LISBOA. Evolução urbana
UM ESTUDO DE: Juan Vicente Santamaría
LISBOA. Estudo de Geografía
Urbana. Por Juan Vicente
Santamaría.
- Evoluçao urbana. Os
primordios.
- Reconquista da cidade aos mouros
(1147). Com o "núcleo duro" da cidade
a situar-se junto da "alcaçaba"
(Castelo de S. Jorge) formando os atuais bairros
de Alfama e Mouraría.
- A Lisboa dos Descubrimentos (s.XV
XVI) significa uma expansao urbana ao
longo da Baixa, das zonas ribeirinhas e do
núcleo vizinho de Belém, ponto de partida e
chegada das naus onde se levantam nesta epoca
dois dos monumentos mais característicos da
cidade: a Torre de Belém e o Mosteiro dos
Jerónimos.
- A Lisboa baroca, além duma
expansao pelos altos occidentais (Bairro Alto,
Estrela),
| conhecerá
o terrível terramoto de 1755. As
massiças destruiçoes na zona baixa e
ribeirinha foram contestadas com um plano
de reconstrucçao dirigido pelo Marques
de Pombal: uma disposiçao em damero com
dois grandes praças, Comercio e D.Pedro
V (Rossio), unidas pela Rua Augusta. |
Entrada à Rua Augusta desde a Praça do Comercio
© Fotos de Portugal
|
Predios uniformes e, o mais
interessante, uma valorizaçao deste espaço com a
construcçao de edificios públicos (Ministerios, Cámara
Municipal).
2. Século XIX
A primeira metade do séc. XIX
confirmará esta valorizaçao dos espaços da baixa, do
bairro alto e da Estrela. Porém, na segunda metade do
século veremos uma enorme expançao da populaçao da
cidade: melhora das comunicaçoes (Fontes Pereira de
Melo), emigraçao desde as zonas rurais do pais, inicio
da industrializaçao, etc.
Tem importancia a anexao de núcleos
vizinhos como Olivais ou Belém (1885) e, sobre tudo, a
construçao do porto de Lisboa na zona de Alcántara
(1886).
A Lisboa de finais do século aumenta
rápidamente a sua área edificada: nas alturas à norte
do Rossío surgem os bairros de Estefanía, Gomes Freire
e Os Anjos; por tras da colina de Sao Jorge aparecem a
Graça e toda uma zona ribeirinha em direçao norte cheia
de pequenas fábricas, armazéns e zonas ferroviarias
(Xábregas, Poço do Bispo) pois é de recordar que esta
foi a primeira penetraçao ferroviaria até a cidade com
a estaçao a ser estabelecida em Alfama (Sta. Apolonia,
1856).
Nao debemos esquecer a expansao da nova
zona portuaria (Alcántara) com a instalaçao das
primeiras grandes factorías industriais e o desenho de
um bairro inteiro: Campo de Ourique. Este era o limite
occidental da cidade: Campo de Ourique, o cemiterio do
oeste (Prazeres) antes de chegar ao vale de Alcántara.
3. Século XX
Nos inicios do século XX, a zona de
maior centralidade era a Av. da Liberdade, aberta em 1879
no lugar do antigo passeio público de origem pombalina.
É um amplo boulevar que arranca do Rossío e vai para
norte, em ascensao, numa distancia de 1 km. entre as
zonas mais elevadas de Gomes Freire e o Jardím
Botánico. Ora, isto marca a orientaçao futura de
crescimento da cidade para norte: é o projecto das
"Avenidas Novas". Se a ambos lados da Avenida
edificam-se bairros residenciais de predios
plurifamiliares (Barata Salgueiro e Camoes,
respetivamente a esquerda e direita), o final da mesma é
uma grande praça (Marqués de Pombal) frente a um grande
parque.
Mas a expansao da cidade estaba ja
definida: desde a praça de Pombal uma avenida iría
buscar a norte a praça de touros e o Campo Grande, e
desde o Rossío outra grande avenida (Almirante Reis)
ía-se abrindo caminho para o norte por entre Estefanía
e Os Anjos.
Desde cedo, a Av. Fontes Pereira de
Melo ía concentrando as residencias da classe alta,
algumas delas unifamiliares (zona Picoas) até a praça
Saldanha, onde a avenida (agora Av. da República) mudava
de direçao em busca do Campo Grande.
