compreendo a inseguran�a
adolescente, escondida na crian�a,
que olha o mundo sem saber bem o que quer.
Em campo aberto faz o gol e fura a rede...
a bola rola... o mundo gira... e voc�, menino...
navegando, filosofando, compreendendo...
a voz-ternura... dialeto simples... do amor e do viver.

 

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BREGA

Brega � apenas a opini�o
dos que nunca se olharam no espelho!
Brega...o ping�im por sobre a geladeira?
Brega...quem roda a baiana?
Brega...os que falam de amor?
Brega...quem pergunta o pre�o?
Sou BREGA. Macarr�nica mesmo.
Ponho o ping�im no ninho
e me recuso a ter coca-cola na geladeira.
Sem vestir a fantasia
deixo a baiana rodar nas Avenidas da vida.
Na solid�o, que � minha
fa�o discursos de amor em pra�as dos publicamente apaixonados.
Pago o pre�o...seja o pre�o qual for...
desde que n�o seja o pre�o da loja...infame tentativa
de valoriza��o do nada.
Brega... Sim. Sou BREGA... e inocente
Sem nem saber porque
fa�o propaganda da vida
e canto can��es.

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EXPECTATIVA

Quando a tristeza se instala, solene e definitiva,
no cora��o do poeta...
A inspira��o se esconde do vate...para n�o sofrer.
Quando a tristeza morena vem com jeito de ficar,
deitando na r�de-emo��o, sem can��o para se embalar...
A inspira��o prepara as malas, com desejo de partir.
E o poeta chora.
Chora a tristeza que fica.
Chora a inspira��o que se vai.
Mas a l�grima do poeta � t�o cheia de beleza...
A tristeza olha de banda, p�e um sorriso nos l�bios,
carinhosa se levanta,
convidando a inspira��o a ficar mais um pouquinho
para o poeta consolar.
O poeta abra�a as duas,
amores os mais prediletos de seu cora��o sens�vel.
Os tr�s escutam batidas...suaves...que v�m do port�o.
Correndo abrem as portas pois j� sabem quem chegou!
Ela entra com seu manto estelar.
O poeta abra�a a dama.
Sua l�grima � de cristal, reluzente de alegria...
e, abra�ado � Poesia, o poeta adormece feliz.

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AS DUAS AMIGAS

Felicidade chegou de mansinho...
Foi se instalando como quem est� de passagem...
Foi ficando...
Arrumou as gavetas,
Comprou um sof�,
Pediu um espelho grande onde pudesse se olhar.
N�o despejou a Tristeza,
Moradora t�o antiga,
Que estava bem cansada de viver t�o s�...
Coitada!
Hoje j� s�o bem amigas.
Tristeza canta cantigas
Felicidade chora emo��es.
O jardim ficou mais florido
As crian�as V�m visitar
A antiga dona da casa
E sua amiga engra�ada
Com elas v�m conversar.
O papo � interessante
Experi�ncias diversas tiveram estas duas amigas!
As crian�as riem e choram.
� tudo t�o diferente
Que o Vento, velho apressado,
Para na casa das duas e presta muita aten��o.
Rapidinho entende a hist�ria,
Sai voando bem depressa
Para espalhar na Cria��o
A beleza inesperada
Daquela casa engra�ada
Que se chama Cora��o.

 

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CALABOU�OS DA VOZ

 

Prisioneira ficou Sherazade
das hist�rias que contava.
Amorda�ados em tristezas
sobrevivem romances de amor.
Encarceradas na B�blia
vivem verdades perenes.
Acorrentados ao destino
s�o os enredos da Terra.
No supl�cio-solid�o
fez-se Luz o Verbo Divino.
Nas ampulhetas do tempo
perderam-se as primeiras palavras.
Cativeiros inconscientes
choram os dramas dos povos.
Algemados ao poder e � gl�ria
paralisam-se id�ias que salvam.
E o carcereiro-carrasco
sorrindo, com a chave na m�o...
Vestida de luz e estrelas
Entra no c�rcere a escrava.
Ofusco o cruel guardi�o com a luz que traz em sua voz.
Rompendo os limites do tempo
Abrindo as grades emperradas...
Libertadora POESIA... a todos concede o perd�o.

