O QUE É A DISTURBIO BIPOLAR DO HUMOR:Até bem pouco tempo conhecida como psicose maníaco-depressiva, a doença bipolar do humor é caracterizada por períodos de um quadro depressivo, geralmente de intensidade grave, que se alternam com períodos de quadros opostos à depressão, isto é, a pessoa apresenta-se eufórica, com muitas atividades, às vezes fazendo muitas compras ou efetuando gastos financeiros desnecessários e elevados, com sentimento de onipotência, quase sempre acompanhados de insônia e falando muito, mais que seu habitual. Esse quadro é conhecido como mania. Tanto o período de depressão quanto o da mania podem durar semanas, meses ou anos. Geralmente a pessoa com essa doença tem, durante a vida, alguns episódios de mania e outros de depressão. É importante ficar claro que mania, no sentido médico, é diferente de mania para o leigo, significando para este hábitos que a pessoa sempre repete. DepressãoÀ depressão precede geralmente um período em que o paciente não se sente perfeitamente bem. Poderíamos chamar de "aura depressiva", que é uma série de sensações, muitas vezes reconhecidas pelo próprio indivíduo, que antecedem a crise. Já não se levanta com a mesma disposição, sai menos, se sente menos disposto e ativo e já não consegue dar conta do serviço como antes. Decorrido algum tempo, o paciente cai em depressão. Sintomas (observe que nem todos os sintomas estão sempre presentes): Atividade inibida até total inércia. Pode passar dias sem levantar da cama ou sair de casa. Disposição melancólica, até total desesperança. Posicionamento extremamente pessimista quanto ao futuro. Reflexão inibida, chegando a impossibilidade de prosseguir até o fim com qualquer pensamento. Perda do interesse pelas coisas e pelas pessoas que gostava, levando a um estado de isolamento social. Interpretação pessimista do passado. O passado se torna uma lembrança sombria, cercada de culpa ou uma impossibilidade de retorno. Isolamento - inclusive com grande dificuldade em estabelecer laços sociais. Culpabilidade e auto-recriminação. Adormecer com dificuldade, dormir mal, acordar cedo, não ter vontade de se levantar, nem tampouco de ficar deitado. Pode também ocorrer o sono em demasia, quadro encontrado principalmente na adolescência, onde o dormir é uma forma de fuga da realidade. Diminuição do apetite com perda acentuada de peso. Em alguns casos ocorre o oposto, ganho excessivo de peso. Apatia. Redução do desejo sexual. Idéias fixas hipocôndricas, acreditando que está padecendo de algum mal incurável. Idéias suicidas podendo passar ao ato. Na fase agúda, apesar da idéia existir, falta a energia necessária para efetivar a ação. Não conseguem nem sentir alegria, nem tristeza ("sensação da falta de sentimentos"). ManiaDa mesma forma que falamos em "aura-depressiva", também podemos falar de uma série de sintomas que antecedem a crise maníaca. O paciente se sente um pouco mais inquieto, expansivo, com menos necessidade de sono. Sente-se pleno, animado, com mil projetos. Na realidade, está bem pouco produtivo. Podemos então falar em uma fase leve de Mania ou Hipomania, na qual não ocorre a perda da auto crítica e a produtividade está aumentada. A pessoa pode viver anos neste estado. Sintomas (como na fase Depressiva nem todos os sintomas estarão presentes simultaneamente): Disposição alegre, até excessivamente alegre - A impressão é de uma excessiva excitação e irritação. Atividade acelerada e até caótica - o paciente se encontra basicamente em estado de híper-atividade, o que não significa dizer que ele se encontre mais produtivo. Sensação de Onipotência - Tudo sabe, tudo pode, tudo consegue. Pode chegar a perder somas vultuosas e se endividar. Reflexão acelerada, podendo ser caótica. Interesse por tudo. Otimismo. Hiper socializável - associado à ausência de senso crítico pode levar ao paciente a fazer parceria com pessoas que coloquem a si e a seus familiares em risco. Nenhuma senso de culpabilidade e pecaminosidade. Dormir pouco. Bem disposto. Perda do senso crítico. Sexualidade exacerbada - este aumento da libido pode levá-lo a situações críticas. Os resultados sociais e econômicos de uma fase Maníaca podem ser devastadores para si e para os familiares, juridicamente se fala em Incapacidade Temporária, o que pode acarretar uma profunda depressão no período seguinte. Ao contrário da fase Depressiva o paciente Maníaco não se sente doente o que pode dificultar em muito seu tratamento. O QUE CAUSA:A base da causa para a doença bipolar do humor não é inteiramente conhecida, assim como não o é para os demais distúrbios do humor. Sabe-se que os fatores biológicos (relativos a neurotransmissores cerebrais), genéticos, sociais e psicológicos somam-se no desencadeamento da doença. Em geral, os fatores genéticos e biológicos podem determinar como o indivíduo reage aos estressores psicológicos e sociais, mantendo a normalidade ou desencadeando doença. O transtorno bipolar do humor tem uma importante característica genética, de modo que a tendência familiar à doença pode ser observada. COMO SE MANIFESTA:O mais chamativo da doença