A VOZ DA
MANJEDOURA
Lino
Vitti
Foi aqui, neste berço
empobrecido e estranho,
Em noite a se perder em já
longínquo antanho
Que o universo fremiu, pois
vinha do infinito,
Aquele que seria o Salvador
bendito,
Filho de Deus Eterno, em
forma de criança,
A trazer-nos talvez uma
última Esperança.
Manjedoura feliz, que se fez
monumento,
Onde em palhas pousou, entre
um boi e um jumento,
A grandeza eternal do Deus
Filho e Senhor,
A imensidade, sim, do
celestial Amor.
Manjedoura feliz, a um Deus
dando os afagos,
Que pastores ouviu, vendo e
ouvindo os Reis Magos.
Manjedoura feliz, em cujos
pobres braços
Coube a glória da Luz, do Senhor dos espaços.
Eu ouço, manjedoura, a tua
voz que vibra
Pelo universo além, cantando
fibra a fibra
A soberana História em que
Cristo nasceu,
Como foste feliz, foi Deus
que te escolheu!
Testemunha tu és, gloriosa e
verdadeira,
Afirmando a chegada imensa e
sobranceira
Daquele que do Céu à Terra
quis amar,
Daquele que qual Deus, ao
homem se quis dar.
Manjedoura feliz, tua santa
humildade
Falou naquela noite à toda a
humanidade
Anunciando a chegada e o
esplendor dessa Luz,
Do pequenino e doce e
divinal Jesus.
Tu que até então somente aos
animais servias
Viraste marco azul de sonhos
e alegrias,
Com hinos, a vibrar, de
arcanjos e pastores,
Gritaste ao mundo vil:“é o
Senhor dos Senhores,
Que vem para salvar do
pecado e do inferno,
A mando de Deus Pai, do
Soberano e Eterno.
Homens, homens cruéis,
potentados, guerreiros,
Recolhei, recolhei os braços
carniceiros,
Esquecei, esquecei, as
forças e as conquistas,
É Deus que chega agora, é
Deus a nossas vistas!
Daqui Cristo inicia o santo
itinerário
Que só terminará no cimo do
Calvário,
Deixando a salvação à
ingrata humanidade.
Destas palhas sairão Luz,
Amor e Verdade.”