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                                                                        Rumo ao Hexa em 2006 

   Não é apenas o Brasil que tem grandes chances de conquistar pela sexta vez um título importante ano que vem. Os Reds de Anfield também têm motivos para sonhar com um título de grande expressão em 2006. E olha que o campeonato do Liverpool não está cheio de moscas-mortas da América Central, África ou Ásia...
   O tão importante caneco que os jogadores que carregam o Liverbird no peito podem levantar é, como todos sabemos, a UEFA Champions League, campeonato de clubes mais difícil do planeta, que conta com a nata do futebol europeu (e mundial). A partir de agora, veremos uma recapitulação da campanha do Liverpool até agora, e uma reflexão sobre o futuro do time na liga.
   Após ter erguido o belo troféu pela 5ª vez, os Reds ainda não estavam com sua participação garantida para esta temporada. Precisavam ficar entre os 4 melhores da Premier League. Porém, devido a várias escorregadas no decorrer do ano passado, o time ficou apenas com a quinta posição, ganhando vaga apenas na UEFA Cup. Mas um time tão tradicional não poderia ficar de fora de tão nobre competição! Ainda mais tendo se sagrado campeão da mesma na última temporada! Então, a UEFA apareceu com uma saída: o LFC teria a sua vaga na Champions League. Entretando, teria que disputá-la desde a primeira fase preliminar, aquela onde estão reunidos times deveras “tradicionais” no futebol europeu, que metem medo em qualquer equipe do planeta!
   Logo de cara, pegamos os campeões do País de Gales, Total Network Solutions (TNS). Ai, que meda! Dois jogos, duas vitórias, ambas por 3-0, sendo a primeira com um hat-trick de Stevie Gerrard.
   Na segunda rodada da qualificação, foi a vez dos campeões da Lituânia, o famoso Kaunas. Pelo menos, poderemos dizer no fim da temporada que eliminamos vários campeões nacionais durante a campanha pelo título histórico!!! Após um começo difícil, após estar perdendo por 1-0 fora de casa, viramos o jogo e conseguimos mais um belo resultado: 3-1. Na volta, em Anfield, 2-0 para confirmar a vaga na outra fase e pegar o CSKA.
   Ah, CSKA, aquele time russo do dono do Chelsea, usado para lavar dinheiro sujo da máfia russa, que tem o Vagner Love? Não, esse só pegaríamos na Supercopa da UEFA. Esse de agora é o primo pobre, da Bulgária... Outra vez, 3-1 na casa do adversário. Na volta, para poupar o time, que jogaria 3 dias depois contra o primo rico, jogamos com um time cheio de reservas em Anfield, e perdemos o primeiro jogo depois de 15 partidas invictos na Champions League! Marca bastante respeitável! No final, 0-1 não foi tão mal, pois nos deu a vaga para a fase de grupos.
   Pegamos um grupo relativamente fácil: Betis, Anderlecht e Chelsea. Na pior das hipóteses, ficaríamos em segundo, atrás dos Blues. Mas não foi bem assim! Logo aos 15 minutos já tínhamos a confortável vantagem de 2-0 sobre os estreantes em CL’s do Betis. E que 2-0! Um golaço de Sinama Pongolle com menos de 2 minutos e uma bela cabeçada de Luis Garcia nos trouxeram tranqüilidade para administrar o resultado, pois estávamos jogando diante da fanática torcida de Sevilla. O jogo acabou 2-1, e o dia só não foi melhor graças ao goleiro do Anderlecht, que levou um frangaço num chute fraco de Lampard...
   Matchday 2: primeiro de dois jogos seguidos contra o Chelsea, ambos em Anfield. Como o esperado, os azuis vieram retrancados para o jogo (medrosos!). Apesar da pressão – não tão forte quanto deveria –, saímos com um frustrante 0-0, e a indignação da arbitragem favorecendo os adversários descaradamente. Foram dois pênaltis claríssimos! No primeiro tempo, na hora em que Sami faria um belo gol, foi vítima de um golpe de jiu-jitsu, e o árbitro nada deu! Na segunda etapa, o zagueiro deles achou que era o goleiro e fez uma defesa crucial, pois a bomba de Riise tinha endereço certo!
   Toda essa roubalheira reacendeu a polêmica: será que o Chelsea compra as arbitragens, a exemplo do que o Corinthians fez com o STJD no brasileirão? Lembro-me da partida pela Premiership de 2/01 desse ano, em que o Lpool foi indiscutivelmente garfado, tendo dois penais – outra vez – não marcados, e um gol muito mal anulado! Fora que o gol dos smurfs foi irregular...