bipolar do humor são os episódios de mania que podem alternar-se, geralmente ao longo dos anos, com a depressão. Os episódios começam a manifestar-se em geral por volta dos 15 a 25 anos de idade, com muitos casos de mulheres podendo ter início entre os 45 e 50 anos. A frequência em homens e mulheres, contudo, é a mesma. A pessoa apresentando o quadro de mania mostra um humor anormal e persistentemente elevado, expansivo, excessivamente eufórico e alegre, às vezes com períodos de irritação e explosões de raiva, contrastando com um período de normalidade, antes da doença manifestar-se. Além disto, há uma auto-estima grandiosa (com a pessoa sentindo-se poderosa e capaz de tudo), com necessidade reduzida de dormir (a pessoa dorme pouco e sente-se descansada), apresentando-se muito falante, às vezes dizendo coisas incompreensíveis (pela rapidez com que fala), não se fixando a um mesmo assunto ou a uma mesma tarefa a ser feita. De que outras formas pode se manifestar:Algumas vezes o paciente depressivo pode apresentar ataques de ansiedade com sudorese, palpitações e tremor, verdadeiros ataques de pânico, o que não quer dizer que tenha desenvolvido a Síndrome do Pânico Alguns casos de depressão se caracterizam por dores vagas e difusas pelo corpo ou na cabeça, com vários exames laboratoriais normais, o que pode acarretar um pensamento fixo no paciente depressivo de que está padecendo de algum mal incurável. A Depressão pode estar mascarada por uma doença física, conseqüente da própria Depressão, como úlcera, infarto, gastrite, dores reumáticas e tantas outras do campo da Psicossomática as quais necessitam de um tratamento paralelo. As pessoas na Terceira Idade podem apresentar um quadro clínico com falta de memória às vezes mais evidente do que a própria Depressão. Isto leva a uma possibilidade diagnóstica de Arteriosclerose. A reação ao tratamento com antidepressivo poderá ser a prova terapêutica necessária para se estabelecer um diagnóstico diferencial. Existem três outras formas através das quais a doença bipolar do humor pode se manifestar, além de episódios bem definidos de mania e depressão. Uma primeira forma seria a hipomania, em que também ocorre estado de humor elevado e expansivo, eufórico, mas de forma mais suave. Um episódio hipomaníaco, ao contrário da mania, não é suficientemente grave para causar prejuízo no trabalho ou nas relações sociais, nem para exigir a hospitalização da pessoa. Uma segunda forma de apresentação da doença bipolar do humor seria a ocorrência de episódios mistos, quando em um mesmo dia haveria a alternância entre depressão e mania. Em poucas horas a pessoa pode chorar, ficar triste, sentindo-se sem valor e sem esperança, e no momento seguinte estar eufórica, sentindo-se capaz de tudo, ou irritada, falante e agressiva. A terceira forma da doença bipolar do humor seria aquela conhecida como transtorno ciclotímico, ou apenas ciclotimia, em que haveria uma alteração crônica e flutuante do humor, marcada por numerosos períodos com sintomas maníacos e numerosos períodos com sintomas depressivos, que se alternariam. Tais sintomas depressivos e maníacos não seriam suficientemente graves nem ocorreriam em quantidade suficiente para se ter certeza de se tratar de depressão e de mania, respectivamente. Seria, portanto, facilmente confundida com o jeito de ser da pessoa, marcada por instabilidade do humor. COMO SE DIAGNOSTICA:O diagnóstico da doença bipolar do humor deve ser feito por um médico psiquiátrico baseado nos sintomas do paciente. Não há exames de imagem ou laboratoriais que auxiliem o diagnóstico. A dosagem de lítio no sangue só é feita para as pessoas que usam carbonato de lítio como tratamento medicamentoso, a fim de se acompanhar a resposta ao remédio. COMO SE TRATA:PsiquiátricoOs antidepressivos são muito eficientes e imprescindíveis no tratamento do Distúrbio Bipolar assim como o Carbolítio. Eles devem ser administrados tanto preventivamente quanto no período das crises. Os antidepressivos corrigem o metabolismo dos neurotransmissores, não sendo calmantes e nem estimulantes e não gerando dependência física. As doses necessárias de Lítio serão periódicamente avaliadas através de exames laboratorias. Psicoterapia IndividualA falta de controle sobre si mesmo experimentada pelo paciente durante o período de crise é uma profunda ferida narcísica a qual ele terá que dar conta em seu período de estabilidade. O apoio Psicoterápico o auxiliará não apenas durante a crise, mas também no estabelecimento de uma "qualidade de vida" que restabeleça seu equilíbrio egóico e o torne menos suscetível a novas crises. Psicoterapia FamiliarO Distúrbio Bipolar é visto como uma doença que se espalha no seio familiar, com um poder desestruturante não apenas para o doente, como para aqueles que o cercam mais intimamente. Enquanto um membro familiar padecer da mesma, todos de alguma forma estarão implicados em seus efeitos. A Psicoterapia vem em auxílio a família com o objetivo de melhor orientá-la no auxílio ao paciente Bipolar como também em reestruturar-se diante dos conflitos. |