3.1. O Estado Novo.
A maior expansao da cidade terá lugar
durante o Estado Novo. Com efeito, para além da anexao
de novos núcleos ao municipio (Benfica, Lumiar), importa
destacar a figura do Engenheiro Duarte Pacheco, Ministro
das Obras Públicas que simultaneou o cargo com o de
presidente da Cámara Municipal de Lisboa ( 1938
1943 ) até a sua morte num desastre de viaçao em Vendas
Novas. Durante o seu mandato procedeu-se à compra por
parte do municipio de ingentes cantidades de solo pelo
procedimento da expropiaçao forzosa. Isto permeterá ao
municipio dispor de uma reserva de terrenos para futuras
necessidades.
3.1.1. Os anos 30
De finais dos anos 30 datam 4 obras
importantes:
- Parque florestal de Monsanto:
é o desenho de uma enorme area verde, pulmao da
cidade, ao oeste, mais além do vale de
Alcántara.
- Abertura da Avenida do Infante
Santo: é uma reforma interior que visava uma
fácil e rápida comunicaçao entre a zona de
Rato Estrela com a zona ribeirinha de
Alcántara.
| |
Instituto Superior Técnico (Desenho do autor)
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- Instalaçoes do Instituto
Superior Técnico: complementado com a
Alameda Afonso Henriques. Teve o valor de romper
a direçao predominante norte-sul na zona das
avenidas novas fazendo com a sua orientaçao
transversal um nexo de ligaçao entre as dois
Avenidas e prolongando a futura urbanizaçao mais
além delas: pelo oeste (Av Duque d´Avila) até
as traseiras do parque e o presidio; pelo este
até o alto do Pina (zona de Olaias).
- Exposiçao do Mundo Portugués
( 1940 ): em Belém, teve o efeito de
valorizar toda esta zona, eliminando industrias e
fábricas contaminantes, e criando novos espaços
( Padrao dos Descubrimentos).

Igreja Nossa Senhora de
Fátima (1938). Pardal Monteiro (Desenho
do autor)
|
3.1.2. Os anos 40
Os anos 40 conhecem uma prolongaçao
das Avenidas Novas, em especial até a linha ferroviaria
que rodeaba a cidade pelo norte (via entre Campolide e
Xábregas-Marvila). Cabe destacar o projecto ordenador da
Praça do Areeiro, da autoria de Cristino da Silva (
1938-1952 ), desde onde continúa a Av. Almirante Reis,
agora com o nome de Av.Gago Coutinho, até ao aeroporto
internacional da Portela. Também nestes anos se desenha
o Parque Eduardo VII (obra de Keil do Amaral).
Projecto da Praça do Areeiro (Cristino da Silva, 1938) Desenho do autor
|
Em 1938 tinha sido aprovado o primeiro
Plano de Urbanizaçao de Lisboa. O problema da habitaçao
operaria, que desde finais do séc. XIX se arrastaba com
os famosos pátios e vilas (muitos deles ja insalubres ou
degradados), vai-se tentar paliar com a ajuda do Estado
(Lei de Casas Económicas, 1933), que tomará a sua conta
a construçao de bairros de diversa dimensao, muitos
deles promovidos pelo municipio entre os anos 40 e 50. O
primeiro foi o "Bairro Salazar" (Paulino
Montes, 1937), ao que se seguem o "Bairro da Madre
de Deus" (em Marvila), o "Bairro da
Encarnaçao" e o grande projecto de urbanizaçao (se
desenhou um plano parcial) do
| "Bairro
de Alvalade" (Faría da Costa,
1945), a norte da linha férrea entre as
avenidas. Trata-se de uma localizaçao
excepcional com muitas centralidades futuras e
uma tipología edificativa aberta, em blocos
lineais aislados de 4 andares. |
Bairro de Alvalade em 1950. Foto: CM Lisboa
|
De facto, os sucessivos bairros foram
estabelecidos na perifería, sobre tudo oeste, no vale de
Alcántara ( "Bairro das Furnas", "Bairro
da Serafina", "Bairro da Calçada dos
Mestres", "Bairro da Quinta do Jacinto"),
em Belém ("Bairro da Boa Hora", "Bairro
do Alto da Ajuda", "Bairro do Caramao"),
mesmo no interior do Parque de Monsanto ("Bairro
Caselas") e inclusive ao outro lado do mesmo
("Bairro da Boavista").
Os bairros construidos com uma maior
"centralidade" nao tinham a dimensao do Bairro
de Alvalade: "Bairro da Quinta da Calçada",
"Bairro Sao Joao" ( pequena reforma interior
nas proximidades da igreja da Penha), ou "Bairro
Presidente Carmona" (perto do Areeiro), com a
excepçao do "Bairro do Arco do Cego", em
edificaçao aberta ao norte do Instituto Superior
Técnico.