   Mesmo assim, continuamos em primeiro lugar, e isso é o que importa. Terceiro jogo pela CL, agora contra o Anderlecht, que já vinha há vários jogos seguidos apenas com derrotas. Cissé, logo aos 20 minutos de jogo, marcou o gol que garantiu mais uma vitória. Com o goleiro do Betis ajudando o Chelsea, caímos para segundo lugar no saldo de gols.
   Agora, chegou a vez de pegarmos os belgas de novo. Em Anfield, tudo foi mais fácil, e não foi dessa vez que o time de banco e roxo saiu do jejum de vitórias: 3-0, com gols de Moro, Garcia e Cissé, e a volta ao topo do grupo, já que o Betis nos fez o favor de meter 1-0 nos comandados de Mourinho. Um fato lamentável do jogo foi a agressão racista de um idiota do Anderlecht contra Momo Sissoko, devidamente punido pelo árbitro dinamarquês Kim Milton Nielsen com a expulsão.
   De novo, o Betis. Jogando em Anfield, todos esperam uma vitória dos Reds, certo? Errado! Precisando apenas do empate para garantir a classificação antecipada para a próxima fase, jogamos um futebol burocrático. No final, o 0-0 ficou de bom tamanho para as duas equipes, que nada de bom apresentaram nos 90 minutos... No outro jogo, o Chelsea ganhou novamente dos belgas.
   Já classificados, e com um ponto na frente do time londrino (11 a 10), não precisava nem entrar com o time titular. Mas RB não quis saber de poupar ninguém! Mesmo assim, ficamos o jogo inteiro tocando a bola de lado, esperando o tempo passar, e os azuis foram completamente incompetentes para dar alguma alegria à sua torcida. Final: 0-0. O terceiro empate sem gols em 4 jogos pela Champions League esse ano. O jogo com gols? Ah, foi na semifinal da temporada passada, com aquele belo gol de Garcia, aquele mesmo que o comentarista da ESPN e o Mouro emburradinho até hoje dizem que não entrou... tsc, tsc, tsc.
   Deu a lógica no grupo: Liverpool em primeiro, Chelsea em segundo, Betis pra UEFA e Anderlecht, somente fazendo figuração, ficou com a honrosa última posição, a mesma que o Manchester ocupou em um outro grupo...hehehe.
   Agora, é só esperar pelo sorteio da próxima fase para mostrarmos de novo a nossa força e a nossa tradição, rumo ao hexa, no campeonato de clubes mais difícil e importante do planeta! Com um time mais entrosado e mais forte que aquele da heróica conquista do dia 25 de maio, em Istambul, o sonho de uma nova conquista se torna cada vez mais plausível.
   No gol, Pepe Reina está prestes a entrar para a história. Há 10 jogos sem tomar nenhum gol, vem mostrando porque desbancou o grande herói dos pênaltis, o dançarino polonês Jerzy Dudek. Contando com a ajuda da nossa experiente e impenetrável dupla de zaga, Jamie Carragher e Sami Hyypiä, o espanhol vem operando alguns milagres quando necessário, como a esplêndida defesa contra o atacante Viduka, do Boro.
   Completando a linha defensiva, temos Steve Finnan e John Arnie Riise. O lateral direito, muitas vezes criticado por muitos, se sai muito bem na marcação, e ainda sobe com alguma qualidade ao ataque, fazendo cruzamentos bem direcionados. Já o norueguês da esquerda, bastante habilidoso, também pode ser utilizado no meio, principalmente quando o time precisa fechar bem o jogo, entrando Djimi Traoré na lateral. Bem, Traoré faz muita besteira, mas às vezes faz ótimas apresentações.
   No meio, habilidade, criatividade, passes e lançamentos certeiros, e boa marcação são qualidades constantes, além de belos (e muitos) gols. Mohamed Sissoko, jovem revelação, com um futuro promissor, foi descoberto por Rafa Benítez e já vem atuando como titular na maioria das partidas. Dietmar Hamann, com toda a sua classe e técnica, vem sendo ao longo dos últimos dez anos de fundamental importância para o meio campo do Liverpool. Xabi Alonso e Steven Gerrard dão o toque de maestria ao time. Injustiçado pela FIFA na eleição do melhor do mundo, Stevie é o principal jogador do time, sendo fundamental na conquista do penta. E Xabi é tão bom quanto McG! Lindos passes, chutes perfeitos, garra e determinação fazem dele um dos xodós da torcida. Fora isso, seus lançamentos super-ultra-mega-hiper precisos deixam toda a torcida boquiaberta! Ainda temos o holandês Boudewijn Zenden, que chegou como reforço para 2005-2006, mas vai perder o resto da temporada devido a uma contusão, e o australiano Harry Kewell. Excelente meia-esquerdo, sofreu bastante com uma grave contusão durante um bom tempo, só voltando ao time recentemente. Quando recuperar o ritmo de jogo, vai dar grande dor de cabeça para RB escalar o time... Por último, nosso artilheiro na CL passada: Luis Garcia. Autor de gols bonitos e/ou cruciais, aparece muito bem lá na frente, sempre se movimentando para confundir a marcação adversária, chuta bem e dá trabalho às defesas adversárias nos cruzamentos, quando não é ele quem os faz...
