A tarde e a vida(Soneto dedicado a Ésio António Pezzato. Composto num entardecer frio e enfaruscado ) |
Lino Vitti (com resposta de Ésio Pezzato) |
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A tarde esvai-se e, como a vida, também morre. Diga-me então porque, se a tarde é imensa e linda, Não há como salvá-la?!... E à vida, quem socorre?! Amamos tanto a tarde! E a vida, mais ainda! Ambas se vão porém – eterno corre-corre! Mas se a tarde que chega é adorada e bem vinda, A morte não se quer, e dela tudo corre... Entretanto amanhã outra tarde há de vir. E a vida que se foi jamais terá porvir É uma só, uma só, meu poeta divino! Vejo a tarde findar, parece um belo sonho! Vejo a vida findar, é macabro, é medonho! É terrível, feroz, nosso humano destino! |
| O Ésio respondeu com este soneto: Meu Príncipe é Segunda... A semana ainda é imensa
E está por ser vivida em sua plenitude. Que ela, pois, possa ser vencida com saúde E em cada alvorecer nos conceda uma crença. A paixão por vivê-la ainda é mais intensa! Que o sol com seu rubor rebente com virtude Nossos sonhos azuis e nossa juventude Que versos com prazer sairão com recompensa. Poderá até chover... mas a chuva benquista Fará brotar da terra as mais belas sementes Que em galhos florirão as mais preciosas vidas. E nossa alma – Poeta – em convulsão de artista Fará versos florir, belos e rescendentes Para o mundo viver em glórias mais floridas. Ésio
António Pezzato
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