LITERATURA INFANTIL

 

 

·       O tema literatura infantil leva-nos de imediato à reflexão acerca do que seja “Infantil” como qualificativo especificador de determinada espécie dentro de uma categoria mais ampla e geral do fenômeno literário.

 

·      Criança no Ocidente – não se dirige a uma classe

  Não detêm poder algum

                                          É uma minoria

                                          Não tem direito à voz

                                          Levada por valores dos  que detêm o poder – os adultos.                

   Adultos possuem saber e experiência suficientes para que a sociedade lhes outorgue a função de condutores daqueles que nada sabem – as crianças  ( situação de submissão).

 

·      Modelo capitalista de organização social: DOMINADOR /// DOMINADO

·      A pedagogia é um meio capaz de adequar o literário às fases do raciocínio infantil

·      O livro – veicula  valores sociais  – cria na mente da criança hábitos associativos (aproximar as situações imaginárias da ficção aos comportamentos e crenças desejados na vida prática)

Ex: Luísa fala palavrão – Christian Lamblin

     Luísa e Samira brigam – Christian Lamblin

·      Verossimilhança

·      Literatura é ficção

 

QUE É ENTÃO LITERATURA INFANTIL?

 

       “O gênero *literatura infantil* tem, a meu ver, existência duvidosa. Haverá música infantil? Pintura infantil?A partir de que ponto uma obra literária deixa de constituir alimento para o espírito da criança ou do jovem e se dirige ao espírito adulto?Qual o bom livro para crianças, que não seja lido com interesse pelo homem feito? Qual o livro de viagens ou aventuras, destinado a adultos, que não possa ser dado a crianças, desde que vazado em linguagem simples e isento de matéria de escândalo?Observados alguns cuidados de linguagem e decência, a distinção preconceituosa se desfaz. Será a criança um ser à parte, estranho ao homem, e reclamando uma literatura também à parte? Ou será a literatura infantil algo de mutilado, de reduzido, de desvitalizado – porque coisa primária, fabricada na persuasão de que a imitação da infância é a própria infância?Vêm-me à lembrança as miniaturas de árvores, com que se diverte o sadismo botânico dos japoneses; não são organismos naturais e plenos; são anões vegetais. A redução do homem que a literatura infantil implica dá produtos semelhantes. Há uma tristeza cômica no espetáculo desses cavalheiros amáveis e dessas senhoras não menos gentis, que, em visita a amigos, se detêm a conversar com as crianças de colo, estas inocentes e sérias, dizendo-lhes toda sorte de frases em linguagem infantil, que vem a ser a mesma linguagem de gente grande, apenas deformada no final das palavras e edulcorada (adoçada) na pronúncia...Essas pessoas fazem oralmente, e sem o saber, literatura infantil” (ANDRADE, Carlos Drummond de. Literatura Infantil. In: Confissões de Minas. Rio de Janeiro, Aguilar,1964.)

 

·      Boom da literatura infantil – 1980 - seminários

  Congressos

  Vendas

   Incentivo

·      A obra literária recorta o real, sintetiza-o e interpreta-o através do ponto de vista do narrador ou do poeta.

·      Manifesta através do fictício e da fantasia, um saber sobre o mundo.

·      Oferece ao leitor um padrão para interpretá-lo

– por exemplo: A terra dos meninos pelados – Graciliano Ramos)

·       a personagem principal é uma criança

·       preocupação com a justiça,

·      crítica à linguagem difícil usada nos livros infantis.

·       Síntese do pensamento sobre a infância –

·       Pensamento vem redimensionado pela fantasia.

·      Meninos machucados, carentes, ávidos por entender o adulto e seu mundo.

·      Raimundo – cabeça pelada, um olho azul e um preto – busca na fantasia (o país de Tatipirun) , o lugar ideal para viver.

·      Manuel Bandeira – “Vou-me embora pra Pasárgada, lá sou amigo do rei...”

 

·      A literatura é subversiva (propõe novos conceitos) -Lewis Carrol – Alice no País das Maravilhas

-Propõe o ilógico

-Subverte o natural

-Propõe o inusitado, o absurdo

-Instaura a desordem a partir da queda de Alice

 

·      Tradicionalmente a literatura infantil apresentou um discurso monológico – caráter persuasivo (sem brechas para interrogações – choque de verdades/ desafio para a diversidade/ uma só voz – do narrador)

·      Bakhtin – traz o dialogismo – abertura de diversas vozes – sufoca o discurso pedagógico persuasivo – permite unidade na diversidade.

 

·      “(...) E de que serve um livro sem fuguras nem diálogos? A frase é de Carrol, em uma de suas Alices.

·      O livro infantil, desde seus primórdios, tem procurado responder à questão, promovendo formas de diálogos entre a imagem, a ilustração e o texto verbal.

·      Imagem  - transforma-se em apêndice ilustrativo da mensagem lingüística.

·      Função pedagógica – utilizar a imagem para materializar , determinar e preencher aquilo que poderia se transformar pela imaginação do leitor-criança num campo vago e impreciso de possíveis construções imagéticas.

·      A ilustração surge em momentos decisivos para mostrar como são as personagens centrais – heróis e vilões – em termos de atributos físicos e psicológicos, ou para concretizar cenas.

- Exemplo: A Emília do Sítio do Pica-Pau Amarelo

 

·      Assim de que serve um livro sem figuras e imagens? Ex: Aparências enganam- Tatiana Belinky ( inspirado numa fábula de Tolstoi)

 

A literatura infantil tem como parâmetros:

 

1.  Charles Perrault – século XVII ( Cinderela, Chapeuzinho Vermelho, etc)- Francês

2.  Irmãos Grimm – século XIX – ( João e Maria, Rapunzel)- Alemães

3.  Christian Andersen ( O Patinho Feio, Os trajes do Imperador)- Dinamarquês

4.  Collodi – (Pinóquio) –Italiano

5.  Lewis Carrol – (Alice no país das maravilhas) – Inglês

6.  Frank Baum – (O mágico de Oz) – Americano

7.  James Barrie – ( Peter Pan) – escocês

8.  Monteiro Lobato – século XX - (Sítio do Pica-Pau Amarelo) – Brasil – início da produção nacional.

 

Obras

·      Perrault – Cinderela – referência à moda feminina da época. Personagens precárias triunfam ao final.

 

·      Lobato – Jeca Tatu – personagem polêmica

   Causadora de inúmeras

   discussões,

   contrapunha o ufanismo                                       

   do índio belo e

cavalheiro (Peri – de Alencar)

subnutrição de um tipo de cócoras,

vida vegetativa.

Personifica a estagnação, o marasmo, a precariedade da vida,

Denúncia

Audaciosa  advertância às questões sociais,

Nacionalismo.

 

·      A poesia

·      Folclore

·      Provérbios

·      Fábulas

 

·      A literatura tem um papel no desenvolvimento lingüístico e intelectual do ser humano

 

·      A escola chama para si a responsabilidade de ensinar a língua escrita, portanto o ludismo verbal exerce papel importante no estímulo à espressão verbal.

 

·      A leitura de textos poéticos e a narrativa à criança em fase de alfabetização e pré-alfabetização a aproxima do livro como fonte de conhecimento e prazer, e exerce um papel importante na formação da expressão verbal.

 

·      O papel da literatura nos primeiros anos é fundamental para que se processe uma relação ativa entre falante e língua.

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