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ESCREVINHADORA
lisieux
Garatujo-me no meio desta tarde densa, buscando dar significado às
dissonâncias que o arco retesado no meio do peito faz brotar.
Semitono-me, notas esparsas que buscam libertar-se do círculo
fechado dos gemidos e voar. Voar, no espaço infinito, sem tempo e
sem memória, reescrevendo a história de antigos outonos, já quase
esquecidos.
Rabisco-me, palavras loucas, versos sem sentido, notas
dissonantes, transbordando acordes, que o coração arrebenta por
não poder calar.
Profetizo-me poeta.
E, poetando-me, espremo a seiva verde das palavras.
BH - 19.02.04 |
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