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DANDO TEMPO AO TEMPO

Quero dar-me um tempo
Para curtir, sem pressa,
O prazer da vida.
Quero ter um tempo
Para comer cerejas
E saborear.
Quero esticar o tempo
Para escrever poesia
E na fantasia poder navegar.
Quero encurtar o tempo
De sofrimento e dores
Chorando s� o que n�o for sorriso
Quero abra�ar o tempo
Para conhecer o mundo e,
A jato, em poucos segundos,
Visitar recantos, aqui e ali.
Para dar-me o tempo
Que preciso tanto
Crio novo encanto ao redor de mim.
Abro o cora��o ao transbordar da vida
Abra�o os companheiros desse meu caminho
Realizo hoje, com tempo, uma obra inteira
Renas�o companheira
De belas cerejeiras... e sorrio enfim!

 

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BORBOLETAS DE OUTONO

Folha de outono
Cai na vidra�a
Do carro parado
Qual mariposa
Cansada da vida
Em repouso perene.
Movimento do carro
Novo rumo a seguir.
Asas cansadas
De folha de outono
Qual mariposa
Aventureira das tardes
Se agitam...
Um v�o suave, ganhando as alturas,
Brilhando na tarde
O outono renasce...
Movimento ascendente
De folhas que caem...
Nuvens doiradas
Sol de crep�sculo
Aguardam o abra�o
Da folha de outono
Mariposa bendita
Decidida a voar.

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RA�ZES DO PASSADO

Met�licas ra�zes plantadas no passado
Agarradas � terra, seguras.
Enfrentaram tempestades, vendavais e desventuras
Resistiram.
Beberam das �guas antigas do aqueduto
Secas hoje. Enxurradas perenes.
Nos arcos do inconsciente de uma cidade
ainda viva, apesar da dor.
Pequenina caixa viva de esperan�a
Conduzes peregrinos cansados, torturados...
Dia a dia de trabalho. P�s na terra.
Teu destino: o c�u.
Encontras o ventre arredondado da montanha
Que ret�m, em si, o canto, a f�, o pensamento,
ar puro, santo...dos artistas que cultuam
A lembran�a do que era, ser� sempre e ainda �.

 

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TOM

N�o deve ter sido um erro
Nem sequer fatalidade...
Vin�cius, no c�u, sentiu saudades
Do grande parceiro que deixou aqui.
Sozinho, h� tantos anos,
Com toda a sua poesia,
Pediu para ter parceria...
E chamaram o grande JOBIM.
Imagino que a dupla
J� deve estar reunida,
Bebendo man�, ou birita,
Compondo uma nova can��o...
Que ser� bem brasileira,
Cheia de carioquice,
E quem for esperto ouvir�...
Vin�cius, com sua poesia
E Tom, num piano celeste
Criando uma melodia, uma prece,
Por este mundo-Brasil!

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PARA CHICO BUARQUE DE HOLANDA

A Carolina, de olhos fundos,
ficou � janela
Enquanto quem estava atoa na vida
perdeu algum tempo ao ver a banda passar
Quem n�o soube escolher a semente
acabou bebendo a tempestade,
encurtando o vestido de quem se dedicou a ficar
parada, pregada, na pedra do porto
Os que n�o tiveram coragem de enfrentar o perigo
tiveram, como �nico recurso, jogar pedra na Geni
E... o peda�o arrancado de mim d�i tanto
quanto a saudade do rev�s do parto
Mas...
tudo se resolve
Quando...
A mulher amada � cantada na semente
Naquele dia em que ele vem t�o diferente
Num seja l� o que for que d� dentro da gente
Neste cantar Severino
Navegando mesmo quando n�o � preciso...
que, finalmente,
O mundo compreende, e o dia, finalmente,
j� pode... amanhecer em PAZ.

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ULA e CEBOLINHA

Estou triste.
Meus dois cachorrinhos est�o doentes.
Talvez n�o tenham mais muito tempo entre n�s.
Saudades.
Amigos leais. Desinteressados. Gulosos...
De ra��o e de afeto de brincadeira e aten��o.
Se eu me zango, n�o me atacam.
Se choro infeliz em seus peludos pesco�os,
Me lambem e me afagam, querendo brincar...
Inoc�ncia. Pureza. Sempre a certeza de que me aceitam...
Esteja eu l� como for.
Muitas vezes padecem os meus tempos ocupados
Sem nenhum tempo vago para lhes dar aten��o.
Assim mesmo se animam quando me v�em chegar...
Abanando seus rabos, pulando em meus ombros, lambendo meu rosto...
Eles gostam de mim!
N�o me deixem, amigos. Vai ser duro viver se voc�s forem embora.
Nos olhinhos redondos tantas vezes encontrei
um olhar diferente, como se voc�s fossem gente, querendo informar
Que sou mais que sua dona, sou bem mais que seu mestre...
Voc�s olham pr� mim como a me adorar... Sou um deus?
De repente sou assim pr� voc�s.
Se sou Deus dou a ordem, infinita e urgente...
Fiquem aqui mais um pouco, sem sofrer, s� ternura
Pois � grande ventura ter amigos assim.

