Ser Poeta

Lino Vitti

        
          Abraçar, com amor, os mistérios da vida,
          beber da cornucópia azul que é o infinito,
          as belezas astrais soando como um grito 
          é fagulha – uma só – da poesia querida.

          Sondar os corações, ler de alma entristecida
          o livro da ilusão; do amor, o grande atrito;
          ver a felicidade a fugir – sonho aflito –
          em desumana, atroz, insólita corrida.

          Sentir a imensa dor da pétala que morre,
          a lágrima infeliz que nas faces escorre,
          um pipilo que encanta os brilhos matinais...

          Ser poeta! Sorrir para a tristeza e o luto,
          supondo que sofrer é delicioso fruto,
          uma oferta do céu a todos os mortais.

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