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TEMPORAL
lisieux
E de repente a boca da noite me arreganha os dentes,
sarcasticamente a me lembrar que eu sou apenas gota... talvez uma
das que caem, parte da chuva densa, torrencial, que cai lá fora.
E o barulho da chuva tamborila nas janelas dos meus olhos,
acorda-me o animal que dormita nas entranhas e eu rujo tempestade,
gano, uivo, fera; trovejo e ronco, elementos à flor da pele, à
flor da alma.
Ah.. essa felicidade conta-gotas, canudinho, regrada e
mesquinha...
Queria queda-d'água, precipício, Niagara!
E tu, diluído em meio a tanta água, derramando-se em mim,
condensando-se nuvem, fazendo-se de novo temporal.
BH - 07.11.03 |
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