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GUERRA E PAZ

 

- Houve o grito de guerra

portanto...

� poss�vel a PAZ!"

 

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LABIRINTO

A vida agitada, esta vida malvada
tomou conta de mim.
Eu vi na TV, eu li nos jornais,
ouvi dos amigos nas rodas dos bares
not�cias infernais:
Mataram crian�as - Inc�ndio no �nibus
O jogador foi dopado
E, depois do Cruzado, (com respeito ao finado)
a maior confus�o...
O governo inventa, outra vez ele tenta deter a infla��o...
Sem jeito e sem gra�a, num clima ideal...
"paga o cheque!" "devolve!" e "torna a pagar!"
Ningu�m acha o P.C.!
N�o faz mal... vai voltar ele gosta de grana
e a nossa � bacana grana agora � real!
O que � que eu fa�o, meu Deus?
A sele��o j� perdeu
E as crian�as na pra�a pedindo aten��o!
Escrevo poesia
nesta noite bem fria j� nem t�o tropical.
Desligo a TV
N�o importa o P. C.
Eu n�o leio jornal.
Fico quieta de novo e mergulho em mim
procurando encontrar... a sa�da do t�nel?
N�o! � pior! LABIRINTO!
Meu povo! Escute!
Tem gente sacana fazendo pouco da gente
tornando descrente este povo legal.
Se o Brasil � esperan�a
irm�zinha ca�ula do Amor e da F�,
n�o confie � pequena solu��o do dilema... labirinto infernal.
Esperan�a � crian�a. O amor tudo alcan�a
mas quem � forte � a F�.
ACREDITE, meu povo! ACREDITE de novo!
N�o desiste n�o!
E se quer um conselho
De um poeta-pentelho que se recusa a calar...
P�e a m�o no arado. Trabalha dobrado
e... por favor... desliga a televis�o!

 

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POESIA MALDITA

E o Collor foi absolvido!
O P.C. por 7 anos detido
pagando uma multa IMENSA!
Trezentos sal�rios m�nimos!
Coitado do P.C.... vai ficar t�o pobrezinho!
Juro que n�s pens�vamos
em algo bem diferente:
uma pena mais comprida
uma multa bem menos suave
e ver o casal colorido, sem f�rias, atr�s das grades;
o jardim da Casa da Dinda virando albergue de pobre
e das bondosas criaturas, gentilmente perdoadas,
n�s quer�amos ver a grana roubada...devolvida para n�s.
Mas... eles s�o inocentes! Assim a Justi�a falou!
Quer dizer que o povo � besta?
Tiramos da presid�ncia um homem gentil e honrado
de anjos-puros cercado sem provas cabais contra si?
Pois eu juro que desejo, em nome de um povo zangado,
Um castigo mais pesado para os " anjos" absolvidos:
"Que tropecem pela vida afora
as ossadas dos indigentes
que morreram de fome e frio... por culpa DELES"
"Que sintam, diariamente, em suas narinas emproadas
o cheiro nauseabundo das carnes putrefatas
dos que morreram, sem socorro, dentro de p�blicos... hospitais!"
"Que seja o sentimento mais forte
em suas podres almas e malfadados cora��es,
aquilo que sentem os idosos nas filas do INPS... horas de sol ou de chuva...
para receber a pens�o-vergonha-nada"
"� pouco desejar para eles
o helic�ptero do Ulysses ... o avi�o do Castelo ... ou o carro do JK.
Que as 7 pragas do Egito recaiam sobre este bando!"
"Mas a maldi��o mais supimpa � a que vem a seguir:
Que o collor, o p.c. e matilha
tenham uma crise profunda de consci�ncia e verdade,
e para diminuir suas culpas,
ponham a boca no mundo falando bem alto, pr� todos,
os nomes dos miser�veis, que fazem parte da corja
E AINDA GOVERNAM O PA�S!"

 

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A JOVEM PROSTITUTA

Os olhos da pequena prostituta
Gravados na tela
Cravados na alma de toda uma na��o
que chora...
Choram tamb�m aqueles olhos, belos,
da jovem...
prostituta...
Lamentando a sorte
a pr�pria sorte... destino de tantas...
sem direito ao lar
sem direito � escola
sem direito ao amor
PROSTITUTAS!
Os olhos da pequena prostituta
Inundaram a noite
do Dia das M�es
magoadas pela maldade dos homens
que PAGAM
o corpo verde
o h�men intacto
a alma de meninas...
Que choram na tela.
Fazendo corar de vergonha
Toda esta na��o!