3.1.3. Os anos 50
Dos anos 50 cabe destacar a completa
ocupaçao da zona entre as dois Avenidas ( Av. dos
Estados Unidos , P.Cid 1953) e mais além da Av. da
República (Cidade Universitaria, 1957 61;
Fundaçao Calouste Gulbenkian, 1960-69 ). Ficava um
grande vazio a leste da Av. Gago Coutinho até a zona
ribeirinha. Apenas existía o bairro da Encarnaçao, dos
anos 40; vai ser esta zona onde vao surgir as últimas
grandes promoçoes de bairros económicos: "Olivais
Norte" (N.Teotonio, P.Cid, 1955) e "Olivais
Sul" (J.R.Botelho, C.Duarte, 1960).
3.1.4. Os anos 60
Os anos 60 serao de grande
desenvolvimento das comunicaçoes:
- Inauguraçao do Metropolitano
(1959)
- Inauguraçao da Ponte Salazar
sobre o Tejo (1966). Esta grandiosa obra, além
de permitir a comunicaçao rodoviaria com "a
outra banda", traz consigo a construçao de
uma autoestrada elevada sobre o vale de
Alcántara e as respectivas ligaçoes com a
autoestrada do Estoril e com o centro da cidade a
través da Av. Engenheiro Duarte Pacheco. Tudo
completado com o esboço de uma circunvalaçao
exterior, a II Circular.
Nos anos 60 e 70 o crescimento
dessenfreado da populaçao assenta em bairros exteriores
muito periféricos (Pontinha, Charneca, Lumiar )
inclusive pertencentes a concelhos limítrofes como
Amadora ("Bairro da Reboleira, 1970), Oeiras,
Loures, etc., sendo que o último espaço livre para a
construçao de bairros económicos, a zona entre Olivais
Sul e a linha férrea conhecida como "Chelas",
tinha ja desde os anos 60 a previsao de construçao de
aproximadamente 11.500 casas sociais num espaço de 510
Ha., mas por diversos motivos ainda nao está concluida.
De facto, os problemas políticos e a
crise económica após o 25 de Abril de 1974 paralisaram
estas construçoes destinadas fundamentalmente a
erradicar os bairros clandestinos ou "bairros de
lata" ("Bairro Chinés, Brandoa, Casal
Ventoso). O Plano Diretor de Lisboa ( Meyer, 1967)
tampouco chegou a concretizar-se pelos mesmo motivos.
3.2. Os últimos anos
A recuperaçao económica iniciada em
1985 significará uma valorizaçao comercial de algumas
| zonas (Av.
Engenheiro Duarte Pacheco Amoreiras ) ao
mesmo tempo que se termina a II Circular ( uma
III Circular, a "cintura externa
Jamor-Alverca" de 34 km. ficará concluida
no ano de 1996). Av. Engenheiro Duarte Pacheco na
zona das Amoreiras. Em primeiro
termo, o edificio da RDP.
|

© Foto: RDP
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Tanto o Plano Estratégico (1991) como
o Plano Diretor Municipal (1993) marcam atuaçoes
puntuais numa cidade ja desenhada. Os hitos de maior
destaque nos anos 90 foram:
- Reconstruçao do Chiado e a Baixa,
tras o violento incendio.
- Construçao do Centro Cultural de
Belém (1991)
- EXPO 98: remodelaçao
urbana na zona oriental ribeirinha com a
transformaçao de uma zona industrial degradada
(refinería, fábricas) num espaço de ocio,
cultural e residencial, melhorando por sua vez as
comunicaçoes da cidade com a estaçao intermodal
Gare do Oriente e a magnífica Ponte Vasco da
Gama, que liga a zona norte da cidade ao Montijo)
Estas intervençoes , juntamente com
outras como a ampliaçao da rede do metropolitano, o
túnel na Av. Joao XXI por baixo da Av.Roma (1997), a
supresao do bairro de lata "Casal Ventoso"
(1998), o traslado do aeroporto internacional a Ota
(2005), se conjugam com uma maior contestaçao dos
cidadaos perante os projectos de reforma de areas
preexistentes da cidade ( por exemplo, o falhado projecto
do elevador do Castelo de S. Jorge 2000 - )
Ó
Juan Vicente Santamaría Gil. 2003

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