   Na frente, um problema que a maioria dos técnicos gostaria de ter, 4 jogadores para 2 vagas (quando RB não cisma de jogar no 4-5-1). O jovem francês Florent Sinama Pongolle, além do belo nome, é muito veloz e sabe driblar. E também é um artilheiro nato. Vide o mundial sub-17 conquistado por seu país em 2002 (creio eu), no qual ele foi o artilheiro e seu colega de time, Anthony Le Tallec, o melhor jogador da competição. O outro francês do time, Djibril Cissé, foi a maior contratação da história do time. Logo que chegou, sofreu uma grave lesão. Voltou aos poucos, mostrou seu talento, fez vários gols, mas anda insatisfeito por ser reserva de Peter Crouch. O grandalhão de 2 metros goza, aparentemente, de toda a simpatia de RB. Apesar de não balançar as redes, e de perder muitos gols que nem vovó perderia, não sai do time titular nem por decreto da Rainha Elisabeth! Mesmo com a seca de gols, ele vem atuando bem, servindo seus companheiros como um típico pivô, dando assistências pros pontos, digo, gols. O outro atacante que temos é o experiente espanhol Fernando Morientes. Moro chegou em má fase, mas agora recuperou a boa forma dos tempos de Real Madrid e Mônaco, fazendo gols nos últimos jogos, garantindo seu lugar ao lado de Crouch. Não podemos esquecer de Neil Mellor, garoto visto com bons olhos pelo time, que está se recuperando muito bem de uma cirurgia, e pode ajudar na reta final da CL.
   Para mim, o pior defeito do time quando joga com Crouch é que ficamos reféns do jogo aéreo, sempre levantando a bola para ele, ou fazendo lançamentos que não dão em nada – o típico chuveirinho inglês. Comprovadamente, nosso melhor futebol aparece quando jogamos com a bola no chão, rolando de pé em pé, dada a nossa qualidade técnica e habilidade que sobra em nossos principais jogadores.
   Com esses jogadores, temos um time forte e bastante competitivo, capaz de jogar em pé de igualdade com qualquer time milionário do futebol europeu. Aliado a esse esquadrão aguerrido está o técnico espanhol Rafa Benítez. Considerado retranqueiro e cabeça-dura por muitos torcedores (principalmente aqueles que querem o time sempre ofensivo, sem Crouch, com Moro e Cissé), ele sabe dosar bem, escolhendo na medida certa os momentos em que o time precisa atacar ou se defender, fazendo as substituições necessárias, que surtem grande efeito rapidamente. Como exemplo, de novo o jogo de 25 de maio. As alterações trouxeram efeito imediato, culminando no que todos já sabemos.
   Agora que já estamos nas oitavas de final, não é muito bom ficar escolhendo adversários, pois, se quisermos ganhar, temos que provar que podemos derrotar os times mais fortes do continente, a exemplo do que foi feito anteriormente, quando ganhamos de Juventus, Chelsea e Milan nos jogos derradeiros. Todavia, sempre é bom começar o mata-mata com adversários sem tanta tradição, como Udinese ou Rangers, por exemplo. Juve, Milan e Barcelona é bom pegar nas rodadas decisivas, onde pesa mais forte a nossa tradição! Também gostaria de eliminar de novo os azuis, com outro gol polêmico de Garcia...só pra rir de novo da cara do Terry!

   Bem, essa foi uma análise de como está indo o Liverpool nessa temporada da Champions League, e das chances que temos de fazer a festa no Stade de France, em 17 de maio de 2006.

                                                                                                                                    Especial escrito por: Igor Vasconcelos

                                                                                

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