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SIL�NCIO

Os Sem- terra marcham.
Os passos, em cad�ncia,
Ressoam no mundo.
Um peda�o de terra nesta Terra t�o grande...
Esses passos descal�os
Despertam o Gigante... v�o rompendo barreiras...
Ser� deles esta terra?
Ter� a terra outro dono?
E um povo sem sono decidiu escutar
A marcha-sil�ncio
H� tanto tempo esperada
Desses p�s sem sapatos
Dessas barrigas vazias
Dessas m�os calejadas de usar a enxada
Para a outrem servir.
Fazendeiros se alarmam
Pol�ticos discutem
Jornalistas se exaltam
E o povo... espera, atento, escutando
O marchar dos Sem-terra...
Ouvem o grito de guerra,,, ansiedade de p�s
Sem sapatos. Descal�os....
Subindo a rampa... o planalto...
Escutem esse som. Essa marcha e... SIL�NCIO!
� a vez dos Sem-terra!
Ser� vez DESTA TERRA?

 

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ELEI��ES

A urna assustada
de boca entreaberta
recebe os votos que v�m um a um.
Chega um voto dobrado,
cansado, enrugado,
de m�os calejadas e cheirando a suor.
Abrindo passagem,
com ternura e tristeza,
a urna recebe, em sua boca entreaberta,
mais um voto-verdade de um trabalhador.
Chega um voto suspeito, manchado de sangue,
olhando pros lados, de um jeito esquisito.
A urna indignada
quer fechar sua porta,
ela � zanga, revolta, n�o quer receber
o voto-vergonha, o voto-indec�ncia, este voto-bandido.
Chega o voto problema
traz no dedo uma marca
Humilha��o, um vexame, n�o sabe escrever.
Um solu�o, uma queixa
escapa da urna, que cansou de assistir:
"Ontem o pai, hoje o filho... amanh� vem o neto!
Quando, meu Deus, vai parar de existir,
este voto vazio, de um povo a agonia,
voto de analfabeto?"
E desfilam na sala as diversas visitas:
h� o voto-esperan�a - o voto-revolta
o voto de d�vida - o voto comprado
o voto angustiado - o voto obriga��o.
A urna assustada fecha a boca faminta.
Em seu ventre encerra toda hist�ria de um povo...
Estar� saciada? Haver� congest�o?
O povo olha pr� urna
sem muita esperan�a, ainda assim,
em seu peito,
uma chama se agita...
" Talvez desta vez...
Quem sabe?
N�s tentamos de novo.
Esta urna est� prenhe! Vai parir!
Como um pai carinhoso, vou esperar, outra vez!
�. Este ano... quem sabe? Talvez!"

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O HOMEM E A CIDADE

Sil�ncio! Escutem!
O que � isto? Que barulho � este?
Um bem-te-vi cantando! Aqui?!!!
Na cidade grande?!
Chegamos � janela para olhar.
Era verdade: um casal de bem-te-vis.
Bem-nos-viram ali, engaiolados
na janela do terceiro andar.
Sobrevoaram, despreocupados,
por sobre o tr�nsito e no parapeito da janela,
tranq�ilos, vieram estacionar.
Nos pequeninos olhos das aves que nos viram
pudemos ver a cidade, grande, poderosa,
meiga e fria, ardente, indiferente...
Grandes paix�es, tanta l�gica, alguma certeza
e muito engano...
P�ssaros engaiolados dos grandes centros urbanos,
sentimos nossas vozes gorjear, cantando...
BEM-TE-VI...BEM-TE-VI...BEM-TE-VI...
Vimos, na solidez do a�o e do progresso
Um pulsar antigo, um tanto fraco, belo, incerto,
de um cora��o h� muito esquecido e sempre a palpitar.
As duas aves tocaram seus bicos,
sem pudor, sem vergonha, como num simples beijo de amor.
A f�mea voou e o macho, voz ligeiramente aflita,
olhou para c�... olhou para l�... BEM-TE-VI... desapareceu
do parapeito...N�s, da janela, a tudo assistimos...
BEM-TE-VIS, BEM-TE-VIMOS, alegres p�ssaros
de uma liberdade ainda poss�vel...
N�s escutamos, no v�o leve destas asas,
o cora��o de toda uma cidade...
BEM-TE-VIS, BEM-TE-VIMOS, BEM-NOS-VIMOS...
BEM-QUEREMOS, vivo, este pulsar de amor.

 

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