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DANÇA DA NOITE
lisieux
Na madrugada estéril, estrelas solitárias vogam no céu, saturadas
de dor, gritando os dissabores de se saberem nuas, tristonhas e
friorentas.
Inutilmente elas cintilam num céu azul-turquesa e piscam como se
esperassem resposta dos anônimos mortais.
Ao
amanhecer do dia, elas despertam ao lado do meu corpo prenhe de
esperança, primeiro a nascer, antes que o sol se debruce sobre a
terra, derramando calor e luz.
E,
com o dia, vão-se: essa solidão de cordilheira, essa agonia de
píncaros, esse medo de geleiras, essa vastidão de despenhadeiro,
que povoam minhas madrugadas insones e sombrias.
Claridade.
E
eu posso, finalmente, dormir em paz, morrer meus abismos,
mergulhar em bendito esquecimento... até que a noite torne.
BH - 28.11.03
(o
início me foi inspirado por "Noturnamente" de Ricardo Mainieri) |
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